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Com amistoso marcado, a NBA enfim ratifica descobrimento do mercado brasileiro
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Giancarlo Giampietro

Linha do tempo, vamos lá:

- 1984: Oscar Schmidt é draftado na sexta rodada pelo New Jersey Nets, mas nunca chega a fazer a transição para a liga norte-americana, numa época de raríssimos contatos entre a NBA e o mundo FIBA.

- 1988: vindo da universidade de Houston, a mesma de Hakeen Olajuswon, o pivô Rolando Ferreira é draftado pelo Portland Trail Blazers na 26ª escolha geral, a primeira da segunda rodada, já uma façanha e tanto. Ele encerra sua carreira na liga em apenas uma temporada, com 12 partidas disputadas.

- 1991: João Vianna, o Pipoka, disputa uma partida oficial pelo Dallas Mavericks e marca dois pontos contra o Spurs em San Antonio. Ele assinou contrato no dia 2 de outubro e acabou dispensado em 12 de novembro.

Nenê e o commish

Nenê podia ter sido do Knicks, mas foi para o Nuggets em marco brasileiro na NBA

- 2002: Nenê Hilário é selecionado na sétima colocação do Draft da NBA pelo Knicks, um feito histórico. É repassado de imediato ao Denver Nuggets, pelo qual jogou até o ano passado, quando foi trocado para o Washington Wizards. Em sua carreira, já tem garantidos mais de US$ 100 milhões apenas em contrato.

- Junho de 2003: É a vez de Leandrinho seguir a rota traçada pelo pivô são-carlense e deixar o basquete brasileiro para se preparar exclusivamente para o Draft. É selecionado pelo Spurs na 28ª escolha para ser repassado para o Phoenix Suns. Pelo clube do Arizona, foi eleito o melhor sexto homem de 2007, sendo um dos melhores arremessadores de três pontos do campeonato por dois anos seguidos.

- Setembro de 2003: Alex Garcia impressiona o técnico Gregg Popovich na disputa da Copa América no Porto Rico e assina como agente livre com o San Antonio Spurs. É dispensado em junho de 2014 e logo contratado pelo New Orleans Hornets. Acabou dispensado pelo novo clube em dezembro daquele ano.

- 2004: seguindo, uma rota diferente, o pivô Rafael Araújo, o Baby, é o oitavo no draft daquele ano, tendo se formado pela universidade de BYU – ao contrário do que teve no basquete universitário, porém, sua carreira na liga profissional dura apenas três anos, até que seu contrato com o Utah Jazz expirou em 2007. No mesmo recrutamento, Anderson Varejão sai em como o número 30, a primeira escolha da segunda rodada, pelo Orlando Magic, mas já é negociado pouco depois para o Cleveland Cavaliers. É ídolo da torcida.

- 2006: Marquinhos, com os mesmos agentes de Nenê e Leandrinho, também tenta a sorte nos EUA e é escolhido na posição 43 do draft pelo Hornets. Fica dois anos no clube, joga pouco (26 partidas no total) e é trocado nem fevereiro de 2008 para o Memphis Grizzlies, que não renovou seu contrato.

Alex, o da NBA

Alex, em novembro de 2004: um Hornet

- 2007: Tiago Splitter, jogando na Espanha, cai no colo do San Antonio Spurs no final da primeira rodada, novamente com a escolha 28, mas dessa vez o clube texano mantém o brasileiro. O pivô jogou mais alguns anos pelo Baskonia até se transferir. Virou titular na atual temporada e deve chegar bem cotado ao mercado.

- 2010: Paulão Prestes é escolhido pelo Minnesota Timberwolves, na segunda rodada (45ª), é aproveitado em jogos de liga de verão, mas não chega a firmar um contrato.

Esse é o campo esportivo.

No dos negócios, a liga desenvolveu seus laços com o país de modo bem tímido – ao menos do ponto de vista oficial, já que seu marketing já era disseminado por meio de suas partidas, site e produtos importados.

Numa teleconferência de imprensa láaaaaaa atrás em 2000, antes mesmo da chegada de Nenê a Denver, o comissário David Stern já ventilava a possibilidade de fazer um amistoso de pré-temporada no brasil. Lembro que, na mesma conversa, ele afirmava que dois jogadores brasileiros tinham chances de entrar na liga num futuro próximo: Guilherme Giovannoni e Jefferson Sobral. A história acabou sendo outra.

De todo modo, uma vez com Maybyner Hilário contratado, a NBA tinha, enfim, alguma âncora firme para evoluir com seus negócios. Mas foi bem aos poucos. O país recebeu algumas das edições do programa “Basketball Without Borders”, um camp coordenado por dirigentes e técnicos de suas franquias, reunindo alguns dos principais jovens jogadores do continente. O último foi em 2011, no Rio. Eventos esporádicos também foram realizados.

BWB no Rio

Atividade do BwB no Rio em 2011

Até que de um ano para cá as coisas esquentaram. Em 2012, começou a operar um escritório da liga no Brasil, localizado no Rio. “O país que receberá o Mundial de futebol e a Olimpíada chama a atenção do mercado internacional”, disse na época o vice-presidente da NBA para a América Latina, Phillippe Moggio, ao repórter Daniel Brito, então da Folha de S.Paulo (texto na íntegra para os assinantes). O próximo passo foi a criação de uma loja oficial online: “Vemos o Brasil como terceiro mercado para a NBA [atrás de EUA e China], é muito importante, pelo crescimento do país, seu bom momento, além da Olimpíada. É uma oportunidade muito grande”, disse Moggio.  Na ocasião, o dirigente garantiu que chegaria ainda o dia em que o país teria um jogo de pré-temporada, pelo menos. “É um compromisso que temos”, afirmou.

Durante a década passada, esse tipo de discurso havia sido repetido tantas vezes, em diversas ocasiões, que sempre foi recomendado um tico de desconfiança. Dessa vez não foi apenas falácia, enfim chegou o dia: 12 de outubro de 2013, com Washington Wizards enfrentando o Chicago Bulls na Arena HSBC, do Rio.

Ter uma arena de primeiro nível sempre foi visto como um grande impasse para a realização de um amistoso ou jogo da liga por aqui. O ginásio escolhido no Rio de Janeiro está de pé desde 2007, quando abrigou os Jogos Pan-Americanos. Na ocasião, apenas como espectador do evento, Leandrinho me disse o seguinte a respeito: “Com certeza (a arena) pode receber qualquer evento da NBA. Garanto que muita gente viria para o ginásio apoiar um time que tenha algum dos brasileiros”.

