Vinte Um

Dez previsões nada ousadas para o Rio 2016
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Giancarlo Giampietro

Boogie Cousins, Team USA

Quando jornalista se mete a dar palpite, está arrumando confusão. Pode ser sobre um confronto Japão x Filipinas pelos Jogos Asiáticos Universitários. Você falou, escreveu, quis cravar? Imediatamente fica sob o risco de queimar a língua. Ou o dedão da mão direita.

A gente tem essa mania de se meter a sabichão, né? De querer se antecipar a quaisquer grupo de deuses que estejam vagando por aí e provar por A + B que sua lógica está infalível no momento. Dois, três dias depois? É bastante provável que vá dar tudo errado. Ainda mais num torneio olímpico cheio de equilíbrio.

Isso tudo não significa que esse tipo de exercício seja pura bobagem. Não estou aqui para pagar de mais sabichão ainda, esnobe, acima das vontades mudanas esportivas. É esporte só. Que, em diversos casos e eventos, obviamente ganha proporções gigantescas pela quantidade de dinheiro que move e por suas implicações político-culturais. Ainda assim, no final das contas, é só esporte. Que envolve paixão (por vezes em intensidade descabida), mas não deveria ser levado tão a sério. Então qual o problema de ficar palpitando? Tem um monte de gente por aí que anda emburrada pacas, querendo reclamar a toda hora. Mas há quem se divirta demais em comparar resultados e discutir depois, numa boa.

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Então o que este blogueiro vai fazer?

Dar alguns palpites, mas sem cravar resultados, para além do ouro olímpico para os Estados Unidos, que isso é coisa para bolão. Não tem nada muito ousado aqui, claro. Alguns dos itens abaixo têm o mesmo valor que dizer que a “Dinamarcá terá um bom goleiro” ou que “os quenianos vão dominar o pódio da maratona”. Coisa de bidu, mesmo. Podem bater:

O Rio 2016 será o Torneio de Boogie Cousins. Kevin Durant é mais jogador. Carmelo Anthony é outro cestinha perfeito para o mundo Fiba. Kyrie Irving vai ter mais oportunidades de arremesso. Mas podem se preparar para uma exibição, digamos, hulkiana do intempestivo DeMarcus. O pivô está enxuto como nunca, ganhando agilidade sem perder sua força física descomunal, prontinho para esmagar seus adversários, tal como o dito “Gigante Esmeralda” nos quadrinhos. Para quem tem desperdiçado alguns bons anos produtivos nos confins de Sacramento, jogar com o Team USA no Rio de Janeiro serve quase como uma experiência terapêutica. Quiçá, o contato com a elite da modalidade pela segunda competição internacional seguida também não motive Boogie a aceitar aquele procedimento básico que se chama amadurecimento. Com a cabeça no lugar, tem tudo para fazer paçoca da concorrência.

hulk-smash-esmaga

– O Grupo B vai ser um tiroteio. Sinceramente, qualquer pessoa pode se gabar aqui e dizer que tem certeza que a Espanha será a primeira colocada dessa chave, seguida por Lituânia, Brasil e Argentina. Tudo bem, pode ir em frente com essa. Mas a real é que ninguém, com o juízo em dia, sabe realmente qual será o desenrolar destas partidas. No meu entender, pelo menos, até a Nigéria tem chances, mesmo que correndo por fora. Isso sem nem levar em conta o que aconteceu nos amistosos. Vai ser uma disputa duríssima, com a seleção brasileira metida no meio. Haaaaaaaja coração. (Agora, pode muito bem que a Espanha não tome conhecimento de ninguém, vença todos e que a Nigéria apanhe – e, no final, restariam três vagas para quatro seleções. Ainda assim seria dramático.)

– Vamos ter um top 10 só com DeMar DeRozan. O ala do Raptors é outra figura de segundo escalão que pode aproveitar a experiência olímpica para expandir sua marca globalmente, como diria o agente de LeBron. Embora já eleito duas vezes para o All-Star Game, não dá para dizer que o jogador desfrute de tanto prestígio assim em todas as cidades da liga que não estejam em território canadense. Então lá vai essa maravilha atlética aproveitar os inúmeros contra-ataques em garbage time que a seleção norte-americana vai ter, para saltar em 720º, se desvencilhar de oito braços compridos chineses no ar e dar suas cravadas. Paul George, Kevin Durant, Jimmy Butler, Harrison Barnes e, principalmente, DeAndre Jordan podem ser todos ignorantes no ataque ao aro. Mas nenhum deles tem a plasticidade de DeRozan em seus movimentos. Ele será o Capitão Vine da Olimpíada, ganhando até de Usain Bolt.



– Nenê não será vaiado. O bom senso, afinal, ainda pode prevalecer. Quatro anos atrás, o pivô foi vaiado de modo deprimente pelo público presente na Arena HSBC, quando a NBA trouxe um amistoso de pré-temporada pela primeira vez ao Brasil. Maybyner Hilário agora retorna ao Rio de Janeiro com um papel importantíssimo pela seleção brasileira, liderando um garrafão 40% renovado após as baixas de Splitter e Varejão. Se for para buzinar no ouvido de alguém, é só procurar as figuras de Gerasime Bozikis e Carlos Nunes pelo ginásio. Eles certamente estarão presentes, em lugares privilegiados.

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– A Venezuela vai encrespar com França e/ou Sérvia. Eles têm talento para bater de frente com essas seleções europeias? Não. A França foi campeã europeia em 2013, bronze pela Copa do Mundo em 2015 e bronze novamente pelo EuroBasket do ano passado. A Sérvia chegou ao segundo lugar no Mundial. Mas este time aguerrido de Néstor “Che” García parece destinado a aprontar, a fazer mais do que se esperava deles. A classificação olímpica já foi uma façanha, deixando a badalada e numerosa geração canadense pelo caminho (o Canadá está para o mundo Fiba hoje assim como a Bélgica, para o futebol). Mas por que eles se contentariam com isso? Seus armadores são manhosos e o time passou a defender muito bem com Che. Pode ser que consigam cozinhar a partida contra equipes muito mais expressivas.

Venezuela, Nestor Garcia, Copa América, Fiba Américas

– É melhor não se meter em um jogo parelho com a Argentina. Por falar em jogo apertado, eu não gostaria de ter defender contra uma equipe que vá colocar em quadra Manu Ginóbili e Luis Scola ao mesmo tempo numa última posse de bola. É muito talento e respeito em quadra. Cojones e muito mais, claro. Aqui tem a máxima que a mídia americana costuma usar para a NBA, com a qual concordo: é muito provável que o time com os dois, três melhores jogadores em quadra saia vencedor de uma partida. Em 2016, talvez a dupla argentina já não consiga mais ser superior por 40 minutos. Mas, num ataque final, valendo o jogo, com tudo o que eles já experimentaram de sucesso em suas carreiras? Eu gelaria.

Nando De Colo vai fazer muita gente se perguntar por que diabos ele não quis nem negociar direito com as equipes da NBA. É, o francês está jogando muito. O cara tem os números de Euroliga para exibir por aí e também um jogo vistoso demais, que deve ser ainda mais bacana ao vivo. Ele joga em seu próprio ritmo. O mais legal: geralmente consegue chegar aonde quer para finalizar. É nisso que dá sua combinação de drible, altura e fome de bola.

Huertas, Rodríguez e Tedosic vão dar passes para confundir até mesmo seus companheiros. É a turma do sexto sentido. Mais três jogadores que não são os mais explosivos em quadra, mas têm tanta habilidade, coordenação e visão de quadra, que fazem o jogo ficar muito mais rápido e imprevisível. As defesas muitas vezes podem achar que os têm controlados, e aí de repente sai aquele passe (quase) sem olhar para o pivô livre debaixo da tabela. É bom que Augusto Lima, Felipe Reyes, Milan Macvan & Cia. estejam espertos. Posso dizer: é meu tipo de lance favorito.

Olha para um lado, e a bola vai passar pelas costas de Baynes

Olha para um lado, e a bola vai passar pelas costas de Baynes

Matthew Dellavedova vai irritar alguém – ou muita gente, mesmo. Ele sempre arruma uma em quadra, não? Se acontece nos playoffs esvaziados da Conferência Leste, com o Cavs passando por cima de tudo mundo, por que não iria ocorrer em uma Olimpíada, com os ânimos muito mais esquentados? Pior: Delly tem uma baita cobertura. É só olhar o tamanho dos pivôs australianos para compreender uma eventual super-agressividade do armador. Com Andrew Bogut retornando, fazendo uso nada econômico das cotoveladas, é chance quase zero que os Boomers não se metam em pelo menos uma confusão em jogos pelo Grupo A.

– Alguém vai dizer que lance livre ganha jogo. Mas talvez não digam que um rebote, um toco, uma assistência e um arremesso contestado de média distância o façam.

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Rendimento nos amistosos deixa até Magnano feliz. Mas são só testes ainda
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Giancarlo Giampietro

Marquinhos esquentou contra a Lituânia. Crédito: Gaspar Nóbrega/Inovafoto

Marquinhos esquentou contra a Lituânia. Crédito: Gaspar Nóbrega/Inovafoto

Os amistosos vão passando, e a seleção brasileira, vencendo. São cinco jogos-teste até o momento e cinco triunfos,  restando mais uma ''pelada'' contra a China antes de a coisa ficar séria, seríssima ao chegar o #Rio2016.

Até enfrentar dificuldades contra a Lituânia neste domingo, com uma vitória por 64 a 62 em Mogi das Cruzes, a equipe de Rubén Magnano vinha atropelando a concorrência, com placares de 90 a 45 e 96 a 50 contra a Romênia,  96 a 67 contra a Austrália e 91 a 50 contra a China. Podem fazer as contas aí, que vai dar 42,7 pontos de saldo. Num estalo, não tem como não se empolgar com esse rendimento, certo? Até que chegaram os bálticos, adversários da estreia olímpica, para complicar um pouco as coisas.

