Vinte Um

Maré de azar: Oklahoma City agora perde Westbrook
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Giancarlo Giampietro

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Nos últimos três anos, Kevin Durant havia perdido um total de duas partidas de 230 possíveis da temporada regular. Em toda a sua carreira, foram apenas 16, em sete temporadas (558 partidas). Russell Westbrook? Até sofrer sua lesão no joelho nos playoffs de 2013, após disputa com Patrick Beverley, ele não havia perdido sequer uma rodada em suas cinco primeiras temporadas como profissional. Aí tem o Serge Ibaka, que ficou fora de nove jogos em seu campeonato de novato e, depois, perdera apenas três joguinhos entre 2012 e 2014, até sofrer uma lesão na panturrilha que atrapalhou a equipe nos playoffs passados.

Para citar a presidenta Dilma: “no que se refere'' a seus principais jogadores, o Oklahoma City Thunder vinha simplesmente desfrutando de muita sorte. Era uma durabilidade para causar espanto e inveja de seus grandes adversários. Tá certo: não era algo meramente fortuito. Tinha a ver também com a idade dos protagonistas e de um bom trabalho de seu estafe de médicos e preparadores físicos também. Mas, no fundo, no fundo, sorte é o principal fator aqui. Algo que podem testemunhar o torcedor do Timberwolves (Ricky Rubio interrompendo um ano mágico devido a uma ruptura de ligamento cruzado anterior) e o do Lakers (que perde um adolescente Julius Randle na primeira noite desta temporada por fratura na perna).

Acontece que para 2014-2015, o universo vem tratando de equilibrar as coisas, e o resultado vem sendo um extermínio de um time que era considerado candidato ao título. Para os que não assistiram ao jogo no Sports+ nesta madrugada, OKC acabou de perder também – e de novo!!! – Russell Westbrook. Agora por conta de uma fratura na mão direita, em derrota para o Los Angeles Clippers. Num lance totalmente banal:

Mais precisamente: a lesão aconteceu no segundo metacarpo. Ainda não há uma previsão de retorno para o explosivo armador, mas é certo que vai passar de um mês de molho. Lembrando que Durant só será reavaliado no final de novembro para saber o quão recuperado já está da chamada “fratura Jones'', no pé direito.

O único lado que poderia ser positivo disso tudo, do nosso ponto de vista egoísta? Bem, quiçá todos avançemos em nossos conhecimentos ortopédicos, né?

Estaleiro para Wess, em vez de arremessos

Estaleiro para Wess, em vez de arremessos

Mas aí lembramos que a NBA vai ficar por semanas e semanas sem dois de seus atletas mais divertidos de se ver, e percebemos que não tem nada de interessante nisso. Além do mais, fomos privados de ver o armador levar ao extremo seu jogo agressivo. No fim, não vai ter nada de tempestade Russell Wesbrook por lá, poxa. Nada de 29 arremessos por jogo.

Agora, para a instituição Thunder, você realmente precisa se esforçar para encontrar um twist otimista. Em contato com o jornalista Sam Amick, do USA today, um dirigente do clube perguntou qual era o posicionamento do Houston Rockets nos mata-matas de 1995, ano em que conquistaram o bicampeonato. A resposta: o sexto melhor da conferência.

Foi o suficiente, numa Conferência Oeste também bastante complicada – Suns, Sonics, Spurs, Jazz com grandes formações, mas… talvez sem taaaantos concorrentes assim – para colocar Hakeem novamente na briga, agora escoltado por mais um cara do Hall da Fama, um integrante do Dream Team, grande cestinha e alvo preferido de Michael Jordan: Clyde Drexler. Duas grandes estrelas, uma bela estrutura de equipe em torno deles, e tal.

Lembra alguma coisa?

Poderia ser o melhor cenário para a equipe de Oklahoma agora, como escreve Amick. E mais: os mais jovens do time teriam de se virar em quadra, aprender na marra, da melhor forma que se tem. Poderiam sair dessa muito mais confiantes.

Mas… será?

De novo: o Oeste em que a equipe está posicionada é completamente brutal. O Phoenix Suns venceu 48 partidas em 2013-2014 e ficou fora dos mata-matas, gente. No Leste, estaria empatado com Toronto e Chicago, lutando pela terceira colocação.