Em termos de infra-estrutura, a sede não mudou tanto assim para que pudesse ser esse o difrencial na decisão anunciada nesta terça-feira pela turma de Stern. A marcação do amistoso, enfim, ratifica o descobrimento do Brasil, como mercado, pela NBA.


A NBA não vive apenas de estrelas: conheça os anônimos que brilham ao seu modo na liga
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Giancarlo Giampietro

Sabe o Jeremy Lin, né?

Aquele da Linsanidade e tal.

Então: seu caso de jogador que era refugo da D-League e virou um astro na NBA foi o mais emblemático quando pensamos em atletas que nem sempre foram valorizados como deviam por dirigentes, técnicos e scouts, ou, no mínimo, atletas que acabam evoluindo consideravelmente contrariando qualquer previsão e acabam se dando bem na liga norte-americana.

São histórias sempre bacanas de se acompanhar, mostrando que nunca é tarde para realizar seus sonhos.

(Espaço para imaginar a trilha de cinema, daquele filme de drama enobrecedor, que faz a pessoa se sentir nas nuvens depois de um clímax meloso, mas arrebatador. Que toque a sifonia na sua cuca…)

Agora ok.

No ano passado, ainda na primeira encarnação, o Vinte Um elegeu seu “Esquadrão Jeremy Lin” em homenagem ao armador que conquistou Manhattan, reunindo jogadores que tiveram de lutar e viajar um bocado até chegar ao bem-bom da NBA.

Ainda estamos na metade do campeonato 20120-2013, com muita coisa para rolar – especialmente a fase deprimente e ao mesmo tempo extremamente intrigante em que os times vão se autossabotar para tentar uma escolha mais alta de Draft, abrindo as portas para as hordas vindas da D-League. Mas já deu para pinçar aqui e ali quatro bons candidatos para formar o”EJL 2012-2013″.

Sem perder mais tempo, vamos aos rapazes que concorrem a uma honraria tão prestigiada como essa:

- Chris Copeland, New York Knicks.

Chris Copeland

Copeland em ação na liga de verão de Las Vegas: calouro aos 28 anos

Nascido em Nova Jersey, formado na universidade de Colorado em 2006, o ala de 28 anos realmente apareceu do nada. Quer dizer, a não ser que o informado leitor do Vinte Um estivesse por dentro de tudo que se passava na liga belga de basquete. Era lá que ele estava jogando nas últimas duas temporadas, defendendo o ilustre Generall Okapi Aalstar (muito prazer) e foi encontrado pel olheiro europeu dos Bockers. Foi convidado para jogar a liga de verão de Las Vegas, ganhou um lugar no training camp de Mike Woodson e, alguns meses depois, já faz parte do quinteto titular, jogando ao lado de Carmelo Anthony como um Steve Novak turbinado. Arremessa muito bem de qualquer canto da quadra e é um pouco mais atlético que o branquelo. Já marcou mais de 20 pontos em três partidas.

- Alan Anderson, Toronto Raptors.

Alan Anderson para o chute

Alan Anderson chuta com Kevin Durant na plateia

Aos 30 anos, o ala enfim conseguiu seu lugar para valer no Eldorado. Graduado em uma universidade bem mais tradicional, Michigan State, demorou para ter destaque pelos Spartans, dirigido por Tom Izzo. Teve médias de 13,2 pontos, 5,6 rebotes e 1,7 assistência em sua última campanha. Não foi o suficiente para convencer um time a selecioná-lo no Draft de 2005, mas ele acabou jogando pelo Bobcats em duas temporadas intermitentes, alternando com passagens pelo Tulsa 66ers da D-League. Dispensado, decidiu então migrar para a Europa, onde jogou na Itália, na Rússia e na Croácia até assinar com o Maccabi Tel Aviv, pelo qual fez uma ótima temporada em 2009-2010. Voltou para os EUA, então, mas, sem ofertas da NBA, jogou pela D-League novamente em 2010. Era muito pouco para seu talento, tendo se transferido logo para o Barcelona. Foi eleito o MVP da Copa do Rei. Hora de se firmar na NBA? Claro que não: teve de ir para a China até que, em março de 2012, assninou um contrato de 10 dias com o Raptors. Depois, fechou pelo restante da temporada, com médias de 9,6 pontos por partida em 17 partidas como titular. Mas é apenas nesta temporada, mesmo como reserva, que ele vem sendo produtivo, com 12,2 pontos em 24,7 minutos, com desempenho decisivo em algumas vitórias do Raptors. Mais importante: tem seu primeiro contrato garantido.

- PJ Tucker, Phoenix Suns.

PJ Tucker x Nicolas Batum

PJ Tucker pressiona Batum: destaque isolado pelo Suns

Ao contrário dos dois jogadores citados acima, Anthony Leon Tucker foi selecionado no Draft da NBA na 36ª posição, no ano em que decidiu deixar a universidade do Texas, em 2006. Acontece que sua carreira pelo clube canadense não foi das mais produtivas ou duradouras: fez apenas 17 partidas em sua temporada de calouro até ser dispensado. Ele admite hoje que não soube lidar com a falta de tempo de quadra, deixando se levar pela frustração. “Eu ficava reclamando, brigando. Tinha a cabeça muito jovem e não entendi que isso é um negócio, perdi a perspectiva. Você precisa entender seu papel numa equipe. Agora vejo garotos fazendo a mesma coisa: dizendo que foram ferrados pelo GM ou pelo técnico. Quando você consegue ser verdadeiro consigo mesmo, é aí que as coisas fazem sentido. Foi uma jornada dura, mas completa”, diz o ala que é um dos poucos pontos positivos na decepcionante campanha do Suns. Nessa jornada dura você pode incluir passagens por dois clubes de Israel, um da Ucrânia, um da Grécia, um da Itália, um de Porto Rico e outro da Alemanha. Por clubes menores, mas preenchendo o currículo: foi eleito o MVP da liga israelense em 2008, cestinha da liga ucraniana e MVP da última final da liga alemã, pelo Brose Baskets Bamberg. Seu passe estava valorizado na Europa, mas optou por tentar a NBA mais uma vez, garantindo seu lugar no Arizona com muita garra, assumindo o desafio de marcar um LeBron James uma noite e Kevin Durant na outra. “Nunca deixo alguém trabalhar mais duro do que eu”, afirma.

- DeQuan Jones, Orlando Magic.