Agora, independentemente do que se passou neste penúltimo amistoso em Mogi, não é para se deixar levar por euforia ou preocupação. Sim, testes contra Romênia e China só servem para exercitar a seleção e não provam nada. Austrália e Lituânia são obviamente muito mais competitivas. Ainda assim, estamos falando apenas de partidas preparatórias. Amistosos podem ser traiçoeiros, dependendo do nível de concentração e dedicação dos adversários. Por um lado,  a equipe nacional não tirou o pé e fez jogaram o máximo e atropelaram, sem considerações maiores. Vale dizer que dois dos melhores jogadores chineses, o armador Ailun Guo e o pivô Jianlian Yi, mal jogaram. Ninguém é campeão antes de o torneio começar. Talvez só os Estados Unidos.

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Neste domingo, também vimos claramente a seleção do Leste europeu medindo esforços. Onde estavam Jonas Valanciunas e Mantas Kalnietis no quarto período? E desde quando Jonas Maciulis se transformou num Linas Kleiza para querer arremessar e partir para a cesta toda vez que pegava na bola? Enfim. Naturalmente, Magnano também não mostrou  todas as suas cartas. E por que ele e Kazlauskas o fariam, a poucos dias de se enfrentarem pelas Olimpíadas, num grupo em que cada rodada será basicamente uma decisão? Não é querer ser chato ou desconfiado demais, embora esse seja mais ou menos um pré-requisito jornalístico.

O time tem se apresentado bem. A dúvida que fica é apenas sobre o nível de seriedade que a seleção teve em seus amistosos, comparando com o que os australianos e lituanos mostraram, mesmo que, contra estes, o pau tenha quebrado nas disputas do garrafão. O placar contra o  time da Oceania, por outro lado, impressiona bastante, por mais que não estivessem a todo o vapor.

Os sinais positivos? A pegada defensiva ainda está ali, algo que Magnano reforçou no momento em que chegou. O mais importante também é ver que o elenco, no geral, está muito bem fisicamente, mesmo, voando em quadra, pressionando a bola, saindo em velocidade. No ataque, como aponta Magnano, estamos vendo poucos arremessos forçados e a bola compartilhada. Existe todo um mistério, ou até mesmo drama em torno de quem seria o ''go-to guy'' da equipe, aquele cara de referência. Como Gasol na Espanha, Bojan Bogdanovic na Croácia, Nando De Colo/Tony Parker na França etc. Se essa fosse uma condição obrigatória, Marquinhos seria meu candidato. Mas, se o Brasil mantiver essa abordagem que vem mostrando nos amistosos, talvez simplesmente não seja necessário. A equipe conta com diversos jogadores talentosos em diferentes posições, que podem partir para o ataque quando chamados, dependendo de quem é o marcador do outro lado. E eles não têm forçado a barra. No final, o arremesso de três está irregular, então também foi bom ver o ala flamenguista despertar em Mogi.

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''Como treinador, tenho que tentar fazer com que os jogadores atinjam a excelência. Alguma coisa sempre falta, mas vimos, por exemplo, 14 assistências, o que quer dizer que a bola rodou, que os jogadores passaram a bola. A solidariedade está presente no jogo, tanto no aspecto ofensivo, quanto no defensivo. Estou muito contente'', afirmou o treinador da seleção, após o triunfo de domingo.

Agora, precisa ver como tudo isso vai ser aplicado quando o jogo estiver valendo. E valendo muito. Magnano, da sua parte, acredita que a partida contra os lituanos serviu para se avaliar isso também.  ''Foi um jogo muito interessante porque nos colocou em situações de adversidade. Quatro pontos atrás, três pontos, quatro de novo. E recuperamos. Isso nos dá confiança. Alguns acham que, quando o Brasil cai no buraco, não é capaz de sair. Não é assim. Já mostramos isso em outras situações, e neste jogo aconteceu novamente. Parecia que a Lituânia ia disparar, mas fomos capazes de suportar isso, continuar jogando e passar à frente. Então isso não me preocupa muito porque acho que estamos bem.''

É difícil ver o argentino solto deste jeito. Ainda assim, é mais recomendável ainda evitar o termo ''empolgar'' ao falar sobre os amistosos e os placares obtidos pela seleção. Se quiser usar ''animar'', com o aval do costumeiramente exigente treinador brasileiro, acho que aí fica tudo bem.

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Guia olímpico 21: Nigéria, Venezuela e China, azarões
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Giancarlo Giampietro

Pergunta: Vamos agrupar cada equipe olímpica em diferentes escalões, de acordo com seu potencial (na opinião de um só blogueiro enxerido)?

Reposta: Sim, vaaaaamos!

Então aqui estão:

1) EUA
2) Espanha e França
3) Sérvia e Lituânia
4) Argentina, Austrália, Brasil e Croácia
5) Nigéria e Venezuela
6) China

Que fique claro: não é que essas castas sejam imóveis e que haja um abismo de uma para outra – excluindo os Estados Unidos como óbvios indicados ao ouro. Entre os segundo, terceiro e quarto andares, a diferença não é muito grande. São todos candidatos ao pódio. Basta lembrar que a seleção brasileira venceu França e Sérvia pela última Copa do Mundo e também bateu a Espanha em Londres 2012, num jogo muito estranho, mas paciência. E talvez até mesmo a Nigéria possa subir um piso, dependendo de sua lista final.

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Vamos com as seleções que estão faltando no terceiro grupo:

NIGÉRIA

A Nigéria chega forte para complicar o Grupo B

A Nigéria de Will Voigt chega forte para complicar o Grupo B

Armadores: Ben Uzoh, Josh Akognon e Michael Umeh.
Alas: Al-Farouq Aminu, Michael Gbinije, Chameberlain Oguchi e Ebi Ere.
Pivôs: Ike Diogu, Shane Lawal, Andy Ogide, Alade Aminu e Ekene Ibekwe.

Desde que os descendentes americanos de alto nível começaram a defender o país – pelo que me lembro, desde o Mundial de 2006, com Akognon, Ere e Ibekwe  já em quadra –, este elenco é o mais talentoso que a Nigéria conseguiu reunir. A verdade é que o Grupo B, com os atuais campeões africanos, se torna muito desafiador para qualquer de seus participantes. Acreditem: as seis seleções têm reais chances de se classificar. A história seria bem diferente se fosse a China.

A linha de frente nigeriana é demais. Aminu vira praticamente um Andre Iguodala pela seleção.  Diogu, guardadas todas as devidas proporções, é como se fosse um Luis Scola para eles, atacando de todos os cantos da quadra com muita munheca e controlando os rebotes com enormes mãos e envergadura. Lawal se firmou no basquete europeu até chegar a um Barcelona devido a seu vigor físico. Um cavalo. O restante oferece uma combinação de rebotes, capacidade atlética e chute. E pensar que poderiam ser mais fortes, caso Festus Ezeli e Epke Udoh tivessem seguro.

Na perímetro, Uzoh bota velocidade no jogo e pressão na defesa. Akognon é um grande pontuador, chutador, e o mesmo vale para Oguchi. Umeh também é uma ameaça com o chute de fora. Gibinije acaba de sair de Syracuse para o Pistons, e tem versatilidade e muitas ferramentas para costurar tudo.

Esses caras são muito experientes, com currículo vasto no basquete europeu. Aminu e Gbinije, justamente os dois com contrato de NBA, são os únicos nascidos nos anos 90.

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VENEZUELA

Em ascensão, Vargas assume a armação venezuelana sem Vásquez

Em ascensão, Vargas assume a armação venezuelana sem Vásquez

Armadores: Gregory Vargas, David Cubillán e Heissler Guillent.
Alas: John Cox, Dwight Lewis, José Vargas e Anthony Pérez.
Pivôs: Gregory Echenique, Néstor Colmenares, Windi Graterol, Miguel Ruiz Miguel Marriaga.

Estamos todos prontos para o show de Néstor ''Che'' García, não? Entre todos os treinadores de todas as modalidades que os cariocas vão poder ver de perto nas próximas semanas, não é nenhuma ousadia escrever que vai ser praticamente impossível encontrar um 'professor' que faça tanto estardalhaço e que jogue tão junto com seus atletas como o argentino que se tornou um ídolo bolivariano nos últimos anos. García desenvolveu com os venezuelanos o tipo de identificação que Ruben Magnano jamais buscou com brasileiros – e não que essa fosse uma exigência do trabalho.

Com o argentino, a seleção vinotinto conseguiu alguns de seus resultados mais expressivos, como o bicampeonato sul-americano em 2014 e 16 e a incrível conquista da Copa América entre esses títulos, em 2015. Já podemos dizer que esta é a equipe mais vitoriosa do país e a mais expressiva desde que Carl Herrera, Gabriel Estaba García, Victor Díaz, Omar Roberts, entre outros, derrotaram a seleção brasileira para decidir a Copa América de 1991 com o Dream Team. Che também vibrou muito com o Guaros de Lara deste ano, com a Liga das Américas, encerrando a hegemonia brasileira na competição de clubes.

A seleção agora tenta levar, hã, esse inesperado período de eldorado para as quadras olímpicas, o que é uma ooooutra história. De todo modo, para uma equipe que derrotou em sequência uma abarrotada equipe do Canadá e a Argentina, no ano passado. Mesmo sem Greivis Vásquez.

Ninguém vai dizer que a Venezuela se torna um time mais forte sem sua principal figura. Vásquez é desses casos de “astro da NBA” que se dá muito bem com os companheiros locais, sem crise de ciúmes ou de histeria. Sua carreira na liga americana já vai para a sétima temporada, com um contrato de US$ 6 milhões pelo Brooklyn Nets. Em decisão em conjunto com o clube (ou não…), ficou decidido que o melhor para ambas as partes era que ele desencanasse do #Rio2016 para se recuperar devidamente de uma cirurgia no pé.

A estrela ajudaria muito na condução do time, mas García ainda conta com três armadores muito talentosos, como Gregory Vargas, que fez ótima campanha pelo Maccabi Haifa na temporada passada e agora se transferiu para o SLUC Nancy, da França. Tanto ele como Cubillán e Guillent podem quebrar a primeira linha defensiva com facilidade e invadir o garrafão. São jogadores muito agressivos que vão gerar boa parte dos pontos da seleção, acompanhados por John Cox, que é famoso por ser o Primo-do-Kobe, mas tem drible e capacidade atlética para ser reconhecido pelos seus próprios feitos em quadra.

