Vinte Um

A conquista de Toronto por Bruno Caboclo
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Giancarlo Giampietro

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“Toronto, 21 de novembro de 2014.

Galera, jamais vou esquecer o que aconteceu hoje. Vocês sabem, entrei num jogo oficial de NBA pela primeira vez e marquei oito pontos. O jogo tava decidido já, mas foi tudo muito especial. Sonho realizado, não tem o que dizer! A torcida pirou comigo e deixou tudo ainda mais incrível. Nessas horas a memória recupera um monte de coisa, tudo passando muito rápido. Importante registrar aqui o que rolou, apesar que da minha cabeça nunca mais vai sair!

Tudo começou quando o professor ficou sabendo que não ia poder usar mesmo o James Johnson, o cara do kickbox, que tá com o tornozelo machucado. Aí ele acabou me relacionando para a partida ao lado do amigão Lucas Bebê. Se a gente fosse olhar pra tabela lá atrás, o jogo contra o Milwaukee Bucks era para ser fácil, uma boa chance para estrear, como contra o Philadelphia 76ers. Acontece que o Bucks vem jogando bem e tá até mesmo na briga por playoff nesse comecinho de temporada. Então não dava para saber. O legal é que, se fosse para acontecer, eu pelo menos evitaria de entrar em quadra com aquela roupa bem ridícula de estampa militar. No fim, escapei daquela!

O curioso é que minha estreia  acabou acontecendo justamente contra o Giannis, o grego com o qual eu já fui muito comparado. Sabe aquela coisa de Kevin Durant brasileiro, né? Pois é, também ouvi por aí que eu seria o Giannis Antetkompo… Como escreve mesmo? Enfim, vocês entendem, que eu seria o grego brasileiro. Só porque viemos de uma liga pouco assistida no mundo todo e por termos entrado na NBA muito jovens, ainda no final de nossa adolescência. Ah, e também por termos o agente. Enfim, acaba sendo meio que irônico.

Claro que, quando o quarto período chegou e meu time tava dando uma sova no Milwaukee, essa coincidência nem passava pela minha cabeça. E pela barriga? Vixe, na minha barriga era como se tivessem borboletas. Já tava batendo aquele nervosismo, que poderia ser a hora de jogar, mesmo. A galera não ajudou, gritando meu nome sem parar. Eu enterrei a cabeça no meio da toalha, mas eles não pararam. Foi emocionante. E brincadeira. Claro que eu queria jogar e eles deram uma baita força. Mas dava meio que vergonha. Quando acabou o terceiro período, a gente tava vencendo por 101 a 57, e aí o treinador Casey me chamou e disse que tinha chegado a hora. Vi até gente na galera que ficou de pé pra aplaudir. Putz! Não tinha mais volta, vamo que vamo. 

No primeiro ataque, o Loui Williams errou um chute de dois de longe. Depois, aquele turco do Milwaukee fez uma cesta. Então chegou minha vez, né? Tentei um arremesso de três pontos, que venho treinando bastante. Na pré-temporada e na liga de verão os técnicos meio que já tinham me dito para trabalhar isso e, na hora dos jogos, deu pra ver que ali na zona morta é onde eles querem que eu fique. A linha de três fica mais curta dali, então tudo bem. Acabei errando, mas não perdi a confiança, não. Tanto que aquele minuto ali passou rapidão. Depois que um armador do Bucks perdeu um arremesso de média distância, saí correndo que nem um maluco pro ataque. Aí o Lou foi bem camarada e inteligente. No meio da quadra, viu que eu tava lá sozinho, na banheira. Ele acabou passando a bola ainda um pouco mais na frente pra mim. Doido! Ainda bem que sou atlético, né? Porque consegui pegar o passe na pinta, direitinho mesmo e fui pro aro com tudo. Cravei!

  

Se eu escrevo aqui que o Lou Williams foi doido de mandar um passe daquele, loucura mesmo aconteceu depois da cravada! Caraca, o ginásio ficou descontrolado. Era Bru-no, Bru-no sem parar no canto! Eles ficavam falando meu nome até mesmo naquela hora de gritar “defesa''. Eles queriam ficar falando de mim o tempo todo, eita. Só sei que a adrenalina foi a mil e nem dá muito tempo de pensar. O turcão errou um arremesso de fora, e peguei o rebote. Trabalhamos a posse de bola, e com dois segundos ainda no relógio, eu meti minha primeira de três. Foi mais uma assistência do Greivis Vasquez, que tem me ajudado bastante no dia-a-dia também. Mandei pro aro sem pensar, no automático, na cara do turco. Quando correu mais de três minutos de quarto, teve tempo na quadra. Foi o tempo da TV. E funcionou direitinho, porque aí o técnico falou pro Lucas Bebê entrar na quadra também. Aí era festa completa! Saiu o Patterson. Pena que no primeiro ataque acabei perdendo a bola. Seria legal  se o Bebê já desse uma cravada dele.

Aqui nessa foto acho que tou tentando pegar um rebote, mas ficou meio estranha. Tá valendo!

Aqui nessa foto acho que tou tentando pegar um rebote, mas ficou meio estranha. Tá valendo!

O jogo foi rolando, e ficamos um tempo sem mexer no placar quando o Bebê sofreu falta. Ele errou os dois lances livres, uma pena. Mas de repente era para ele pontuar pela primeira vez com mais estilo, né? Nem sempre vai rolar uma ponte de primeira, que nem pra mim, mas no lance livre não dá nem graça. O engraçado foi que, no segundo erro do Lucas, o Landry Fields veio do nada para socar a bola direto no aro. Tipo Michael Jordan. Afe!!! A galera pirava. Era festa, mesmo, no ginásio. Nunca vi nada parecido na minha vida. E eles curtiram ainda mais quando larguei outra bola de três! Raptors 116 a 64! #WeTheNorth!!!! Kkkkk.

Pois é, esses foram meus oito primeiros pontos na NBA.  Dava o friozinho na barriga, mas não era medo. Vocês me entendem, né? Tinha mais era de curtir esse momento e foi o que fiz. A torcida aproveitou bem mais, e isso foi bem legal. Não vou esquecer isso nunca mais. Nem do toco que eu dei no alemãozinho do Bucks – Wolters tava na camisa dele –, nem da primeira cesta do Bebê, em outro passe do Vasquez, já mais pro finalzinho. A torcida não parava e me matava. Agora cantavam “Vamos, Bruno''. Acho que eles gostam do meu nome.

No final do jogo, na hora que liberaram a entrada da mídia no vestiário, nem acreditei: vieram todos aqueles caras falar comigo. O Lou Williams, aquele mesmo que deu o passe para minha p.a., tirou foto e sarro da minha cara, dizendo que minha mãe iria adorar. E aí vem o Bebê e me alopra! Disse que todo mundo me amava porque eu era que nem o Justin Bieber! Sai fora!

 

Aí fiquei sabendo que meu nome virou assunto comentado no Twitter! Isso aí é mais doideira ainda. De tanta coisa para falar de NBA numa noite de sexta-feira, tava lá meu nome no TT mundial!??!?!!? Valeu, galera, pelo apoio! Fico muito feliz, vocês todos aí acordados até tardão.

Agora tá tarde aqui também, hora de voltar pra casa. Vai ser duro dormir, porque meu coração tá batendo forte até agora, mas não tem essa de balada, não. Os veteranos com certeza tinham algum plano pra mim, mas sou desses moleques sérios, e tem de descansar porque amanhã vem o LeBron pra cá! Acho bem difícil que eu possa jogar essa. Tá todo mundo esperando um jogo mais difícil, porque os caras tão cheios de estrela, mas mais perdem que ganham por enquanto.

E não pode esquecer que só entrei no banco porque meu timaço tinha desfalque. A gente tá brigando pela liderança da conferência, e não vai ser sempre que o técnico vai me por pra jogar. Lembrem que o jogo tava com mais de 30 pontos de vantagem quando entrei, e os caras do Milwaukee ainda venceram o quarto período, chatões. Vou esperar pra ver. Já disse pros jornalistas aqui: quando estou no banco, o que mais fica forte em mim é minha cabeça. Tou aprendendo. Vai ser bacana demais de qualquer jeito poder ver o Anderson Varejão. Ah, e ver o LeBron de perto também!

Fui!''

*Vocês devem imaginar, mas não custa avisar que não teve depoimento nenhum, ok? Apenas uma brincadeira, um texto fictício com base em relatos colhidos por aí na rede www, nesta madruga.


New Orleans Pelicans e o show do Monocelha
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Giancarlo Giampietro

30 times, 30 notas sobre a NBA 2014-2015

"Quem é que sobe?", estrelando Anthony Davis

“Quem é que sobe?'', estrelando Anthony Davis

É rodada cheia? Várias opções para ver no League Pass? Na dúvida, gente, a opção mais segura nesses dias é colocar num jogo do New Orleans Pelicans. Para testemunhar a contínua e assustadora evolução de Anthony Davis e sua Monocelha. Mesmo que as TVs americanas não estejam muito interessadas: apenas dois jogos do Pelicans serão transmitidos por ESPN e TNT nesta temporada.

Claro que os especialistas já estão todos de olho nele. Mas, em termos de popularidade, ainda não é o caso, como se perecebe. Então vocês, meus amigos e minhas amigas, podem sair na frente. Sempre melhor começar o movimento do que ser acusado de modinha daqui a alguns meses, né? : )

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Pois o que está acontecendo agora já parece histórico. A ponto de deixar nossos amigos do Basketball Reference, a bíblia online da NBA, de queixo caído. Vamos a alguns dados destacados pelos caras nos últimos dias:

Cuidado, Hayward. Que o Monocelha vai te pregar

Cuidado, Hayward. Que o Monocelha vai te pregar

- Com 39 tocos em 10 jogos até esta quarta-feira, dia 19,  Anthony Davis, sozinho, superava nesse fundamento o Memphis Grizzlies (de Marc Gasol), o Minnesota Timberwolves, o Boston Celtics, o Cleveland Cavaliers e, por fim, o Miami Heat. Sem brincadeira. O time inteiro. Depois da rodada de quarta, o Grizzlies conseguiu empatar com ele, enquanto Celtics e Cavs o superaram.

- Anthony Davis lidera no momento a lista de tocos e roubos de bola. Nunca um jogador conseguiu isso na história da liga, pelo menos desde que ambos foram computados a partir de 1973.

- Nos últimos 30 anos, o recorde para jogos de ao menos 24 pontos, 11 rebotes e 3 tocos, com um ou nenhum turnover, foi de Shaquille O'Neal, com sete em uma temporada. Anthony Davis já tem cinco, e restam 72 partidas.

E por aí vai, galera. Isso falando apenas de seus números para estatísticas defensivas. Somem aí os 25,4 pontos, os 10,8 rebotes e as 2 assistências, e temos um jogador realmente assustador e imperdível. Com apenas 21 anos de idade, colocando sua equipe na briga pelos playoffs no Oeste selvagem.

 Agora sabe da pior? Talvez nem mesmo seus companheiros ainda se deem conta, plenamente, do que está acontecendo. Jrue Holiday, Eric Gordon e Tyereke Evans ainda não exploram o Monocelha como deviam no ataque. Mesmo com uma carga menor de minutos, saibam que Tim Duncan toca na bola duas vezes mais que o jovem pivô do Pelicans, segundo dados das câmeras do sistema SportsVU. “Parece que os condutores de bola do New Orleans olham para Davis apenas quando ele é a única válvula de escape para eles, quando estão saltam sem um plano apropriado e acabam atirando-a apressadamente em sua direção'', observa o analista Tom Haberstroh, do ESPN.com. Acabei de assistir ao VT de Kings x Pelicans, e esse foi realmente o caso.

Afe

Afe

Davis não está nem aí, por enquanto. Não pensa em recordes, em criticar companheiros, nem nada. Ele quer apenas fazer o dele. “Apenas tento ficar dentro do sistema, no ritmo do jogo. Apenas tenho de ter confiança em mim mesmo. E paciência também é uma parte muito importante. Não vou perseguir arremessos ou nada disso. Apenas deixo o jogo vir até a mim, e é bem mais fácil jogar desta forma'', afirma. Muito fácil, né?