DeQuan Jones, Orlando Magic

DeQuan Jones, um titular improvável para o Orlando Magic

Um jogador com muita impulsão e elasticidade, candidato natural a qualquer concurso de enterradas, Jones era, porém, apenas o sétimo cestinha da universidade de Miami – equipe que está bem distante do pelotão de elite da NCAA. Não era de estranhar então que, na noite do Draft de 2012, sua família não tivesse preparado nenhuma festa de arromba. “Ninguém esperava por nada. Era mais como um tiro no escuro”, diz o ala. Sete meses depois, e lá está ele no quinteto titular em Orlando, clube pelo qual ele nem foi testado nos treinos particulares que antecedem o recrutamento de novatos. Para constar: apenas Bucks, Lakers e Pistons o observaram de perto, e foi em Detroit que Scott Perry, futuro gerente geral assistente da franquia da Flórida o conheceu. Perry o convidou para jogar a liga de verão, e deu certo. Acabou conseguindo uma vaga no traning camp, sem garantia alguma no seu contrato, mas bateu o veterano Quentin Richardson (US$ 4,5 milhões em salário) e os alas Justin Harper e DeAndre Liggins, que eram escolhas de Draft do clube.

PS: encontre o Vinte Um no Twitter: @vinteum21.


Blog recebe um reforço especial para o mês de dezembro
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Giancarlo Giampietro

Breaking news!

O Vinte Um vai receber um reforço de nível internacional para defender suas cores no mês de dezembro. Trata-se do companheiro Rafael Uehara, um paulistano que é o editor do “The Basketball Post” e vai dar as caras neste espaço pelas próximas semanas.

Por quê?

Macedônia em ação pela segunda divisão do campeonto europeu sub-16? Pode ser que o Rafael escreva sobre isso, sim

Bem, primeiro porque vale sempre ler o que o Rafael escreve, e, se você ainda não teve a oportunidade de conhecer o Post, corra lá, por favor.

O segundo motivo é de ordem pessoal: por motivos profissionais de caráter estritamente confidencial – não perguntem, por favor, para sua própria segurança ;) –, este blogueiro aqui tem ficar um pouco distante.  O que não quer dizer que não vá aparecer de quando em quando para gastar o seu tempo com artigos fúteis e intrigas.

Algo bem diferente do que o Sr. Uehara vai nos oferecer com seus artigos, como você vai poder sacar ao final deste depoimento de apresentação enviado em envelope lacrado direto da sede do Post:

“Lembro-me da Band transmitindo os Lakers de Kobe e Shaq conquistando o tricampeonato da NBA no início do século. Também me lembro de quando, por um ano ou dois, a Rede TV! transmitia duplas jornadas aos sábados. Basquete sempre me fascinou desde uma idade pequena, mas não possuía TV a cabo, então tinha pouco acesso ao jogo.

Quando no colegial, tinha um amigo americano com o qual discutia sobre futebol americano (o histórico milagre de Eli Manning no Super Bowl 42), peguei interesse pelos esportes americanos, reencontrei a NBA e não larguei mais depois de assistir ao jogo pela medalha de ouro em Pequim-2008 de madrugada, quando a seleção espanhola quase derruba a seleção americana. Ai se aquele tiro de três do canto pelo Jiménez cai…

Algum tempo depois encontrei o twitter e toda essa comunidade que tem o mesmo interesse intenso pelo jogo que eu. Um tempo depois comecei a blogar e, há dois anos estou com um projeto chamado The Basketball Post. Assisto desde NBA até ã campeonatos europeus de juvenis. Sei que não é saudável, mas o que posso fazer? Virou vício.”

Está vendo? Basquete coloca as pessoas nessas situações dramáticas. Porém, se o Rafael já parece perdido na vida, por outro lado você pode ter certeza de que ele vai achar informações bem interessantes para dividir com a gente nas próximas semanas.

De modo que, quando um certo barbudo voltar para valer ao QG 21, vai correr um risco sério de me deparar com uma revolta popular e os cartazes e gritos pedindo: “Fica, Rafael! Fora, Gian!”.

Mas tudo bem: aproveitem!

Você pode encontrar o Rafael Uehara no Twitter aqui: @rafael_uehara.


Lituânia ataca e diz que Europa está unilateralmente contra mudanças da Fiba
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Giancarlo Giampietro

A Lituânia está muito longe de conseguir uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, não tem voz ativa na Organização Mundial do Comércio e nem está inserida nos planos estratégicos de nenhuma potência mundial. Mas, quando o assunto é basquete, todo mundo precisa ouvir.

Pouco depois do anúncio das drásticas mudanças no calendário mundial de seleções por parte da Fiba, a federação lituana se pronunciou a respeito. E de modo revoltado, indignado, estupefato, contrariad: escolha o que quiser. Revelaram que a Europa toda está contra as alterações, incluindo a Euroliga. E dizem que a NBA não foi consultada….

Linas Kleiza, Lituânia

Linas Kleiza, máquina mortífera lituana que pode ser desfalque em eventuais rodadas no prováfel calendário fictício da Fiba

“É óbvio que o sistema precia ser reformado, com novas ideias de condução de nossas competições, para que possamos atrair mais mercados, espectadores e televisão”, afirmou o secretário geral Mindaugas Balciunas. “Mas tudo precisa ser analizado extensamente, quando mudanças cardinais são feitas. A Fiba declara que a reforma é decidida pela vontade de fortalecer o prestígio do Campeonato Mundial de Basquete, para dar a oportunidade para as seleções nacionais jogarem mais em casa e envolver mais times no torneio principal.”

“Tudo isso soa bem e legal. Mas é preciso notar que vai ser muito difícil instaurar estes planos. A Euroliga e a Uleb foram contra a reforma, e a Fiba Europa vovtou unilateralmente que esta reforma é inaceitável para o nosso continente. A NBA nem discutiu o tema. Alguém vai se interessar por uma competição na qual os times usam suas equipes secundárias porque não haverá jogadores da NBA ou Euroliga?”, questionou, já adiantando informações importantíssimas.

“Dá para dizer que a reforma foi feita de olhos fechados. A Fiba contratou experts que trabalharam para a Fifa e a Uefa, e por isso que o modelo do futebol foi copiado cegamente. Não sei se ese caminho tem algum futuro”, afirmou. Mas tem mais.

“A Lituânia e outros países de muita tradição no basquete estão lutando numa arena internacional agora por algumas coisas, porque achamos que a reforma está senco conduzida sem envolver participantes fundamentais, sem dar consideração nenhuma para suas opiniões”, completou.

Tal como no futebol, a Fiba cria agora as “Datas Fiba”, nas quais as seleções jogariam em eliminatórias regionais por uma vaga na, agora, Copa do Mundo de basquete. Haveria jogos em fevereiro e novembro, no meio das temporadas regulares das principais ligas do mundo. Faltou combinar apenas com o restante das pessoas envolvidas no processo. Coisa pouca.