García conta com as investidas individuais desses jogadores como opção de desafogo num sistema de jogo bastante controlado. A ênfase do argentino tem sido defesa, defesa e defesa – tal como Magnano fez em seus primeiros anos por aqui. Para tornar essa missão mais fácil, o argentino insiste que seus atletas ataquem em meia quadra, gastando bastante o relógio. É por isso que eles conseguem tomar apenas 80 pontos dos Estados Unidos num amistoso (mesmo que tenham feito apenas 45. Essa abordagem definitivamente não vai mudar agora. A ideia é amarrar o jogo, ir de posse em posse de bola e esperar que a habilidade de seus armadores possa fazer a diferença com placares apertados. Isso pede paciência e muita atenção por parte dos adversários.

CHINA

Zhou Qi, draftado pelo Rockets, é promessa chinesa. Mas para 2020

Zhou Qi, draftado pelo Rockets, é promessa chinesa. Mas para 2020

Armadores: Ailun Guo, Jiwel Zhao e Ran Sui.
Alas: Peng Zhou, Yanyuhang Ding, Li Gen, Zou Yuchen e Zhai Xiaochuan.
Pivôs: Jianlian Yi, Qi Zhou, Zhelin Wang e Muhao Li.

A China sobrou na Copa da Ásia/Campeonato Asiático/Torneio da Ásia/AsiaBasket/seja lá qual for o nome da competição, mas ainda não está pronta para causar impacto nestes Jogos Olímpicos. Se os seus jovens jogadores seguirem progredindo, essa história pode mudar para #Tóquio2020, porém.

O time que ganhou o torneio local tinha média de altura de 2,03m. É difícil encontrar um plantel mais espichado que esses, e, no continente asiático, isso ainda faz mais diferença. Tanta envergadura incomodou demais os oponentes na fase final. Depois de limitar o Irã a apenas 28,6% nos arremessos pela semifinal, seguraram os filipinos em 35,4% e, principalmente, em 25% na linha de três.

O engraçado nesse time chinês é que o papo de ''Torres Gêmeas'' não cola. Na real, os caras têm todo um verdadeiro condomínio de arranha-céus, escalando rapazes como Qi Zhou, de 20 anos* e 2,17m, Wang Zhelin, 22 anos e 2,14m, Li Muhao, 24 anos e 2,18m, além do nosso velho conhecido Yi Jianlian, de 2,13m, que faz as vezes de veterano aos 28. (*Em tese. Tal como acontece com Thon Maker, do Milwaukee Bucks, há uma grande desconfiança a respeito da idade do magricela, que é o melhor prospecto do time, de qualquer forma.

O problema para as Olimpíadas é que seus adversários terão envergadura e muito mais em seu pacote: experiência, talento e força, contra jogadores cujo intercâmbio se resume aos estrangeiros que frequentam a liga chinesa e estão claramente em fase de desenvolvimento técnico e físico.  ou de outro, são vistos como embaixadores da nação. Os interesses ao redor deles vão muito além do campo esportivo, digamos.

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Guia olímpico 21: Austrália e Croácia ainda acreditam
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Giancarlo Giampietro

Pergunta: Vamos agrupar cada equipe olímpica em diferentes escalões, de acordo com seu potencial (na opinião de um só blogueiro enxerido)?

Reposta: Sim, vaaaaamos!

Então aqui estão:

1) EUA
2) Espanha e França
3) Sérvia e Lituânia
4) Argentina, Austrália, Brasil e Croácia
5) Nigéria e Venezuela
6) China

Que fique claro: não é que essas castas sejam imóveis e que haja um abismo de uma para outra – excluindo os Estados Unidos como óbvios indicados ao ouro. Entre os segundo, terceiro e quarto andares, a diferença não é muito grande. São todos candidatos ao pódio. Basta lembrar que a seleção brasileira venceu França e Sérvia pela última Copa do Mundo e também bateu a Espanha em Londres 2012, num jogo muito estranho, mas paciência. E talvez até mesmo a Nigéria possa subir um piso, dependendo de sua lista final.

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Vamos com as seleções que etão faltando no terceiro grupo:

CROÁCIA

Armadores: Roko Ukic, Rok, Stipcevic.
Alas: Bojan Bogdanovic, Krunoslav Simon, Mario Hezonja, Luka Babic e Filip Kruslin.
Pivôs: Dario Saric, Miro Bilan, Darko Planinic, Zeljko Sakic e Marko Arapovic.

Bogdanovic anotou 24,2 pontos pelo Pré-Olímpicoem Turim

Bogdanovic anotou 24,2 pontos pelo Pré-Olímpicoem Turim

– O grupo: No momento em que os três pré-olímpicos mundiais foram definidos, a reação normal foi de certo alívio quando a Croácia foi designada para o grupo brasileiro, em vez de França e Sérvia. Compreensível: era o cenário menos pior. Mas não que fosse motivo para comemorar: os croatas garantiram uma vaguinha no #Rio2016 depois de baterem duas seleções talentosas como Grécia e Itália, com Giannis Antetokounmpo, Danilo Gallinari, Giannis Bourousis, Marco Belinelli e outros destaques em quadra, pelo torneio de Turim.

A final contra os donos da casa foi especialmente dramática, definida só com uma prorrogação. Isto é, estes balcânicos já passaram por duros testes neste ano para se classificar. Do mesmo tipo que vão enfrentar nos próximos dias para tentar entrar na disputa por medalhas.

É uma trajetória interessante para uma equipe desfalcada, que nem mesmo estava conseguindo contratar um técnico e que, depois de apelar nos últimos anos, agora está sem um estrangeiro, após recusa do pivô Justin Hamilton, que brilhou pela Liga ACB e assinou com o Brooklyn Nets. Para a seleção agora comandada por Aleksander Petrovic, irmão do legendário Drazen, porém, talvez valha aquela história de que ''menos é mais'' e pode ajudar na química.

Um pivô com o talento de Ante Tomic certamente faz bem a qualquer equipe. Mas o cara não quis jogar dessa vez. Sem poder substituí-lo com Hamilton ou mesmo com os jovens Dragan Bender, Ante Zizic e Ivica Zubac, todos draftados neste ano, o técnico poderia ter chorado pacas e jogado a toalha. Mas, não. Montou um time competitivo e aguerrido, com os limitados Miro Bilan e Darko Planinic quebrando um galho.

Isso forçou, de todo modo, que o cestinha Bogdanovic e o plural Saric jogassem mais de 30 minutos em média em Turim. Não é uma situação bacana para nenhum atleta em um calendário destes. O esforço da dupla ao menos valeu a classificação, com a ajuda do talentoso, mas desmiolado Simon.

– Rodagem: muitos dos operários que Petrovic escolheu para escoltar Bogdanovic e Saric são marinheiros de primeira viagem nesse tipo de competição e não estão nem mesmo habituados a grandes jogos por seus clubes.

– Para acreditar: é um time versátil, explorando bem os talentos múltiplos de Saric, que, por um minuto, ser o armador do time e, no outro, ser o único pivô em quadra. Luka Babic e Hezonja também podem se desdobrar em quadra. Bogdanovic é um cestinha perigosíssimo no mundo Fiba, onde não há tantos defensores atléticos assim para lhe incomodar, podendo usar seu tamanho para arremessar sobre a maioria No Pré-Olímpico, os croatas marcaram bem, usando a envergadura de um elenco bastante espichado.

Questões: Hezonja tem o talento, mas ainda é muito inconsistente para esse tipo de torneio; existe uma razão para o fato de o país ter convocado Dontaye Draper e Oliver Lafayette para as últimas competições: Ukic e Stipcevic não são confiáveis na armação. Se a defesa adversária conseguir contestar Bogdanovic, quem vai pontuar?

Guia olímpico 21
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AUSTRÁLIA

Armadores: Patty Mills, Matthew Dellavedova, Damian Martin e Kevin Lisch.
Alas: Joe Ingles, Ryan Broekhoff e Chris Goulding.
Pivôs: Andrew Bogut, Aron Baynes, David Andersen, Cameron Bairstow e Brock Motum.

Um grandão e os baixinhos no time mais casca grossa das Olmpíadas

Um grandão e os baixinhos no time mais casca grossa das Olmpíadas

O grupo: é só dar uma espiada na linha de frente acima para perceber que nenhum time vai querer arrumar encrenca em quadra contra os Boomers. Tá louco: é o elenco mais peso pesado do cartel olímpico, sem dúvida nenhuma, mesmo que Bogut não consiga se recuperar a tempo daquela lesão no joelho sofrida durante as finais da NBA – ele não jogava pela seleção desde 2008, até retornar no torneio Fiba Oceania do ano passado (também conhecido como clássico x Nova Zelândia). Motum é o menorzinho deles e tem 2,o8m de altura e 111 kg. Vai encarar?

Esse peso todo cobra seu preço na defesa. Por isso, o treinador Andrej Lemanis usa de diversos expedientes para tentar deixar sua equipe menos vulnerável – ou deixar suas fraquezas menos expostas, melhor dizendo. Talvez seja o time mais disposto a por em prática a marcação por zona. É aqui que o número um do Draft, Ben Simmons, vai fazer muita falta.

Lemanis também traz ao Rio algumas surpresas em sua rotação de perímetro, como o americano naturalizado Kevin Lisch, um dos principais cestinhas e atiradores da liga australiana. Ele assume a vaga que costumeiramente ficava com Adam Gibson, para revezar com Mills, Dellavedova e Goulding – um quarteto bastante agressivo e talentoso, que poderia ser ainda mais intrigante se Dante Exum estivesse apto a participar. Mills gosta de sair em transição, mas imagino que, pela seleção, isso só vai acontecer em situações bem esporádicas. Por outro lado, os anos em San Antonio lhe ensinaram a atacar com paciência, em meia quadra.