Davis não vai contar vantagem, seus companheiros podem até ignorá-lo aqui e ali, mas a concorrência está impressionada. O rapaz combina agilidade, impulsão, elasticidade, reflexos, velocidade todos muito acima da média. Com envergadura interminável. O pacote físico é realmente único, e suas habilidades vão se desenvolvendo para tornar tudo isso mais assustador.

“Não sei se há algum jogador na história de nosso jogo que tenha melhorado tanto como ele desde que saiu do colegial'', afirma Flip Saunders, técnico e presidente do Minnesota Timberwolves. Saunders trabalhou de 1996 a 2005 com outro fenômeno, que foi dominante de maneira precoce: Kevin Garnett. E encontra similaridades entre eles. “Para mim, eles lembram um o outro, mesmo, nesse crescimento'', diz.  Para Kobe Bryant, que não é lá muito afeito a elogiar os outros, Davis é um “Pau Gasol atlético, que pode ser um dos maiores alas-pivôs da história''.

Temos essa mania de sempre buscar uma comparação. Faz parte de nossa natureza, buscar parâmetros aos quais nos habituamos para avaliar o que é novo. No caso dessa emergente estrela, é bem provável que, salvo um acidente, ele mesmo vire assuma esse posto, digamos, paradigmático para gerações futuras.

LeBron James, mesmo, imaginava Anthony Davis como alguém semelhante a Marcus Camby, mas depois notou que o garoto do Pelicans pontua muito mais, agride a cesta de forma diferente. Disse, no fim, antes de reencontrá-lo neste mês, que não dá para comparar ninguém com o jovem aspirante ao seu trono de melhor da liga.

De novo, com tanto zum-zum-zum, o que o Monocelha pensaria a respeito?

“Apenas entro em quadra e jogo. O que as pessoas esperam de mim? Bom, isso fica para eles. Não presto atenção no que se pode dizer sobre mim, porque isso meio que pode mexer com sua cabeça, e você começa a ficar complacente. Isso fica para os torcedores lerem e ouvirem. Meu objetivo é ajudar essa equipe a vencer. Só quero vencer os jogos, ir aos playoffs, ganhar um título, sabe? Isso é o que o LeBron já fez, e ainda preciso fazer. Significa muito ele dizer isso de mim. É um testemunho do trabalho que tenho feito para melhorar e que está começando a aparecer. Mas, ao mesmo tempo, não posso me dar por satisfeito'', afirma.

Tudo bem, essa parte de satisfação fica por nossa conta, mesmo.

O time: com o elenco inteiro, sem lesões, o Pelicans já teve um dos melhores ataques do campeonato passado, e esse padrão vem se repetindo. As bombas de três pontos de um ala-pivô como Ryan Anderson representam uma dor-de-cabeça incrível para os treinadores adversários, que já precisam lidar com a explosão física e o arsenal em expansão do Monocelha. Obviamente Holiday, Evans e Gordon ainda podem melhorar em seu entrosamento e soltar mais a bola e mais rapidamente, mas, quando esses cinco estão em quadras, o técnico Monty Williams tem a formação ofensiva mais produtiva da liga, com um mínimo de 50 minutos jogados.

A defesa está melhorando, saltando neste mês dez posições no ranking de eficiência. É a retaguarda, mesmo, que pede mais ajustes por parte do treinador. Para isso, a contratação de Omer Asik parece fundamental. O pivô ainda é dos atletas mais subestimados da liga, em termos de reconhecimento geral, mas custou caro ao Pelicans – que sabe o seu valor. O turco fecha bem os espaços no garrafão, com movimentação lateral impecável, inteligência e força. Também protege o aro com sua verticalidade e ajuda muito nos rebotes. Ao lado de  Davis, pode formar um verdadeiro paredão, conforme mostraram na noite de abertura do campeonato.  Ter Jrue também ajuda: o ex-jogador do Sixers é alto e muito forte para a posição, podendo incomodar seus oponentes.

A pedida: mais um time a sonhar com uma vaga nos plaoffs do Oeste. Até porque, se caírem na loteria, podem ceder uma escolha valiosa de Draft ao Houston Rockets.

Tyreke, o forte é a bandeja, que não vem caindo muito este ano. Já os tiros de fora...

Tyreke, o forte é a bandeja, que não vem caindo muito este ano. Já os tiros de fora…

Olho nele: Tyreke Evans. O ala-armador havia abraçado a causa na temporada passada: encarnaria um sexto homem à la Ginóbili. Não funcionou muito bem. Sua melhor fase aconteceu justamente na reta final do campeonato, quando voltou ao grupo dos titulares em meio a muitas lesões no elenco. Com o time agora completo, foi mantido no quinteto inicial e… perdeu em eficiência, com dificuldade para converter suas bandejas. Ainda não se encontrou perfeitamente ao lado de Holiday.

Evans precisa da bola em mãos. É um cara que cria por conta própria, bate para a cesta cheio de movimentos de hesitação e passada larga, além de ter a força necessária para absorver o contato e finalizar. Fez isso nos minutos finais do primeiro duelo com o Sacramento Kings nesta temporada. Quando entra nesse modo, quebra as defesas, mas também pode diminuir o ritmo de sua própria equipe, pela tendência fominha. Mas, poxa, ele dá muitas assistências, não? Sim, mas geralmente só o último passe, mesmo. E, como o Spurs nos ensina a cada rodada, a fluidez ofensiva depende de muito mais passes e menos dribles. Se conseguir dosar as coisas – seguir atacando o aro e, ao mesmo tempo, envolver seus companheiros, vai virar uma arma ainda mais preocupante.

De qualquer forma, para compensar esse desacerto, o ala-armador adicionou uma bola crucial para seu repertório: o chute de longa distância. Com apenas 27,7% em sua carreira, vem convertendo inacreditáveis 46,7% no início de temporada. Se esse for um dado sustentável, talvez suas aventuras frustradas em direção ao aro nem importem muito.

Abre o jogo: “Quero ser um All-Star. Cheguei perto disso algumas vezes. Mas nos últimos três anos as lesões me deixaram para trás'', Eric Gordon, que começa a temporada saudável, algo raro. O ala-armador ainda nem chegou aos 26 ano, mas já vê seu jogo em queda vertiginosa, devido aos joelhos deteriorados. E pensar que em 2012 o Phoenix tentou tirá-lo de Nova Orleans, como agente livre restrito. Em termos de dólar ganho e produção entregue, Gordon tem hoje o contrato mais desproporcional da NBA, com um salário de US$ 14 milhões nesta campanha e US$ 15 milhões para a próxima.

Gordon, uma das peças da troca que mandou Chris Paul a Los Angeles

Gordon, uma das peças da troca que mandou Chris Paul a Los Angeles

Você não perguntou, mas… o ala-pivô Ryan Aderson é tema de uma reportagem tocante e imperdível da revista Sports Illustrated, assinada por Chris Ballard. O tema é o suicídio de sua namorada, Gia Allemand, aos 29 anos. A modelo e estrela de um reality show havia discutido com o jogador no dia em que se matou. Gia passava por um severo transtorno disfórico pré-menstrual. Em seu depoimento a Ballard, Anderson fala muito sobre suas frustrações com o incidente – foi ele o primeiro a encontrar a modelo em seu apartamento, tendo ainda tempo de acionar uma equipe médica –, o turbilhão emocional pelo qual passou, mas também ajuda a trazer à luz essa questão de saúde pública. Enquanto ainda encara esse drama, o jogador vai retomando a forma pelo Pelicans, depois de ter perdido boa parte de sua primeira temporada com a franquia. No Twitter, ele falou sobre a repercussão do texto: “O fato de que esse artigo vem tendo uma conexão tão profunda com tantas pessoas me dá arrepio. Esse artigo ajuda a por em discussão um tópico que está muito escondido, na escuridão. As pessoas precisam saber que não estão sozinhas em suas dificuldades'', disse.

Pete Maravich, trading card, New Orleans, JazzUm card do passado: Pete Paravich. Jaz?! A franquia não é a mesma, mas a cidade, sim. Antes de escalar a montanha rumo a Salt Lake City, o Jazz estava em Nova Orleans. O que faz muito mais sentido. O clube começou a funcionar em em 1974 e decidiu fazer do legendário “Pistol Pete'', o maior cestinha da NCAA, seu principal jogador. Para tirá-lo de Atlanta, mandaram dois jogadores e mais quatro escolhas de Draft. Num time em expansão, Maravich vencia pouco, mas fazia seus malabarismos com a bola e conquistava a liga como um dos talentos mais carismáticos da história. John Havlicek, o mito do Boston Celtics, disse que ninguém driblou uma bola melhor que o astro.

Em 1976-77, ele marcou 31,1 pontos por jogo, com direito a 68 pontos num duelo com o New York Knicks. Só Wilt Chamberlain, Kobe Bryant, Elgin Baylor, Michael Jordan e David Robinson conseguiram superar essa marca. Maravich, no entanto, não teve uma carreira vencedora ou duradoura como a desses concorrentes. Após diversas lesões nos joelhos, se aposentou em 1980, já em Utah, no ostracismo. Ele não tinha condições de treinar. E seu técnico Tom Nissalke tinha uma regra: só punha para jogar aqueles que treinavam, e bem. Acabou dispensado e recolhido pelo Boston Celtics, com um Larry Bird novato. Teve algum sucesso vindo do banco de reservas e disputou os playoffs pela primeira vez desde 1973. A equipe acabou perdendo para um esquadrão do Philadelphia 76ers que tinha Julius Erving, Maurice Cheeks, Darryl Dawkins, Caldwell Jones, Doug Collins e Lionel Hollins.  Maravich morreu em 1988, aos 40 anos, depois de um ataque cardíaco, como um cristão devoto, no ginásio de uma igreja californiana.


Sacramento Kings complica ainda mais a conferência Oeste
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Giancarlo Giampietro

30 times, 30 notas sobre a NBA 2014-2015

Boogie Cousins chegando lá, levando o Sacramento Kings junto

Boogie Cousins chegando lá, levando o Sacramento Kings junto

Era tudo de que a Conferência Oeste menos precisava, gente. Jeff Hornacek, Monty Williams, Brian Shaw e muitos técnicos estão neste exato momento chacoalhando a cabeça de um lado para o outro, batendo nervosamente os pés no avião, pensando em quão dura essa vida pode ser: “Valeu, mesmo, Sacramento. Como se já não tivéssemos problemas o bastante''.

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Em seu processo de reformulação, o clube da capital californiana vai dando um passo importante nesta temporada para se recolocar, enfim, na briga por uma vaga nos playoffs. E a gente sabe como é difícil isso nesses dias, em que times com 48 vitórias não conseguem a classificação. Só assim, mesmo para o novo proprietário Vivek Ranadivé sossegar.

Formado em escolas de ponta, fazendo fortuna com empresas de tecnologia, sendo um dos protagonistas na digitalização dos sistemas de Wall Street, o empreendedor indiano se tornou o acionista majoritário da franquia em maio de 2013 e, desde então, vem balançando suas estruturas. Trocou toda a sua diretoria e escolheu mais um nerd, Pete D'Alessandro, ex-assistente de Masai Ujiri em Denver, como seu gerente geral. Antes do cartola, porém, já havia contratado o técnico Mike Malone, com quem já havia desenvolvido um relacionamento no seu tempo de acionista do Golden State Warriors.

Ranadivivé, o agitador indiano

Ranadivivé, o agitador indiano

Montada a estrutura, essa turma começou a fuçar no elenco. O primeiro grande passo foi deixar Tyreke Evans partir para Nova Orleans. Depois veio a aquisição de Rudy Gay numa troca seriamente contestada na época – o ala não andava com a melhor cotação na liga. No Draft, selecionaram em anos consecutivos jogadores que teoricamente dividem a mesma posição: Ben McLemore e Nik Stauskas. Isaiah Thomas também foi outro que saiu, abrindo espaço para Darren Collison.