E o problema não se encerra com o afastamento de KD e Wess – como se isso fosse pouco. Anthony Morrow, o principal reforço para esta campanha, torceu o joelho. Não foi nada grave, mas deve perder mais cinco semanas. Mitch McGary, a escolha de primeira rodada, tem uma fratura no pé esquerdo e só deve retornar em meados de novembro. Reggie Jackson torceu o tornozelo e perdeu as duas partidas da equipe até aqui – embora não deva levar muito mais tempo para retornar. Por fim, o segundanista-calouro-na-verdade Grant Jerrett passou por uma cirurgia no tornozelo em julho, não vem treinando e ainda vai precisar de mais algumas semanas para ficar pronto.

Isso é terra arrasada.

PJIII jogou uma barbaridade contra o Clippers: é algo sustentável? OKC adoraria que sim

PJIII jogou uma barbaridade contra o Clippers: é algo sustentável? OKC adoraria que sim

Contra o Clippers, sobraram apenas oito atletas disponíveis, contando Sebastian Telfair, que sofreu uma pancada no dedão e sentia dores. Em determinado momento, Scotty Brooks estava com o seguinte quinteto em quadra: Perry Jones III de armador, acompanhado por Andre Roberson, Lance Thomas, Nick Collison e Kendrick Perkins. Pesado.

Na base de muita defesa e orgulho e com uma atuação esplendorosa de Jones, o Terceiro (32 pontos, 7 rebotes e 3 assistências), esses caras conseguiram se manter no jogo contra outro favorito ao título. Perderam por 93 a 90, brigando até o fim. Você põe Ibaka e Jackson nessa equação, e as coisas melhoram um pouco. Mas o quanto seria suficiente para que a equipe não despenque na classificação? Considerem que, nos primeiros sete dias, o time tem cinco cidades diferentes na escala: Portland e Los Angeles, já riscadas do mapa, e agora Oklahoma City, Brooklyn e Toronto .

Se descerem a ladeira rolando, Durant e Westbrook precisariam retornar rapidamente e sem ferrugem de suas fraturas. Para trabalhar numa campanha de reação. Teriam supostamente 2/3 da temporada para buscar. É tempo o suficiente, mas vai causar um desgaste incomum e uma pressão que os jovens astros não estavam habituados a enfrentar.

Vai pedir também, claro, que esta fase de bruxaria fique para trás.


NBB7 tem Flamengo favorito ao tri, mas com nova ameaça
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Giancarlo Giampietro

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O NBB que começa nesta sexta-feira promete o melhor nível técnico do campeonato em sete edições. São ao todo dez atletas que disputaram a última Copa do Mundo, algumas importações de talento interessantes e jovens promissores – sim, eles ainda existem, mesmo que dependam da boa vontade de seus técnicos para jogarem. Fazer um bolão para adivinhar os quatro semifinalistas também será uma tarefa complicada, com muita gente se achando no direito de entrar nessa parada, o que é extremamente saudável. Resta saber o que todos os técnicos por trás dessas forças poderão aprontar, para fazer suas equipes se diferenciarem e subirem na tabela, tirando o máximo da técnica que tiveram à disposição.

De todo modo, em meio a essa crença de imprevisiblidade, uma tese é difícil de se evitar. Nem há muito como escondê-la: por tudo o que conquistou na última temporada – e no início desta –, o Flamengo é o grande favorito, principalmente depois que as negociações de Marquinhos com a NBA não foram adiante. Um jogador único dentro da liga nacional.

Se o time rubro-negro confirmar essa condição, chegará a um tricampeonato, repetindo o feito de seu rival Brasília, que ganhou três taças consecutivas entre 2010 e 2012. Se, para enfrentar adversários da liga norte-americana, em partidas de mais longas, o elenco de José Neto se mostrou reduzido, em cenário nacional, com os 40 minutos regulares da Fiba e uma concorrência mais justa, plantel não será um problema. Nem mesmo o tão sonhado pivô extra, que poderia ter sido JP Batista, parece necessário.

Dessa vez ele terá Vitor Benite desde o início da campanha – em vez de apenas na partida final –, ganhando  mais poder de fogo. Mas o grande chamariz, mesmo, em termos de novidade fica por conta de Walter Herrmann, que, aos 35 anos, tem muito o que render em quadra:

Demais, né? É o tipo de lance que você não cansa de rever. De tão sofisticado que foi o movimento, a cada reprise pode-se reparar em um novo detalhe: nada como fazer da bola de basquete uma bolinha de tênis. Herrmann, Marquinhos e Olivinha formam um trio de atletas intercambiáveis, que podem exercer múltiplas funções, entregando um pacote de características diversas que facilitam muito qualquer riscado de prancheta. A linha de frente é complementada pelo excelente Jerome Meyinsse, que comprovou contra Maccabi e NBA que não é só forte e atlético para os padrões sul-americanos, e Cristiano Felício, que já provou merecer seus minutos em sua turnê pelos EUA.