Nas alas, Ingles e Broekhoff espaçam a quadra para a criação deles. Ingles o mundo todo já conhece e admira por sua inteligência. Para quem não pôde acompanhá-lo pelo Lokomotiv Kuban, vale prestar a atenção em Broekhoff, todavia. Excelente chutador e um grande competidor na defesa que tornou Brad Newley descartável.

– Rodagem: aqueles tempos de jogadores australianos isolados do globo, tal como as aberrações naturais da grande ilha que abriga o país, já ficaram bem para trás. Hoje seus principais atletas não só estão na NBA, como têm passagens por fortes ligas europeias. Oito dos convocados estiveram na Copa do Mundo de 2014.

matthew-dellavedova-australia-fiba

Se não bastassem os gigantes, ainda tem o Delly

– Para acreditar: Mills é um cestinha explosivo no mundo Fiba; Dellavedova, como a Conferência Leste da NBA sabe, vai fazer de tudo em quadra para sua equipe sair vencedora; Bogut, se estiver bem fisicamente, vai vedar o garrafão; é um time com jogadores muito inteligentes, daqueles que agradam a qualquer treinador mais chato e detalhista.

 – Questões: todo esse peso na linha de frente deixa o time vulnerável na transição defensiva; qualquer ala-pivô stretch four com o mínimo de agilidade e talento para o chute exterior lhes vai causar problemas. Como será a fusão entre armadores mais explosivos e pivôs tão lentos? Ingles e Broekhoff não são atléticos para compensar isso.

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Guia olímpico 21: Sérvia e Lituânia, num segundo escalão
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Giancarlo Giampietro

Devido ao adiantado da hora, não dá para escrever tanto sobre cada um dos 12 participantes do torneio masculino do #Rio2016, pelo menos não da forma como foi feito com o Brasil e os Estados Unidos, comentando jogador por jogador, ou mesmo como Argentina, Espanha e França. Por que a atenção maior dada a estes times? Bem, os dois primeiros têm razões óbvias. O trio seguinte eu tento explicar assim: Espanha e França são, devido aos resultados recentes, aqueles mais cotados para subir ao pódio ao lado dos norte-americanos. A Argentina não está nesse patamar, mas tem velhos conhecidos nossos e fez parte da trajetória da seleção brasileira.

lituania-serbia-maciulis-kalinic-fiba

Lituanos levaram a melhor em dramática semifinal no ano passado

Pergunta: Vamos agrupar cada equipe olímpica em diferentes escalões, de acordo com seu potencial (na opinião de um só blogueiro enxerido)?

Reposta: Sim, vaaaaamos!

Então aqui estão:

1) EUA
2) Espanha e França
3) Sérvia e Lituânia
4) Argentina, Austrália, Brasil e Croácia
5) Nigéria e Venezuela
6) China

Que fique claro: não é que essas castas sejam imóveis e que haja um abismo de uma para outra – excluindo os Estados Unidos como óbvios indicados ao ouro. Entre os segundo, terceiro e quarto andares, a diferença não é muito grande. São todos candidatos ao pódio. Basta lembrar que a seleção brasileira venceu França e Sérvia pela última Copa do Mundo e também bateu a Espanha em Londres 2012, num jogo muito estranho, mas paciência. E talvez até mesmo a Nigéria possa subir um piso, dependendo de sua lista final.

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Festa essa ressalva, a ideia agora é publicar um post abordando os times restantes em cada um desses grupos, botando nigerianos, venezuelanos e chineses no mesmo balaio final. Aqui, chegou a vez de sérvios e lituanos:

SÉRVIA

Armadores: Milost Teodosic, Stefan Markovic, Stefan Jovic e Nemanja Nedovic.
Alas: Bogdan Bogdanovic, Nikola Kalinic e Marko Simonovic.
Pivôs: Nikola Jokic, Miroslav Raduljica, Milan Macvan, Vladimir Stimac e Stefan Bircevic.

– O grupo: Entre os elencos mais fortes dos Jogos do Rio, a Sérvia é a que tem menos jogadores de NBA. Apenas um, na verdade: o pivô Nikola Jokic, que, pela maturidade e fundamentos que mostra em quadra, jamais poderíamos supor que tenha apenas 21 anos. Poderiam ser três, com Nemanja Bjelica e Boban Marjanovic. Se tivesse montado esse trio, o técnico Aleksandar Djordjevic teria uma linha de frente assustadora. Mas diferentes motivos os tiraram do evento.

Boban virou um agente livre em julho e estava na categoria dos ''restritos'', ainda vinculado de certa forma ao Spurs, que poderia cobrir qualquer oferta. O problema é que isso impediu que o gigantesco e carismático atleta resolvesse rapidamente sua situação. Estava fora de sua alçada. De modo que pediu dispensa, algo que desagradou, e muito, o durão Djordjevic. Passado o pré-olímpico mundial em Belgrado, Boban, já de contrato fechado com o Detroit Pistons, se colocou à disposição da seleção. Foi recusado, mesmo que seja 20 vezes mais jogador que o limitado Vladimir Stimac.

Já a baixa de Bjelica deixou o treinador sérvio bastante chateado e frustrado, e foi por conta da inflamação num nervo do pé direito. A previsão do departamento médico do Minnesota Timberwolves é a de que o ala-pivô só se recuperaria durante as Olimpíadas. Estaria sem ritmo nenhum de jogo. É uma perda enorme para a seleção balcânica, devido a toda a sua versatilidade. Bjelica é dos grandalhões mais flexíveis que você vai encontrar por aí. Na bem-sucedida campanha pela Copa do Mundo, nós o vimos colaborar com rebotes, chute, passe e até mesmo com a articulação da equipe e a partida em transição. Desconfio, inclusive, que, se fosse para escolher, Djordjevic até mesmo o priorizaria a Jokic, por mais que o jovem pivô tenha feito uma excepcional primeira temporada pelo Denver e tenha enorme potencial.

Jokic foi dominante no Pré-Olímpico de Belgrado

Jokic foi dominante no Pré-Olímpico de Belgrado

– Rodagem: é uma seleção bastante jovem, mas que com diversos atletas que estão acostumada a jogar junto há um bom tempo, desde a base; os jogadores também têm muita cancha de Euroliga, habituados a grandes partidas; no Pré-Olímpico em casa, atropelou, ajudada por um sorteio bastante camarada.

– Para acreditar: o conjunto de armadores sérvios é muito forte. Só perde para o espanhol neste torneio, com o genial (e genioso) Milos Teodosic sendo a referência. A presença de Stefan Markovic e Stefan Jovic lhes dão mais liberdade em quadra para olhar para a cesta, enquanto ambos também teriam a incumbência de marcar o jogador de perímetro mais agressivo do outro lado; Jokic é um jovem craque; Bogdan Bogdanovic é uma das estrelas da jovem geração europeia, sem medo nenhum de tentar o arremesso da vitória, evoluindo bastante sob a orientação do mítico Obradovic pelo Fenerbahçe – até recusou o Phoenix Suns neste ano para seguir nessa trilha; Miroslav Raduljica, um verdadeiro bisnagão, não deixará o time seguir tanta falta de Boban, ocupando já muito espaço dentro do garrafão na defesa, enquanto, no ataque, precisa converter seus semiganchos e atacar a tábua.

Questões: na Copa do Mundo, surpreendeu e conquistou a prata (digo ''surpreender'' pelo fato de ser uma base jovem e de o país ter vindo de resultados muito fracos nas competições). Um ano depois, já como favoritos, quando valia a vaga, sentiram a pressão na semifinal contra a Lituânia. Além disso, não há ninguém no elenco capaz de dar conta nem de 50% das tarefas que cabiam a Bjelica. Milan Macvan herdou sua vaga. Ele é um tremendo reboteiro, mas é pesadão e só acha que pode chutar de longa distância. Se o time estiver desesperado por arremesso de fora, Stefan Bircevic será chamado, a despeito de sua fragilidade física e irregularidade. Dependendo do adversário, contra equipes mais baixas, Nikola Kalinic até pode assumir suas funções.

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LITUÂNIA

Valanciunas, Valanciunas e mais Valanciunas pelos bálticos

Valanciunas, Valanciunas e mais Valanciunas pelos bálticos

Armadores: Mantas Kalnietis, Adas Juskevicius e Renaldas Seibutis.
Alas: Jonas Maciulis, Mindaugas Kuzminskas, Marius Grigonis e Edgaras Ulanovas.
Pivôs: Jonas Valanciunas, Paulius Jankunas, Domantas Sabonis, Robertas Javtokas e Antanas Kavaliauskas.

O grupo: um ano atrás, entre a elite europeia, a Lituânia poderia ser considerada aquela seleção com menos, hã, grife. Só o trator Valanciunas estava na NBA. Boa parte de seu elenco jogava em clubes locais, do país em que o basquete é uma religião. Conseguiram, ainda assim, a prata no EuroBasket e a classificação direta, evitando qualquer possível armadilha nos pré-olímpicos mundiais. Agora, eles chegam com uma trinca de profissionais da liga americana, com Sabonis, draftado por OKC, e Kuzminskas, contratdo pelo Knicks, fazendo companhia ao pivozão. E sabe do que mais? Não muda nada isso. Com ou sem este selo, a Lituânia seria o mesmo time a ser respeitado.

O técnico Jonas Kazlauskas tem um elenco muito limitado atleticamente. Um torneio de enterradas interno seria tão emocionante quanto uma partida de xadrez. Mas sua experiente base sabe muito bem dessas limitações e dá um duro danado em quadra para compensá-las com muita força física, garra, senso de posicionamento e inteligência em geral. Eles vão ralar na defesa e esperar que Valanciunas resolva as coisas no ataque.

Enquanto isso, Kazlauskas vai formando um novo núcleo em torno de Valanciunas, contando com cinco jogadores estreantes em Jogos Olímpicos, adicionando alas voluntariosos como Ulanovas e Grigonis, que não terão prioridade em termos de rotação, mas já vão viver uma grande experiência.