A ideia era clara, porém: apostar todas as fichas em DeMarcus Cousins, transformar o temperamental pivô no jogador indiscutível da franquia. Seus recursos técnicos nunca foram discutidos: Boogie é dos poucos grandalhões de hoje que chama a marcação dupla obrigatoriamente. Perto da tabela, sua combinação de força, habilidade e agilidade no jogo de pés é devastadora. Mais difícil era domar seu comportamento explosivo e infantil – ou infantil e explosivo, escolha a ordem que preferir.

As faltas técnicas que o pivô cometia já faziam parte do folclore da NBA. Nesse quesito, ele foi o líder por duas temporadas seguidas, cometendo 33 nas últimas duas campanhas. Em 2011-12, só foi superado por Kendrick Perkins, com 12. Em 2011, ficou em quinto, com 14. Enfim, era uma média de uma técnica a cada sete jogos. Se o descontrole fosse apenas com os árbitros, tudo bem. Mas obviamente que ele também dava trabalho no dia-a-dia, em relação variando de arredia a conflituosa com diversos treinadores.

No que Ranadivé e D'Alessandro acreditavam, todavia? Que  os problemas causados pela jovem estrela tinham muito a ver com a falta de amparo por parte do clube. Não os mimos, em si. Mas a falta de uma estrutura hierárquica respeitável, mesmo, dado o desgoverno nos últimos anos com a família Maloof. Contavam também com o amadurecimento natural de Cousins. Amadurecimento que também ajuda a colocar as coisas sob perspectiva no tratamento de jovens atletas.

Aconteceu, a ponto de Jerry Colangelo e o Coach K, mesmo, terem feito concessões e recrutado o pivô para a Copa do Mundo. Está certo que eles estavam precisando, para compensar tantos desfalques. Mas não teriam convocado o atleta se ele ainda fosse considerado uma ameaça ao entrosamento de um grupo que tinha pouco tempo para se preparar. Boogie se enquadrou e se encaixou legal e foi um dos líderes da seleção em quadra.

Ranadivivé, D'Alesandro, Ryan Hollins, Gay e Malone

Ranadivivé, D'Alesandro, Ryan Hollins, Gay e Malone

Voltou ainda melhor para Sacramento e disposto a falar sobre as coisas. “Isso me irrita mesmo. Acho que a mídia tem muito controle sobre o tipo de pessoa que você pode ser, e não importa o que a realidade seja. Já vi muitas pessoas serem elogiadas, de que seriam as mais legais, e eles são uns *****s, são as piores pessoas. E já vi pessoas que são julgados de forma ruim, seja lá por qual motivo, e que são bacanas demais. Odeio isso. Algumas das críticas que recebo eu mereço. Faço coisas bestas algumas vezes. Mas não mereço a percepção que se tem sobre mim'', afirmou em longa entrevista a Ric Bucher, do Bleacher Report.

Cousins está hoje no seleto grupo dos melhores da liga. É já um dos dez maiores talentos. O que deixa o Sacramento numa posição privilegiada. Ainda falta muito o que se acertar ao seu redor, claro. Ainda mais nessa conferência. O plano dos caras é deixar tudo isso bem mais complicada.

O time: para ganhar conjunto, química, o Sacramento precisou abrir mão de muito talento. Fizeram sacrifícios que talvez pudessem ser evitados com um melhor trabalho de preparação de terreno na gestão anterior, mas agora o estrago está feito, e não tem volta. Falo a respeito das saídas de Tyreke Evans e Isaiah Thomas, dois talentos indiscutíveis com a bola nas mãos, mas cujo santo não bateu com o de Cousins. O pivô era claramente o melhor prospecto da equipe, então não há muito o que discutir a priorização dele no ataque. Agora, talvez eles pudessem ter conseguido algo melhor pelos dois atletas que saíram.

Darren Collison volta a ser titular e agrada a Boogie

Darren Collison volta a ser titular e agrada a Boogie

O que acontece é que, hoje, o Kings  não tem muito banco. Qualquer lesão mais séria para um dos sete principais atletas da rotação vaiatrapalhar a vida do técnico Malone. O lado bom disso tudo, de todo modo, é que cada um dos reservas sabe muito bem o seu papel: Carl Landry sai para pontuar, Omri Casspi corre a quadra toda. Reggie Evans, quando for usado, será para bater e pegar rebotes. Stauksas ainda não está confortável, mas precisa matar seus arremessos. Ramon Sessions tem de fazer a bola girar e descolar seus lances livres – a não ser que perda o emprego de primeiro reserva da armação para o jovem Ray McCallum. Derrick Williams foi colocado de canto, e paciência.

Em termos de eficiência, a moçada de Sacramento hoje ocupa basicamente uma posição intermediária tanto em produção ofensiva como defensiva. A longo prazo, talvez isso não seja o suficiente para se colocar entre os oito melhores do Oeste. Cousins vai ficar cada vez mais marcado e, para sustentar seu ritmo, precisará de um Rudy Gay jogando em alto nível.

A pedida: uma vaguinha nos playoffs nem que seja no desempate na última rodada não faria mal algum.

"The Great Casspi", nas palavras de Jerry Reynolds, ex-jogador e hoje comentarista do Kings

“The Great Casspi'', nas palavras de Jerry Reynolds, ex-jogador e hoje comentarista do Kings

Olho nele: Omri Casspi. O primeiro israelense a jogar na NBA parecia uma aposta certeira da franquia em 2009, quando foi selecionado na 23ª posição do Draft. Seu ano de novato, vindo do poderoso Maccabi Tel Aviv, foi um sucesso, com 10,3 pontos em 25 minutos, além de 4,5 rebotes e 36,9% de acerto nos tiros de três. Desde então, porém, Casspi só caiu. Todas as suas estatísticas foram reduzidas ano a ano. Ele passou por Cleveland e Houston e não conseguiu reverter essa tendência. Quando virou agente livre, o mais natural era pensar que ele fosse voltar para casa, para retomar a carreira antes que fosse muito tarde – está com 26 anos. Mas Sacramento apareceu novamente em seu caminho, e o reencontro vem sendo produtivo. Casspi é um jogador útil para qualquer banco de reservas, por sua energia em quadra e versatilidade. Mais forte e preparado depois de trabalhar com David Thorpe nas férias, o ala vem causando impacto com muita correria e o basquete mais eficiente de sua carreira. Melhor: caiu nas graças de Boogie. Está garantido.

Abre o jogo: “Tem sido incrível, uma transição bem suave. A movimentação de bola está muito melhor. Ela não fica emperrada em um lugar só. Não vem sendo driblada demais por ninguém em quadra'', Cousins, sobre as mudanças na armação da equipe, com a saída de Thomas e Darren Collison. Um recado bem claro, que o próprio Thomas reconheceu a indireta.

Você não perguntou, mas… o Sacramento Kings é hoje um dos times mais irrequietos fora de quadra. Não apenas pelo apetite para fechar trocas. O agito vai além do departamento de basquete. Comercialmente, eles já anunciaram camisetas em parceria com uma rede de pizzaria – que hoje perderam sentido com a saída do garoto-propaganda –, têm aceito as chamadas bitcoins em vendas de produtos e ingressos e prometem muito mais. Para Ranadivé, a ideia é criar a chamada NBA 3.0, com muito mais interação com o público e o mundo de negócios. As operações esportivas também são afetadas. No último draft, por exemplo, o gerente geral D'Alessandro recrutou jovens estatísticos na Internet para supostamente ajudá-lo a tomar uma decisão.

kings-otis-thorpe-cardUm card do passado: Otis Thorpe. Antes da geração de Mitch Richmond e do fantástico time de Chris Webber, Divac, Bibby e Peja, o Kings jogou os playoffs pela primeira vez quando sediado em Sacramento em 1986 com um grupo que não era dos mais estrelados, cheio de veteranos. Vejam só: Mike Woodson, Larry Drew, Reggie Theus… Todos caras que virariam treinadores adiante. Só venceram, de qualquer maneira, 37 jogos, e entraram nos mata-matas somente por viverem uma rara época de vacas magras da conferência. Naqueles tempos, Thorpe era dos mais jovens, com 23 anos, com médias 9,9 pontos e 5,6 rebotes e 58,7% de aproveitamento, com 23 anos. Estava em sua segunda temporada, começando uma carreira admirável. O ala-pivô não era de fazer lances brilhantes em quadra, mas que fazia seu serviço, pontuando com eficiência, ajudando nos rebotes e defendendo. O tipo de peça em que a atual versão da equipe tem apostado, com razão. Em 1988, Thrope seria trocado para o Houston Rockets e viraria até mesmo um All-Star em 1992. Dois anos depois, ganharia o título como fiel escudeiro de Hakeem Olajuwon.


Você acha que seu time chuta muito de 3? Ainda não viu o Reno Bighorns
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Giancarlo Giampietro

Aresneault Jr. tem apenas 28 anos. E conduz um experimento daqueles

Aresneault Jr. tem apenas 28 anos. E conduz um experimento daqueles

Quem aí se lembra do garoto Jack Taylor, aquele armador de 1,78 m de altura que chegou a marcar 138 pontos numa partida do basquete universitário americano em 2012? Foi um, dãr, recorde da NCAA em vitória estratosférica de sua equipe, o Grinnell Pioneers, sobre Faith Baptist Bible, por 179 a 104, pela terceira divisão da entidade. Não importava o nível da partida: os números eram bizarros a ponto de ganhar manchetes no mundo todo.

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Foi nesse momento que todo o povo de fora dos confins e das fronteiras da pequenina cidade de Grinnell, de cerca de 9 mil habitantes, na faixa Oeste do Estado de Iowa, teve contato com o di-fe-ren-te. O basquete tresloucado, desses números absurdos, praticado pela universidade  particular do município, comandado por David Arseneault, de 61 anos, o patrono desse sistema. Sim, porque se trata de um sistema, de uma filosofia de jogo, até mesmo com livro publicado a respeito, “The Running Game“.

Quem prestou atenção nesse movimento todo, com bastante interesse, ao que parece foi o indiano Vivek Ranadivé,  bilionário proprietário do Sacramento Kings. Por quê? Pois a filial da franquia na Liga de Desenvolvimento da NBA, o Reno Bighorns, contratou para esta temporada o filho do homem, David Arseneault Jr., de apenas 28 anos, para dirigir seu time. Obviamente que o negócio não foi fechado com o intuito de fazer um jogo conservador.

“Achei que poderia ser uma piada, para ser sincero'', disse o jovem treinador, ao Reno Gazette-Journal, sobre quando recebeu a ligação. “O sistema seria o caos organizado. Estamos tentando aperfeiçoar o caos. Vai ser uma correria. Vamos correr e tentar muito de três pontos. O quão extremo podemos ir? Depende. Mas vamos tentar coisas diferentes e partir daí.''

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Arseneault Jr., segundo consta, já era o técnico de fato de Grinnell. Seu cargo era de assistente apenas como nomenclatura, mas era quem dava treinos e lidava com as operações do dia-a-dia. Foi daqueles garotos que não desgrudava do Senior e passava o tempo todo num ginásio de basquete. Mais tarde, jogou de armador na equipe, tentou a sorte no exterior e voltou para casa, até se juntar ao pai no banco de reservas de trajes sociais. Como atleta, não pontuava muito: seu forte era passara a bola, mesmo, com médias de 9,4 assistências na carreira. Em 2007, ele chegou a estabelecer um recorde de 34 assistências num só duelo – mas a marca seria quebrada mais tarde por outro jogador da equipe. Estraga-prazer.

Na temporada passada, os Pioneers marcaram 116 pontos por partida. Eles lideraram toda a NCAA em produção ofensiva por 19 das últimas 21 temporadas. Em volume de tiros de três pontos, foram em 17 temporadas durante esse período. Tudo baseado em uma fórmula.  “Nas últimas duas décadas, o técnico vem colocando em prática seu sistema (“O Sistema''), baseado em sua fórmula (“A Fórmula''), que pede explicitamente  que sua equipe arremesse pelo menos 94 vezes num jogo, 47 das quais deveriam ser em três pontos'', relata o repórter Eamon Brennan, do ESPN.com americano.

