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Euroligado: trote, susto e os 16 melhores
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Giancarlo Giampietro

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Foi um episódio assustador que, felizmente, não deu em nada e se transformou numa brincadeira sem nenhuma graça. O Panathinaikos recebeu o Barcelona em Atenas, na sexta-feira, para a saideira da primeira fase da Euroliga. Os dois times já estavam classificados. Era questão só de cumprir tabela, não era para chamar a atenção de ninguém.

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Mas aí algum desmiolado teve a seguinte ideia: ameaçar as autoridades de que uma bomba explodiria no ginásio olímpico da capital grega. Sim. Deu prazo até: ela estouraria em uma hora. O jogo estava no intervalo, com vitória tranquila do Barcelona, quando as autoridades evacuaram a arena. Ou quase evacuaram: integrantes da torcida organizada do time da casa não arredaram pé do ginásio… Depois de uma varredura completa no ginásio sem identificar nenhum explosivo, com cerca de uma hora de atraso, o jogo retornou. Era apenas um lamentável trote. Claro: melhor que seja assim, sem nenhum incidente, nenhum ferido. Mas não se faz uma coisa dessas.

Em quadra, as boas notícias se concentraram em Galatasaray, Nizhny Novgorod e Zalgiris Kaunas. Esses foram os times que conseguiram as últimas três vagas no Top 16 da Euroliga. O clube lituano, aliás, sofreu horrores para assegurar seu posto no…

Jogo da rodada: Zalgiris Kaunas 80 x 79 Dinamo Sassari

James Anderson comemora aquela que talvez tenha sido a cesta de sua vida

James Anderson comemora aquela que talvez tenha sido a cesta de sua vida

Na disputa pelas duas vagas restantes do Grupo A, o Zalgiris dependia apenas de seus esforços contra o lanterna Dinamo Sassari, uma das piores equipes da primeira fase. Antes de a bola subir, o clube fez uma bela festa para o legendário Arvydas Sabonis, seu presidente, que completava 50 anos. Estava tudo armado para uma grande celebração, né? Tanto que, ao final do primeiro tempo, o time da casa vencia por 49 a 37. Mas por pouco isso tudo não virou um desastre.

O Dinamo não entregou os pontos. Pelo contrário, resolveu brigar como não havia feito em sua primeira participação na Euroliga. Com uma defesa forte, permitiu apenas 13 pontos no terceiro período e descontou dez pontos do placar nessa. Manteve o ritmo no quarto final e virou o jogo, chegando a 75 a 66 com uma bandeja do armador dominicano Edgar Sosa, a três minutinhos do fim. Imagine o choque na belíssima Zalgiris Arena, uma das mais modernas da Europa? A essa altura, eles sabiam que o time precisava da vitória de qualquer maneira, uma vez que, no duelo de russos, o Nizhny Novgorod havia batido o Unics Kazan por 78 a 74. Se o Unics tivesse triunfado, os lituanos já estariam classificados. Não rolou, então teriam de resolver por conta própria.

Com sete pontos em sequência, quatro deles do cestinha americano James Anderson, o Zalgiris conseguiu reduzir a desvantagem para apenas uma posse de bola no minuto final. Cheikh Mbodj converteu um lance livre, após ter desperdiçado o primeiro, e levou o jogo a 78 a 75 para os visitantes. Robertas Javtokas converteu uma bandeja no ataque seguinte. Depois, os anfitriões mandaram Mbodj novamente para o lance livre e ele repetiu o expediente, errando o primeiro, convertendo o segundo (79 a 77). E aí veio o grande lance: com 7s1 no cronômetro, Anderson bateu para dentro, freou e subiu para o arremesso: não só fez a cesta, acertando a tabela, como sofreu falta de Giacomo Devecchi. Ele matou seu lance livre a 2s5 e garantiu a classificação.

A outra definição

Caiu o salário ou foi vitória mesmo? O Galatasaray comemora

Caiu o salário ou foi vitória mesmo? O Galatasaray comemora

O Grupo D tinha uma vaga em aberto, a do quarto colocado, entre Galatasaray e Neptunas Klaipeda, o estreante lituano, que jogava por dois resultados (ou uma vitória sua contra o Valencia, ou uma derrota do seu concorrente para o Olympiakos). O clube turco prevaleceu nessa, ao vencer seu jogo por 79 a 74, enquanto o Neptunas tomou um vareio na Espanha: 103 a 65.

Foi uma jornada memorável para o Galatasaray, que enfrenta sérios problemas financeiros. Antes mesmo da conclusão da primeira fase, o clube já perdeu três jogadores por conta de inadimplência (“atraso de salários''): Furkan Aldemir, hoje do Philadelphia 76ers, Pietro Aradori, que foi para o Estudiantes, e Nate Jawai, que foi para o Andorra – ambos da Liga ACB espanhola.

Por conta das baixas e de desfalques, o técnico Ergin Ataman só utilizou sete jogadores numa partida dramática dessas.  Grande líder da equipe, Carlos Arroyo chamou a responsabilidade e anotou 24 pontos em 36 minutos. O pivô americano Patric Young, ex-New Orleans Pelicans e corajoso toda a vida de topar uma oferta de quem não paga, somou 13 pontos e 13 rebotes. Embora classificado e com a primeira colocação assegurada, o Olympiakos jogou para ganhar, mas o coração e/ou o desespero do time de Istambul pesou mais. Agora só fica uma dúvida: que tipo de elenco o Galatasaray vai apresentar na próxima fase.

Os grupos do Top 16
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O Grupo F vai ser uma pauleira que só. O CSKA é o favorito, mas o Fenerbahçe vem dando sinais de que talvez nesta temporada esteja realmente pronto para desafiar os times mais tradicionais. De qualquer forma, é impossível cravar aqui quatro favoritos para as quartas de final. Do outro lado, a chave ficou mais esvaziada, tendo como grande atrativo a dupla Real-Barça – garantia de dois clássicos espanhóis! O Maccabi, por sua tradição, também estaria em boas condições, não fosse seu desempenho bastante irregular até aqui.

Os brasileiros
Marcelinho Huertas foi o destaque da vitória do Barça sobre o Panathinaikos por 80 a 67. O armador está desfrutando de maior autonomia no ataque catalão para atacar. Em Atenas, foram 17 pontos, 9 assistências e 7/12 nos arremessos, em 30 minutos. Já JP Batista se despede da Euroliga com 7,8 pontos, 2,1 rebotes e 45,5% nos arremessos e 81,8% nos lances livres  em dez partidas. Na saideira do Limoges, contra o CSKA Moscou, ele jogou apenas 7 minutos. Agora o time se concentra na Eurocup, na qual divide grupo com Cantu (ITA), PAOK (GRE) e o Kimkhi (RUS).

Lembra dele? Linas Kleiza (Olimpia Milano)
Depois de um looongo inverno, o ala-pivô lituano saiu da hibernação ao anotar 29 pontos em 31 minutos pelo time italiano em vitória por 101 a 96 sobre o Turow Zgorzelec, da Polônia. Foi sua maior contagem pessoal na Euroliga, a partir de oito bolas de longa distância em estonteantes 13 tentativas. Detalhe: ele havia perdido as primeiras quatro bolas de longa distância. Depois matou suas oito em sequência. Até então, o jogador ex-Denver Nuggets e Toronto Raptors, contratado a peso de ouro, havia anotado 13 pontos na oitava rodada, contra o Bayern de Munique. Ao final da primeira fase, em sua terceira Euroliga, suas médias são de 8,6 pontos, 2,7 rebotes e 37,5% nos arremessos de três.

Tuitando

O jogo contra o Panathinaikos também teve esse detalhe: Pascual completou 500 partidas como técnico do Barcelona, pelo qual ganhou uma Euroliga (foi o primeiro treinador europeu a conseguir esse feito), quatro Ligas ACB e três Copas do Rei, desde 2008. Ele acabou de renovar seu contrato até 2017.


O Laboral Kutxa enfrentou o Estrela Vermelha, em Belgrado, com ginásio vasio. O clube sérvio, no entanto, encontrou um modo, digamos, pitoresco para colocar a torcida na arquibancada, distribuindo fotos da rapaziada pelos assentos. Fernando San Emeterio achou o maior barato.


As jogadas da semana!


O Dallas tinha o melhor ataque (da história!). E ainda quis Rondo
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Giancarlo Giampietro

Rondo: as estatísticas não aprovam tanto; o Dallas vai tirar a prova

Rondo: as estatísticas não aprovam tanto; o Dallas vai tirar a prova

Para quem tem acompanhado o blog recentemente, vai soar repetitivo, mas não tem como fugir disto. É a realidade imperante na NBA: mas, numa Conferência Oeste cada vez mais brutal, em que o sétimo colocado tem aproveitamento superior a 70%, os times se veem obrigados a buscar a excelência. O time nunca está bom o bastante. Mesmo o Golden State Warriors, dizem, anda buscando trocas para fortalecer seu banco de reservas.