Entre os mais jovens, de todo modo, fica a expectativa para ver como vai se comportar o jovem Saboninhos, que soube aproveitar bem a passagem pelo basquete universitário americano para expandir seu jogo – deixando o Unicaja Málaga, clube de forte base, mas que nem sempre aproveita bem sua revelações. Ele tem tudo para formar uma grande dupla com Valanciunas por anos e anos e já deve ser produtivo no Rio.

– Rodagem: veja abaixo.

– Para acreditar: talvez não haja grupo mais entrosado que o lituano. Kalnietis, Seibutis, Maciulis, Kuzminkas, Jankunas, Valanciunas e Javtokas jogam juntos há muito tempo e estiveram presentes praticamente em todos os torneios deste ciclo olímpico. Isso lhes dá uma vantagem imensa. Se for pensar em consistência, esse é o seu time também: o jogo dos caras não empolga, como nos bons tempos, mas eles não largam o osso. A prata no último EuroBasket foi uma repetição de seu resultado em 2013. Entre um torneio continental e o outro, ficaram em quarto no Mundial. O núcleo central da equipe tem muita experiência. Mais: é difícil demais remover Valanciunas dos arredores do garrafão e da tabela, e, uma vez posicionado ali, o pivô, muito forte e técnico, vai castigar a maioria de seus adversários.

 – Questões: a Lituânia depende demais de Valanciunas. O pivô é referência para tudo. Quando o assunto é Lituânia, parece até heresia perguntar, mas lá vai: eles vão acertar o suficiente nos tiros de três pontos para seu grandalhão ter espaço no garrafão e ativar seus movimentos um tanto mecânicos?

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Bela vitória sobre a Austrália no primeiro teste sério
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Giancarlo Giampietro

Galera, tem hora que nessa vida online a ordem dos fatores pode ser alterada, né? Tipo escrever um minitexto nas redes sociais em vez de colocar algo direto aqui no blog, saca? Foi o que aconteceu nesta quinta-feira aqui no QG 21, com algumas observações sobre a vitória da seleção brasileira sobre a Austrália de lavada, por 96 a 67, em Mogi das Cruzes.

O time de Magnano jogou muito bem. Ficou boa parte do tempo como uma verdadeira unidade em quadra, com um jogo coeso, balanceado, sem depender excessivamente da transição como aconteceu em muitos carnavais. Nenê está voando em quadra, o que é a melhor notícia dessa fase de preparação, Raulzinho está forte pacas e Benite é o terror de sempre quando há movimentação de bola no ataque. O mínimo espaço que tiver, e lá vai um petardo de fora, sem precisar forçar a barra, com eficiência. As notas todas na íntegra estão na página do blog no Facebook.

Essa é uma deixa para dizer que, durante as Olimpíadas, em função da cobertura maior, não é certo que consiga publicar aqui uma análise imediata após os jogos da seleção. Mas é bem provável que todos os jogos sejam comentados em minha conta de Twitter ou no próprio FB. Fica o convite para que sigam o blog por lá também. Não quer dizer que este espaço ficará inoperante: o Rafael Uehara também vai aparecer por aqui com as análises técnicas detalhadas. Simbora.

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Felício é convocado, e a seleção tem de seguir em frente
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Giancarlo Giampietro

cristiano-felicio-bulls-summer-vegas

Você nunca deve levar tão a sério os resultados de uma Summer League, ou os números produzidos pelos jogadores. É difícil saber exatamente o que se traduz em jogos oficiais de NBA aquilo que se pratica nessas partidas de veraneio, que muitas vezes descambam para a pelada.

No caso de Cristiano Felício, porém, em sua segunda aventura por Las Vegas, as atuações convincentes e as dezenas de elogios que tem recebido têm mais significado. Não é que ele só tenha jogado bem nesse cenário. A boa participação pelo segundo ano consecutivo confirma e mostra um pouco mais sobre sua curva de evolução nos Estados Unidos, mês a mês, depois de ser dominante em sua curta passagem pela D-League e de impressionar na reta final de temporada do Chicago Bulls.

Este é o pivô que a seleção brasileira vai receber agora, de improviso, por circunstâncias do lamentável corte de Anderson Varejão: um jovem talento em alta no cenário internacional. O brasileiro, de 24 anos, ainda está em formação. Mas já mostrou que pode ser produtivo nos mais diversos níveis em que atuou desde que foi para os Estados Unidos, competindo com os melhores atletas do mundo.

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Quando se apresentar a Magnano e iniciar os treinamentos, Felício vai primeiro ter de brigar por seu espaço na rotação, com muita gente boa na frente, treinando desde o início. O mineiro de Pouso Alegre não chega como uma figura messiânica que vá conduzir a seleção rumo ao ouro ou ao Olimpo. Sua (re)convocação de última hora, porém, deve ser comemorada pelo simples fato de que ele era a melhor alternativa disponível no caso do corte de um pivô, já que Splitter e Faverani estão fora de combate. Ele está preparado para dar uma força a Nenê, Augusto, Hettsheimeir e Giovannoni. Arrisco dizer que mais preparado do que Varejão.

Varejão estava limitado por uma hérnia de disco

Varejão estava limitado por uma hérnia de disco

Aqui, é importante deixar claro que estamos falando sobre agosto de 2016 – e, não, sobre o conjunto da obra. Até porque não há como comparar os dois nesse sentido. O pivô que está chegando nunca teve muitas chances para se estabelecer como referência nem mesmo no NBB e agora está se soltando na liga americana, para surpresa dos mais desavisados ou negligentes. O outro está na reta final de uma carreira louvável, vitoriosa e milionária, sabotada apenas por uma lista interminável de lesões e problemas físicos.

É uma pena que, mesmo depois das idas e vindas de uma temporada em que mal jogou, Varejão volte a ser endereçado à enfermaria. Ele simplesmente não consegue paz. Mas é por isso que sua convocação como ''nome certo e indiscutível'' neste ano causava certa apreensão. Não é um tema fácil. Pelo contrário, parece bem espinhoso. Mas, na hora de formar uma seleção olímpica, o que deveria pesar mais: o currículo ou o momento? O que desperta mais ''merecimento'', ou é mais digno de prêmio: a história ou o presente?

Respondendo friamente, é natural que você vá pender sempre para a primeira resposta: aquilo que está acontecendo aqui e agora. Mas há todo um fator emocional que pode te empurrar para a segunda alternativa também, e esse aspecto não deixa de ser relevante na hora de construir uma equipe. É aqui que fica a maior preocupação pelo corte de Varejão ao meu ver: a seleção está perdendo um líder, uma figura exemplar. Características que já haviam sido sacrificadas no momento em que Tiago Splitter soube que precisava fazer uma cirurgia no quadril.

Agora, não podemos nós todos, incluindo Magnano, nos mostrarmos surpresos com o corte. Pode-se lamentar, claro, porque ninguém quer ver um atleta lesionado, contundido, abalado, muito menos às vésperas de um torneio olímpico em casa, depois de uma longa história a serviço da seleção. Se for ver bem o currículo de Anderson, ele também quase sempre esteve lá. Somente em 2007 ele se viu obrigado a dizer não, quando estava em forma, pois ainda não havia renovado com o Cleveland. Mas dizer que era totalmente inesperado? Não dá. Nesta década, em seis temporadas, a única em que o capixaba conseguiu jogar pelo menos 80% das partidas da NBA foi em 2013-14, com 65. De resto, temos 31, 25, 25, 25 e, por fim, as 53 da temporada passada, em que não sofreu nenhuma lesão grave, mas pela qual já havia se transformado numa figura complementar de elenco, chamado para a quadra por David Blatt ou Steve Kerr só por emergência ou com o jogo já resolvido.

Está certo que as equipes eram Cleveland Cavaliers e Golden State Warriors, justamente os dois finalistas da liga, com grandes opções para a linha de frente. Acontece que, nos momentos em que foi para a quadra, Varejão não deixou boa imagem. Tantas lesões, a última delas uma ruptura no tendão de Aquiles, lhes haviam roubado a incomum mobilidade, características essenciais para que tenha se tornando um pivô de elite, dos melhores defensores e reboteiros de sua geração. Muito se fala sobre a dedicação, a garra e a inteligência do veterano, com justiça. Esse pacote o transformou em ídolo/xodó tanto em uma cidade praiana e quente como Barcelona como num município mais interiorano e gélido como Cleveland. Seus piques, mergulhos e arroubos em quadra foram contagiantes e irresistíveis, ainda mais com a cabeleira voando para todos os lados. Se ele não fosse extremamente ágil para alguém de sua altura, porém, não teria recebido mais de US$ 80 milhões só em salários.

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Como disse aqui, se fosse para encarar, então, a convocação de Varejão com otimismo neste ano, você tinha de se apegar à ideia de que ele deveria  apenas se detravar. Que, retornando de uma lesão complicada, não chegou a ter chance de se provar recuperado em quadra pelo fato de ter Kevin Love, Tristan Thompson e até Timofey Mozgov à frente na rotação. (Mas aí o Cleveland o despachou.) Depois, pelo Golden State, estava chegando no meio do campeonato a um time azeitadinho que prioriza o small ball. A visão de quadra ele nunca vai perder, podendo dar bonitos passes no sistema de frenética movimentação do Golden State. Mas só isso não era o bastante. Aí que sua média de minutos ainda caiu, de 10,0 por jogo para 8,5. Então de repente o brasileiro só precisava de um empurrão de uma boa sequência de amistosos para mostrar que poderia ser relevante em quadra, que os 43,1% de aproveitamento nos arremessos de dois pontos (contra 51,7%) e a queda no percentual de rebotes tinham mais a ver com ferrugem. No fim, a desgraça é que nem essa dúvida vamos poder tirar agora.

Felício, por outro lado, não poderia estar mais apto fisicamente para contribuir com o time. O pivô tem uma combinação de força física e agilidade que o tornam especial até mesmo em meio aos grandalhões da NBA. Na liga de verão, simplesmente não houve quem o parasse quando recebia a bola debaixo da cesta. De todo modo, seu jogo tem muito mais do que a o porte intimidador e a capacidade atlética. Aos poucos, os scouts e os americanos em geral vão percebendo o quanto sua visão de quadra e leitura de jogo são apurada, enquanto ele também vai pegando confiança em seu arremesso de média para longa distância, que já sai naturalmente de suas mãos.