Segundo Arseneault Jr., esses princípios foram evoluindo naturalmente. O fato é que a equipe de seu pai estava cansada de apanhar em suas competições, e o técnico saiu em em busca de alternativas para compensar sua suposta falta de talento. Quando consultou os jogadores, eles teriam escolhido um jogo mais acelerado.

armador Ra'shad James é um dos que vai ter de corrrer: 16 pontos de média no início

armador Ra'shad James é um dos que vai ter de corrrer: 16 pontos de média no início

Outra particularidade das táticas boladas pela família: os atletas são substituídos de modo frenético, numa média de um por minuto. Por vezes, o quinteto inteiro é retirado de quadra, para que eles sigam correndo feito malucos, pressionando o adversário com bombas de três pontos e marcação em cima da bola, adiantada, pela quadra toda. É com isso, gente, que o Reno Bighorns está mexendo. E vai ser uma alteração drástica para o clube.

Na temporada, sob a orientação de Joel Abelson, que foi para o New York Knicks, o Bighorns teve o terceiro ataque menos produtivo, com média de 104,8 pontos. Ficaram em antepenúltimo também na quantidade de arremessos de três pontos, com 353 cestas de longa distância no decorrer do campeonato, em 963 tentativas (penúltimo). Para efeito de comparação, o Rio Grande Valley Vipers tentou 2.268 chutes de fora. É a filial do Houston Rockets, totalmente mergulhada em planilhas estatísticas convencidas de que o arremesso de três é um pilar fundamental para um setor ofensivo eficiente.

Essa, hã, preguiça toda já virou passado.

Veja só estes placares:

- 08/11 – Idaho Stampede 158 x 135 Reno Bighorns
- 11/11 – Reno Bighorns 128 x 126 Santa Cruz Warriors
- 14/11 - Reno Bighorns 144 x 152 Iowa Energy
- 16/11 – Reno Bighorns 127 x 116 Grand Rapids Drive

Que tal?

São os quatro compromissos do Reno Bighorns até agora com seu novo técnico.  Quando os expus alguns desses números no Twitter, um dia desses, o companheiro de Saque e Voleio Alexandre Cossenza perguntou se o cronômetro de posse de bola tinha 15 segundos, rindo. O Guilherme Giavoni, que a turma de Sorocaba, conhece bem, reparou: era placar de Jogos das Estrelas. As duas situações bem que poderiam ser verdadeiras. As coisas fariam mais sentido. Mas, não: todos esses jogos foram disputado com os 48 minutos regulares do basquete profissional, com 24 segundos de relógio por ataque, sem prorrogação.

“Demos às pessoas uma chance de ver o que esse sistema pode realmente fazer'', afirmou Arseneault Jr. após a vitória sobre Grand Rapids, na qual sua equipe chegou a ficar atrás no placar por 42 a 19 no segundo período, antes de ir para o intervalo com uma vantagem mínima de 54 a 53. Afe. “Depois de um começo fraco, o time começou a esquentar e a arremessar.''

Veja como funciona, na íntegra da partida contra a filial do Detroit Pistons:

Vale uma autópsia, não?

As estatísticas mostra o seguinte: o clube afiliado do Kings vem com incrível média de 135,5 pontos em seus dois primeiros jogos oficiais. Acho que nem o Harlem Globe Trotters chegaria a tanto. Se formos levar em conta a pré-temporada (cujo padrão, convenhamos, não muda muito aqui), temos 133,5. Ufa, mais maneirados.

Para comparar, dois times meio que – repetindo “meeeeio que'' – chegam perto em pontuação após duas rodadas oficiais: o Texas Legends/Dallas Mavericks, com 128,5 pontos, e o Iowa Energy/Memphis Grizzlies, com 127,0. Mas o Iowa nem deveria contar, já que, como vimos acima, enfrentou as Bigornas e teve seus números inflacionados pelo jogo do dia 14 de novembro – nenhum time fez menos que 31 pontos num quarto. Para comparar, em sua segunda partida, o placar foi um triunfo por 102 a 100 sobre o Santa Cruz Warriors. O Bakersfield Jam/Phoenix Suns tem 118,5, em quarto, e o Rio Grande Valley Vipers/Houston Rockets somou 117,0, em quinto.

Jeremy Lin já jogou por Reno. Mas numa equipe mais tradicional

Jeremy Lin já jogou por Reno. Mas numa equipe mais tradicional

Sim, todas as quantias são meio absurdas, pensando nos padrões com os quais estamos acostumados. Mas as contas a da D-League funcionam de uma forma diferente. Ainda assim, mesmo nessa realidade paralela, o Reno promete deixar sua marca em termos de ritmo de jogo. É frenético, mesmo, com 124,6 posses de bola por partida. O Iowa, de novo com o mesmo asterisco, tem 113,6 posses. O Grand Rapids,  111,1. Está cedo, é verdade, vamos monitorar esses números no decorrer da temporada, mas, por todo o contexto apresentado, podemos esperar uma liderança folgada para a equipe, sim, nesse quesito.

Nos dois primeiros jogos da temporada, os caras tentaram 109 arremessos de três pontos no geral, contra 84 do Maine Red Claws/Boston Celtics, e 74 do Vipers. Se mantiver esse ritmo, terão chutado 2.725 bolas de longa distância durante a temporada regular, mais de 500 a mais que os líderes da edição passada. Talvez isso independa do aproveitamento, que foi de 38,5% nas duas primeiras partidas, o sexto.

Numa coisa, porém, não podemos nos perder. Não é que o Bighorns busque apenas o chute de fora. Seu volume ofensivo é caudeloso sob qualquer medida. No total, eles arriscaram 228 arremessos em dois jogos, contra 201 de Iowa e 189 do Erie Bayhawks/Orlando Magic. Na verdade, os tiros do perímetro equivalem a 48% de suas tentativas. Para o Red Claws, o percentual é de 50%.

Entre os atletas, quem está adorando tudo isso é o ala-armador Brady Heslip, canadense formado pela Universidade de Baylor e que já defende a seleção nacional de seu país. Vocês se lembram dele? É um rapaz bastante confiante em sua capacidade de arremesso. Nas duas primeiras rodadas, ele marcou 78 pontos, média de 39. Sozinho, ele tentou 36 arremessos de três, matando 20 (55,6%). Foram 47 chutes para ele no geral. Pura doideira. O ala TJ Warren, calouro do Phoenix Suns e defendendo na D-League o Bakersfield Jam, acumulou 46 chutes, dos quais módicos 13 foram de fora.

Heslip sabe enxergar uma boa chance para arremessar de três pontos

Heslip sabe enxergar uma boa chance para arremessar de três pontos

“É como se fosse o Rio Grande Valley, mas talvez um pouco mais imprudente que eles. Mas não no mau sentido. Eles jogam com velocidade. A única diferença aqui é a defesa. Vamos pressionar o jogo todo e tentar acelerar a equipe. Ninguém jamais jogou desta forma antes. É um experimento'', disse o armador Tajuan Porter, que vem com 'modesta' média de 11 pontos por jogo em 22,5 minutos. Quatro de seus companheiros, além de Heslip, têm mais de 15 pontos de média.

Ame-o ou odeio-o, o Reno Bighorns vai seguir em frente com seu sistema amalucado, que nunca foi testado com profissionais. É um cenário bem diferente daquele que Arseneault Sr. pensava. “Meu pai nunca pensou que essa fosse virar uma estratégia competitiva. Ele apenas achava que, se era para eles perderem, para que perder de 60 a 40, se dava para perder de 150 a 130? Pelo menos as pessoas teriam algo de positivo para falar a respeito depois de uma derrota, já que alguém havia marcado tantos pontos'', disse o Junior, convicto de que pode ser bem-sucedido sob os olhares e contra a concorrência de tanta gente séria. “Não vejo motivo para que não. Ao mesmo tempo, estou curioso para saber o quão bem pode correr aqui. Já vi alguns flashes no training camp que indicam que ele pode ser muito, muito sucesso.''

Num basquete brasileiro em que se arremessa de três pontos sem peso algum na consciência, é de se imaginar que a curiosidade para acompanhar esse experimento não poderia ser maior.

*  *  *

Relembre a 'façanha' dos 138 pontos de Jack Taylor?

 


O Philadelphia 76ers vai ser o pior time da história?
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Giancarlo Giampietro

30 times, 30 notas sobre a NBA 2014-2015

OK, sem a ajuda do Google, diga quem são cada um desses da esquerda para a direita

OK, sem a ajuda do Google, diga quem são cada um desses da esquerda para a direita

Michael Carter-Williams havia acabado de retornar de uma cirurgia no ombro. Ao final do primeiro tempo, sentado no vestiário, talvez não acreditasse que pudesse ser recebido de forma tão humilhante em quadra. O Dallas Mavericks destroçava seu Philadelphia 76ers, abrindo uma inacreditável vantagem de 44 pontos após 24 minutos de jogo. Era como se a cada minuto, o time da casa fizesse uma cesta de dois pontos – e o adversário, nada.

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“Tenho certeza de que vou me lembrar disso, e não quero que aconteça de novo. Ninguém nesse vestiário vai se acostumar nunca em perder desta maneira. Nenhum de nós vai se acostumar a perder, e ponto. Ficamos chateados a cada derrota'', afirmou o talentoso e um tanto errático armador, o novato do ano da NBA 2013-2014.

Compreensível a declaração de MCW, e louvável até. Ele e seus companheiros podem muito bem não aceitar uma surra dessas. Agora, entre aceitar e se acostumar, há uma grande diferença. E é bom que o jogador e a equipe mais jovem da temporada entendam isso. Porque a temporada promete ser longa. Beeeem longa, e até inesquecível. Foram nove jogos até esta segunda-feira, e nove derrotas. Não chega a surpreender. Desde que o gerente geral Sam Hinkie montou o atual elenco, o Sixers virou sério candidato a pior da história – com a famigerada campanha da mesma franquia em 1972-73, com 9 vitórias e 73 derrotas, sendo o parâmetro. Com um agravante: o movimento é calculado.

O jogo contra o Sixers foi tão interessante que a torcida do Mavs...

O jogo contra o Sixers foi tão interessante que a torcida do Mavs…

A (já não tão) nova gestão do Philadelphia traçou um plano bem claro: implodir a estrutura então vigente. Chegar aos playoffs e perder não era o bastante, não ia levar a lugar algum. Então o que o cartola fez foi promover um leilão e vender todas as peças minimamente decentes que a equipe tinha para recomeçar do zero. Era hora de reconstrução via Draft. E, para fazer desta forma, já sabemos: quanto mais derrotas, mais chances de conseguir uma boa posição na seleção de novatos e acesso aos melhores talentos.

Veja bem: não há nada ilegítimo nessa linha de raciocínio. Nem ilegal. Está dentro das regras do jogo, e o Sixers não é o primeiro clube a adotá-la. O problema é que Hinkie talvez esteja indo um pouco longe demais em seu descompromisso com o presente, pensando apenas no futuro. Quando o tal do futuro vai chegar? Se chegar.

Hoje, no plantel é o mais jovem da liga, com 23 anos de média. Até aí tudo bem, faz sentido. Agora, na hora de falar em qualidade, a coisa fica mais feia. A turma que vem jogando é a que tem menos escolhas de primeira rodada: Carter-Williams, Tony Wroten e Nerlens Noel. De resto, são sete atletas que nem mesmo foram selecionados no Draft, um recorde. O que não quer dizer que caras como Brandon Davies, Robert Covington, Alexey Shved e Henry Sims não possam evoluir e emplacar. Caras como Ben Wallace, José Juan Barea, Brad Miller e Bruce Bowen também passaram batido no recrutamento e foram figuras importantes em times que tiveram sucesso nos playoffs. Mas, historicamente, é um desenvolvimento bem mais raro. Vejam Jarvis Varnado, Chris Johnson, Casper Ware, Elliott Williams e outros talentos nos quais Hinkie apostou recentemente e já foram dispensados. Haja rotatividade e procura.