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É nesse contexto que entra a troca entre Dallas Mavericks e Boston Celtics, transportando Rajon Rondo, o último remanescente do título alviverde de 2008, para o Texas. Mesmo que o ataque orquestrado por Rick Carlisle em torno de um certo alemão de 2,13 m de altura que arremessa bem de qualquer canto da quadra fosse o mais eficiente da história da liga. Isso mesmo: até esta semana, o índice ofensivo de 115,9, segundo o Basketball Reference, seria maior do que qualquer Phoenix Suns da era Mike D'Antoni obteve. Ou que o Boston Celtics de Larry Bird. Ou que o showtime de Magic, Kareem e Jerry Buss. Sim: qualquer um.

Não era o bastante. Não com o clube texano posicionado entre as dez piores defesas da temporada, mais especificamente na 24ª posição, abaixo de times como Boston Celtics, Philadelphia 76ers, Phoenix Suns, Detroit Pistons, Charlotte Hornets e… Vocês entenderam, né? Então eles foram atrás de um armador reconhecido na liga como um grande marcador em sua posição, alguém que bota pressão no drible dos adversários e nas linhas de passe.

Acontece que, para aqueles mais ligados nas estatísticas avançadas (ou não), essa reputação não se justifica mais. De acordo com os números, aliás, o ex-astro do Celtics já não seria mais um atleta de elite, numa NBA abarrotada de excelentes armadores – Kyle Lowry nunca foi eleito para o All-Star Gagem, por exemplo.

Os pontos negativos apontados: Rondo não intimidou ninguém em suas últimas três campanhas. Seus oponentes convertiam arremessos acima de suas médias diante de seus longos braços. o Boston era melhor tanto no ataque como na defesa quando o atleta estava fora de quadra. O armador está acertando apenas 33% de seus lances livres, abaixo até mesmo de Andre Drummond e Mason Plumlee, um terror. Nas últimas três temporadas, o armador tem finalizado cada vez menos dentro do garrafão (2012-13: 36,3%; 2013-14: 32,6%; 2014-15: 31,5%, comparando com os 55,7% de 2008, o ano do título). Por que isso? Seja por receio de sofrer faltas e ir para os lances livres, ou por simplesmente não ter o mesmo arranque de antes, tenso sofrido uma grave lesão no joelho. Em sua carreira, ele acertou apenas 25,2% de até agora, e como isso vai funcionar ao lado de Monta Ellis, que converte apenas 30,4% de seus chutes de longa distância neste ano (e 31,8% na carreira?). Ellis também domina a bola em Dallas, sendo o atacante mais produtivo da liga em situações de pick-and-roll. Ter Rondo, que não ameaça ninguém no perímetro, não vai atrapalhar isso? E teria mais, mas o parágrafo já ficou gigante o bastante.


É quase um massacre, não?

Então quer dizer que o Dallas fez um negócio sobre o qual eles vão se arrepender prontamente?

Para os estatísticos, sim.

E aí temos um ponto bastante interessante: essa pode ser a segunda troca nos últimos dois campeonatos a contrariar sensivelmente aqueles mais apegados aos números, depois do sucesso obtido por Rudy Gay em Sacramento. (PS: os supernerds merecem um asterisco aqui, uma vez que o próprio Rudy Gay admitiu ter sentido, ouvido as críticas e mudado sensivelmente seu jogo na Califórnia.)

Rick Carlisle: mais um quebra-cabeça para ser montado por um técnico brilhante

Rick Carlisle: mais um quebra-cabeça para ser montado por um técnico brilhante

Mark Cuban, Donnie Nelson e Rick Carlisle obviamente estão atentos a tudo siso. O Mavs tem um dos maiores estafes administrativos nas operações de basquete da NBA. Considerando o sucesso que essa gestão teve nos últimos 15 anos, talvez o mais prudente seja confiar no que eles estão fazendo?

O primeiro e principal contraponto que eles e os defensores de Rondo poderiam fazer é que talvez o armador não estivesse lá muito empolgado em um time que não brigava por nada relevante. “Talvez'', só para colocar de modo educado, né? O consenso em torno de Rondo que ninguém vai discutir: que ele é um dos atletas mais enigmáticos/inteligentes/temperamentais/difícil-de-lidar-no-dia-a-dia da NBA. Por maior que fossem suas juras de amor aos leais torcedores de Boston, obviamente ele não foi o atleta mais determinado em quadra nessa temporada. Coração, concentração, empenho: ninguém ainda encontrou uma fórmula que dimensione esse tipo de coisa. “Ele queria sair, mas jamais iria dizer isso'', disse Kendrick Perkins, seu ex-companheiro de Celtics e talvez seu melhor amigo na liga.

Com o elenco experiente que Carlisle tem, eles acreditam que a personalidade singular do armador será devidamente assimilada. Que o ego não será um problema. E que, num time com aspirações sérias ao título, ele será outro atleta. Será o cara de dois anos atrás, quando, em 2012, liderou um envelhecido Celtics que levou o Miami Heat de LeBron, Wade e Bosh ao sétimo jogo de uma final de conferência inesquecível. “Ele é certamente o tipo de peça que pode render um campeonato'', disse Cuban. Algo com que o técnico Brad Stevens, do Celtics, parece concordar: “Sinto muito que tenhamos de enfrentá-los mais uma vez''.

Os dirigentes creem que, pela inteligência indiscutível de seu novo reforço, ele vai se encaixar tranquilamente no time, entendendo que se trata de uma estrutura complemente diferente da que tinha ao seu redor em Boston. “Não vou ficar dominando a bola assim. Um cara como o Monta precisa dela em suas mãos'', disse o veterano em sua entrevista coletiva de apresentação. “Vamos dizer para ele fazer o que sabe fazer, que é melhorar seus companheiros e envolvê-los. Ele é um guerreiro e um dos jogadores mais inteligentes na quadra. Daqueles que passa primeiro sempre, então acho que devemos curtir bastante jogar ao seu lado'', disse Nowitzki.

Apostam que um Rondo motivado significa um Rondo mais dinâmico e mais veloz,  contando que sua agilidade vai ajudar a amenizar os problemas de espaçamento ofensivo que seu arremesso deficiente proporciona. Além do mais, ele está substituindo Jameer Nelson. Ainda que o tampinha seja um arremessador muito mais gabaritado, combinando melhor com Ellis em teoria, já não tem punch para ser um armador titular na liga. Monta, em público, não manifestou preocupação e avalizou o negócio em conversa por telefone com Cuban: “O cara joga duro, não tem problema. Podem trazê-lo''.

Além disso, o próprio Carlisle tem se notabilizado em Dallas por sua capacidade de assimilar as mais diferentes peças e entregar um produto bastante coeso e perigoso em quadra. É um senhor treinador, daqueles que tira o melhor de cada um de seus atletas e procura amenizar, esconder suas deficiências.

Enfim, o Dallas já tinha um timaço, mas viu nessa negociação uma chance de dar mais um salto. Talvez estivessem incomodados com as cinco derrotas em suas únicas cinco partidas contra times posicionados na zona de classificação para os playoffs do Oeste. Essa conferência que empurra seus integrantes para o limite.

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Carlisle já confirmou: Rondo estreia neste sábado contra o San Antonio Spurs. Tem melhor coisa que isso? E aqui fica o jabá: o Sports+, canal 228 da SKY, transmite a partida com exclusividade no Brasil. Estarei nos comentários ao lado do enciclopédico Ricardo Bulgarelli. Rafael Spinelli narra de forma sempre empolgante e bem-humorada.

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Jae Crowder, Jammer Nelson e Brandan Wright: de time que sonha com título a projeto de reformulação

Jae Crowder, Jammer Nelson e Brandan Wright: de time que sonha com título a projeto de reformulação

É curioso comparar as declarações pós-troca.

Danny Ainge, chefão do Celtics, disse que o fato de ter escolhido Marcus Smart no Draft deste ano não tornou uma troca de Rondo inevitável. Acredita que os dois poderiam conviver numa boa. “Nós claramente cedemos o melhor jogador nesta troca, e isso geralmente não é o que gostamos de fazer'', disse, bem mais amargo. O fato de Rondo virar um agente livre ao final da temporada foi o que mais pesou, obviamente. “Havia por certo essa incerteza sobre o que poderia acontecer no verão.''

Donnie Nelson, o número 2 do Mavs, afirmou que o time pagou um “alto preço'', mas que valia a pena. Cuban foi mais contundente, como de costume. “Queremos merecer seu desejo de continuar aqui. Vamos fazer tudo o que pudermos para mantê-lo. Rondo não prometeu nada, mas acredita que o Dallas tem um futuro brilhante pela frente e que espera que o time fique junto a longo prazo.

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Se Rondo se encaixar perfeitamente com Dirk, Monta e Carlisle, o Dallas ainda vai ter um problema para resolver: Tyson Chandler precisa de ajuda. Aos 32 anos, ele pode não parecer tão velho, mas não podemos nos esquecer que ele foi um dos que pulou direto do high school para a NBA. Já está em sua 14ª temporada e, mesmo quando mais jovem, nunca foi tido como um ironman. Nos últimos dois campeonatos, ele disputou 121 partidas de 164 possíveis. Na atual campanha, tem média de 29,7 minutos, e seria prudente que essa quantia não fosse elevada de modo significativo, para preservá-lo para os playoffs. Sem Brandan Wright, no entanto, talvez não haja outra solução imediata para o técnico. De grandalhões no banco, ele terá de escolher entre Greg Smith, ex-Rockets, Charlie Villanueva, que não vai marcar ninguém, e o calouro Dwight Powell, que veio no pacote de Boston. É por isso que os nomes de Jermaine O'Neal (ainda indeciso sobre estender sua carreira) e Emeka Okafor (treinando por conta própria para entrar em forma, de olho num retorno no ano novo) já são especulados. São os dois principais alvos do clube.