Não fica só nisso. Nícolas Laprovíttola é o melhor armador em atividade no país hoje, com um arsenal de fintas para entrar no garrafão quando bem entender. O que facilita a conexão com Olivinha, Herrmann, Meyinsse e Felício e, ao mesmo tempo, abre espaço para os chutes de fora de seus companheiros. Se o argentino maneirar um pouco no ímpeto e desistir dessa ideia de chutes de três em movimento, a partir do drible, sua eficiência vai decolar, impulsionando toda a equipe. Sim, há sempre detalhes para corrigir e o que melhorar, mesmo para os campeões. Mesmo para um time com o luxo de contar com um Gegê em constante evolução, saindo do banco. Enfim, um esquadrão, que deve imprimir um estilo de jogo agressivo, de velocidade e combativa defesa.

Uma nova ameaça
O Fla tem três jogadores que disputaram a última Copa do Mundo. O único clube que repete essa marca é justamente aquele que, em teoria, desponta como a maior ameaça ao seu reinado: o Bauru. Campeã nacional em 2002, com os veteranos Raul, Vanderlei e Josuel, um emergente Leandrinho e os adolescentes Marquinhos e Murilo, a cidade só se viu entre os quatro melhores do NBB na edição retrasada, quando terminou em terceiro lugar.

Rafael e Larry, dois selecionáveis

Rafael e Larry, dois selecionáveis em Bauru

Para esta sétima edição, porém, a equipe do interior paulista foi a que mais se reforçou. Num projeto bastante ambicioso, a diretoria entregou a Guerrinha quatro grandes nomes: Alex, Rafael Hettsheimeir, Jefferson William e Robert Day, que se juntam a um núcleo já bastante forte.  As contratações do veterano Alex, que aos 34 ainda tem um vigor físico assustador, e de Hettsheimeir são as que chamam mais a atenção, e não necessariamente pela grife de seleção brasileira. Tirar o ala-armador de Brasília foi uma surpresa, um negócio que causa impacto em duas equipes de ponta de uma vez. Já o pivô passou os últimos nove anos na Espanha, estava em clubes de ponta do campeonato nacional mais forte da Europa e que poucos imaginavam que poderia voltar aos 28. Pois ele queria faz tempo, como revelou ao VinteUm.

O Bauru tem todas as peças que precisa para montar um ataque poderosíssimo. São três pivôs versáteis com Murilo, Hettsheimeir e Jefferson. Larry Taylor e Ricardo Fischer dividem a armação. Guilherme Deodato, o americano Day e Alex rodam nas alas. Esperem trovejadas de três pontos aqui. Constam também os caçulas Wesley Sena (se conseguir bater Thiago Mathias, já será ótimo sinal), Carioca (um tanque em direção ao aro), Vezaro e Gabriel para completar a rotação. As interrogações ficam por conta do joelho de Murilo, que vem dando trabalho, e da consistência defensiva de um time que é baixo no perímetro e vai depender de muita pressão em cima da bola para se proteger – algo que Alex, Larry, Fischer e Gui podem muito bem fazer.

É um plantel mais volumoso e com mais apelo que o do velho candidato Brasília, que tem José Vidal novamente na beirada da quadra. Giovannoni é um sério candidato ao prêmio de MVP do ano, agora com ainda mais responsabilidades ofensivas, enquanto Arthur vai correr ao redor das defesas, se desmarcar e converter seus chutes. Fúlvio é o tipo de armador que vai satisfazê-los em sua sede de pontos. Para a equipe candanga voltar ao top 4, porém, dois pontos são importantes: que o americano Darington Hobson se encaixe e se adapte – já ouvi por aí que ele tem um senso de grandeza um pouco desproporcional ao que produz… – e que Ronald e Isaac esteja prontos para carregar uma carga maior. A defesa vai depender muito dos três.

Mais que o CV
Esses são evidentemente os times mais estrelados da competição. Considerando a divisão de títulos bipolar dos seis primeiros campeonatos, sabemos que isso tende a fazer diferença por estas bandas. Por outro lado, a lista de vice-campeões nos permite pensar, sim, em mais candidatos, ou surpresas. Não é que Flamengo e Brasília tenham chegado a todas as decisões. Nos últimos quatro anos, a equipe derrotada foi diferente.