Brett Brown vai precisar de toda a diplomacia e lições do mundo

Brett Brown vai precisar de toda a diplomacia e lições do mundo

Aqui é a parte em que podemos perguntar: mas se a ideia é reconstruir usando o Draft, onde estão as escolhas? Bem, o pivô camaronês Joel Embiid está na enfermaria, bastante atuante no Twitter. O ala-pivô croata Dario Saric tem contrato milionário com o Anadolu Efes, da Turquia, e só deve se apresentar daqui a duas temporadas. Essas foram as duas escolhas principais do clube neste ano. Hinkie já sabia  que não poderia contar com eles, mas optou por essa rota ainda assim.

Assim como para os calouros de segunda rodada. No caso do Sixers, ao menos o ala KJ McDaniels vem se mostrando um achado. O jogador revelado por Clemson tinha cotação para as primeiras 30 posições, mas acabou derrapando num ano de forte concorrência. O ala Jerami Grant, filho de Harvey e sobrinho de Horace, lesionado, é outro que pode seguir nessa linha. Mas seria o suficiente para tornar a atual equipe mais competitiva? Dificilmente.

Mais duas observações: 1) McDaniels já vai virar um agente livre ao final do ano (leia mais abaixo); 2) de todas as escolhas do segundo round, o ala Jordan McRae foi aquele que teve o melhor verão com a camisa do Philadelphia. Mas cadê ele no elenco atual? Você não vai achar. McRae foi convencido pela diretoria a jogar na Austrália para ganhar cancha, que foi o mesmo procedimento adotado pelo Miami Heat com James Ennis, e deu certo. Por outro lado, é um prato cheio para aqueles vão acusar Hinkie de estar simplesmente entregando os pontos por ora.

Carter-Williams e Noel: dupla de aposta para o futuro, ou nem isso. Sixers no limbo por enquanto

Carter-Williams e Noel: dupla de aposta para o futuro, ou nem isso. Sixers no limbo por enquanto

Como Stan Van Gundy, que não tem papas na língua. “Não me importo se alguém diga que eles não estão perdendo de propósito. O que Philadelphia está fazendo agora é uma vergonha. Se você está usando botando um time desses em quadra, está fazendo todo o possível para perder'', afirmou o técnico durante a última Sloan Sports Conference, antes de assumir o Detroit Pistons, diga-se.

Esse tipo de revolta, aliás, levou a NBA a votar no encontro anual dos proprietários de cada clube uma possível mudança nas regras do Draft. A proposta era mais complexa, mas pode ser resumida basicamente desta forma: os piores times da liga teriam chances menores de ganhar as primeiras posições no recrutamento. A disputa ficaria mais equilibrada entre todos os participantes da loteria. Muitos esperavam que a reforma fosse aprovada, mas, de última hora, o Sixers ganhou aliados e venceu essa batalha. Não que esses novos aliados estivessem inteiramente ao lado de Sam Hinkie: pesou também toda a incerteza que ronda as franquias com a iminência de um novo contrato bilionário de TV, que vai influenciar drasticamente a condução dos negócios cotidianos.

Mas nem tudo são críticas. O próprio comissário Adam Siler diz entender e avalizar o projeto de Philly. “Não concordo de modo algum com o técnico Van Gundy. Já visitei aquele vestiário, falei com o treinador Brett Brown. É um insulto para toda a liga sugerir que esses caras não estejam fazendo o melhor que podem para vencer'', afirma. “Se você for observar qualquer negócio, vai pensar em resultados a curto e longo prazo. E se te dissessem que, em um rumo específico, que a ideia era operar com base a cada trimestre, você diria que esse não é o caminho certo, que você precisa de uma estratégia e pensando longe. Acho que o que essa organização está fazendo é absolutamente a coisa certa: planejar para o futuro e construindo uma organização do térreo para cima. Pensando no que aconteceu na cidade nos últimos anos, era algo muito necessário.''

Na hora de fazer uma análise sobre cada negociação conduzida por Hinkie, o cartola na verdade sai ganhando, dependendo do quanto se vá valorizar Evan Turner e Thaddeus Young, que ainda eram jovens o suficiente para seguir no time (a que preço, porém?). Os dois alas e o armador Jrue Holiday e o pivô Spencer Hawes foram os atletas negociados. Em troca, o gerente geral conseguiu Nerlens Noel,  os direitos sobre Saric e muitas escolhas de Draft, de primeira ou segunda rodada. A equipe piora para agora, mas ganha uma base para amanhã.

As escolhas de Noel, Saric e Embiid foram todas oportunistas: se não houvesse restrições de lesão ou contratuais, os três não estariam disponíveis para a franquia. Mas é aíque  retomamos a pergunta inicial: o duro é que esse amanhã vai demorar para chegar, e muito. Noel está aparentemente 100% recuperado de sua cirurgia no joelho, mas ainda é bastante cru. Causa impacto na defesa, mas deixa a desejar no ataque. Carter-Williams? Nem eles estão certos se vai dar em algo, tanto que estavam dispostos a trocá-lo ao final da temporada, caso conseguissem mais uma escolha alta de Draft.  Tentaram vendê-lo na alta. Embiid, pelo que todo mundo indica, não vai jogar este ano, recuperando-se de uma operação no pé e também de complicações com as costas. O camaronês encantou a todos os olheiros durante seu ano de parceria com Andrew Wiggins em Kansas, mas também é inexperiente e tem esse histórico médico preocupante.

É um cenário bem diferente daquele que o Oklahoma City conduziu. Eles selecionaram Kevin Durant, Russell Westbrook e James Harden para jogar na hora. Serge Ibaka foi o único pelo qual tiveram de esperar por um ano. Ah, mas muito disso vem do fator chamado sorte? Certamente: o Portland Trail Blazers apostou nas articulações de Greg Oden e se deu mal. Por outro lado, Westbrook e Harden eram bem cotados quando saíram da universidade, mas não eram unanimidade. Poucos imaginavam que poderiam se tornar superestrelas desse nível. Valeu, aí, o faro do gerente geral Sam Presti e de sua equipe, além da competência de todos no trabalho com os garotos. No ano de calouro de KD, o time venceu 20 partidas, ainda em Seattle. Com Wess novato, foram 23 triunfos. Quando Harden chegou, eles já foram par 50 vitórias.

Demorou um pouco para vencer, mas OKC juntou muito mais talento, e de cara

Demorou um pouco para vencer, mas OKC juntou muito mais talento, e de cara

Em Philadelphia? No campeonato passado, foram 19 vitórias. Então, pera lá: qual a diferença? Bem, são muitas. Para começar, a equipe ainda contava com alguns veteranos competentes, que ajudaram num início de campanha surpreendente. Desde fevereiro de 2014, porém, a equipe perdeu 40 de suas 44 partidas. Para a atual campanha, não há sinal de evolução alguma. Muito pelo contrário: o Sixers não só perdeu suas nove primeiras partidas, mas vem com um saldo negativo de 16 pontos por rodada (o Lakers na sua pindaíba, vem com -10,5, e jogando no Oeste). Mesmo se descontarmos os 53 pontos da surra que tomaram naquela do MAvs (placar de 123 a 70, a maior vitória da história do adversário), o saldo ainda seria de -11,3.  Em 1972-73, aquele que viraria o pior time da história tinha perdido por 9,3 pontos nas primeiras nove rodadas. Obviamente as coisas aqui estão bem mais incertas.Mas Hinke tem sinal verde, respaldo total dos acionistas da franquia para seguira diante com seu plano. “Quanto mais eu converso com as pessoas sobre as coisas que vejo, elas me dizem que muito dos pilares já estão aqui: uma cidade com tradição no basquete, um mercado grande e um grupo de proprietários comprometidos com a ideia de vencer no nível mais alto possível e que são inteligentes, pacientes e estão dispostos a fazer os investimentos a longo prazo e tudo o que for necessário para conduzir nosso sucesso'', disse o cartola, que é daqueles que fala pouco. Não há metas declaradas, nem nada disso. Enquanto a liga não sabe o desfecho do plano, é bom que Carter-Williams, seus companheiros e torcedores vão ter de se preparar. Para alcançar o sucesso, será preciso passar por um suplício nesta temporada.

Brown, Embiid, Noel, MCW e Hinkie foram ver Saric jogar a Copa do Mundo. Time do futuro?

Brown, Embiid, Noel, MCW e Hinkie foram ver Saric jogar a Copa do Mundo. Time do futuro?

O time: Brett Brown tem alguns jogadores interessantes em sua equipe. Mas estamos falando da NBA, então essa é basicamente a norma.  No caso do Sixers, três dos seus atletas mais promissores têm uma deficiência grave: não sabem arremessar. Há um “detalhe'' desses para ser solucionado, em meio a muitas outras carências.

Até mesmo o espigão Noel, jogando perto da cesta, tem dificuldades para finalizar. Tony Wroten até dá sinais de melhora em seu tiro de três pontos, mas numa amostra pequena de jogos – e sua média na carreira ainda é de 24,2%. Nos lances livres, como prova, tem convertido apenas 61%. O armador, de qualquer forma, vinha fazendo um excelente início de temporada, como substituto de MCW. Agora, com o titular de volta, fica a dúvida sobre o quanto os dois podem ser efetivos juntos. Afinal, possuem muitas das mesmas características, e seu companheiro talvez seja um finalizador ainda pior. Ambos cometem muitos turnovers também. Detalhe: embora esteja em seu terceiro campeonato, Wroten é dois anos mais jovem que o companheiro. KJ McDaniels já estrelou algumas enterradas e jogadas atléticas de tirar o fôlego, embora tenha dificuldade para criar por conta própria, se atrapalhando com a bola. E por aí vai.

Tony Wroten começou bem a temporada, mas ainda tem muito o que refinar em seu jogo

Tony Wroten começou bem a temporada, mas ainda tem muito o que refinar em seu jogo

Como eles podem evoluir, se ao redor deles não há quem lhes alivie a pressão? Tanto em termos de atletas experientes como em pura e simples eficiência, qualidade em quadra.

Se formos pegar o ranking aproveitamento geral nos arremessos,  por exemplo, contando tudo (chutes de quadra, três pontos e lances livres), o Philadephia é o pior da temporada até agora. O mesmo aconteceu na campanha passada. É complicado: o time é bem limitado, mesmo. Ainda assim, Brown quer que sua equipe jogue em velocidade, num dos ritmos mais acelerados da liga. Diz acreditar que essa é a melhor solução. Há quem suspeite que a tática sirva apenas para inflar os números dos atletas que Hinkie usaria em trocas. Vai saber. O consolo para o treinador é que ele não precisa ter pressa nenhuma para colher resultados significativos. Além do trabalho diário com os atletas, ele só espera que o mero fato de a rapaziada ir para quadra e encarar uma competição muito mais qualificada seja o suficiente para acelerar seu desenvolvimento.

A pedida: 10 vitórias, e só, para evitar o vexame e mais escândalo na liga.

Olho nele: Nerlens Noel. Um calouro em seu segundo ano de NBA, é verdade. Mas chegou a hora de ver o que Noel pode oferecer em quadra, lembrando que ele era o jogador mais cotado para ser a primeira escolha do Draft de 2013. Acabou caindo para sexto devido ao receio dos times com sua lesão no joelho. O jovem pivô não parece ter perdido nada de sua capacidade atlética. Vale a pena reparar na velocidade das mãos do jogador, que desarma armadores, em baixo, com facilidade. A expectativa de Brown é que ele cause grande impacto na defesa, mesmo. No ataque, ele ainda precisa de muito refinamento. Vai pontuar mais em lances de pick and roll, no aproveitamento de rebotes ofensivos ou em transição.

(Olho nele 2? Joel Embiid, mesmo que ele não vá jogar. Para os que estão no Twitter, taí uma conta obrigatória para se seguir. Na rede de microblog, ele já sondou LeBron James sobre a possibilidade de jogar pelo Philadelphia, flertou com Kim Kardashian, a 'célebre' ex-esposa de Kris Kumprhies e atual Sra. Kanye West, e já arrastou asa para a popstar Rihanna também. O quanto disso era sério ou brincadeira? Ninguém precisa saber, fica melhor assim.)