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Do lado de Boston, como ficam as coisas? O técnico Brad Stevens podem se apegar ao que dizem os números: que Rondo estava mais atrapalhando do que ajudando o time. Seria esse o argumento interno mais popular no clube, certamente. Além disso, Brandan Wright tem características que preenchem lacunas importantes em seu elenco: um pivô atlético que protege o aro e oferece bom complemento a Jared Sullinger e Kelly Olynyk. Tyler Zeller é quem pode rodar nessa. O espigão vinha numa temporada das mais produtivas da NBA e vale um texto um pouco mais detalhado, já que seu caso também abre uma boa discussão sobre o modo de se enxergar as estatísticas.

Acontece que Danny Ainge não está pensando em chegar aos mata-matas nesta temporada. Para ele, o mais interessante é descolar mais uma escolha alta de Draft em 2015, se conformando em tocar uma reformulação lenta, dolorosa, mas talvez necessária. Jeff Green e Brandon Bass são nomes que vão aparecer no HoopsHype mais e mais.

Agora, vale também acompanhar de perto a evolução de Smart. O armador revelado em Oklahoma State já é um defensor de mão cheia – uma raridade para um calouro. Seu arremesso cai mais que o de Rondo, mas ainda está em manutenção. Dependendo da quantidade de minutos que receber de Stevens, pode virar um candidato a novato do ano.


Troca de Rondo resulta na dispensa de Faverani. Na NBA, nada é garantido
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Giancarlo Giampietro

Carreira de Faverani pelo Boston durou 488 minutos em 37 jogos; marcou 164 pontos

Carreira de Faverani pelo Boston, por enquanto, durou 488 minutos em 37 jogos; marcou 164 pontos

Como jogadores, dirigentes e treinadores sempre falam: são negócios afinal, não?

O universo da NBA é muito complicado, cheio de armadilhas, que são intrínsecas ao jogo. O jogo como um todo, mesmo, muito mais os dados lançados fora de quadra, como Scotty Hopson pode muito bem assinalar. Assinar um contrato com um time da liga norte-americana pode ser o auge para a carreira de um atleta, mas não é certeza de nada. Quer dizer: dependendo do acordado, até rende uma boa grana. No que se refere a basquete, uma vez lá, você tem de se preparar para encarar uma competitividade extrema. Além disso, num cenário sempre volátil, também vai precisar de sorte.

O que faltou a Vitor Faverani. Nesta quinta-feira, sua passagem pelo Boston Celtics se encerrou, ao ser dispensado depois da fulminante troca de Rajon Rondo para o Dallas Mavericks. Como Danny Ainge recebeu mais jogadores (Brandan Wright, Jameer Nelson e Jae Crowder) do que mandou (Rondo e Dwight Powell), acabou ultrapassando novamente o limite de contratos permitidos pela liga (15). Sobrou para o pivô brasileiro, que ainda se recupera de uma segunda lesão no joelho.

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A transição de jogador relevante na Europa para peça complementar nos Estados Unidos geralmente é bem complicada. Splitter, Teletovic e, agora, Bojan Bogdanovic são alguns dos casos de gente badalada no Velho Continente que enfrentou sérios percalços ao migrar para a NBA. Para Faverani, que nunca chegou a ter o sucesso desse trio no princípio de sua carreira, não seria diferente. Já coloquei aqui os altos e baixos de seu primeiro ano na liga, que acabou encerrado por conta de uma lesão no joelho. Lesão que pediu duas cirurgias e olhe pôs numa posição muito difícil.

Uma pena. Seu talento e suas habilidades se encaixam com o sistema tático em voga na liga americana, já que não só pode proteger bem o aro como tem potencial para ser uma ameaça no perímetro. O próprio Danny Ainge já disse isso. Mas chegou uma hora em que os bastidores o atropelaram. O cartola precisava encontrar um novo destino para Rondo. Não é que ele duvide da capacidade do armador. O que pega é que ele vai virar agente livre ao final da temporada e, segundo a mídia de Boston, iria pedir um contrato máximo para renovar. Coisa de US$ 20 milhões, aproximadamente, e o clube não estava disposto a desembolsar tal quantia. Aí que o Dallas apareceu com tudo e venceu Houston Rockets e Los Angeles Lakers num breve leilão e levou o armador. Faverani acabou pagando o pato, mesmo que tivesse um salário garantido de mais de US$ 2 milhões.

Brandan Wright e Jae Crowder acabam forçando a dispensa de Faverani

Brandan Wright e Jae Crowder acabam forçando a dispensa de Faverani

O que vai ser do pivô de 26 anos? Caso não seja recolhido por nenhuma franquia em seu período de waiver, até sábado, imagino que um retorno para a Europa seja o mais fácil de concretizar – tem muito apelo mercado na Espanha, e aí seria uma questão de apenas averiguar se está tudo certo mesmo com o joelho e seguir em frente.

Por outro lado, ao que  parece, a ideia inicial é tentar mais alguma porta nos Estados Unidos, o que dá para entender. Inevitável que fique um pouco de frustração. Segundo um de seus agentes, Luis Martin, ele poderia até mesmo ser reaproveitado pelo Boston no futuro. É o que disse ao repórter Gustavo Faldon, do ESPN.com.br.

Sua dispensa aconteceu por circunstâncias bem diferentes, se compararmos com o que aconteceu com outro gigantão brasileiro descartado pelo Celtics, Fabrício Melo. Mais jovem, Fab foi draftado por Ainge, ainda muito cru, como uma aposta de longo prazo num elenco que ainda contava com Garnett e Pierce. O que ele mostrou em um ano de trabalho, dentro e fora da quadra, foi o suficiente para o dirigente abortar esse projeto bruscamente. O pivô foi trocado para o Memphis, chegou a acertar, ironicamente, com o mesmo Mavs, mas se viu fora da liga rapidamente. Nem no Paulistano conseguiu se manter, independentemente de seu potencial (se nos Estados Unidos já é difícil encontrar um cara de 2,13 m e ágil, imagine por aqui…). Pelo que entendo, aprontou fora da quadra.

Ainda que bem diferentes, as histórias de Faverani e Melo têm outro ponto em comum além do fato de terem sido relevados pelo Boston Celtics: como é difícil se manter na NBA. São casos que servem de alerta para qualquer garoto que espera chegar a esse eldorado, ainda mais depois do que ocorreu com Bruno Caboclo. A saída do garoto do Pinheiros direto para o Raptors acende uma fagulha, mesmo, nas revelações brasileiras. Não tem como. Se alguém, por ventura, conseguir replicar esse salto, é para se comemorar, mesmo, com orgulho. Só não dá para achar que a vida está feita, que a carreira está ganha.

Como disse Luis Martin a Gustavo Faldon: “Ele (Vitor) não entendeu nada. Estava falando com o técnico sobre voltar e de repente vem a troca. Todo mundo falando da volta dele, o Danny Ainge, mas daí venho a troca e muda tudo''.

Num campo em que a concorrência em quadra e os negócios são cruéis, a luta é contínua. Não sobra muito tempo para comemorar.

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Num veículo brasileiro, a gente acaba se concentrando no impacto da negociação para um compatriota. Mas toda as partes envolvidas em qualquer negociação são afetadas.  Sabe o que Jameer Nelson estava fazendo quando soube que seria trocado para Boston? Comprando presentes de Natal para crianças de Dallas no shopping North Park, segundo Brad Towsend, repórter do Dallas Morning News.

* * *

Já Mark Cuban, o irrequieto dono do Dallas Mavericks, deu seu aval para a troca enquanto se preparava para participar da gravação do último programa de Stephen Colbert no canal Comedy Central. Colbert vai substituir o genial Dave Letterman na CBS.


NBA vê abismo crescer entre as conferências. Ou: o dia-dia brutal do Oeste
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Giancarlo Giampietro

Desfalcado, Spurs perde duas seguidas. Mais uma semana no Oeste

Desfalcado, Spurs perde duas seguidas. Mais uma semana no Oeste

A discrepância de talento entre o lado do Atlântico e do Pacífico na NBA já vem de longa data. A cada temporada, porém, a distância parece mais acentuada, com a Conferência Oeste se tornando mais brutal mês a mês – o oitavo colocado, no momento, pode estar abaixo dos 50%, algo raro, mas os sete primeiros têm um aproveitamento assustador; além disso, é questão de tempo para OKC estar no azul.

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Vamos fazer aqui, então, um apanhado de episódios e dados para ver como é dolorosa a vida dos bandoleiros do Velho Oeste. As últimas rodadas serviram para evidenciar as dificuldades enfrentadas por seus integrantes. Que nos digam Z-Bo, Marc Gasol e o torcedor do Memphis Grizzlies em geral:

- Qualquer sequência de dois jogos em duas noites já castiga. Agora imagine a cabeça do técnico Dave Joerger e dos preparadores físicos da equipe quando se deram conta de que teriam pela frente o Golden State Warriors na terça-feira e o San Antonio Spurs na quarta? E se dissessem a eles que, na segunda partida, precisariam encarar tripla prorrogação? Eles estariam cansados só de pensar. Pois o Memphis batalhou e conseguiu duas vitórias seguidas impressionantes.