O Paulistano entra como vice-campeão, sem Mineiro (d), com Hardin

O Paulistano entra como vice-campeão, sem Mineiro (d), com Hardin

O Paulistano, segundo colocado do ano passado, fez por merecer o respeito de todos e também mantém seu núcleo, com um elenco bastante homogêneo em que os americanos Kenny Dawkins e Desmond Holloway carregam a pontuação e uma série de companheiros os ajudam com defesa, movimentação de bola e espaçamento. Para este ano, chegaram o experiente Fernando Penna (um jogador de que gosto, mas que não sei bem o quanto era necessário num elenco que já tinha o jovem Arthur Pecos para ajudar Dawkins e Manteiguinha) e o americano DeVon Hardin, um gigante extremamente atlético que chega para substituir um Rafael Mineiro, que foi para o São José. O pivô havia feito ótimo campeonato na temporada passada patrulhando o garrafão, ocupando espaços na defesa. Para isso, Hardin, que já foi selecionado no Draft da NBA de 2008, vai ter de mostrar que é muito mais que um campeão de enterradas. E, sim, Fabrício Melo poderia estar aqui, mas acabou dispensado por questões extraquadra. Gustavo de Conti vai tentar fazer dessa turma uma nova encrenca para os adversários.

E, se for para falar em surpresa, não há como ignorar o que o Mogi das Cruzes também balançou o NBB6. Honestamente, talvez nem mesmo o técnico Paco Garcia esperasse que sua equipe poderia alcançar a semifinal e endurecer contra o Flamengo numa série melhor-de-cinco. O problema do sucesso é o desmonte. Quatro de seus atletas migraram para o próximo clube dessa lista. Em contrapartida, chegaram caras de ponta como Shamell e Paulão, além do ala Tyrone Curnell, referência do Palmeiras no campeonato passado, do armador Elinho e do jovem pivô Gerson Espírito Santo, formado em Colorado State. O Mogi pode manter a pegada de  um garrafão pesado, massacrante que o levou  longe, mas também conta hoje com mais alternativas para acelerar o jogo. Tantas trocas, porém, pedem tempo para o acerto. O que não deve mudar é o apoio de sua torcida. Lá o mando de quadra faz realmente diferença.

Tyrone Curnell crava: do Palmeiras para o reformulado Mogi

Tyrone Curnell crava: do Palmeiras para o reformulado Mogi

Também semifinalista, mesmo numa temporada conturbada em que contou com três técnicos, o São José é outro que tem algumas caras novas para entrosar. E pior: algumas delas chegando de última hora, perdendo a fase de preparação, a ponto de faltar contingente para o técnico Zanon – recém-egresso do Mundial feminino, diga-se – realizar coletivos. Além disso, Caio Torres vem sofrendo com uma tendinite no joelhor direito. A contratação de Mineiro ganha relevância por isso. Valtinho é quem assume a direção agora – Manny Quezada, o homem dos 50 pontos, foi embora. Nas alas, Betinho vai ter a companhia de dois americanos: Andre Laws, que está de volta (e nem dá para entender por que havia sido liberado), e Jimmy Baxter, mais um que vem da Argentina.

Agora vai?
O continente paulista, aliás, talvez chegue com sua maior força ao campeonato nacional, desde que ele passou a ser organizado pela LNB. O estado, maior polo produtor do país, ainda não conquistou o título do NBB, tendo de se contentar com três vice-campeonatos, quatro terceiros lugares e três quatro lugares. Tem mais gente querendo entrar nessa briga.

O Pinheiros estoca as revelações mais tentadoras do basquete brasileiro, com o novato Georginho chegando para a festa, mas tem na contratação do técnico Marcel de Souza seu ponto mais intrigante, que promete algo de diferente no plano tático, encerrando seu exílio. A receita na montagem do elenco é semelhante à de seu rival da capital: nomes não muito badalados, mas com bons jogadores em quantidade (são quatro armadores que pedem tempo de quadra, por exemplo: os irmãos Smith, Paulinho e Jéfferson Campos, sem contar Humberto). Subestimem o quanto quiserem um trator como Marcus Vinícius Toledo, que isso não costuma sair bem. Os resultados recentes do time, campeão da Liga das Américas 2013, também o credenciam.