Abre o jogo: “Sim, tenho um trabalho complicado. Mas acho que as recompensas superam os riscos para mim, nessa altura da minha carreira. Está tudo bem. Ninguém iria aceitar esse cargo se a intenção fosse melhorar seu currículo, se preocupando com o número de vitórias ou derrotas, na hora de avaliar sua carreira no futuro. Já passei dessa fase. Vejo apenas uma oportunidade incrível, que eu abraço para valer. É difícil em muitos níveis, mas a empolgação do que o projeto pode vir a ser pesa mais que as dificuldades. Nem me importo com um primeiro jogo da pré-temporada. E nem me importo com muitas coisas, para falar a verdade. Em vez disso, olho para o futuro. Quero realmente uma abordagem muito dedicada e muito devagar, para que façamos as coisas direito'', Brett Brown, quase num manifesto ao falar ao NBA.com sobre os desafios de seu cargo: pegar um elenco horroroso e tentar extrair daí algo positivo para o futuro, sem se importar com tantas surras que tem tomado.

KJ McDaniels decidiu usar a draga do Sixers a seu favor. Vai dando certo

KJ McDaniels decidiu usar a draga do Sixers a seu favor. Vai dando certo

Você não perguntou, mas...  o ala KJ McDaniels, um dos calouros da equipe, desafiou a lógica vigente ao negociar seu contrato com o Philadelphia. Em geral, para os atletas selecionados na segunda rodada do Draft, o padrão vinha sendo a assinatura de um vínculo de quatro anos, os dois últimos sendo opcionais – com o time podendo exercer a cláusula, claro. McDaniels simplesmente optou por um contrato de apenas um ano, sem garantias. Pode ser dispensado a qualquer momento pelo Sixers. Sua aposta, porém, é que a equipe não vai poder abrir mão de seu talento – imaginem? – e que terá tempo de quadra para vender o peixe. Ao final do ano, vira a gente livre e espera receber uma oferta mais rentável.

Hal Greer,1972-73, Sixers, Trading CardCard do passado: Hal Greer. Nessa preciosidade de 1972-73, vemos que ao menos aquela versão vexatória do Sixers contava com um membro do Hall da Fama em seu elenco. Pena que era justamente em sua última temporada na liga. : ) Greer entrou na NBA em 1958 e jogou toda sua carreira pela mesma franquia – com a diferença de que, até 1963, ela se chamava Syracuse Nationals. Campeão em 1967, foi um dos principais companheiros do legendário Wilt Chamberlain. No ano do título, ele marcou 27,7 pontos por jogo nos playoffs, por exemplo. De 1961 a 70, foi eleito para o All-Star Game. O ala-armador também ficou famoso por cobrar seus lances livres pulando. Sua camisa 15 está aposentada pelo clube.

 


Euroligado: juventude nada transviada na 5ª semana
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Giancarlo Giampietro

Cedi Osman celebra com Dogus Balbay: grande promessa do basquete turco

Cedi Osman celebra com Dogus Balbay: grande promessa do basquete turco

Quando o legendário Dusan Ivkovic decidiu voltar de prolongadas férias para assumir o comando do Anadolu Efes, ele fez questão de dizer que chegava para fazer a garotada do clube jogar. Não foi questão de falácia, não. Num time com investimento pesado para a temporada, os atletas mais jovens ganharam mais espaço com o técnico sérvio, e os frutos já começam a ser colhidos pelo clube turco. Nesta sexta, Cedi Osman, 19, Furkan Korkmaz, 17, e o prestigiado Dario Saric, 20, receberam minutos importantíssimos no quarto final e viram – ou fizeram – sua equipe vencer o poderoso Real Madrid naquele que foi o…

O jogo da rodada: Anadolu Efes 75 x 73 Real Madrid
O ginásio em Istambul já estava bombando antes de a bola subir. A empolgação do público para receber, com vaias e impropérios, o Real, que vinha de 12 vitórias seguidas, contando supercopa e liga espanholas. O tipo de sequência que já fazia o torcedor merengue cogitar a possibilidade de repetir o inesquecível início da temporada 2012-2013., no qual atingiu a incrível marca de 31 jogos sem derrota. Mas eles pararam bem antes disso.

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O Anadolu jogou com muita energia, sem se incomodar em correr a quadra toda contra o veloz time do Real, buscando os desarmes no perímetro para sair em transição. Uma proposta que propiciou uma partida frenética e agradável. A correria, claro, favorecia a molecada, com Osman, que já disputou a Copa do Mundo adulta, sendo o destaque do jogo. O garoto produziu demais no contra-ataque, com aproveitamento perfeito na linha de três, mas também atacando a tábua ofensiva com ferocidade. Ele terminou com 16 pontos, seu recorde pessoal na Euroliga. Foram também sete rebotes para ele – o mais importante deles nos segundos finais do jogo. Dario Saric também foi muito relevante em quadra na segunda etapa, com 13 pontos, 5 rebotes e 2 assistências, fazendo um pouco de tudo.

Na última posse de bola, Milko Bjelica foi barrado em sua tentativa de bandeja. Osman invadiu o garrafão para tentar o tapinha, mantendo a bola viva. Na sequência, o ala Matt Janning deu mais um toque na bola para vencer o cronômetro – e a partida. Um herói inesperado: o ala americano, que nem havia entrado em quadra no segundo tempo, não faz uma boa bem temporada, pecando no seu principal fundamento (o tiro de três pontos). Ele acabou se consagrando num rebote ofensivo ainda mais improvável para fechar um jogo que tive o prazer de transmitir pelo Sports+.

Para constar, o Real, cujos defensores assistiam a toda essa farra em seu garrafão passivamente, jogava sem Rudy Fernández, que operou a mão direita e não tem previsão de retorno, mas o Anadolu também foi para a quadra sem Nenad Krstic, seu principal pivô, afastado devido a uma fratura no braço esquerdo.

Huertas cola no ala Vlantimir Giankovits

Huertas cola no ala Vlantimir Giankovits

Os brasileiros
Marcelinho Huertas tem, no Barcelona, a missão de fazer a bola rodar, de dar estabilidade e ritmo de jogo. É o seu papel na equipe, que ele faz muito bem. Por isso é preciso cuidado na hora de ver sua linha estatística na vitória sobre o Panathinaikos: 8 pontos, 5 assistências e 3 rebotes em 27 minutos. Ah, mas só isso de assistências? Bem, mas lembrem-se que a computação da Euroliga é bem mais rígida que a da NBA. Além disso, uma boa armação não precisa ser medida obrigatoriamente pela quantidade de passes direto para a cesta. Depende de cada time. O Barça tem um ritmo bem cadenciado, com a bola girando bem entre todos em quadra.

JP Batista acabou passando batido no duelo com o fortíssimo e invicto CSKA Moscou, que venceu o Limoges, fora de casa, por 86 a 76. Mas não se enganem com o placar: foi uma vitória suada para o clube russo, com uma virada avassaladora no quarto final, vencido por 27 a 5. Sim, foram 22 pontos de vantagem para os visitantes. O pivô pernambucano jogou por 13 minutos e ficou zerado em pontos e rebotes. Enfrentar um garrafão com Sasha Kaun e Kyle Hines é uma dureza.

Um causo
O Laboral Kutxa tomou um sacode surpreendente do Estrela Vermelha, em casa, perdendo por 86 a 66, ainda no vestiário, o técnico italiano Marco Crespi foi comunicado sobre sua demissão. Foi a chamada demissão sumária, mesmo, para um cara que trabalhava fora de seu país pela primeira vez, tendo sido contratado para este campeonato. Os jogadores só foram saber em contato com a imprensa na zona mista, na saída do vestiário. O clube basco tem duas vitórias e três derrotas na Euroliga. Na liga espanhola, dois triunfos e quatro reveses. Começo ruim de campanha, ok. Mas era pouco mais de um mês de trabalhado… Acontece lá também. O destaque da partida foi o ala Luka Mitrovic, de apenas 20 anos, mais um jovem sérvio que ainda vai dar o que falar. Ele teve 17 pontos, 5 rebotes e 2 assistências, fazendo um pouco. Crespi já foi diretor do departamento de scout internacional de Suns e Celtics.

Arrivederci, Marco

Arrivederci, Marco

Lembra dele? MarShon Brooks (Olimpia Milano). Ele mesmo, o ala que já se comparou a Kobe Bryant ao sair da universidade e iniciar sua carreira como profissional pelo Nets e passou por Boston Celtics, Golden State Warriors e Los Angeles Lakers. Sem mercado na NBA, Brooks teve de seguir sua carreira profissional na Europa, com uma boa oferta do Olimpia Milano, clube italiano que tenta voltar ao patamar dos grandes no Velho Continente. Na vitória sobre o Turow Zgolarec por 90 a 71, essencial para um time que vinha penando na temporada, o ala americano anotou 10 pontos e pegou 4 rebotes. Nada espetacular, mas pelo menos é alguma coisa num momento delicado para o jogador, que corre risco de ser dispensado. A imprensa italiana já especula que o Milano vem vasculhando o mercado para um possível substituto. A diretoria está frustrada com o lateral.

Em números
27 – Olho no Olympiakos: os bicampeões da Euroliga em 2012 e 2013 vai muito bem, obrigado, na primeira fase. Nesta quinta, o time bateu o Galatasaray, em casa, por 93 a 66, com 27 pontos de vantagem. Um resultado impressionante. O pivô Othelo Hunter, que já teve breve passagem pelo Atlanta Hawks, anotou 17 pontos e pegou 10 rebotes. O craque Vassilis Spanoulis somou 16 pontos e 7 assistências. Oito atletas do clube grego marcaram mais de 7 pontos.

16 + 12 – Milos Teodosic conseguiu nesta sexta seu terceiro double-double em apenas cinco jogos pelo CSKA, com 16 pontos e 12 assistências em 32 minutos. De novo: o sérvio vai jogando talvez o melhor basquete de sua carreira, empolgadíssimo depois da ótima participação na Copa do Mundo. Rubén Magnano que o diga.

10 – Assim como Robert Day, Andrew Goudelock matou uma dezena de bolas de longa distância em 12 tentativas, na vitória do Fenerbahçe sobre o Bayern de Munique, fora. Foi o recorde da competição. Apelidado de “Mini Mamba” nos Estados Unidos, depois de ter acompanhado Kobe Bryant em sua temporada de novato pelo Lakers, ele anotou 34 pontos e atingiu um ranking de eficiência de 40 pontos, ganhando o prêmio de MVP da jornada mais uma vez.

6 – O americano Brian Randle fez das suas novamente, dando sete tocos na crucial vitória do Maccabi Tel Aviv sobre o Unicaja Málaga, na Espanha. Os dois clubes estão agora empatados no Grupo C, com 3-2. Os espanhóis levam a melhor apenas no saldo de pontos (10 contra 6). Com a grave lesão de Guy Pnini, mais um a lidar com uma ruptura de tendão de Aquiles, cresce a importantância de Randle, um atleta bastante dinâmico, o para o atual campeão. Ele ainda contribuiu com 12 pontos, 7 rebotes e 2 assistências. De 2,03 m de altura, ele tem agora 2,4 bloqueios em média por partida.

3 – Com a derrota do Real em Istambul, restam três times invictos na temporada: Barcelona, na frente do Grupo B, CSKA liderando o C e o Olympiakos encabeçando o Grupo D.

Tuitando

O ala australiano foi dispensado pelo Clippers, mas descolou uma vaguinha no Utah Jazz para ajudar no progresso de Dante Exum – e também pelo fato de o time de Salt Lake City contar com um técnico que o conhece da Europa, Quin Snyder, que trabalhou com Ettore Messina no CSKA. De longe, segue sua ex-equipe ainda de perto. Devin Smith jogou demais contra o Unicaja, com 24 pontos e 10 rebotes.