Claro que tudo poderia ser menos sofrido se eles não tivessem cedido o empate ao Spurs depois de aberta uma diferença de 23 pontos. Ao final da partida, o armador Mike Conley ria no vestiário em San Antonio dizendo que tinha dificuldade até mesmo para se vestir. “Estou tão cansado que não consigo nem abotoar minha camisa'', afirmou.

Ao menos ele estava sorrindo, né? Passando por esses testes, o Grizzlies tem hoje a melhor campanha se formos levar em conta apenas os confrontos internos do Oeste, com 14-2, contra 13-3 do Golden State?E o que dizer dos atuais campeões? Na véspera, eles haviam tomado uma surra do Portland Trail Blazers, também numa dobradinha para lá de ingrata – ainda mais considerando a viagem de volta de Portland para casa.

Por essas e outras que, apesar dos reveses nessa ocasião, não há como contestar a estratégia precavida de Gregg Popovich comDuncan, Manu e seja lá mais quem for. Seu time, que preservou os dois veteranos e Splitter em Portland e não contou ainda com Parker e Kawhi na volta, perdeu ambas? Paciência. Ao menos exigiram do Grizzlies – que não tinha Tony Allen, é verdade – ao máximo que puderam, e os adversários já tiveram de disputar seis prorrogações desde sexta-feira..

A corrida é longa demais e desgastante. Ainda mais para quem está no Oeste. Ao conferir a tabela, raríssimos jogos parecem fáceis. Daí a quantidade de cartões de Natal que as diretorias de Wolves e Lakers têm para receber, com carinho, nesse Natal que se aproxima. Só foi mais uma semana no Oeste Selvagem, gente.

- Já não faz mais sentido falar em “topo da Conferência Oeste''. Com as duas derrotas, o Spurs caiu para sétimo. Mas com 17 vitórias e 9 derrotas. Juntos, os sete primeiros colocados têm um recorde de 128 triunfos e 42 reveses. Isso dá absurdos 75,9% de aproveitamento. É uma outra classe de competidores, e com muita gente nessa briga. Ter mando de quadra será importante. Por outro lado, parece já não haver mais diferença entre ficar em sétimo ou oitavo. Vem pedreira de todo jeito. O importante é apenas se classificar para os playoffs.

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Klay x Gasol e Z-Bo: os melhores no Oeste e contra o Oeste

- Seis equipes do Oeste sustentam aproveitamento superior a 70%. Golden State e Memphis estão na casa de 87,5 e 84%. No Leste, são três acima de 70%. O aproveitamento geral dos oito primeiros do Leste é de 120-79, ou apenas 60,3%. Phoenix (9º), Oklahoma City (10º) e Sacramento (11º) estariam hoje na zona de classificação para os mata-matas no Leste. Os dois primeiros teriam o suficiente para ocupar a sétima posição. O Kings seria o oitavo Líder do Leste, o Raptors seria o quarto no Oeste, empatado com o Portland Trail Blazers. Oitavo colocado, fechando a zona de classificação para os playoffs, o Brooklyn Nets seria o 12º do outro lado.

E nem mesmo essas classificações hipotéticas seriam justas, uma vez que não podemos esquecer a composição da tabela da liga. No geral, numa tabela de 82 partidas, 52 delas são intraconferência. Em ascensão, o New Orleans, por exemplo, enfrenta quatro vezes na temporada os quatro rivais duríssimos da Divisão Sudoeste. O Nets só vai jogar duas vezes contra cada um deles – são oito complicadas partidas a menos em sua contagem, no final.

- Por isso, o mais correto é se concentrar nos números interconferências. E aí o que temos? Por ora, 91 vitórias e 48 derrotas para o Oeste.  Um aproveitamento de 65%). Essa é a maior disparidade da história da NBA, superando os 60% a favor do Leste no longínquo 1960, com o qual não se pode comparar nada, na verdade. Desde a fusão com a ABA, a maior diferença nesse embate foi de 56,7% para o Oeste. Adivinhe quando? No ano passado. Nos últimos três campeonatos, aliás, o hiato só cresceu.

- Apenas dois times do Leste têm mais vitórias do que derrotas contra o Oeste, justamente os primeiros colocados Toronto (7-2) e Washington (6-1). Por outro lado, Philadelphia (em 11 jogos), New York (10 jogos) e Charlotte (12 jogos) venceram apenas uma vez. O Warriors está invicto contra o Leste, com oito triunfos, assim como o Rockets, com seis. Só três times ocidentais mais perderam do que ganharam contra os orientais. Um deles é o Sacramento Kings, com 2-3. Seus três tropeços, no entanto, aconteceram sem a presença de DeMarcus Cousins.

Raptors de Valanciunas precisou de prorrogação para vencer o Denver, em casa

Raptors de Valanciunas precisou de prorrogação para vencer o Denver, em casa

- Aliás, o Kings… Ah, o Kings… Que acabou de demitir mais um treinador, mesmo ainda estando no páreo por uma vaguinha nos playoffs, sem contar com Boogie pelas últimas dez partidas. Claro que a queda de Mike Malone teve muito mais a ver com uma insatisfação interna do magnata Vivek Ranadive e seu gerente geral Pete D'Alessandro com o estilo de jogo da equipe. Mesmo assim: se Sacramento fosse digamos, a capital do Maine, e, não, da Califórnia, provavelmente Malone ainda estaria empregado hoje, com resultados bem melhores, independentemente do basquete praticado.

- Até o Lakers, minha gente, ganhou mais do que perdeu nessa história. Em sete partidas contra rivais do Leste, somou quatro vitórias. Nas demais 18? Perdeu 14. Em rendimento, isso dá uma diferença de 57,1% para 22,2%. Byron Scott vai muito bem se apegar a este número para dizer que faz, sim, um bom trabalho.

- A diferença entre Oeste e Leste se acentuou, mesmo, na década passada. Nesse período, o último ano que a turma oriental venceu mais foi em 2009, e no sufoco : 50,5% x 49,5%. Isso está dentro da margem de erro, não?  Piora: desde 1990, o Leste saiu com mais vitórias em apenas seis temporadas (1993, 96, 97, 98, 99 e 2009), com uma bela forcinha do Chicago Bulls de Jordan, Pippen e Mestre Zen.

- Segundo levantamento do bíblico Zach Lowe, do Grantland, pelo menos um time de loteria do Oeste (fora dos playoffs, isto é) teve sempre uma campanha melhor que a do oitavo do Leste em média. Ou: o nono colocado do Oeste terminou com campanha melhor que 2,5 dos times do Leste desde 2003.

É... perder para um time do Leste, em casa, causa esse tipo de dor. Bucks bate Suns no último chute

É… perder para um time do Leste, em casa, causa esse tipo de dor. Bucks bate Suns no último chute

- Por essas e outras que, quando um Phoenix Suns perde para Detroit e Milwaukee em casa, está praticamente dizendo adeus aos mata-matas, ainda que se tenha um extenso caminho pela frente. Para complicar, o time do Arizona também venceu apenas um de seus seis jogos decididos por três ou menos pontos. Hoje, parece que só mesmo uma nova grave lesão vá impedir que o Oeste repita os oito melhores da campanha passada. Desta forma, há um crescente clamor nos Estados Unidos para que a NBA revise seu sistema de emparelhamento nos playoffs. Que saia de cena o sistema de oito-para-cada-lado e entrem os 16 melhores times, independentemente da localização geográfica.

“Isso precisa ser estudado. Estou chegando a um ponto bem próximo de achar que simplesmente precisamos de uma mudança. Já está na tela do radar da liga agora'', afirmou Robert Sarver, proprietário, claro, do Suns. A declaração aparece em uma bela análise de Lowe sobre essa situação. Seu time é aquele que foi eliminado no campeonato passado com 48 vitórias.

Essa ideia de posicionar os 16 melhores seria a mais simples de se efetuar, mesmo, embora não corrija as “injustiças'' do calendário, por ora, bem mais fácil de que a rapaziada do Leste desfruta. Mas as mudanças são sempre complicadas de se fazer num sistema que está em operação há mais de duas décadas. Quaisquer que sejam.Isso envolve dinheiro (o faturamento dos playoffs), meus amigos, e aí a gente já sabe… E não só isso: as regras em prática na liga estão todas interligadas, como Lowe sempre faz questão de nos lembrar. “Todo item do ecossistema da NBA está ligado os outros: se você mudar uma parte, estará mudando todas, às vezes por acidente'', escreveu.

Se for para ter mudança, não será com o campeonato em andamento. As regras continuam, o que representa um tremendo desafio para a fração ocidental da liga.  Como já escrevi na ficha de apresentação do Suns para esta temporada: no Oeste, não basta ser bom. Precisa ser excelente. E que os jogadores e treinadores se preparem para mais prorrogações, drama e eventuais decepções. Vai ser difícil de abotoar camisa, mesmo.