De volta ao interior, armadores também não faltam a Limeira, agora com Nezinho ao lado de Ronald Ramon e Deryk. A presença de um cestinha como David Jackson e de Rafael Mineiro, Teichmann e Fiorotto também encoraja muito. E quanto a Franca? O time da capital basqueteira dosa, entre seus protagonistas, a cancha de Helinho, que está de volta para trabalhar, veja só, com Lula Ferreira, e dos argentinos Juan Figueroa e estreante Marcos Mata (candidato a MVP?) dois alguns prospectos para a seleção brasileira como Leo Meindl e Lucas Mariano – mas talvez que talvez só sejam aproveitados com maior frequência no outro ciclo olímpico, a julgar pelo progresso deles e o conservadorismo de Rubén Magnano. A rotação, porém, é enxuta.

David Jackson, candidato a cestinha do NBB por Limeira

David Jackson, candidato a cestinha do NBB por Limeira

São todos ótimos times, com muito potencial para ser explorado por seus treinadores. Depois do que Paulistano, São José e Mogi fizeram no NBB6, cada um ao seu modo, com trilhas diferentes, está claro que o equilíbrio da competição permite diversos desdobramentos. O maior orçamento, os nomes mais consagrados…  Essas coisas talvez não importem mais. Vai pesar o melhor trabalho de quadra, mesmo.

No Rio, pensando nisso, o Flamengo tem algo que costuma fazer a diferença no basquete: química e continuidade, como o Spurs demonstra na NBA. No caso do gigante carioca, a diferença é que, em seu elenco, estão muitos dos melhores jogadores da liga também. Uma combinação dura de derrubar.


Lavada, rusga e lesão: Lakers começa da pior forma possível
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Giancarlo Giampietro

Kobe, Dwight, animosidade e um cotovelo: mas houve coisa pior para o Lakers

Kobe, Dwight, animosidade e um cotovelo: mas houve coisa pior para o Lakers

Sabe o pessimismo que rondava a temporada 2014-15 do Lakers?

Bem, talvez ele tenha sido até otimista. Se é que vocês me entendem.

Transmiti ao lado dos chapas Ricardo Bulgarelli e Marcelo do Ó a estreia da imponente franquia na temporada, em derrota preocupante contra o Houston Rockets, em Los Angeles, por 108 a 90. Estivesse o San Antonio Spurs do outro lado, e o placar teria beirado os 40 pontos – digo isso pela consistência do time de Gregg Popovich.

O Rockets jogou com a terceira marcha engatada. Quando o time angelino sinalizava algum tipo de pressão, aí eles subiam para a quinta e se afastavam no placar, liderados pela barba e os truques de James Harden com a bola. Esta é uma temporada na qual o Lakers vai ter de se acostumar a ser um saco de pancadas. Mas o que eles apresentaram em quadra nesta terça esteve muito abaixo da crítica.

Qualquer empolgação que o público hollywoodiano poderia ter com o retorno de Kobe Bryant se esvaiu rapidamente. Ok, o astro se mostrou em forma, depois de disputar apenas seis partidas desde abril de 2013. Mas é a forma de um Kobe de 36 anos, entrando em sua 19ª temporada, sem muita ajuda ao seu lado. Tem limite para tudo (19 pontos, 6-17 nos arremessos, 2 assistências).

O principal momento envolvendo o jogador foi, no final das contas, a rusga com Dwight Howard. Inevitável. No quarto período, depois de o pivô pegar um rebote na defesa, o ala foi para cima dele. Pressionar, tentar o roubo de bola ou a falta. Exagerou na pressão? Um pouco. Foram uns dois tapões ali. Mas coisa do jogo. Aí que Howard perdeu a linha e acertou o desafeto com uma cotovelada no queixo, que não chegou a pegar de jeito, mas pegou. Tomou uma falta flagrante-1. Também rolou falta técnica dupla.

Até aí, para o Lakers, sinceramente? Era o melhor que poderia ter acontecido. O incidente desviaria toda a atenção de uma atuação completamente desconexa. A equipe de Byron Scott ainda não tem identidade nenhuma: não sabe se corre com a bola ou se ataca de modo metódico. Em meia quadra, a falta de movimentação de bola. Carlos Boozer se apresentou como uma boa opção oportunista no garrafão, é verdade, mas ficou difícil de encontrar outros pontos positivos. Ed Davis foi outro. Mas aí não adianta muito, já que será muito difícil que a equipe consiga ser competitiva com o veterano Boozer e o ainda jovem Davis lado a lado: a defesa sofreria demais.