 


Após mudanças, calendário do basquete brasileiro segue totalmente bagunçado
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Giancarlo Giampietro

Nunca antes na história deste país foi tão difícil agendar um jogo de basquete. Ou melhor: três ou cinco, dependendo do quanto vai se estender a final do Campeonato Paulista masculino.

São José x Pinheiros, segundo round

São José, de Laws, faz revanche contra o Pinheiros em final tardia do Campeonato Paulista

A federação divulgou nesta sexta as datas dos duelos entre Pinheiros e São José dos Campos: dias 20 e 21 em São Paulo, 23 em 24 no Vale do Paraíba e, se necessário, no dia 26 retornando para a capital. Concluída, então, a semifinal na quinta-feira passada, todo mundo que espere mais de dez dias para a decisão começar.

Que espécie de tabela é essa? Não há regularidade, continuidade nenhuma. Quando a final começar, o Pinheiros, por exemplo, terá aguardado 19 dias desde o desfecho de sua série contra o Paulistano. São duas semanas e meia, gente. Algo inadmissível. Péssimo para fazer qualquer competição pegar fogo, como deveria ser numa fase dessas. É o guia básico de como esculhambar seu próprio produto.

No fim, de nada valeu o adiamento do hexagonal semifinal da Liga Sul-Americana por parte de Abasu e Fiba Américas. O Grupo E, que reúne o trio brasileiro, ficou agora para os dias 27 a 29 de novembro, em vez de 13 a 15 ou 14 a 16, como incialmente previsto e que poderiam encavalar com o defescho do Paulista, segundo a lógica. Mas que nada. As datas ficaram vagas e poderiam muito bem ser aproveitadas não fosse a pasmaceira que domina a FPB na hora de acertar sua tabela. Com a demora por parte da federação, pode ser agora que o Pinheiros jogue uma quinta partida num dia e, no outro, já tenha de encarar uma potência nacional em uma competição muito importante.

Pior: as datas dos dias 24 e 26, se utilizadas pelo estadual, coincidiriam com as duas primeiras rodadas do NBB.

Como se esse fosse o único problema para a LNB contornar – porque, convenhamos, obviamente haveria mais de um problema nesta zona toda.

Lançado o NBB 2012-2013

Lançado o NBB 2012-2013, mas já com eventuais mudanças na tabela para se fazer

A terceira jornada do campeonato nacional também já corre o risco de ser desfalcada, já que está toda programada para o dia 29 deste mês. O que implica em mais jogos adiados, uma vez que Brasília, Flamengo e Pinheiros estarão concluindo sua participação no torneio continental neste dia.

É até difícil entender ou explicar. Basicamente: entre os dias 24 e 29 de novembro, estão programados dois jogos finais do Paulista, três rodadas iniciais do NBB e um quadrangular de Liga Sul-Americana. Inacreditável:

Com qual frequência se dá o diálogo entre clubes e a sopa de letrinhas formada por Abasu, Fiba Américas, FPB, LNB (que gere o NBB) e CBB? Há quanto tempo já se faz todas essas competições regularmente? Qual a dificuldade de se organizar um calendário que possa acomodar datas específicas para cada uma delas?

O Campeonato Paulista é forte, tradicional, e tal, mas até quando a FPB vai causar tanto problema assim com seu prolongamento? É impossível definir as datas de antemão? E mais: caso houvesse começado mais cedo, tudo já poderia estar resolvido, e a Abasu e a LNB que se decidissem sobre suas rodadas. Da mesma forma seria se o número de competidores fosse reduzido – um raciocínio que, ok, pode ser despropositado, quando vemos a dificuldade que outras federações tem para catar na rua ao menos quatro inscritos.

Algo, porém, precisa ser feito para acabar com essa bagunça.


Arenas deve ser próxima estrela renegada da NBA a jogar na China
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Giancarlo Giampietro

Stephon Marbury abriu o caminho. Tracy McGrady partiu ano. E já, já os dois jogadores devem ter a companhia de mais uma estrela renegada da NBA na China: Gilbert Arenas, que, segundo consta, recebeu… Hã… Zero propostas para estender sua carreira na liga norte-americana.

Marbury eterno

Marbury eterno: ex-armador de Knicks, Suns, Nets e Wolves é ídolo em Pequim

Ao que tudo indica, levando em conta  a cultivação intensa de novos talentos nos Estados Unidos, a crise europeia, o dinheiro das corporações chinesas e a carência de ídolos no campeonato do país, não seria de se estranhar que outros antigos All-Stars também sigam esta rota.

Tal como T-Mac, Arenas sofreu com muitas lesões nos últimos anos, mas sua ficha corrida de problemas fora de quadra pesa ainda mais para forçar seu exílio.

Que tipo de problema? Bem, tirando o episódio de ter sacado uma pistola e ameaçado um bangue-bangue com Javaris Crittenton no vestiário do Washington Wizards, ele acabava incomodando mais suas franquias, no aspecto corporativo, devido ao seu comportamento errático. Em um primeiro momento, seu senso de humor atraía fãs e rendia um bom lucro para a franquia. Desde o episódio das armas, porém, qualquer piada do veterano, descambava para o mau gosto para a opinião pública.

Orlando Magic e Memphis Grizzlies ainda estenderam a mão para o escolta, mas seu basquete já não lembrava em nada o daquele astro da década passada – em 2005-2006, foram 29,3 pontos de média –, nos tempos em que perturbava as defesas com um primeiro passo explosivo, muita criatividade no drible e um arremesso que funcionava de muitos ângulos diferentes. Aos 30, ele deixa a NBA com 20,7 pontos por jogo.

Na China, pode ser que o Agente Zero, caso acerte mesmo com o Guangdong Southern Tigers, chegue a esse tipo de número. No ano passado, devido ao locaute, alguns americanos se precipitaram e fecharam contrato com times chineses. Entre eles estavam JR Smith e Wilson Chandler. Suas estatísticas foram de videogame. Smith chegou a marcar 60 pontos numa partida, com direito a 14 chutes certos em 18 tentativas da linha de três pontos. Sim, pode ler a frase anterior den ovo que é tudo verdade. Em seu jogo de estreia, Wilson Chandler somou 43 pontos e 22 rebotes. Tipo Wilt Chamberlain.

JR Smith, na maior folga

JR Smith sofreu para se adaptar fora de quadra; quando jogava, reinava na China

Tratado como um pária em Nova York, Stephon Marbury, aliás, já virou estátua na capital chinesa depois de ter ajudado o Beijing Ducks os Patos de Pequim a conquistar o título na última  campanha ao marcar 41 pontos no Jogo 5 das finais do campeonato. Ele está no país há três temporadas.