Barça desfalcado dá autonomia para Huertas atacar
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Giancarlo Giampietro

Huertas, solto como nos tempos de Bilbao, fazendo o que sabe

Huertas, solto como nos tempos de Bilbao, fazendo o que sabe

“Ninguém torce para que um companheiro de equipe vire desfalque, se lesione.''

Quantas vezes já não ouvimos uma declaração nessa linha vindo de esportistas? E nem poderia ser diferente. Qualquer atleta que tenha o mínimo de sangue verdadeiramente competitivo sabe que a pior coisa é ficar fora de ação, no estaleiro.

Mas as lesões acontecem e abrem oportunidades. É o que vem acontecendo no timaço do Barcelona, que perdeu de uma vez só três dos seus principais atletas na rotação de perímetro: Juan Carlos Navarro, Brad Oleson e Alejandro Abrines. Para delírio dos scouts, isso representa mais tempo de quadra para a promessa croata Mario Hezonja. Do ponto de vista brasileiro, o mais interessante é o efeito que esse plantão médico teve para Marcelinho Huertas, claro.

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O armador é daqueles que dificilmente foge do politicamente correto em suas declarações, preocupado sempre em não pisar em calos e não assumir tanto assim os holofotes. Simplesmente não é o estilo dele. Mas deve estar se divertindo um pouco mais em quadra este momento, arrisco dizer.

Sem Navarro e Oleson, dois dos principais finalizadores da equipe, dois ala-armadores fogosos, perigosos nos disparos de média e longa distância, cabe ao brasileiro uma carga ofensiva bem maior ao brasileiro. Que vai muito bem, obrigado, nessa. Apesar de a amostra de jogos ser pequena – foram três partidas apenas, uma pela Euroliga e duas  pela Liga ACB –, essa seqüência  já mostra um armador muito mais solto em quadra, com autonomia para criar, produzir, arriscar.

A grande atuação de Huertas contra o Fenerbahçe

A grande atuação de Huertas contra o Fenerbahçe

Pelo campeonato continental, Huertas tentou 16 arremessos em 41 minutos contra o Fenerbahçe, convertendo 8 deles, além de mais sete lances livres, para somar 25 pontos. Ele ainda distribuiu cinco assistências e cometeu quatro turnovers, é verdade.

São números elevados já quando isolados, mas, no contexto da competição, ficam ainda mais relevantes. Nas oito primeiras partidas, o brasileiro havia tentado apenas 53 chutes em 190 minutos (média de 0,27, abaixo dos 0,39 do último compromisso). Seus 25 pontos marcaram sua maior contagem na temporada, e de longe, superando os 15 que havia anotado contra o Bayern na sexta rodada. Sua média era de 7,25 e subiu direto para 9,19. O padrão de alta se manteve para assistências e desperdícios de posse de bola.

Na liga espanhola, nas nove primeiras jornadas, ele havia somado 39 arremessos (média de 4,3), 7 lances livres (0,7), 62 pontos (6,8), 44 assistências (4,8) e 24 turnovers (2,6), em 214 minutos (23,7). Nas 10ª e 11ª rodadas, o crescimento foi impressionante: 18 arremessos (média de 9), 5 lances livres (2,5), 31 pontos (15,5), 16 assistências (8) e 4 turnovers (2), em 58 minutos (29).

Nem mesmo o acréscimo nos minutos vai nivelar o salto de sua produção. Em termos de arremessos por minuto, por exemplo, entre as jornadas 1 e 9, ele arriscava 0,18. Nas jornadas 10 e 11, 0,31 – uma alta de 58%. Nos lances livres, foi de 37,5%.  Além dos números, o mais interessante foi ver o armador jogando. É um armador antes e outro depois. Dois estilos, duas abordagens de jogo completamente diferentes.

Huertas lembrou muito mais seus tempos de Bilbao, quando era o dono do time, com mais liberdade para atacar. Obviamente que ele ainda vai trabalhar para seus companheiros, já que está em sua natureza. A diferença é que ganhou autorização do controlador para também olhar mais para a cesta, usando e abusando de seu excelente chute em flutuação, por vezes com apenas um pé no chão, sua marca registrada.

Num Barcelona poderosíssimo, cheio de opções tanto para o jogo interior como exterior, ele vinha cumprindo nas últimas temporadas um papel muito mais semelhante ao de Pablo Prigioni ou Pepe Sánchez nos bons dias da seleção argentina. Aquela armação econômica, mas necessária para envolver os companheiros estelares.

Por isso o lembrete de sempre: não dá para avaliar um jogador exclusivamente pelos números (especialmente quando checamos apenas a tabela de estatísticas e não a fita da partida). Acumular, ou não estatísticas, não significa “jogar bem'' ou “jogar mal''. Tudo depende de como o objeto de estudo se encaixa em sua equipe. O Barça, diga-se, sofreu duas derrotas nesses últimos três jogos.

Primeiro, perdeu fora de casa para o Sevilla por 85 a 74 – numa partida excepcional do jovem pivô Willy Hernangómez, que acumulou 29 pontos e 13 rebotes. O ginásio estava abarrotado de olheiros, que teriam a chance de ver, de uma só vez, Hezonja (6 pontos em 26 minutos) e o ala-pivô Kristaps Porzingis, sensação da Letônia, tido hoje como um dos cinco melhores prospectos do próximo Draft da NBA. Brad  Oleson se lesionou neste jogo, depois de oito minutos em quadra.

No segundo compromisso, acabaram caindo em casa diante do Fenerbahçe, num jogo duríssimo, emocionante pela Euroliga, definido apenas na prorrogação. Não custa lembrar que o Fener tem em seu elenco seis atletas que já foram draftados pela liga americana. São todos caras de seleção nacional.

No último fim de semana, se recuperaram, ao vencer por 90 a 67 o Zaragoza, um adversário que está na oitava colocação, na zona de classificação para os playoffs, com uma campanha bem melhor que a do Sevilla, o 16º.

Claro que acaba sendo mais divertido para o brasileiro ver um Huertas com sinal verde para atacar. Mas não quer dizer que a outra versão, a mais comedida, esteja errada. O simples fato de ele poder executar os dois papéis com propriedade já diz muito sobre seu talento e sua evolução na posição.


A parceria NBB e NBA: otimismo, mas com os pés no chão
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Giancarlo Giampietro

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Em momentos de anúncio de grandes eventos, grandes notícias, o jornalista nunca se pode esquecer que não está ali como torcedor. Ele é uma testemunha, sim, como todos, mas tem de obrigatoriamente dar um passo para trás sempre, se permitindo a chance de avaliar o que está acontecendo e fazer questionamentos.

O anúncio da parceria entre a LNB e a NBA é um desses acontecimentos que pede um pouco de parcimônia. Neste caso, porém, para qualquer um daqueles que estiveram presentes ao clube Pinheiros para a coletiva que ratificou o acordo, o mais interessante foi reparar que não houve nenhum arroubo ufanista, nenhum acesso a hipérboles, nem nada. O que configura um cenário extremamente positivo.

Não se enganem: não é que os dirigentes que ajudaram a viabilizar o NBB estivessem cabisbaixos ou com uma atitude blasé. Pelo contrário: o presidente Cássio Roque, o vice-presidente João Fernando Rossi e Kouros Monadjemi estavam todos empolgados, sorridentes, relembrando histórias da construção do novo campeonato nacional.  Mas sem se empolgar demais, sem prometer mundos e fundos. Os representantes da NBA tinham a mesma postura. Em comum, de metas anuncias, tivemos apenas a ideia de que o basquete volte a ser o esporte número dois no país.

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(Parêntese: isso foi na véspera de o Banco do Brasil anunciar a interrupção no repasse de verbas para a CBV; independentemente da lamentável crise vivida pelo vôlei nestes dias, é de se perguntar se o basquete já não é o segundo… afinal, segundo dados do ministério do Esporte, ela já é a segunda modalidade mais praticada no país; a questão é traduzir esse interesse em números e negócios concretos.)

Do meu cantinho aqui na Vila Guarani, acho tudo isso muito apropriado. O otimismo se faz até obrigatório, mas sem prenunciar milagres. O projeto é inédito, pode ser revolucionário/histórico para o basquete brasileiro, mas tem longo prazo – não deve e nem tem como ser avaliado agora. Além do mais, a LNB já fez bastante do seu lado para dizer que este seria um “recomeço''. Isso já aconteceu há seis anos, quando a liga nacional foi criada finalmente, depois de “momentos bélicos'', como disse o presidente Cássio Roque. A liga já representa uma bonança após um biênio 2006-2007 para lá de tempestuoso, com campeonato oficial que não terminava e competições paralelas que não decolaram.

Os novos parceiros ainda estão em fase de conversação. As reuniões, admitem, já vinham acontecendo há semanas, antes mesmo da assinatura do contrato. As partes estão se conhecendo. Para a NBA, é preciso um tempo de adaptação, para se conhecer uma nova realidade. Por mais que a marca já tenha estabelecido um escritório no Rio de Janeiro e feito avanços significativos por estas bandas, a gestão de uma competição nacional é um tipo de desafio completamente diferente.