Depois das desavenças com Thibodeau, de uma temporada atribulada para o técnico que contrataram para substituí-lo, perdendo os playoffs, das crises de ego com Jimmy Butler e Derrick Rose e da contratação de Rajon Rondo, o fato de terem ''descoberto'' Felício é uma das poucas boas notícias associadas recentemente aos diretores do Chicago Bulls. Natural, então, que o clube o quisesse por perto neste verão (setentrional), para trabalhar ainda mais com o pivô. Ele foi para a quadra em Las Vegas para botar novamente em prática tudo o que vem treinando por lá. Para um jogador que não tem contratado garantido e ainda está se afirmando na NBA, isso não é pouco. Então, por favor: sem essa de que Felício não ''quis'' jogar pela seleção. Esse verbo não costuma ser muito relevante nos bastidores da liga. Até mesmo um cara como Manu Ginóbili já foi contrariado quando o assunto é participar de um torneio Fiba.

Aí que o método Magnano de morder e assoprar morder mais uma vez só gera desgaste e incertezas desnecessárias. E mostra o quanto o argentino está desconectado da realidade em alguns aspectos – ou isso, ou tudo não passa de um showzinho para a torcida e as câmeras, o que é ainda pior e é algo que diversas fontes já sopraram para o blog nos últimos anos, causando desconfiança da parte de muitos atletas com o treinador. Será que não passava por sua cabeça em nenhum momento que atletas com o histórico médico recente de Faverani e Varejão poderiam ser cortados? Não é questão de ser pessimista, gente, mas de ser realista. Para que disparar, pela enésima vez, contra um jogador? Para constar, a Alemanha acaba de anunciar a dispensa de Dennis Schröder da seleção que vai disputar o torneio de classificação para o EuroBasket. O motivo? A federação entende que o armador está prestes a jogar aquela que talvez seja sua temporada mais importante pelo Atlanta Hawks, promovido ao time titular.

Huertas, Magnano, Felício e poucos minutos

Magnano se encontrou com Felício há alguns meses. Não serviu de muita coisa

A própria convocação de Faverani, aliás, mostrava o quão tolo e desnecessário é esse tipo de comportamento. O técnico já cuspiu marimbondos ao falar sobre o pivô no passado. Chegou o #Rio2016, e quem estava lá na lista? Pois bem. Se ele deu o braço a torcer em relação ao talentoso e enigmático grandalhão, agora chegou a vez de fingir que nada aconteceu em relação a Felício. Que ninguém na CBB consiga ao menos controlar o ego e os ânimos do treinador só vem corroborar o estádio de falência e calamitoso que domina a entidade.

Em relação ao silêncio da confederação durante todo esse processo de troca de jogadores, aliás, nada surpreende. Transparência realmente não é o forte dessa gestão – e da passada –, assim como o zelo pela imagem dos jogadores. Precisa vir a assessoria de Anderson Varejão anunciar que o pivô estava fora, devido a uma hérnia de disco. Antes, o problema era tratado de forma oficial como ''lombalgia''. A gente não vai saber se era um diagnóstico equivocado (e nem questiono os médicos envolvidos, mas é que, para uma entidade quebrada, talvez nem haja dinheiro para exame de imagem…). De repente já tinham conhecimento do fato e apenas lançaram um termo genérico para não causar comoção, achando que, desta forma, o preservariam. Com um torneio como a Olimpíada se aproximando, não vejo razão para tanto suspense. Além do mais, se fosse o caso, não haveria motivo para o pivô sair às pressas para ser avaliado pelo Warriors e por especialistas na Califórnia. Enfim, se a seleção brasileira sonha em fazer uma boa campanha no Rio, já sabe que terá de fazer isso por conta própria, pois os dirigentes não estão em condição de dar nenhuma contribuição relevante.

Então agora a gente fica no aguardo para que Felício chegue, se incorpore rapidamente a um grupo olímpico ainda bastante experiente, e que seja bem recebido, sem ressentimentos. O jovem pivô está em plena ascensão e não é de criar caso com ninguém. Pelo contrário: talvez já pudesse ter brigado por seu espaço muito antes, pois não foram os técnicos da NBA que lhe ensinaram aquilo que ele vem mostrando hoje. Era tudo uma questão de chance e confiança. Que agora ele deve receber de Magnano e seus companheiros. O corte de Varejão é um trauma do ponto de vista emocional, pela sua representatividade. O status da seleção segue o mesmo: com chances no torneio, tendo de brigar muito. Eles perderam um guerreiro combalido, que merece todas as homenagens. Mas pode ser que saia daí um time ainda mais forte tecnicamente, ou pelo menos mais vigoroso.

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Guia olímpico 21: a fortíssima França tem nova referência
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Giancarlo Giampietro

A partir da definição dos 12 jogadores da seleção brasileira, iniciamos uma série sobre as equipes do torneio masculino das Olimpíadas do #Rio2016:

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Dois desses talvez estejam se despedindo. O outro virou O Cara

O grupo
Armadores: Tony Parker, Nando De Colo, Antoine Diot, Thomas Heurtel.
Alas: Nicolas Batum, Mickael Gelabale, Charles Kahudi.
Pivôs: Boris Diaw, Florent Pietrus, Kim Tillie, Joffrey Lauvergne e Rudy Gobert.

A França é uma das raras seleções que pode colocar um quinteto em quadra que ao menos não seja esmagado atleticamente pelo Team USA. Mas não que consigam rivalizar, claro. Gobert, un monstre, pode com qualquer um – é um cara agora para fazer a diferença a cada partida. Parker, Diaw e mesmo, discretamente, Batum já viveram dias melhores. Mas ainda tem Kahudi, Pietrus, Gelabale e Lauvergne.

Um dado interessante para se ponderar é que os Bleus vêm para o #Rio2016 com cinco atletas de NBA. O que é bastante, mas não o máximo que poderiam convocar. Não é porque o cara está na melhor liga do mundo que deve ser convocado automaticamente, ainda mais no país que tem a maior produção de jogadores no mundo todo hoje, excluindo o território norte-americano. Na hora de se formar uma equipe, o treinador não deve pensar apenas em nomes, mas no modo como eles se combinam em quadra.

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Há, inclusive, atletas que nem mesmo querem jogar nos Estados Unidos. Acreditem, porque De Colo está aí para contar essa história. Depois de ser aclamado MVP da última Euroliga, evoluindo demais desde que deixou o Toronto Raptors, há dois anos. O cestinha francês certamente receberia uma oferta generosa nesta nova economia da liga americana, mas nem quis saber de conversa, renovando cedinho seu contrato com o CSKA.

A presença do armador alto, de 1,95m, ajuda a entender a exclusão de Evan Fournier entre os 12 finais. O técnico Vincent Collet não estava fechado em torno dos 12 atletas que disputaram o Pré-Olímpico em Manilla. Ao obter a vaga, não hesitou em trocar o talentoso Adrien Moerman, pivô emergente no mercado europeu, por Gobert. Muitos esperavam que o mesmo procedimento seria adotado com Fournier, que já está de contrato assinado com o Orlando Magic.

''Acredito que nossos sete jogadores do perímetro assumiram bem suas funções. Encontramos um grande equilíbrio nesse setor. Pelo contrário: tivemos dificuldades no garrafão, que poderiam se tornar mais graves para o torneio olímpico. Quando as pessoas veem as coisas de fora, podem fazer perguntas. Mesmo eu, antes de viajar para Manilla, acreditava que iria adicionar Fournier depois. Digo isso com tranquilidade, pois acreditava que pelo menos um jogador do perímetro não iria se encontrar, mas não foi o caso'', afirmou o treinador. ''Houve um compromisso que assumi com meus jogadores que era o seguinte: se eles jogassem bem, permaneceriam na equipe. Se não honrasse isso, os estaria traindo.''

Agora, o talentoso arremessador se junta a Alexis Ajinça, Ian Mahinmi, Kevin Seraphin e Joakim Noah entre os franceses de NBA que não são olímpicos – embora eu relute a incluir Noah nesse grupo, já que o pivô está mais para cidadão do mundo, do que francês, e que, se estivesse disposto a defender o país, certamente contaria com a boa vontade de Collet. Também não vale mencionar os mais jovens, como Damien Inglis, recentemente descartado pelo Bucks, ou os recém-draftados Guerschon Yabusele, Timothé Luwawu, Isaia Cordinier, Petr Cornelie, que não estão prontos para a empreitada. Desses, apenas Luwawu está garantido na próxima temporada.

O Parker de 2016 está em forma muito melhor o que od e 2015

O Parker de 2016 está em forma muito melhor o que od e 2015

Rodagem
Em termos de quilometragem, a França é uma das três seleções olímpicas que entram nas Olimpíadas um pouco mais entrosadas – mas talvez mais cansadas também –, por ter sido obrigada a disputar o torneio de classificação nas Filipinas. Venceram seus quatro jogos por lá, contra os anfitriões e Nova Zelândia, Turquia e, por fim, Canadá, na hora de disputar a vaga. Somente o triunfo sobre os turcos foi por dígitos duplos. Mas não que pudessem esperar partidas fáceis, mesmo. Agora, entrar no último período do duelo com os neozelandeses com sete pontos de desvantagem também não era algo previsto, né? Já o confronto com o Canadá, que estava bastante desfalcado, foi equilibrado, mas sob controle dos Bleus do início ao fim:

A França tem um dos elencos mas experientes da competição e, assim como no caso de Brasil e Espanha, deve se despedir de algumas de suas principais figuras como os melhores amigos Parker e Diaw, além de Gelabale e Pietrus.

Para acreditar
Estamos falando de uma base que foi medalhista nos últimos três EuroBaskets, com direito a título em 2013, e que também foi bronze no último Mundial. Se fosse para fazer uma bolsa de apostas, esse retrospecto os coloca num segundo patamar entre os favoritos, ao lado da Espanha.