Por isso, na hora de receber uma oferta com um ano de contrato garantido, de poder explorar um mercado gigantesco e ainda mandar em quadra, fica difícil para um veterano dizer não. “Os jogadores que podem ganhar um salário mínimo na NBA podem muito bem decidir ir para a China, em vez de esperar por um contrato da NBA”, afirmou o agente Mark Bartelstein, que trabalha com mais de 30 atletas na liga americana.

A não ser que esse veterano se chame Allen Iverson. Sempre do contra, o genial e genioso baixinho do Sixers já disse não aos chineses.

*  *  *

Um artigo recente do HoopsHype expõe o quanto a crise europeia está mudando o mapa do mercado de transferências do basquete. Neste ano, um número muito reduzido de jogadores com selo NBA se transferiu para países que antes eram contumazes importadores como Espanha, Itália e Grécia.

“A Liga ACB espanhola costumava ser a melhor liga, mas a base do que eles podem bancar mudaram bastante. Os times de nível médio para baixo sofreram um grande golpe. Atletas que talvez estivessem ganhando US$ 250 mil por ano estão fazendo agora entre US$ 80 e 100 mil”, disse Bartelstein.

Isso quando o dinheiro cai de verdade no banco, claro. “Não há mais lugares seguros na Europa. A Fiba pode até ajudar, mas em muitos, se não na maioria dos lugares na Europa, você agora gasta mais tempo lutando pelo dinheiro de seu jogador do que administrando sua carreira”, afirmou o empresário Bill Neff.

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A temporada 2012-2013 da NBA começa pela primeira vez sem um chinês desde 2001, ano em que o pivô Wang Zhizhi assinou com o Dallas Mavericks para ser o primeiro atleta do país a jogar na grande liga. Depois de tanto vagar pelos EUA, sem confirmar seu talento, Yi Jianlian voltou para casa. Ele agora aguarda a chegada de Arenas ao Guangdong Southern Tigers.


Façanha de veterano espanhol resgata época dominante de Oscar na Espanha
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Giancarlo Giampietro

Oriol Junyent, aos 36 anos, teve talvez a partida de sua vida na Liga ACB. O veterano pivô do Obradoiro (vulgo “Blu:sens Monbús”) arrebentou com o garrafão do CB Canarias neste fim de semana, chegando a um índice de eficiência de 31 pontos, devido aos 20 pontos, seis rebotes, 11 faltas recebidas e sete cestas em oito tentativas de quadra. Tudo isso em apenas 22 minutos de jogo. Afinal, ele já não é dos mais jovens em quadra e precisa de um descanso.

Mas não vamos falar aqui de Junyent, que foi revelado na base do Barcelona e viveu seus melhores anos no campeonato entre 2001 e 2005, mas nunca chegou a ser uma estrela ,com médias de 6,9 pontos e 4,4 rebotes na carreira.

Oscar, na época de Valladolid

Oscar jogou apenas por duas temporadas na Espanha, mas foi o suficiente para marcar seu nome

É que a façanha estatística do pivô – superar a casa de 30 pontos de eficiência aos 36 anos – permite que se resgate a época em que um certo Oscar Schmidt era dominante na Espanha, com esta mesma idade.

Calma. Não vamos fazer aqui uma apologia de que só contam os cestinhas e nada mais no basquete – Carlos Jiménez, Andrei Kirilenko já ganharam seus posts para reforçarem o outro lado do jogo, menos badalado e igualmente importante –, mas isso não quer dizer também que os muitos feitos históricos do legendário ala brasileiro não sejam de embasbacar.

O site da ACB recuperou quais os jogadores que conseguiram superar essa difícil barreira estatística com 36 anos no documento. E Oscar foi o segundo que mais vezes bateu este feito, em sete ocasiões. Também foi quem estabeleceu o melhor índice, e disparado: 50 pontos de eficiência numa só partida, e disparado. São dez a mais do que conseguiu o ala Bill Varner, norte-americano que fez carreira na Europa nos anos 80.

(Para registrar: George Gervin, primeiro grande ídolo do Spurs, o “Iceman” da NBA, aquele que completava as bandejas mais plásticas até hoje vendidas em imagens históricas da liga norte-americana, superou a casa dos 30 pontos de eficiência dos 36 para cima em oito oportunidades.)

Existem chutadores malucos e chutadores vorazes. Entre as duas definições, pode haver um oceano todo de pontos de diferença, como no caso do Mão Santa, que justificava com facilidade o criativo e simpático apelido. Sua munheca podia ser divina, mesmo. Para um sujeito ter 50 pontos de eficiência num jogo, ele tem de ser dominante na quadra.

Por exemplo: o líder nesse quesito durante o fim de semana foi o ala canadense Carl English, que conseguiu 37 pelo Estudiantes contra o Cajasol. Foram 32 pontos, sete rebotes, duas assistências e conversão de 11 chutes 19 tentativas de quadra, sendo 7/11 na linha dos três pontos. Nada mal. Nada mal, mesmo. Só vale lembrar que English hoje tem 31 anos, cinco mais jovem do que Oscar na época – e foram 13 pontos de eficiência a menos. Tentem, imaginar, então, a linha estatística do brasileiro.

Seja por suas intempéries como cidadão, pelo papel de patropi forjado nas cabines de transmissão ou por ter jogado até idade avançada, muitos podem se confundir na hora de avaliar o que o ala fez em quadra. Esse pequeno levantamento feito pela liga espanhola, porém, ajuda a refrescar a cuca, avaliar as coisas com mais calma e distanciamento e ver o quão importante o cara já foi em quadra.

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Oscar em ação no auge

Oscar para o ataque

Nas Olimpíadas de Seul-1988, Oscar marcou inacreditáveis 42,3 pontos por jogo, quase 20 a mais do que o talentosíssimo ala australiano Andrew Gaze fez (23,9). O Brasil terminou em quinto naquela edição, mesma colocação da equipe de Magnano em Londres-2012. Antes que o acusem de unidimensional, saibam que apanhou 7,8 rebotes naquela campanha.

Naquele torneio, a seleção foi eliminada nas quartas de final pela eventual campeã União Soviética, num jogo em que tiveram chance: 110 a 105, depois de terem vencido o primeiro tempo por cinco pontos. Oscar atuou por 37 minutos e marcou 46 pontos, convertendo 13 de 23 chutes de quadra (5/8 nos três pontos) e fantásticos 17 em 18 lances livres.

(Reparem na linha daquela muralha que era o pivô Israel: 22 pontos e 11 rebotes contra um garrafão poderoso formado por Arvydas Sabonis e Alexander Volkov.)