Na hora de avaliar os pontos a serem atacados, a prioridade é o setor comercial. O diretor executivo da liga americana no Brasil, Arnon de Mello, abriu a coletiva tocando precisamente neste ponto. Para depois falar em como sua organização pode colaborar com expertise também em outras áreas. As coisas vão avançando paralelamente, com esses diversos departamentos envolvidos, mas o pontapé inicial, mesmo, é a captação de recursos. De grana, mesmo, seja por conquista de patrocinadores, licenciamento de produtos e ações de marketing. Algo em que são campeões.

A NBA conta hoje com mais duas dezenas de parceiros comerciais em suas operações globais. Algumas dessas corporações já teriam feito sondagens sobre possíveis negócios no Brasil. Pode não sair nada daí, mas a liga americana vai à caça de patrocinadores para o campeonato que já está em andamento. A ideia, todavia, é encontrar marcas dispostas a se envolver com o NBB a longo prazo, para gerar a cobiçadíssima sustentabilidade. Lembrando que o campeonato hoje não conta com nenhum patrocínio master.

Faz sentido. Primeiro é importante estabelecer essa base, os alicerces para o campeonato prosperar. Estabilidade financeira para que os dirigentes nacionais, com ajuda do know-how norte-americano, então, se concentrem em melhorias nas outras áreas administrativas, especialmente em infraestrutura. Uma coisa não exclui a outra também: não é porque o foco é comercial, que um intercâmbio na área técnica não possa acontecer, claro. Mas ainda não há planos declarados. (PS: Para o lado de gestão operacional e de infra, é possível que já haja novidades no fim de semana do Jogo das Estrelas ou mesmo na decisão, que nesta temporada será disputada em série melhor-de-três.)

O que a NBA ganha com isso tudo? Como disse Jason Cahilly, responsável pelo departamento estratégico e financeiro da liga, a ideia é desenvolver um “ecossistema favorável'' ao basquete no Brasil, no qual, obviamente, 0 NBB não seria o único a encontrar mais dinheiro e possibilidades. A liga americana, nas palavras de Arnon de Mello, detecta um mercado “maduro'' para esse crescimento.

Mas o ideal, mesmo, é expandir esse mercado, e, não, contar apenas com os atuais simpatizantes do bola-ao-cesto. Para tanto, é preciso mais promoção para o jogo e incentivo à prática. Se a CBB colabora pouco, ou quase nada faz para a massificação da modalidade no país, a parceria LNB/NBA assume parte essa empreitada. Cahily, mesmo, citou o termo grassroots em seu discurso de apresentação (todo em português, aliás).

Do ponto de vista mais prático, se as duas siglas conseguirem avançar comercialmente, gerando recursos, é de se esperar que os clubes nacionais tenham mais autonomia para agir. Que refinem suas próprias estrutura de gestão, podendo coordenar as categorias de base com mais zelo, contratarem melhor etc. Este é um cenário ainda muito distante, porém. Antes de tudo, eles precisam cumprir com suas obrigações financeiras. Coisa que até mesmo o supercampeão Flamengo não vem fazendo, enquanto um clube como Franca faz vaquinha virtual, correndo o risco de fechar as portas. “Há muito o que ser feito'': foi uma das frases mais ouvidas no anúncio do acordo na semana passada.

De qualquer forma, a aproximação da NBA já vale como um baita reconhecimento ao trabalho da liga nacional. Serve como um gesto de aprovação ao trabalho feito até aqui, que pegou um esporte no buraco e o transformou num produto que atraiu o interesse estrangeiro, contando antes com aporte do ministério do Esporte e de uma patrocinadora estatal. No que vai resultar esse envolvimento, ninguém sabe ainda. “Ficam me perguntando o que esperar disso? Digo que não sei'', afirma Cássio Roque, o presidente da LNB. “Só sei que estamos ao lado da companhia certa.''

Tags : CBB NBA NBB


Euroligado: sobraram 3 vagas e apenas um invicto
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Giancarlo Giampietro

CSKA de Sonny Weems está sobrando por enquanto

CSKA de Sonny Weems está sobrando por enquanto

Foi a nona e penúltima rodada da primeira fase da Euroliga, e está praticamente tudo definido para o Top 16: restam somente três vagas para se definir a elite do continente nesta temporada. O que está no jogo para a 10ª semana da competição? As terceira e quarta posições do Grupo A, disputadas entre Zalgiris Kaunas e os russos do Unics Kazan e do Nizhny Novgorod, e a quarta colocação do Grupo D, que está agora entre o estreante Neptunas Klaipeda e um Galatasaray em desconstrução (mais abaixo).

Dentre as conclusões que se pode tirar após nove partidas, temos a confirmação do CSKA Moscou como a equipe a ser batida. O time do técnico Dimitris Itoudis é o único invicto entre todos os 32 competidores, ainda que sua invencibilidade tenha sido sustentada com muito custo na sexta-feira, numa vitória na prorrogação sobre o Unicaja Málaga, na Espanha, por 76 a 75. A equipe russa forçou o tempo extra com uma grande virada no segundo tempo, fazendo uso de uma defesa opressora. Os visitantes tomaram 43 pontos nos primeiros 20 minutos e, depois do intervalo, levaram só 23, sendo 10 no quarto final, para reverter uma desvantagem de 16 pontos. Impressionante. A despeito de todo o drama na partidaça transmitida pelo Sports+,  com a autoridade de sempre de Rafael Spinelli e Ricardo Bulgarelli, temos outra opção para…

O jogo da rodada: Barcelona 89 x 91 Fenerbahçe
Para quem não se lembra, este choque de potências esportivas europeias já havia sido o grande destaque da oitava semana. Um mês depois, cá estamos novamente, e com um contexto muito interessante: o Fener devolveu na Catalunha a derrota sofrida em Istambul. E pela mesma vantagem de dois pontos, com um placar um pouco mais volumoso que o do jogo de ida (80 a 78). Explica-se: foi necessária uma prorrogação, após um empate por 79 a 79 em 40 minutos. O clube turco chegou a ter uma vantagem de 42 a 35. A maior do Barça foi de cinco pontos: 56 a 51. Equilibrado, ou não? Caiu, dessa forma, outro invicto.

Com um melhor aproveitamento nos lances livres (13-21, 61,9%), o Fenerbahçe talvez pudesse ter evitado tanto sofrimento. Por outro lado, o Barcelona não cuidou bem da bola (19 turnovers), numa atuação atípica de seu perímetro, mas que se explica pelo excesso de desfalques: Juan Carlos Navarro, Brad Oleson e Alejandro Abrines não jogaram.

Até por isso, Marcelinho Huertas foi exigido ao máximo. E o armador correspondeu, fazendo sua melhor partida na temporada. Muitos vão falar do toco que ele sofreu de Jan Vesely no último ataque do tempo regulamentar, mas a verdade é que o brasileiro fez tudo o que pôde para manter sua equipe no jogo. Antes de ser bloqueado por Vesely, ele já havia anotado quatro pontos no mesmo minuto. Na prorrogação, foram  seis pontos, tendo forçado inclusive um empate por 89 a 89 a menos de um minuto do fim.

Do outro lado, o elegante ala-pivô Nemanja Bjelica acabou lhe roubando a cena para ser o grande nome em quadra, mesmo que tenha marcado apenas 13 pontos e cometido 5 desperdícios de posse de bola. Foram do sérvio as duas cestas decisivas do confronto: um tapinha a 14s6 do fim do quarto período e uma bandeja com apenas 2 segundos no cronômetro da prorrogação. Seu compatriota Bogdan Bogdanovic, uma estrela em ascensão na Europa, marcou 23 pontos, matando 50% de seus arremessos em 38 minutos.

Todos amam Nemanja Bjelica, ainda mais depois de um jogo desses

Todos amam Nemanja Bjelica, ainda mais depois de um jogo desses

Os brasileiros
Marcelinho Huertas
marcou 25 pontos em 41 minutos. Além disso, deu cinco assistências e pegou quatro rebotes pelo Barça, convertendo 8 de 17 chutes. Foi agressivo também e cobrou oito lances livres, acertando sete (ambas as maiores marcas do confronto). Obviamente ele trocaria tudo isso por uma vitória.

Huertas, solto como nos tempos de Bilbao, fazendo o que sabe

Huertas, solto como nos tempos de Bilbao, fazendo o que sabe

JP Batista começou jogando o duelo do Limoges com o ALBA Berlin, mas foi limitado a 14 minutos. Nesse tempo, marcou oito pontos, com 4/8 nos arremessos. Os campeões franceses acabaram perdendo em casa por 71 a 65 e foram eliminados da competição, endereçados agora para a Eurocup. O time alemão garantiu a classificação, como quarto colocado do Grupo B (atrás de CSKA, Maccabi e Unicaja), acabando também com as pretensões do Cedevita Zagreb.

Jan Vesely, bem longe de Washington

Jan Vesely, bem longe de Washington

Lembra dele? Jan Vesely (Fenerbahçe)
Já falamos aqui do toco do ala-pivô tcheco para cima de Huertas, assegurando a prorrogação em Barcelona. Só foi mais um indício da recuperação de confiança de um talentoso jogador que simplesmente não se encontrou na NBA, pelos mais diversos motivos (entre os quais pesou demais a bagunça que era o Washington Wizards). Com mais tempo de quadra em seu retorno ao basquete europeu, mesmo num clube cheio de opções para Zeljko Obradovic usar, Vesely vem relembrando os olheiros por que já foi uma sexta escolha de Draft nos Estados Unidos. Ainda estamos falando de um jogador de 24 anos e capacidade atlética e envergadura acima da média para o Velho Continente, que causa muito impacto na defesa – foram três bloqueios, dois roubos de bola e dez rebotes (quatro ofensivos) contra o Barça. Marcou também 16 pontos e alcançou seu maior índice de eficiência até aqui (28), tendo Ante Tomic e Tibor Pleiss do outro lado.