Independentemente da aceleração e impulsão dessa turma, que podem ser abaladas pela idade e ou pela quantidade de cheeseburgers ingeridos, um fator não se altera: a envergadura coletiva da equipe, que faz de sua defesa algo infernal. É muito difícil encontrar espaço ali para fazer uma infiltração em linha reta e simples, por iniciativa individual, sem que os marcadores tenham sido sacudidos com boa movimentação de bola. Esses porte físico também se manifesta em domínio dos rebotes, com uma das linhas de frente mais fortes que vão encontrar por aí.

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Do outro lado, Nando De Colo está no auge. Ele hoje, na real, é a grande referência da equipe, em termos técnicos, vindo de 17,2 pontos, 58,5% de acerto nos arremessos, além de 4,0 lances livres convertidos por partida durante o Pré-Olímpico de Manilla:

Algo providencial para aliviar a carga de Tony Parker, que em muitos torneios se sentia obrigado, ainda que desnecessariamente, a bancar o super-herói – uma tendência que se manifestou mesmo no ano passado, quando estava em péssimas condições físicas. Ao menos agora o armador se apresenta em melhor forma. Os dois ainda serão assessorados por Heurtel, que tem uma visão de quadra especial, e por Diot, mais um passador de mãos seguras, podendo olhar mais para a cesta.

Questões
Para uma seleção com mentes brilhantes como as de Parker, De Colo, Batum, Diaw e Heurtel, a França tende a jogar de modo muito, mas muuuuito lento, o que é um contrassenso, pensando nos atletas que são convocados. Era para essa equipe ser uma das mais divertidas das competições Fiba. Mas é uma das mais chatas.

O técnico Vincent Collet, porém, pode se proteger pelo sucesso recente. Mas fico imaginando como poderiam ser ainda mais perigosos com um maior liberdade para transição e um ataque menos arrastado.Você não precisa abrir mão de eficiência defensiva por um ataque mais criativo, ainda mais para um grupo que não tem tantos chutadores.

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Guia olímpico 21: o que esperar da Argentina?
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Giancarlo Giampietro

A partir da definição dos 12 jogadores da seleção brasileira, iniciamos uma série sobre as equipes do torneio masculino das Olimpíadas do #Rio2016:

luis-scola-argentina-2016

Lá vem o Luis de novo

O elenco
Armadores: Facundo Campazzo e Nicolás Laprovítoola
Alas: Manu Ginóbili, Nicolás Brussino, Patricio Garino, Gabriel Deck e Carlos Delfino.
Pivôs: Andrés Nocioni, Leo Mainoldi, Luis Scola, Marcos Delía e Roberto Acuña.

A troca de gerações está encaminhada. Claro que eles vão sentir essa passagem. Nenhuma seleção internacional perde jogadores como Luis Scola, Manu Ginóbili e Andrés Nocioni sem sofrer um baque.  A não ser os Estados Unidos. Se algum dia vão poder brigar novamente pelo ouro olímpico? As perspectivas não são tão otimistas, mas está muito cedo para dizer. Mas pelo menos a Argentina pode olhar para seus 12 olímpicos e perceber que há um caminho a ser seguido pelo próximo ciclo.

Entre atletas nascidos nos anos 90, os armadores Facundo Campazzo e Nicolás Laprovíttola, os alas Nicolás Brussino, Patricio Garino e Gabriel Deck e mesmo os pivôs Marcos Delía e Roberto Acuña já compõem uma sólida base para futuros torneios. Especialmente os armadores, que estão subindo degraus na Europa consistentemente, rumo aos grandes clubes do continente. Prometem bastante os eventuais duelos com Raulzinho, Ricardo Fischer, Rafael Luz, entre outros da nova geração brasileira.

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Mas vale prestar atenção nos laterais. Brussino é quem vai ficar mais visado agora, pelo fato de o Dallas Mavericks estar apostando em seu talento – seu contrato, de todo modo, não é garantia: o garoto vai ter de brigar por uma vaga no elenco de Rick Carlisle em outubro. O rapaz de 23 anos não pára de crescer, tem muita envergadura para incomodar na defesa, a despeito do físico franzino, e no ataque pontua com inteligência, se deslocando pela quadra em busca de espaço para o arremesso. Ao meu ver, Garino é um prospecto mais interessante, ou pelo menos mais confiável, seguro para uma aposta. Atlético, forte, aguerrido, pode fazer um pouco de tudo em quadra, vai fazer longa carreira na Europa se a NBA não lhe abrir as portas (alô, Orlando, vocês viram a liga de verão em casa).

Garino chegou para ficar na seleção

Garino chegou para ficar na seleção

(O mais promissor deles acabou cortado por Sergio Hernández: Juan-Pablo Vaulet, draftado pelo Nets no ano passado. Vaulet é de um enorme talento, com capacidade atlética bem acima da média, agressividade para atacar o aro, coletar os rebotes e defender. Tem muita personalidade. Só não dá para cravar que vá virar um craque para liderar a seleção por dois motivos: primeiro, seu arremesso ainda é uma calamidade e, segundo, seu histórico de lesões já é muito preocupante para um garoto de 20 anos.)

A presença de jogadores mais jovens é um alívio para os mais veteranos, podendo fazer o serviço sujo – desde que Hernández não peça para Nocioni aliviar, o que é impossível. E ainda tem a incrível história de Carlos Delfino, que não jogava há três anos, passou por sete cirurgias no pé direito e foi chamado por pura fé.

Rodagem
A Argentina chegou à disputa por medalhas nas últimas três Olimpíadas, ganhando o ouro em Atenas 2004 e o bronze em Pequim 2008. Há quatro anos, os caras derrotaram a seleção brasileira num jogo dramático, mas perderam para Estados Unidos e Rússia e ficaram em quarto. Do grupo de Londres 2012, apenas cinco estão de volta, porém, e um deles é Delfino, que a gente nem sabe se vai conseguir jogar para valer. Leo Mainoldi não estava naquele grupo, mas tem muita bagagem. Do restante do elenco, Laprovíttola e Delía participaram de todas as competições com a seleção principal desde 2013. Garino, Brussino e Deck foram introduzidos ao time no ano passado, enquanto Acuña é estreante.

Para acreditar

Ainda não é simples ficar no caminho de Ginóbili

Ainda não é simples ficar no caminho de Ginóbili

Vou confessar aqui: não gostei nadinha deste uniforme dourado que a Argentina tem apresentado em amistosos. Mas é óbvio que ele diz muita coisa e vale para além do marketing. É só um questão de recordar que não faz muito tempo ainda que a seleção fez uma das campanhas mais memoráveis do torneio olímpico para ser campeã em Atenas 2004.

Chega uma hora em que nossos vizinhos ao Sul não poderão mais levantar essa credencial, tentando dar carteirada toda hora. Mas, enquanto o trio Scola, Nocioni e Ginóbili estiver por aí, é melhor respeitar. Mesmo com os três estando hoje mais próximos dos 40 anos do que dos 30, vai haver diversos confrontos na primeira fase em que eles ainda terão pelo menos dois dos três, quatro melhores atletas em quadra. Sim, ainda. Pode escanear os elencos de seus adversários e conferir isso aí.

Guia olímpico 21
>> A seleção brasileira jogador por jogador e suas questões
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>> Espanha ainda depende de Pau Gasol. O que não é ruim

Com disse Delfino em alguma entrevista que vi por aí, talvez a excepcional ao Basket Plus mesmo, em que ele solta alguma coisa sobre o croata Dario Saric nesta linha: ''Vejo muita gente falando sobre ele. Ok. Mas, para a Olimpíada, se tivesse de escolher entre Saric e Scola, o que faria?'', perguntando de maneira retórica. Pois é. O mesmo raciocínio vale para Manu, que só não tem números maiores pelo Spurs porque não compensa para Gregg Popovich desgastá-lo antes dos playoffs.

Questões
A Argentina está renovando seu elenco, mas seus principais atletas não vão correr muito. Dos três craques, apenas Nocioni ainda tem o preparo para ir de um lado para o outro da quadra sem parar. Só porque é maluco, mesmo. Scola nunca foi desses – seus arranques são apenas oportunistas, em contragolpes certeiros. Então, ou Campazzo sai em disparada com qualquer atleta mais jovial que esteja em ação, ou o time se vê obrigado a atacar quase sempre em cinco x cinco.

Esse ritmo mais lento vai obrigar que Scola seja o Scola de sempre, em pick-and-rolls and pick-and-popcom Campazzo, em jogadas de costas para a cesta. Vai forçar também que Ginóbili consiga se esgueirar pelas defesas como foco primário ou secundário do ataque. Que Campazzo e Laprovíttola consigam conduzir o time sem turnovers, mas sem se tornarem burocráticos – nenhum deles é um Prigioni ou Pepe Sánchez. Tudo isso é bem possível.

O problema maior diz respeito ao sistema defensivo e rebotes. Foi na tabela que a equipe foi destroçada pelos brasileiros há dois anos, pela Copa do Mundo. O que pega é que os dois melhores pivôs do time, Scola e Nocioni, são craques e fazem muita coisa em quadra, menos a proteção do aro. Além disso, os dois têm coração enorme, mas não são caras de 2,10m de altura. É difícil lidar com um Gasol, um Valanciunas, um Nenê ou mesmo um Ezeli, do ponto de vista físico e atlético. Esse é o desafio de montar uma linha de frente com Nocioni e Scola. Se os dois fossem companheiros de clube na Europa, por exemplo, num Real Madrid, é muito provável que um seria o substituto do outro.

Por fim, temos Carlos Delfino. Depois de três anos parado e sete cirurgias, foi convocado 'no escuro' por Hernández. É uma história maravilhosa, realmente. Mas não dá para saber o que o veterano pode fazer pela seleção depois de retornar ao esporte apenas nesta fase de amistosos, após três temporadas afastado. Quando no auge, Delfino ajudava nos rebotes, nos arremessos de fora e também poderia criar jogadas em situações de aperto para a seleção.