*  *  *

Com 2,05 m de altura, Oscar tinha esta vantagem: podia arremessar por cima da maioria de seus marcadores, o que lhe permitiu ser essa máquina de fazer cestas com idade avançada, mesmo quando sua capacidade atlética já não lembrava em nada a daquele ala que completava pontes aéreas com Carioquinha nos primeiros anos de profissional. Grosso modo, é como funciona com Dirk Nowitzki hoje pelo Dallas Mavericks.

Só assim para explicar como, aos 38, ele conseguiu, em Atlanta-1996, marcar 26 pontos contra os Estados Unidos, sendo marcado por gente como Scottie Pippen e Grant Hill. Neste torneio, porém, ele já não tinha mais a mesma eficiência, mas eram 38 anos, oras.

Dessa época, de todo modo, podem ter ficado os resquícios que o tacham de fominha inconsequente – bem, em Seul ele deu apenas oito assistências na campanha inteira, e, mesmo que a distribuição das estatísticas não fosse, naqueles tempos, das mais generosas, é muito pouco. Difícil, não há muito como negar a “fome”.  Também não era o melhor marcador, mas é difícil de acreditar que os 25, 30 pontos que ele fazia de um lado eram todos descontados precisamente do outro. Enfim, o Mão Santa pode não ter sido um jogador perfeito, completo. Mas foi um jogador único e mortal ao seu modo.

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Oscar é o maior cestinha de campeonatos mundiais, com 843 no total e 24,1 por jogo. Também é o maior cestinha, com 1.094 e 28,8, respectivamente. Foi sete vezes o cestinha do Campeonato Italiano e uma vez da liga espanhola. Eleito em 1991 um dos 50 melhores jogadores da Fiba, ao lado de Wlamir, Ubiratan e Amaury.

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Para fechar, um duelo entre Oscar e Drazen Petrovic em uma copa europeia de 1989 (Copa dos Vencedores de Copas Europeias, tá?). O brasileiro jogando pelo Caserta, da Itália, e o croata, pelo Real Madrid. Oscar leva o jogo para a prorrogação com um chute daqueles, mas acaba excluído no tempo extra com cinco faltas e 44 pontos. Petrovic beirou os 60 pontos e na prorrogação passava por marcação dupla no perímetro. Notem como o jogo era mais leve, as defesas mais vulneráveis e que ser um defensor no mano-a-mano ruim não era um fator restrito ao maior cestinha olímpico:


Nash tenta se redimir com canadenses e transformar o país em uma potência
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Giancarlo Giampietro

Steve Nash partiu o coração dos fervorosos torcedores do Toronto Raptors há algumas semanas, ao acertar sua transferência para o Los Angeles Lakers, em vez de um tão aguardado retorno para casa. Snif.

De certa forma, foi mais um ato do armador a frustrar quem gosta do basquete no Canadá, após mais de oito anos de distanciamento da seleção nacional. Se ele tivesse aceitado liderar o Raptors nas próximas temporadas, essas seguidas decepções poderiam ser facilmente esquecidas. Mas não deu. Snif-snif! Abre o berreiro!

Steve Nash, cartola no Canadá

Aos 38, Nash agora tem um outro uniforme para defender o Canadá. Bacana o lenço vermelho, né?

Para justificar esta ausência, Nash afirmava que não poderia mais emendar as férias da NBA com as atividades dos torneios Fiba. Que seu corpo não aguentaria. Tendo em vista sua forma física aos 38 anos, do ponto de vista profissional, pessoal, é complicado questionar sua opção.

Não que ele fosse obrigado a se apresentar, e tal, mas a gente sabe muito bem o quão pesada ficou a barra do Nenê por estas bandas nos últimos anos até ele jogar agora em Londres, né? Agora imagine o nível de apego e dependência dos canadenses com Steve Nash, alguém muito mais qualificado e, pior, insubstituível. A dor é insuportável. Pense nas músicas de Bryan Adams, Alanis Morissette e Avril Lavigne. Agora multiplique por dez. Pesado.

Agora, a partir desta semana, esse genial jogador tenta se redimir de alguma forma com seus patrícios basqueteiros, começando para valer no cargo de gerente geral da seleção masculina, num cargo parecido com o de Vanderlei aqui no Brasil. A primeira decisão foi a contratação de Jay Triano para o cargo de técnico. Triano, hoje assistente do Blazers, não foi muito bem como o comandante do Toronto Raptors na NBA, mas tem muita experiência no mundo Fiba, tendo sido um scout da seleção dos EUA por anos.

Seu desafio maior: aglutinar as hordas e hordas de talento que o país vem produzindo nos últimos anos, para tentar resgatar o respeito que o programa teve no começo da década passada. Tipo, quando o próprio armador entrava em quadra para liderar a equipe.

Para isso, Nash organizou um encontro de alguns de seus principais jogadores e apostas para esta semana. Seria o ponto de partida pensando no Mundial na Copa do Mundo da Espanha em 2014 e nas Olimpíadas do Rio-2016.

A lista inteira de convidados ainda não está clara, mas a imprensa canadense dá como certa ao menos as presenças do ala-pivô Tristan Thompson, do Cleveland Cavaliers, e do armador Cory Joseph, do San Antonio Spurs, além dos adolescentes Tyler Ennis (armador) e do prestigiado Andrew Wiggins (ala). Os dois meninos eram destaques da equipe  sub-18 que esteve em São Sebastião do Paraíso neste ano e que tiveram seus planos de desafiar os Estados Unidos na final frustrados pelo Brasil. Ops.

Andrew Wiggins, Canadá

Andrew Wiggins é a grande aposta canadense

Mas estes são apenas quatro nomes badalados de um grupo muito volumoso e de prestígio em cenário internacional que o Canadá pode contar. Realmente volumoso.  Contem aí veteranos como Joel Anthony, do Miami Heat, e Matt Bonner, o foguete ruivo do Spurs, recém-naturalizado – Sam Dalembert, que aprontou muito em 2007 e 2008, estaria fora. Também pode somar o ala Kris Joseph, companheiro de Fabrício Melo em Syracuse e agora no Boston Celtics. Ou o ala-pivô Andrew Nicholson, do Orlando Magic. Ou os armadores Mick Kabongo e Kevin Pangos, em atividade em times de ponta do basquete universitário norte-americano, respectivamente Texas e Gonzaga, que também revelou o pivô Robert Sacre, draftado em junho pelo Lakers.

Já deu quase um time inteiro só nessa rápida passadela, mas, juntando as peças de relatos de torneios e eventos de base dos últimos anos, teria muito mais para citar. A ponto de, mesmo com eventuais desistências, ser quase certa, ao menos em termos de nomes, a composição de uma grande equipe lá no Norte da América.