Um causo: os calotes do Galatasaray
O técnico Ergin Ataman vive uma temporada para se esquecer. Já teve uma toalha atirada em sua direção pelo armador Nolan Smith, ex-Blazers. Em Istambul, numa coletiva, acusou os torcedores do Estrela Vermelha de terroristas, baderneiros, sem saber que, fora do ginásio, um sérvio seria esfaqueado por um turco. Além disso, a cada entrevista coletiva ele precisa enfrentar as incessantes perguntas sobre o atraso de salários para os atletas. O ala-pivô Furkan Aldemir, por exemplo, já rescindiu seu contrato e deve fechar com o Philadelphia 76ers, clube que tem seus direitos na NBA. Com a equipe em vias de ser eliminada na primeira fase, mais três atletas já parecem de saída também: o ala italiano Pietro Aradori, o pivô grego Ian Vougioukas e o pivô australiano Nathan Jawai. Obviamente é uma situação que tem impacto direto no que acontece em quadra. Nesta rodada, o Gala perdeu para o Neptunas Klaipeda, fora, por 82 a 72, se complicando. Para se manter vivo no campeonato, o time de Ataman precisa vencer o líder Olympiakos na última rodada, em casa, e que o Neptunas perca para o já eliminado Valencia, fora.

Galatasaray de Arroyo e Ataman se complica; Neptunas de Deividas Gailius tem grande chance

Galatasaray de Arroyo e Ataman se complica; Neptunas de Deividas Gailius tem grande chance

Em números
53% –
Um dos grandes personagens da oitava semana, Daniel Hackett prolongou sua boa fase em vitória do Olimpia Milano sobre o Panathinaikos, em casa, por 66 a 64. O mais interessante foi que o armador ítalo-americano tentou 53% dos arremessos de quadra de sua equipe: uma concentração muito incomum para o basquete europeu (17 de 32). Hackett somou 21 pontos, 4 assistências e 4 rebotes. O segundo maior pontuador do time foi o fogoso Alessandro Gentile, com 9 pontos.

James White, o helicóptero humano, na vitória do Unics sobre o Zalgiris

James White, o helicóptero humano, na vitória do Unics sobre o Zalgiris

50% – Duas das quatro vagas do Grupo A ainda estão abertas, na chave mais equilibrada da primeira fase. Com apenas uma vitória em nove rodadas, o Dínamo Sassari não foi páreo para ninguém. De resto, a batalha segue em aberto. Hoje, Unics, com cinco vitórias e quatro derrotas, e Zalgiris, com quatro e cinco, estariam garantidos. Acontece que o Nizhny tem a mesma campanha do quarto colocado, cheio de moral depois de ter batido o Anadolu Efes em Istambul, por 65 a 61. O Unics venceu o confronto direto com o Zalgiris por 73 a 60 e, na última rodada, vai visitar o Nizhny (quem vencer, avança), enquanto o clube lituano recebe o lanterinha Sassari, em situação favorável (pode se classificar mesmo se perder, desde que o Unics vença).

37 – Já despachado, o Bayern de Munique venceu o Turow Zgorzelec por 95 a 89, em casa, com 37 pontos de eficiência do veterano ala-pivô sérvio Dusko Savanovic, o MVP da jornada. Savanovic anotou 31 pontos e pegou 6 rebotes, convertendo 11 de 16 arremessos  (4-6 de três pontos), em apenas 25 minutos.

Tuitando

Em entrevista, Spanoulis diz que já ficou perto de assinar com o Barcelona. Imagine ele ao lado de Navarro? Afe. Para completar, disse que jamais defenderia o Real Madrid. Galáctico não é com ele. 

Com tantos desfalques no Barcelona, o croata Mario Hezonja…

Spike Lee foi a Milão e não perdeu a chance de ver um jogo da Euroliga de perto: Olimpia Milano x Panathinaikos. Na fase que vive o Knicks, não demora para o cineasta virar a casaca. Brincando, ele disse que a partida foi disparada a melhor que ele viu na temporada.


Tensão racial nos EUA e a dificuldade de se respirar
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Giancarlo Giampietro

Derrick Rose, contundência para se aplaudir

Derrick Rose, contundência para se aplaudir

A semana começou novamente com tensão social, racial elevada em muitas esquinas e comunidades dos Estados Unidos, e os astros da NBA levaram essa revolta para a quadra.

Depois de toda a revolta que colocou a cidade de Ferguson no mapa, agora é a vez de o triste caso da morte de Eric Garner retomar os noticiários depois que um júri nova-iorquino inocentar o policial envolvido no incidente, nesta segunda-feira. De noite, incentivados por um ato solitário de Derrick Rose durante o fim de semana, os atletas de Brooklyn Nets e Cleveland Cavaliers fizeram uma manifestação simples, mas contundente a respeito.

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Na hora de se aquecer para a partida contra o Golden State Warriors, Rose entrou em quadra com uma camiseta preta, com texto em branco exclamando: “I can't breathe'' (“Não consigo respirar''). Essa é foi a sôfrega frase que se pôde escutar num vídeo chocante divulgado por um nova-iorquino em julho, testemunhando uma ação policial violenta que resultou na morte de Eric Garner, de 43 anos.

Para os que não acompanharam o caso: Garner foi morto em 17 de julho ao ser estrangulado pelo oficial Daniel Pantaleo, com a ajuda de outros agentes, em uma rua da região de Staten Island, em pleno dia, para qualquer pedestre testemunhar. Ele foi acusado pelos policiais de estar vendendo cigarros contrabandeados. A ação foi registrada por Ramsey Orta, amigo da vítima. Orta, obviamente, vem sofrendo ameaças desde então.

A Grand Central station em Nova York foi tomada por manifestantes

A Grand Central station em Nova York foi tomada por manifestantes

A indignação só aumentou na quarta-feira passada, depois que um júri decidiu não indiciar Pantaleo, que está livre e só será submetido a uma sindicância interna de sua corporação, mesmo depois de atacar um 'suspeito' desarmado, com uma técnica de estrangulamento proibida pela polícia nova-iorquina. Nove dias antes, um júri na cidade de Ferguson havia seguido a mesma trilha em relação a um policial que matou o adolescente Michael Brown, de 18 anos, a tiros. É para se refletir a respeito do sistema judiciário. Ao mesmo tempo, se torna inevitável e imprescindível a participação de figuras públicas para incentivar o debate.

LeBron amplifica os protestos

LeBron amplifica os protestos

Entra Derrick Rose em cena. O enigmático armador do Chicago Bulls foi o primeiro astro da NBA a se manifestar a respeito ao quebrar o código de vestimenta (e conduta, digamos) da liga com sua camiseta. Nesta segunda-feira, em Brooklyn, jogadores do anfitrião Nets e do visitante Cavs usaram réplicas também durante o aquecimento, num jogo que contou com a presença do príncipe britânico William e sua esposa, além do comissário Adam Silver.

Entre os protestantes estavam LeBron James, Kyrie Irving, Deron Williams e Kevin Garnett. As camisetas foram distribuídas antes do jogo pelo armador Jarret Jack. “Esta á cidade em que a morte aconteceu, então fiz esse convite, caso eles quisessem participar da causa ou se manifestarem, sem ter de necessariamente fazer discursos'', disse o reserva do Nets.

Ao final da partida, LeBron se pronunciou, todavia: “É apenas para que nós possamos nos manifestar sobre o momento pelo qual passamos como sociedade. Obviamente, como sociedade precisamos melhorar. Ser melhores uns com os outros, e não importa qual a sua raça. Mas as camisetas foram acima de tudo um aceno aos familiares. São eles que devem receber mais energia e entrega''.

É o tipo de atitude que se tem de aplaudir. O envolvimento de atletas em questões político-sociais nunca vai ser demais, sendo eles figuras de extrema repercussão, alcance. Quando o tópico é a desgraçada questão racial, um dilema que definitivamente não se restringe aos Estados Unidos, a participação dos atletas da NBA se torna praticamente obrigatória, por motivos óbvios. A resposta da classe contra Donald Sterling, ex-proprietário do Clippers, já havia sido exemplar nesse sentido.

Em Washington, o presidente Barack Obama afirmou que os protestos crescentes são “necessários'', com palavras comedidas, mas importantíssimas em meio a uma polêmica dessas. “Desde que sejam pacíficos, acho que são necessários'', afirmou. “O poder não vai conceder nada sem uma boa luta, é verdade. Mas também é verdade que a consciência de um país precisa ser ativada por alguma inconveniência. O valor de protestos pacíficos e ativismo… É que isso relembra a sociedade que isso não acabou ainda.''

A NBA não se pronunciou oficialmente sobre a manifestação de suas estrelas, mas, ao jornalista Jeremy Schaap, da ESPN, uma fonte anônima afirmou que eles não serão multados. É que ao entrar com a camiseta de protesto em quadra eles feriram o código de vestimenta da liga, que obriga o uso de uniformes oficiais.