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Guia olímpico 21: a Espanha de Gasol quer mais medalhas
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Giancarlo Giampietro

A partir da definição dos 12 jogadores da seleção brasileira, iniciamos uma série sobre as equipes do torneio masculino das Olimpíadas do #Rio2016:

O MVP histórico do último EuroBasket

O MVP histórico do último EuroBasket

O grupo
Em termos de desfalques, podemos considerar apenas um, mesmo, para a Espanha. Mas é dos grandes: Marc Gasol, que não se recuperou inteiramente de uma fratura no pé sofrida em fevereiro. Pudera: é o tipo de lesão que deu um trabalho danado para Kevin Durant, por exemplo. No caso de Marc, estamos falando de um cara de 2,16m de altura, pesadão, e de 31 anos. Todo cuidado é pouco. Agora, se for para perder um Gasol, com todo respeito ao astro, melhor que seja o atleta do Memphis Grizzlies, mesmo, em vez de seu irmão mais velho, que é simplesmente um dos 10, 20 maiores jogadores da história das competições Fiba.

De resto, Serbe Ibaka é outro nome constantemente discutido, mas sua ausência na lista final de Sergio Scariolo não se deve a veto do Orlando Magic, contusão, nem nada obscuro assim. Foi simplesmente uma opção do treinador por Nikola Mirotic, já que qualquer seleção só pode recrutar um naturalizado por vez. A base espanhola segue produzindo uma infinidade de jogadores talentosos, mas a federação local ainda acha por bem apelar a esse expediente. Então Scariolo foi de Mirotic, uma opção bastante razoável, e não pelo fato de 'Niko' já ter defendido o país em competições de base.

O montenegrino tem algumas vantagens, como o maior entrosamento com Gasol, depois de tê-lo acompanhado em Chicago nas últimas duas temporadas e a melhor relação com seus companheiros. Não se esqueçam que Ibaka saiu de Londres 2012 reclamando de seus minutos e oportunidades com a equipe. Devia pensar: ''Já não basta o KD e o Wess dominarem a bola em OKC, agora também sou ignorado pela seleção que nem era para ser minha!? Hmpf, que chato''. Então para que procurar esse problema novamente, quando você tem uma alternativa de alto nível?

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Restam dois cortes ainda para Scariolo fazer. Imagino que sairão dois entre José Calderón, Pau Ribas, Alejandro Abrines e Fernando San Emeterio. Calderón ainda é um grande arremessador, tem as mãos seguras no ataque, mas encara disputa duríssima com os Sergios Rodríguez e Llull, protagonistas do time, além de Ricky Rubio, que tem muito mais impacto na defesa. Ribas e Abrines são concorrentes diretos – o certo seria botar Juan Carlos Navarro também nesse grupo, mas fica difícil de mexer com alguém dessa estatura. Abrines levaria vantagem pelo fato de ser um pilar para a eventual reconstrução da seleção, além de chutar demais e ser mais alto e atlético do que um aguerrido Ribas. San Emeterio sempre correu por fora nessa geração, e sua presença depende muito do estado físico de Rudy Fernández. Talvez fosse prudente incluí-lo na lista, por precaução.

Os dez que estariam garantidos: Rodríguez, Llull, Rubio, Navarro, Fernández, Victor Claver, Mirotic, Reyes, Gasol e Willy Hernangómez.

O jovem ala-pivô Juancho Hernangómez, irmão mais novo de Willy, poderia muito bem estar nessa discussão, mas foi selecionado pelo Denver Nuggets no último Draft e está naquele momento de sua carreira fica num suspense que só. Talvez pudesse enfrentar Claver e garantir uma vaga olímpica, mas tudo tem seu tempo. A gente vai ouvir muito sobre ele nos próximos anos.

Rodagem
Já se passaram dez anos da conquista do Mundial pela Espanha. Em dez anos, muita coisa deveria mudar.  Comparar o elenco atual com aquele celebrado no Japão, porém, faz a gente repensar essa tese. Não só Pau Gasol segue como um dos melhores jogadores do mundo, o que por si só impressiona bastante. Além do pivô, Scariolo pode contar com outros cinco atletas que o acompanharam naquela conquista histórica: Rodríguez, Calderón, Navarro, Fernández e Reyes. Considerando que o desfalque de Marc Gasol é apenas uma questão de azar, os espanhóis poderiam ter até  mais de 50% de sua equipe repetida. Podemos falar em falta de renovação, ou que esses atletas simplesmente deram um jeito de se manterem relevantes por tanto tempo. No caso de Rodríguez e Fernández, eles eram ainda bastante jovens naquela ocasião. Agora estão no auge. Temos aqui, então, um grupo bastante experiente e entrosado também.

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Muitos ainda estão por aí

Para acreditar
Recentemente contratado pelo Spurs, aos 36 anos, Pau Gasol ainda é um dos jogadores mais temidos do #Rio2016. Os franceses se recordam bem do que o pivô lhes aprontou pela semifinal do último EuroBasket, com uma exibição verdadeiramente seminal. Buscando vingança após a derrota em casa pela Copa do Mundo de 2014, o gigante fez um campeonato espetacular para ser eleito o MVP, sem que ninguém lhe conseguisse parar: teve médias de 25,6 pontos, 8,8 rebotes e 2,9 assistências, além de absurdos 56% nos arremessos de dois pontos, 67% de três e 81% nos lances livres. Recomendo ler em voz alta todos esses números pelo menos uma vez para ver se a cabeça os processa de maneira adequada.

Guia olímpico 21
>> A seleção brasileira jogador por jogador e suas questões
>> Estados Unidos estão desfalcados. E quem se importa?

O legendário espanhol manteve o ritmo durante a extensa temporada da NBA e disputou 72 partidas pelo Bulls, com média de 31,2 minutos. O importante aqui é constatar sua durabilidade, ao contrário de campanhas passadas em que se apresentou ao time nacional com mobilidade limitada. Quando está solto em quadra, vira um pesadelo no basquete Fiba, pelo fato de a linha de três pontos ser mais curta. Você em de marcá-lo muito longe da cesta, e ele ainda tem fundamento e passada larga para bater grandalhões com o drible. Sem contar o inúmero repertório de giros, fintas, ganchos e arremessos de média para curta distância.

A ausência de seu irmão, nesse sentido, pode até ser benéfica. Pelo menos no ataque. Por mais que saiba perfeitamente jogar em high-low, como faz há anos com Zach Randolph em Memphis, Marc deixaria a quadra com menos espaço para Pau entrar em ação. A mesma atenção que os adversários vão prestar para contestar Mirotic não seria a mesma com o grandalhão. Além do mais, vindo do banco, a dupla Reyes-Hernangómez ainda pode dar conta do recado.

Mirotic muda as coisas o ataque para a Espanha

Mirotic muda as coisas o ataque para a Espanha

Para servir aos pivôs, a seleção espanhola também conta com o melhor conjunto de armadores das Olimpíadas, independentemente da presença de Calderón, ou não. Os Sergios dominaram o basquete espanhol e europeu, de certa forma, nos últimos três, quatro anos, fazendo dupla pelo Real Madrid. Ao lado de Rubio, podem formar um trio invejável, que dão muito manejo de bola, visão de jogo, intensidade e põem pressão defensiva. Se por acaso tivermos uma terceira final seguida entre Estados Unidos e Espanha, para os europeus sonharem com um ouro, esses baixinhos terão de se impor não só contra Kyrie Irving e Kyle Kowry, mas principalmente enfrentar o abafa dos norte-americanos, reduzir turnovers e tentar fazer um jogo controlado para que eventualmente Gasol faça a diferença.

Contra defesas menos agressivas, os armadores podem fazer a Espanha jogar muito bem em velocidade, característica que ajudaria muito Fernández e Mirotic, emulando o Real Madrid de Pablo Laso.

Questões
Marc Gasol vai fazer muita falta do ponto de vista da marcação. Ele pode ser lento, indo na contramão do que temos cada vez mais visto pelo basquete mundo afora, mas é um desses gigantes extremamente inteligentes que se fazem notar quando posicionados ao centro de uma defesa, fechando muito bem espaços e também contestando qualquer jogador que se aventure em jogar de costas para cesta sob sua observação. Ainda assim, para a Espanha ir longe, sem sustos, o último EuroBasket mostrou que Pau Gasol precisa estar em quadra por cerca de 30 minutos. Em 2016, creio realmente ser difícil unir os irmãos em quadra. Não é o pior dos mundos, então.

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Um ponto a ser lamentado é justamente essa dependência do pivô. Em tese, a seleção espanhola tem elenco para se virar também sem o astro. Mas os dois Sergios precisam jogar como se estivessem com a camisa do Real Madrid, dominando o jogo com seu imenso pacote de habilidades, coisa que não aconteceu no último europeu – e que foi ainda pior durante o Mundial em casa. É só dar uma espiada no aproveitamento de longa distância de ambos. Chutam com muito mais eficiência por seu clube do que pela seleção. Neste caso, a familiaridade com sistemas e companheiros não deveria ser uma desculpa: afinal, há momentos em que podem montar um quinteto todo merengue em quadra, acompanhados por Fernández, Reyes e… Mirotic (sim, ele é do Chicago hoje, mas jogou muito mais tempo com esses caras do que com Taj Gibson e Jimmy Butler). Para não falar de Willy Hernangómez, que só ficou com esse núcleo uma temporada e agora está indo para Nova York. Aliás, que Scariolo não use desse expediente mais vezes é algo um tanto curioso.

A última preocupação é a disputa nas duas tábuas. Gasol, Reyes e Hernangómez são ótimos reboteiros, mas o restante do quinteto tem tamanho diminuto, especialmente nas alas. Já não há mais esperanças de que Victor Claver possa se tornar esse lateral de grande estatura que o país procura há anos – tipo o Brasil, enquanto Lucas Dias e Bruno Caboclo não chegam lá. Equipes como França, Sérvia e Lituânia podem dar trabalho nesse sentido, com um perímetro de maior estatura.

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