Só fica a dúvida sobre qual será o nível exato de ascendência de Nash sobre seus compatriotas. Sabemos que ele é um admirador sério do legendário Wayne Gretzky, ídolo do hóquei canadense e alguém que, suponho, deve deixar Adams, Alanis, Avril e Nelly Furtado no chinelo em termos de popularidade nacional. Nesse nível acho que só o Rush e o Neil Young. Teria o agora cartola esse tipo de influência? Como convencer os jovens recrutas a embarcar numa viagem que ele próprio recusa desde 2003?

Steve Nash, armador canadense

Os bons tempos de Nash vestido de vermelho

A diferença, a seu favor, é que as futuras estrelas da seleção canadense dividiriam responsabilidade, se desgastariam menos. Para quem se lembra do time olímpico de Sydney-2000 ou do Pré-Olímpico de San Juan-2003, a seleção dependia muito da criatividade do armador para jogar de igual para igual contra os principais times do continente. Desta vez, se pelo menos metade do contingente disponível aceitar as convocações, muda o cenário.

Isto é: para quem já comemorava o possível desmonte da República Dominicana sem John Calipari e torce desesperadamente pela aposentadoria dos craques argentinos, melhor começar a reservar desde já algumas horas  de secador também contra os homens de vermelho e Nash.

Por mais que os seguidores do Raptors e da seleção deles já estejam irados de tão tristes.


Jogos patrióticos: a praga da naturalização no basquete
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Giancarlo Giampietro

Se eles fazem, nós fazemos também. Se você tem, eu quero também.

E por aí a gente segue, com Larry Taylor armando a seleção brasileira e comandando uma virada – de final frustrado – contra a Rússia. E vamos com Serge Ibaka enterrando todas e bloqueando adversários que não estão habituados a enfrentar um pivô tão atlético assim.

Esses são os dois casos mais óbvios para se discutir. Mas o problema vai muito além: hoje até o Azerbaijão –  o Azerbaijão!!! – recruta quatro jogadores americanos para defender sua seleção nas eliminatórias para o Eurobasket. Virou uma praga.

A cidade de Laramie, no Wyoming, não chega a ser um pólo turístico atraente, não deve ser referência para muita coisa, mas uma coisa dá para cravar: está a mundos de distância, cultural e geograficamente, de Baku, a capital azerbaijana. A identificação entre o Wyoming e o Azerbaijão deve ser a mesma entre um são-paulino e um corintiano. Nenhuma. Então como explicar que um de seus rebentos, o ala Jaycee Carroll, um cestinha de mão cheia pelo Real Madrid, tenha o passaporte do longínquo país situado na Eurásia? Ele nunca jogou por um clube de lá – sua carreira europeia passa por Itália e, agora, Espanha.

É a mesmíssima situação de Bo McCalebb, que ajudou a eliminar algumas potências tradicionais do esporte no último campeonato europeu, jogando pela Macedônia que ele visitou pela primeira vez justamente apenas para tirar o seu passaporte.

Não há como justificar uma coisa dessas.

Serge Ibaka, do Congo

Serge Ibaka, do Congo ou da Espanha?

E aí entra a parte em que aceita-se as ressalvas: mas o Larry joga em Bauru há anos e só precisa aprender “impávido colosso” para completar nosso hino; o Ibaka foi jovem para a Espanha… Sim, não chega a ser algo tão cínico, deslavado, sem vergonha como os casos dos pontuadores McCalebb e Carroll. Há um vínculo, pequeno que seja, em seus casos. “Nunca vou esquecer de que lugar eu vim, mas estou orgulhoso de vestir o uniforme da Espanha e representar este país”, afirma Ibaka. Mas dá para ir mais a fundo nessa.

Serge Jonas Ibaka Ngobila chegou ao país ibérico em 2006, com 16 anos, estritamente para jogar basquete. Ele já havia disputado competições de clubes avalizadas pela Fiba em seu Congo natal, pelo Interclub de Brazzaville, sua cidade natal. Defendeu primeiro o time de base do CB L’Hospitalet e depois fez sua estreia na LEB Oro, fortíssima segunda divisão. De 2008 a 2009, passou a jogar pelo Ricoh Manresa. De lá partiu para Oklahoma City. Façam as contas: foram três anos. Certamente serviram para burilar uma joia rara, que avançou tecnicamente. Mas é o suficiente para ele se tornar espanhol? E mais: quando foi convocado por Sergio Scariolo, ele ainda não tinha a papelada, embora a federação do país tivesse garantias de que o processo seria acelerado e concluído para que ele prontamente jogasse no Eurobasket do ano passado.

É a mesmíssima situação de Larry, que foi convocado em 2011 e não pôde disputar o Pré-Olímpico porque a burocracia não permitiu. De todo modo, o breve contato com Magnano convenceu o argentino de que valeria, sim, brigar para ter o americano em Londres, e a CBB promoveu intenso esforço para contar com o estrangeiro. Esse é o ponto importante no causo: nunca partiu dele o pedido de cidadania e de uma convocação.

Os dois assumiram novas nacionalidades estritamente por razões profissionais, esportivas. Pela forma que os processos foram tocados, não dá para negar: foram dois jogadores contratados por suas seleções, não importando o quão identificados estivessem com a nova terra. Ainda que mais amenos que os reforços do Azerbaijão, são casos diferentes e mais graves, por exemplo, que o de Luol Deng.

Larry Taylor, de Bauru

Larry Taylor, de Chicago e Bauru

O ala do Chicago Bulls, líder da seleção britânica, que nasceu em Wau, no Sudão (agora território do Sudão do Sul). Mas calmalá: enquanto o pai, um parlamentar, ficava para trás, sua família deixou a cidade foragida durante guerra civil e chegou ao Egito, em Alexandria. A mãe e oito filhos, Luol com três anos. Eles foram reencontrar o Deng sênior apenas cinco anos depois, em Londres, com o devido asilo político arranjado.

O garoto aprendeu tudo muito rápido, a começar pela nova língua. Começou a jogar basquete para valer e, aos 14, já tinha um convite para atuar por um colegial dos Estados Unidos, onde estudou e jogou até chegar ao time de Duke e, posteriormente, ao Bulls.

As constantes migrações deixam sua história um pouco mais cinzenta. Talvez o ala deva mais aos EUA por sua carreira de atleta. Mas qual passagem foi mais importante para que ele e seus irmãos prosperassem? Pelo que podemos ler neste artigo aqui do Guardian, dá para chutar que foi na Inglaterra em que sua família encontrou paz e estabilidade. Foi um claro recomeço.