Imaginem a bagunça no quarto 313, com tanta gente grande dentro, ainda mais depois de uma grande vitória do Estrela Vermelha sobre o Laboral Kutxa. O ala Nikola Kalinic, vice-campeão mundial, veio bem do banco de reservas, influenciando a partida com sua energia e capacidade atlética. Ele ainda tem muito o que evoluir em leitura de jogo e arremesso, mas segue um prospecto interessante, como pudemos testemunhar na Copa.

As 10 melhores jogadas da semana, galera. Aproveitem.


Ex-pivô da NBA é preso com um arsenal em casa
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Giancarlo Giampietro

Swift foi companheiro de Durant e Westbrook em OKC. Por pouco tempo

Swift foi companheiro de Durant e Westbrook em OKC. Por pouco tempo

Toda vez que for defender a ideia de que um limite de idade é necessário um limite de idade para a inscrição no Draft, pode ter certeza de que a direção da NBA vai usar o nome de Robert Swift como um exemplo fundamental em sua apresentação de defesa, enquanto o outro lado tem um LeBron ou um Kobe como contrapeso. Todos atletas que saíram do colegial direto para a grande liga e tiveram caminhos distintos, claro. Justo? Claro que não. Afinal, há diferenciação também entre formandos, segundanistas, estrangeiros etc. Toda categoria tem seus sucessos e fracassos.

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Mas é que, no caso do magricela, branquelo e ruivo, a história é realmente forte e alarmante. Daquele tipo de trunfo que, nos filmes de tribunal, vai aparecer na última hora para salvar toda uma tese. O ex-pivô tornou a ocupar os noticiários policiais nesta sexta-feira, como personagem de causo realmente escabroso.

A imprensa norte-americana teve acesso a um inquérito em que Swift aparece como suspeito de envolvimento com tráfico de drogas. Uma investigação na pequena cidade de Kirkland, interior do estado de Washington, levou os oficiais a invadirem uma residência em que o gigante de 2,13 m e 28 anos dividia com Trygve Bjorkstam, 54. Os dois foram presos.

O arsenal assustador de Swift

O arsenal assustador de Swift

Na casa, além de drogas e utensílios para uso, foram encontradas armas. Muitas armas, como pistolas, espingardas, espadas katana e até mesmo um lançador de granadas. Em depoimento, Swift se assumiu como dono desse verdadeiro arsenal. Ele atuava como uma espécie de segurança de Bjorkstam, que lhe fornecia heroína diariamente. Ajudava na cobrança de dívidas e na proteção do estoque de entorpecentes.

O ex-jogador do Seattle Supersonics/Oklahoma City Thunder e o traficante dividem domicílio desde abril. No ano passado, ele foi despejado de uma mansão de mais de US$ 1 milhão por dívidas. Depois de muito relutar, deixou a residência, que se encontrava em estado precário, com fezes de cachorro, latas de cerveja vazia, caixas de pizza e buracos de bala. Tudo lamentável. Mas talvez o item que mais chamasse a atenção fosse uma caixa fechada com cartas com ofertas de diversas universidade, na tentativa de seu recrutamento.

Isso foi em 2004, quando Swift era um promissor pivô de 18 anos saído do high school em Bakersfield, na Califórnia. Ele chegou a acertar verbalmente com a Universidade de Southern California, mas optou pela rota profissional depois de impressionar os olheiros da NBA. Acabou escolhido pelo Sonics na 12ª posição da quele ano.

Obviamente o clubeSeattle sabia que estava lidando com um projeto de longo prazo. Na primeira temporada, ele participou de apenas 16 partidas, com 4,5 minutos em média. Em 2005-2006, os números subiram para 47 partidas e 21 minutos, acompanhados também de um salto qualitativo. Ao iniciar o terceiro ano, veio o baque: sofreu uma ruptura de ligamento cruzado anterior logo na estreia na pré-temporada. Perdeu todo o campeonato. Quando retornou, mal havia esquentado e sofreu outra lesão, dessa vez no menisco. Em dezembro de 2009, já com a franquia deslocada para Oklahoma City, acabou dispensado, aos 23 anos.

Robert Swift, antes e depois: transformação no visual ainda em tempos de NBA

Robert Swift, antes e depois: transformação no visual ainda em tempos de NBA

Swift ainda procurou a D-League, mas não tinha forma física, nem condições emocionais de retomar a carreira de imediato, já enfrentando problemas legais, tendo sido preso por dirigir embriagado, com condução de risco. Na temporada 2010-2011, chegou a encarar uma aventura no Japão, sob o comando de seu ex-treinador em Seattle, o veterano Bob Hill. Estava jogando bem, quando seu clube, o Tóquio Apache, encerrou suas atividades depois do tsunami que abalou o país em 2011. O pivô ainda fez um teste pelo Portland Trail Blazers e não foi aprovado.

Entrando em reclusão, o pivô só reapareceu quando veio a pública o fato de sua casa ter sido hipotecada em 2013. Agora reaparece preso prisão por posse ilegal de armas, pouco mais de dez anos depois de ter sido selecionado pelo Sonics. Uma sucessão de fatos deprimentes para um garoto, que parecia com a vida encaminhada após tempos difíceis durante a infância, encarando dias em que não havia garantia de uma refeição adequada. Em cinco anos de NBA, ganhou mais de US$ 11 milhões em salário.

Olhando em retrospecto, seria fácil dizer que Swift cometeu um erro ao pular diretamente para a NBA. Do ponto de vista psicológico, principalmente, a julgar pela descarrilada que teve a partir das lesões que o afastaram da quadra. Tecnicamente, após um ano de adaptação, estava começando a deslanchar. Qualquer julgamento, porém, é no mínimo precipitado.

Swift, na fase japonesa

Swift, na fase japonesa

É só recuperar o Draft beeem peculiar em que foi recrutado, especialmente para pivôs. Em primeiro, por exemplo, saiu Dwight Howard, outro colegial, logo acima de Emeka Okafor, um junior. O próximo grandalhão a entrar na lista foi ninguém menos que  Rafael “Baby'' Araújo, um senior, em oitavo. Andris Biedrins foi chamado em 11º. Em 15º, lá estava Al Jefferson, também adolescente. Josh Smith, em 17º. O gigante russo Pavel Podkolzin saiu em 21º. Anderson Varejão caiu para 31º, dois postos antes de Peter John Ramos, o gigante porto-riquenho. Que gangorra, hein? Uma loteria.

E sabem do que mais? Não é segredo algum que, naquele ano, Danny Ainge fez das tripas coração para selecionar Swift para o Boston Celtics. Era seu alvo primordial. Acima de Al Jefferson. Ele, na verdade, tinha certeza de que contrataria o pivô, até o Seattle frustrar seus planos. Tivessem as coisas acontecido de outra maneira, como estariam os dois? Seria Jefferson um companheiro de Kevin Durant até hoje? Vai saber. Nessa realidade paralela, porém, é certo que todos esperassem um final bem diferente para o outro pivô.


Remendado, Pacers surpreende (antigo?) rival em Miami
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Giancarlo Giampietro

Hibbert dominante em Miami, de novo

Hibbert dominante em Miami, de novo

Era como se fosse um Indiana Pacers x Miami Heat dos bons e velhos tempos. Tipo da temporada passada, mesmo.

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Nesta quarta-feira, os dois times que disputaram o Leste nos últimos dois campeonatos voltaram a se enfrentar bastante modificados, comparando com suas versões da final da conferência há sete meses. E o que a gente viu? Novamente um jogo tenso, equilibrado, decidido nos últimos instantes. Um jogo em que os visitantes de Indianápolis conseguiram novamente desacelerar o jogo ao dominar chutar traseiros nos rebotes e tirar seu adversário de seu ritmo. Venceram por 81 a 75.

Nesse caso, foi uma baita surpresa.

Se o Heat vai se virando bem depois da saída de LeBron, com Chris Bosh e Dwyane Wade elevando a produção e os armadores ajudando a manter o dinamismo do ataque, o Pacers era basicamente o time oficial da depressão na liga. A equipe perdeu Paul George devido a uma lesão horripilante, deixou Lance Stephenson ir embora no mercado e ainda viu George Hill e David West se lesionarem no training camp. Não nos esqueçamos dos problemas físicos também de CJ Watson, Rodney Stuckey e CJ Miles. Impossível brigar quando 80% de seu forte quinteto titular e dois de seus principais reforços acabam afastados, certo? Ainda mais quando o banco de reservas era sua principal deficiência.

Já (nem) faz tempo, né?

Já (nem) faz tempo, né?

Pois o técnico Frank Vogel vai dando um jeito de manter seu conjunto competitivo em quadra. “Sloan, Hill, Copeland, Scola, Hibbert, Price, Rudez, Lavoy Alen, Ian Mahinmi e Shane Whittinton'', disse Vogel, elencando o que tem ao seu dispor na rotação. “A vida te manda uma bola de rosca, veneosa em sua direção às vezes. Você tem apenas de acertá-la.''

O engraçado é que a frase serve tanto para os atletas, que têm uma oportunidade de ouro para mostrar serviço, como para o próprio treinador, que falhou seriamente nos últimos dois anos em desenvolver uma segunda unidade do Pacers. Enquanto o time titular voava, o rendimento da equipe despencava quando era a hora de usar os reservas. Muitos dos caras que estavam enterrado em seu banco no ano passado agora provam um certo valor. Especialmente os alas Chris Copeland e Solomon Hill.

Imagine se a direção do clube (oi, Larry Bird!) tivesse adotado a mesma saída de um ano atrás, quando empacotou Gerald Green e Miles Plumlee numa troca por Scola? Os dois atletas despachados se tornaram peças relevantes para o Phoenis Suns instantaneamente. Dessa vez, por força de um ocaso e de seguidas desgraças, ao menos o desenvolvimento dos coadjuvantes vai acontecendo internamente.

Na Flórida, essas novas peças se mostraram bastante adequadas para o plano de Vogel de triturar os adversários dentro do garrafão. Os caras pegaram 53 rebotes no geral, 16 ofensivos, contra 28 de Miami – 25 rebotes a mais que o oponente = a massacre nas minhas contas. Roy Hibbert, sempre ele contra o Heat, apanhou 15 rebotes por conta própria, sendo quatro no ataque. Mas o destaque fica para Solomon Hill, mesmo, com 10 no geral, igualmente divididos entre defensivos e ofensivos.

O ala foi selecionado no Draft de 2013, na posição 23, para surpresa geral dos especialistas. Um formando da Universidade do Arizona, ele chamava a atenção pelos atributos atléticos, mas ninguém o julgava como alguém digno da primeira rodada. O mais estranho, porém, foi que em sua campanha de novato, ele mal jogou. Foram apenas 28 partidas e média de 8 minutos. Para um calouro de 22 anos, mais experimentado? Uma decepção e uma situação equivalente à de Miles Plumlee.

Donald Sloan parte para cima. Repita: Donald Sloan parte para cima

Donald Sloan parte para cima. Repita: Donald Sloan parte para cima

Agora não teve jeito. Era Solomon Hill, ou nada. “Estamos sofrendo com lesões há um tempo já, então eu nem olho mais para quem está jogando, ou não'', afirmou Hibbert, que vem num excepcional início de temporada, e lembrou o Miami de seu potencial ofensivo, quando está motivado e em boa forma. “Seja lá quem estiver em quadra, vamos caminhar juntos.''

Foi com essa galera de segundo ou terceiro escalão que o Pacers respondia a cada boa jogada de Wade para se manter à frente do placar no quarto período, deixando a torcida local muda, aflita, como nas vezes em que triunfaram por lá nos mata-matas, mesmo. Algo até chocante, considerando a formação do time.

Peguem o AJ Price, oras. O armador foi selecionado pelo Pacers em 2009. Jogou três temporadas por lá, sem gerar muita comoção quando dispensado. Passou por Wizards e Timberwolves nos últimos dois campeonatos. Estava sem clube, depois de não conseguir uma vaguinha no Cleveland LeBrons. E lá estava o cara reencontrando Shabazz Napier no início do quarto período, em mais um racha empolgante, como aquele da pré temporada no Rio. Não era nem para ter acontecido isso. Antes de Price, o Pacers tentou contratar o israelense Gal Mekel para ajudar Sloan na armação. O negócio estava fechado, mas acabou caindo devido a um impasse burocrático, de visto trabalhista.