O comissário Adam Silver foi ao Barclays Center assistir a Nets x Cavs, assim como o príncipe britânico William e sua esposa. “Respeito Derrick Rose e todos nossos jogadores por dar voz aos seus pontos de vista pessoais em questões importantes, mas minha preferência era para que os jogadores seguissem nossas regras de vestimenta'', afirmou.

Em quadra, o Cleveland deu sequência a sua boa fase, vencendo um desfalcado Brooklyn por 110 a 88. Dion Waiters despertou e fez sua melhor partida na temporada com 26 pontos.


O Fantástico Mundo de… Nick Young! Edição especial
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Giancarlo Giampietro

Nick Young, o Swaggy P

Nick Young, o Swaggy P

No desastre anunciado que é a temporada da NBA do Los Angeles Lakers, há pouco para se salvar. Ainda mais em quadra. Os recordes de Kobe Bryant são obviamente o ponto mais interessante. Fora isso, alguém ainda jovem como Ed Davis poderia receber mais minutos, assim como o calouro Jordan Clarkson possa produzir. Até onde Byron Scott vai levar seu affair com Ronnie Price? De resto, o que mais? Estamos abertos a sugestões.

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No dia-a-dia de uma looooooooonga campanha, porém, Kobe conseguiu uma companhia valiosa para que o show continue em Los Angeles: Nick Young. Nas entrevistas, o ala despontou como o porta-voz mais alucinante da liga norte-americana, fazendo a alegria dos jornalistas que cobrem a franquia. Eles, que estavam carentes desde que Ron Artest se mudou primeiro para Nova York e, depois, para a Terra dos Pandas, agora vão gastando o bloquinho de notas. Quando não estão rindo ou , obviamente.

Não é qualquer um que assume o nome de “Swaggy P'' gratuitamente. E que raios isso lá quer dizer?

Vamos apelar ao pai de todos nós, mais uma vez, sabendo que swaggy vem de swagger. Segundo o Michaelis, isso pode significar: “1 gabolice, bazófia. 2 andar afetado. vt+vi 1 andar de modo afetado, andar com ares de superior. 2 vangloriar-se, gabar-se. 3 bancar o valentão. adj coll elegante''.

Este é um Swaggy P ilustrado

Este é um Swaggy P ilustrado

Pela forma que Young adotou o verbete e  vem se comportando diante dos microfones, dá para dizer que o significado de seu apelido envolve um pouco de tudo isso. Ele não pára de brincar com os repórteres. Além disso, tem uma atitude toda peculiar ao chegar ao ginásio, extremamente confiante em suas habilidades. “Bazofinho P'' também seria legal, né?

Mas é melhor ele mesmo explicar o que se passava em sua cabeça quando decidiu adotar o codinome. São diversas versões.

“Deus, em um sonho, falou comigo e me deu este nome. E eu falei para ele que aquele era realmente um nome engraçado e que talvez fosse adotá-lo mesmo. Desde então, venho me chamando de Swaggy P. É um nome de parar o trânsito'', afirmou em sua conta de Instagram. “Acho que se você se veste bem, você joga bem. Sabe, o 'swaggy' começa pelo modo como chego à arena, o modo como me visto, o sapato que eu calço'', disse certa vez ao site da NBA. Para a revista Slam, ele disse que seus antigos companheiros sempre se impressionaram com sua atitude, e que aí ficou fácil falar em “swaggy''. Um sopro divino ou simplesmente a zoeira de amigos. Estamos entre as duas opções.

Agora, será que ele poderia explicar, por favor, o que o P, assim isolado, quer dizer? “Esse é um mistério, não posso falar. Talvez eu escreva um livro algum dia. Não dá para revelar esse segredo ainda. Foi um dos meus primeiros apelidos, então ninguém realmente sabia a respeito, e mantive assim. As pessoas continuam perguntando, mas vai seguir um mistério. Em alguns anos, talvez eu dê umas dicas'', afirmou.

Young, no mesmo patamar de Kobe

Young, no mesmo patamar de Kobe

É uma figura. E isso é muito pouco. Há muitas  manifestações brilhantes para serem compartilhadas. O mais interessante é que seu jeito desbocado também pode fazer bem ao próprio vestiário, uma vez que Young, mesmo que se assuma um dos maiores fãs de Kobe no mundo, não vai se omitir na hora de pedir para o astro maneirar:

 “Tenho essa presença. Sou como Michael Jackson, Prince e todos esses caras. É como se minha atitude tivesse mexido com todos. Foi incrível'', empolgado com sua influência no time quando retornou de uma fratura na mão.

“O Melhor Defensor do Ano está aqui hoje e vai jogar na terça-feira'', pouco antes de estrear na temporada pelo Lakers, um time que sofria (e continua) sofrendo em sua retaguarda. A defesa da equipe segue como a pior da temporada, claro.

Nick Young, o melhor arremessador de três pontos da história da NBA

Nick Young, o melhor arremessador de três pontos da história da NBA

“Estou entre os cinco melhores arremessadores de três pontos da história. A lista? 1 – Eu mesmo. 2 – Ray Allen. 3 – Reggie Miller. 4 – Stephen Curry ou Klay Thompson. 5 – Larry Bird'', e só. Young tem média de 37,9% em sua carreira. Nesta temporada, está matando 42,4% de seus tiros de longa distância. ; )

“Acho que o Kobe tem algum potencial. No meu 20º ano, eu provavelmente terei uns 46 mil pontos, ou algo perto disso'', sobre a iminência de Kobe destronar Michael Jordan como o terceiro maior cestinha da história da NBA. Contando apenas a temporada regular, Kareem Abdul-Jabbar é o maior pontuador, com 38.387.

“Disse a eles que eles estavam chegando para a minha unidade. Não venham aqui e mexam com a minha casa. Está tudo sob meu controle'', sobre a decisão de Byron Scott de colocar Jeremy Lin e Carlos Boozer no banco.

“Kobe vai ser o Kobe, mas de alguma forma nós temos de encontrar um jeito de colocar a bola na cesta com todo mundo, e às vezes acho que nos acomodamos muito com o número 24. Temos de acreditar em nós mesmos'', dessa vez sem bazófia.

“Não dá para dizer que existam jogos vencíveis para nós'', quando questionado se um duelo com o Minnesota Timberwolves representaria uma chance para o Lakers conquistar uma preciosa vitória. O mesmo Wolves que, cheio de desfalques, havia perdido para o Philadelphia 76ersNa atual fase do time, não tem humor que aguente.


As assistências de LeBron, e os sacrifícios do Cavs
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Giancarlo Giampietro

De LeBron para Kyrie, com carinho

De LeBron para Kyrie, com carinho

Na leitura diária do HoopsHype, você pesca lá uma frase que talvez nem chamasse tanta atenção assim de primeira, mas que diz muito sobre o processo de amadurecimento pelo qual o Cleveland Cavaliers ainda vai ter de passar para ficar perto de realizar seus sonhos mais ambiciosos já nesta temporada.

Temos Kyrie Irving comentando a fase de garçom de LeBron James, que coincide com o melhor basquete praticado pela equipe neste princípio de temporada. Diga lá, Kyrie: “Ele está apenas tentando fazer jogadas em quadra. Quantos jogos em sequência ele vem com dois dígitos nas assistências? E não é que sejam 10, mas, sim, 12, 13. Ele vem fazendo isso de modo fantástico. Acaba tirando algumas das minhas, mas eu pessoalmente gosto disso''.

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Bem, o comentário do armador não tem nada de negativo. A princípio, na verdade, soa bem legal que ele não se incomode em ceder o posto de organizador nominal do time ao seu companheiro. Então o que é pega?

O simples fato de Irving ainda se preocupar, gastar alguns cucos para pensar sobre quem está centralizando determinada estatística. De novo: ok, ele fala a respeito elogiando LeBron. Por outro lado, isso mostra o quanto a mentalidade do jovem astro ainda pode se perder com quesitos insignificantes diante  de questões muito maiores em torno do time.

Desde que acertou seu retorno ao Cavs, James vem batendo na mesma tecla, repetindo o discurso dos tempos de Miami, por que não tem como, mesmo: a de que sacrifícios são necessários de todas as partes – e que obviamente esse sacrifício tem a ver com menos tempo com a bola e, por consequência, um impacto no volume de suas estatísticas individuais. Não existem pontos, assistências, rebotes ou tocos de um ou outro. Mas, sim, do time inteiro.

Para constar, LeBron está com média de 10 assistências por jogo nas últimas cinco rodadas. Nas últimas duas partidas, foram 25 passes para a cesta. Na temporada, tem 7,9, sendo o quinto do campeonato, atrás de Rajon Rondo, Ty Lawson, John Wall e Chris Paul. Kyrie Irving tem 4,8, na 31ª posição, logo acima de Kobe Bryant. Nas últimas duas atuações, o armador deu 8 assistências e anotou 52 pontos.

De todas as assistências de LeBron, esta aqui é realmente sensacional. Ironicamente, para Irving, que recebe o passe depois de o craque armar toda uma cena, olhando para Shawn Marion na zona morta. Vocês já viram, né?