Nas Olimpíadas, vimos que a Grã-Bretanha tinha bons pivôs, mas dependia quase que exclusivamente do talento do ala para sobreviver em meio a rivais de muito mais tradição. Não que isso importe muito em termos de regulamento, preto-no-branco. Mas, eticamente, não custa perguntar: como se virariam sem Larry e Ibaka o Brasil, com a turma da NBA toda reunida, e a Espanha, vice-campeã olímpica em 2008 sem nenhum reforço extracomunitário? Pode ser que caíssem um pouco de rendimento, mas seria algo tão drástico? Eles realmente precisavam apelar para esta via?

A resposta, como sempre, cai para o cinismo. “É assim que as coisas funcionam”.

Então tá, né? Esperem só até ver, então, a seleção olímpica do Turcomenistão em 2032.

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Dia desses, o chapa Jonathan Givony – diretor do serviço de scouting Draft Express, cara mais do que viajado no basquete – saiu em uma cruzada contra alguns de seus seguidores no Twitter que não toleravam suas observações irônicas sobre os procedimentos adotados pela FEB.

Começou assim:  “E isso sem o benefício de ‘recrutar’ qualquer mercenário do Congo e de Montenegro”, em referência ao ouro dos Estados Unidos em Londres. Aí pegou fogo. Foi torpedeado.

Luol Deng, Grã-Bretanha

Luol Deng, um contexto mais cinzento

Muitos defenderam que Ibaka e o ala Nikola Mirotic, montenegrino também importado e que já defendeu o país até mesmo em categorias de base, podem ser espanhóis, sim, senhor, por terem chegado como adolescentes. O problema é que eles vão exatamente para serem jogadores de basquete e ficarem a serviço de um novo país.

 “Linas Kleiza e muitos outros jogaram no basquete colegial e universitário nos EUA. Deveríamos também recurtá-los para jogar na nossa seleção? E por que motivo?”, perguntou. “Desculpem, mas Mirotic deveria estar jogando por Montenegro contra Sérvia e Israel. Ele só não está porque não fazia sentido financeiramente.”

Com o passaporte espanhol, naturalizado, Mirotic tem muito mais facilidade para descolar bons contratos na liga espanhola, e o Real Madrid também agradece. “É a definição de um mercenário. E haverá muitos mais como ele nos próximos anos. E está errado.”

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Em entrevista ao Daniel Neves, aqui do UOL Esporte, a diretoria do departamento feminino da CBB, Hortência, afirma sobre a possibilidade de importar uma armadora: “Se aparecer uma jogadora que se encaixa ao nosso estilo, não vejo porque não naturalizar. Mas não vamos naturalizar qualquer uma. Estamos acompanhando tudo o que está acontecendo e vamos avaliar a capacidade das jogadoras, que não precisam necessariamente jogar na LBF. Aí decidiremos se vamos trazer uma estrangeira ou não.”


Prévia olímpica: Espanha se apresenta como a grande resistência à revolução dos EUA
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Giancarlo Giampietro

No título postado acima, a palavra-chave é “grande”.

Se os Estados Unidos estão, digamos, desencanando de jogar com pivôs tradicionais nas Olimpíadas, seja por opção tática ou porque não tinham outra solução, a Espanha ainda aposta em uma versão mais tradicional, com duas torres no garrafão. Os irmãos Gasol estão aí para isso.

Poupado (estrategicamente?) do amistoso desta terça contra os próprios EUA, Marc Gasol está listado oficialmente pela NBA como um jogador de 2,16 m de altura. Já seu irmão mais velho, Pau,  tem 2,13 m. São bem grandes. Sem falar no Serge Ibaka, de 2,08 m, que impressiona mais pela capacidde atlética e envergadura.

Pau e Marc Gasol dividem um toco

Do lado norte-americano, o discurso é de que eles não se importam muito com isso. “Há muitos grandões que não conseguem jogar. Há jogadores mais baixos que são melhores que eles. Já vimos Griffin encarar o Marc Gasol. E esses duelos valem dos dois lados: eles precisam marcar nossa rapidez e velocidade”, afirmou Jerry Colangelo, o chefão da equipe norte-americana, grande responsável sobre a revitalização das seleções do país.

O problema nesse raciocínio é que, além de gigantes, os dois barbudos sabem jogar, e muito. Chutam de média distância. São ótimos passadores. Jogam bem de frente e costas para a cesta. O que deixa os espanhóis bastante confortáveis a respeito.

Em enquete promovida pelo site HoopsHype com seis jogadores da atual campeã europeia, Marc Gasol e José Calderón tentaram esconder o jogo quando questionados sobre qual seria a fraqueza dos grande rivais pelo ouro, mas o restante não se aguentou. “Jogando com Pau, Marc e Serge IBaka, temos uma vantagem importante”, disse Rudy Fernández. “Algumas vezes eles não vão ter pivôs no garrafão, então com Serge e os irmãos Gasol acho que podemos machucá-los um pouco”, disse Juan Carlos Navarro. Sergio Rodríguez e Victor Claver assentiram.

Pau e Marc GasolAgora… A parte em que Colangelo fala sobre o jogo ser disputado dos dois lados não deixa de ser verdadeira também. Mesmo que o Griffin por ele citado tenha se lesionado depois, o conceito pregado pelo cartola e aplicado praticamente pelo Coach K vale da mesma forma. O próprio Rudy Fernández  concordou: “Quando eles atacarem, vamos ter dificuldades, porque eles são menores e se mexem muito bem pela quadra”.

Com Splitter, Varejão e Nenê, o Brasil seria também uma equipe capaz de criar esse tipo de problema para os norte-americanos com seu tamanho. Por outro lado, sabemos que nenhum dos três tem a categoria de um Pau Gasol.

De resto, em termos de garrafão e formações mais tradicionais, não há muito o que temer, não, como analisamos neste post aqui.

Outro ponto importante: não é que os Estados Unidos tenham apenas seus homens de garrafão mais velozes do que a média. Apostar corrida com Russell Westbrook, Andre Iguodala e Chris Paul também não é fácil.

Ficamos, então, diante daquele jogo de gato-e-rato que torna o basquete um esporte taticamente especial.

Prévias olímpicas no Vinte Um:

- Coach K promove revolução tática. Mais ou menos como o Barcelona

- No torneio masculino, pelo menos nós “voltamos a falar de basquete”

- No torneio feminino, as meninas têm a chance de priorizar o time

E mais:

- Confira os horários dos jogos do Brasil e o calendário completo da modalidade

- O noticiário do basquete olímpico e o histórico de medalhas em página especial

- Conheça os 24 atletas olímpicos do basquete brasileiro em Londres-2012