Com a raspa do tacho, defendendo pacas e espremendo uma cesta ou outra, eles limitaram um superempolgado Bosh a apenas nove pontos, errando 10 de seus 13 arremessos. “Nosso ataque é baseado em movimentação de bola. E eles nos esmagaram'', disse o ala-pivô. Copeland concorda: “Tem jogos em que é isso que conta: deixar a defesa vencer por nós. Acho que dificultamos os arremessos deles. Tem dias em que o jogo na estrada fica feio.''

Pensem nisso: temos aqui o Chris Copeland falando sobre uma vitória contra o Miami Heat, fora de casa, comentando sobre como o ataque não foi lá uma maravilha. Quem iria imaginar uma coisa dessas? Fruto da história recente entre as equipes? “Só estava pensando em não permitir uma sequência de derrotas novamente'', disse Hibbert. “Perdemos seis seguidas e vencemos o último jogo. Não estou pensando em rivalidade. Só estou pensando em conseguir algumas vitórias.''


Ainda sobre a Bolsa Atleta de Robert Day e a conivência da CBB
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Giancarlo Giampietro

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Já publiquei aqui a nota de esclarecimento da CBB a respeito de seu envolvimento, ou não, com a Bolsa Atleta de R$ 925,00 entregue ao ala Robert Day, norte-americano titular do time de Bauru. Mas vale retomar o caso depois de um pouco de ponderação.

A entidade afirma que não tem poder de veto ou indicação sobre os atletas beneficiados pelo programa, fornecendo apenas a documentação requisitada: “A concessão do benefício segue legislação própria, a que todos estamos submetidos, e não há como a CBB indicar, facilitar, favorecer ou ajudar de qualquer forma nenhum atleta a receber o benefício''.

Por isso, não poderia dar “uma forcinha'' ao atleta, conforme escrevi no meu primeiro artigo. Talvez o termo “forcinha'' tenha sido um termo propositalmente ambíguo e capcioso para abordar um tema que claramente pede um tratamento bem longe do preto e branco da lei. Afinal, o que está no papel não se discute mais? É a letra fria, e pronto?

O que temos aqui é uma situação em que a CBB simplesmente lava as mãos diante de um absurdo desses. A mesma entidade que está – ou deveria estar – ciente da penúria que ainda domina o basquete brasileiro, a despeito de um celebradíssimo sexto lugar na Copa do Mundo e dos avanços promovidos exclusivamente pela Liga Nacional do seu lado. Como prova a arrecadação de fundos virtual promovida por Franca, o basquete brasileiro não está em condições de descartar os 900 e poucos reais endereçados a Robert Day.

Obviamente que o que mais causa vergonha nessa história toda é a cara-de-pau e o jeitinho brasileiro muito bem assimilado pelo atleta, além do buraco na lei federal que permite a solicitação de recursos públicos por e para a conta de um estrangeiro já muito bem pago. Mas realmente não cabia nenhuma ação da turma de Carlos Nunes nesse caso? Não havia absolutamente nada que pudessem fazer a respeito?

Sabemos bem que há um diálogo constante entre CBB e Ministério. Até porque, se não houvesse, a entidade muito provavelmente não teria condições de operar de uma forma minimamente respeitável, considerando o aporte que recebeu da Esplanada nos últimos anos e seu amontoado de dívidas.

Sem a documentação oficial, o americano não conseguiria se candidatar ao Bolsa Atleta. Aí a confederação simplesmente diz que não pode negar um pedido que, infelizmente, é legítimo.''A CBB cumpre o que lhe é imposto'', afirma em nota. “São meras, óbvias e inegáveis informações solicitadas pelos atletas, que os enquadrarão ou não nos critérios estabelecidos para solicitação do benefício, que não proíbem a participação de estrangeiros. A solicitação do benefício somente pode ser feita por cada atleta interessado, nunca pelas entidades de administração esportiva. À CBB não cabe vetar ou indicar atletas.''

Reparem que o “infelizmente'' é um termo empregado pelo próprio blogueiro. Pois, em sua nota de es-cla-re-ci-men-to, em nenhum momento a entidade lamenta ou dá sua posição sobre o episódio. “São meras, óbvias e inegáveis informações solicitadas pelos atletas, que os enquadrarão ou não nos critérios estabelecidos para solicitação do benefício, que não proíbem a participação de estrangeiros. A solicitação do benefício somente pode ser feita por cada atleta interessado, nunca pelas entidades de administração esportiva. À CBB não cabe vetar ou indicar atletas.''

Mas, espere um pouco. Vale atentar para mais um fato. O Ministério informou ao companheiro Daniel Brito, do UOL Esporte, que “o processo de divulgação dos contemplados também passa pela confederação de cada modalidade, que avaliza os nomes antes de serem divulgados no Diário Oficial da União''.

A CBB avalizou o nome de, hã, Roberto Dias? Talvez não pudesse, de acordo com a lei, dizer “não''. Talvez o avalizar aqui se trate apenas de uma última checagem para ver se o Atleta X está regular, ou não. Pode ser, mesmo. Esteve aí, porém, mais uma oportunidade para apontar o desatino.

Agora, para que criar rusga com o órgão que lhe sustenta?

Politicamente, é o movimento correto.

E eticamente, como guardiã do basquete no país?

Tirem suas próprias conclusões.


Tyrone para todo lado, e Mogi elimina campeão Brasília
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Giancarlo Giampietro

Acelera, Tyrone. Seja no NBB, ou na Sul-Americana. Ou no rahttps://vinteum.blogosfera.uol.com.br/wp-admin/post.php?post=7819&action=edit#chão no parque...

Acelera, Tyrone. Seja no NBB, ou na Sul-Americana. Ou no rachão no parque…

É comum aqui no blog convidar o leitor para respirar um pouco antes de se eleger o destaque de uma partida, já que a tradição nacional é correr sempre em direção ao cestinha. Na vitória do Mogi sobre o Brasília, por 92 a 70, nesta quarta-feira, para definir a classificação da equipe da casa e também do Bauru à fase final da Liga Sul-Americana, porém, isso certamente não foi necessário.

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Para quem viu o jogo, não há como apontar outra figura que não o norte-americano Tyrone Curnell, um ala-pivô que botou fogo na partida, para deixar a torcida mogiana ainda mais empolgada. É aquilo: eles animam os jogadores, mas os atletas também podem fazer sua parte neste ciclo e fazer as coisas pegarem fogo de vez.

Ao ataque, mais uma vez

Ao ataque, mais uma vez

Foi Tyrone para todo lado. Ele fez tudo o que era esportivamente possível para isso, como suas estatísticas comprovam. Mais do que os 19 pontos (mesma quantia de Filipin, quatro abaixo de Shamell), o que impressiona são os sete roubos de bola, os cinco rebotes e as cinco assistências. Foram 33 minutos de pura energia para o nova-iorquino.

Diante de um Brasília sem pernas, com rotação novamente enxuta devido aos problemas físicos, foi quase injusto o quanto o camisa 88, ex-queridinho da torcida do Palmeiras, correu e incomodou demais seus adversários. Nas suas recuperações, chegou a desarmá-los em embate frontal, mano a mano, mesmo, atacando o drible de um Guilherme Giovannoni ou de um Darington Hobson com voracidade, impulsionando o o jogo em transição. Em outras ocasiões, ele saía em disparada para evitar o contragolpe.

Na imprensa americana, eles costumam usar um termo bem legal para definir esse tipo de comportamento: “motor''. Quando o atleta se empenha tanto em quadra, tem o motor potente. Nesta quarta, Tyrone jogou com um V8 bem barulhento, arrancando com tudo mesmo em meia quadra, para apanhar rebotes ofensivos e forçar muitas faltas (nove lances livres no total foram batidos).

Acelera, Tyrone. Seja no NBB, ou na Sul-Americana. Ou no rachão no parque...

No NBB, correria de Tyrone agora é de Mogi

O que não quer dizer também que ele seja o melhor dos carros, um Mustang em quadra. Tanta dedicação serve também para compensar a falta de refinamento em seu jogo. A mão esquerda é praticamente inexistente. O arremesso de longa distância tem mecânica estranha e não é dos mais confiáveis, ainda que ele esteja trabalhando em cima disso. Entre suas primeira e segunda temporadas pelo Palmeiras, subiu de 58,1% nos lances livres para 79,4% e de 27,2% nos arremessos de três para 36,9%. Em duas rodadas pelo Mogi no NBB7, tem respectivamente 80% e 50% – mas é muito cedo ainda para constatar um novo e significativo salto desses. No Paulista, por exemplo, em 14 partidas, teve 73,7% e 37,5%.

Para ficar em números do estadual, porém, o que mais chama a atenção são os 6 rebotes por jogo e as 2,14 roubadas. Que seguem, vá lá, o padrão de sua carreira no NBB: 5 e 1,5, respectivamente. Esses são dados que reforçam o estilo do americano, uma pegada que vai conquistar sua nova torcida claramente.

Essa entrega e sua capacidade atlética propiciam ao técnico Paco García também uma bem-vinda versatilidade. “Gosto muito assim'', disse ao VinteUm, durante a cerimônia de apresentação do campeonato nacional. “No ano passado, já construímos o time desta forma. Com exceção do Gustavinho, que é um armador-armador, e do Paulão, que é um cinco-cinco, o resto são todos jogadores polivalentes. O Filipin, o Tyrone, o Alemão, o Gerson e outros… São jogadores que nos dão muitas opções. Se você quer um time grande e forte, pode jogar com atletas de mais de 2,00 m. Se quer um time pequeno e rápido, dá para jogar com o Tyrone como 4. Pois cada jogo é um jogo, e você tem de se adaptar à situação. Se vai pedir mais pressão, mais posse e acho que o nosso time  pode ser forte desse jeito.''

O interessante é que, com Tyrone em quadra, num time mais baixo ou alto, o espanhol sabe que aceleração não vai faltar.

*   *   *

Shamell: e o joelho não era o que mais doía

Shamell: e o joelho não era o que mais doía

O cestinha do Mogi, de todo modo, também mereceria uma atenção especial pelo que aconteceu em quadra também além de seus 23 pontos. O veterano ex-Pinheiros deu um susto danado na torcida quando caiu em quadra com seu pé esquerdo em cima de um adversário, virando a perna num ângulo preocupante. Ficou estendido sobre o tablado por um tempinho, recebeu atendimento e saiu mancando. A equipe médica detectou uma hiperextensão no joelho, mas nada grave. Quando voltou do vestiário, o ala subiu, então, numa bicicleta, para se manter quente. Voltou a jogar no quarto período.

Já seria o suficiente para render manchetes. Aí que, ao final da partida, em entrevista ao SporTV, Shamell se mostrava bastante emocionado. Mas não tinha nada a ver com a questão médica que havia acabado de superar. Ele revelou que, na noite anterior, havia perdido seu sogro, falecido. “Fiquei com meus filhos chorando a noite toda. Mas nessas horas tem de vir para cá, jogar'', disse. No fim, o jogo era para extravasar. Com a vaga assegurada.

*   *   *

Mais cedo, o Bauru venceu o Comunikt, do Equador, por 110 a 83. Foi uma partida relativamente equilibrada até o início do terceiro período, quando a equipe paulista desgarrou, assim como havia acontecido na véspera, fazendo 27 a 10. A equipe de Guerrinha apostou novamente num volume altíssimo nos arremessos de longa distância, com 37 de 69 tentativas. Novamente mais do que a metade do total (53,6%). O aproveitamento foi de 54% no geral, com 20 cestas.

O pivô Rafael Hettsheimeir marcou 34 pontos em 32 minutos, na sua melhor atuação desde que retornou da Espanha, com 13-19 (68%) nos arremessos de quadra, sendo que, nas bolas de dois pontos foi praticamente impecável, com 10-12. Todos os cinco titulares anotaram um mínimo de 12 pontos. Outro dado: para as 38 cestas de quadra bauruenses, ocorreram 31 assistências – 13 na conta de Ricardo Fischer.