De qualquer forma, numa jornada tenebrosa, nem isso foi o bastante. Minutos depois da confusão entre as duas celebridades, aconteceu algo muito mais relevante e dramático para a franquia. O ala-pivô Julius Randle sofreu uma fratura na perna direita num lance aparentemente bobo, quando buscava a infiltração, sem ter caído de mal jeito, nem nada. Ele ficou parado no ataque e apenas recolheu seu corpo para se apoiar na base da tabela do Rockets. Sem acreditar.

O garoto, número sete do último Draft, uma das poucas peças que podem ser desenvolvidas a longo prazo no atual elenco, teve de sair de quadra imobilizado. Sua expressão era muito mais de desalento, desconsolo, do que de dor. Uma cena muito triste, mas que acaba reforçando, da pior maneira possível, a tese de que será uma looooonga temproada para Kobe e Scott. Eles são dois embaixadores do orgulho Laker. Vai ser difícil sustentar essa pose e o discurso por muito tempo…

Randle está fora de combate. Justo a maior promessa do time

Randle está fora de combate. Justo a maior promessa do time


Anthony Davis manda um recado na jornada de abertura
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Giancarlo Giampietro

Anthony Davis, Pelicans, opening night, Magic

Quando um tema jornalístico quer virar moda, é um problema. Então não faça, assim, Monocelha. Que aí as coisas podem fugir do controle!

Na jornada de abertura da NBA, Anthony Davis disse a que veio e muito mais. O pivô chegou perto de um triple-double para elevar o nível de alerta máximo pelos corredores da liga: sim, todos sabíamos que o garoto era bom, que ele é muito provavelmente o próximo na linha de sucessão de LeBron e Durant, se a saúde permitir, e tal… Mas aí chega a temporada 2014-2015, e o rapaz já causa um estrago desses de cara!?

Foi meio que dizendo: “Mas que história é essa de futuro!?''

A sucessão é agora.

Aí esta é a parte em que as testemunhas todas respiram coletivamente, fecham os olhos e contam até dez  para lembrar que foi apenas a primeira partida, e contra um adversário que não inspira lá muitos elogios. Esse, sim, um adversário para ser avaliado lá na frente. Mas… 26 pontos, 17 rebotes, 9 tocos, 3 roubos de bola, 2 steals em 36 minutos? Afe.

O menino Monocelha, de apenas 21 anos, lembremos, estraçalhou com o Orlando Magic na vitória por 101 a 84 em casa, agora protegido pelo turcão Omer Asik, um jogador que dificilmente será reconhecido pelo devido valor – isso para além da comunidade estatística da liga e treinadores, que o curtem horrores. Juntos, os dois somaram 40 pontos, 34 rebotes e 14 bloqueios. Um absurdo de produção para uma só linha de frente.

Davis promove sua block party, e o calouro Elfrid Payton leva a pior

Davis promove sua block party, e o calouro Elfrid Payton leva a pior

(E, não, não vamos contar os 22 pontos e 9 rebotes de Ryan Anderson vindo do banco, porque o ala-pivô não deu sequer um toco, o que é uma baita incompetência. De acordo com a comissão avaliadora, o patamar mínimo de candidatura a menção honrosa no blog são três bloqueios, ok? Abaixo disso, não tem conversa.)

“Apenas sabemos que somos um páreo duro no garrafão – ele com um corpo excelente e eu sendo capaz de me mexer pela quadra, tentando apenas seguir a bola e conseguir os rebotes'', afirmou Davis. “É uma boa combinação.''

Boa?

Enfim… Da parte de Davis, ele entrou num seleto grupo ao lado de Kareem Abdul-Jabbar e de Nate Thurmond, que foi uma espécie de Dikembe Mutombo antes de Mutombo, nos anos 70, se tornando apenas o terceiro jogador a dar nove tocos numa jornada de abertura desde 1973-74, que é quando o fundamento passou a ser computado de modo oficial pela NBA.

Além disso, ele foi o primeiro atleta a conseguir um mínimo de 36 pontos, 17 rebotes, 9 tocos e 3 roubos de bola desde Hakeem Olajuwon em 1989-90. Naquela campanha, o nigeriano do Houston Rockets, contudo, conseguiu uma linha estatística dessas em três partidas. Então taí mais uma meta para o ala-pivô do Pelicans ir atrás.

Comparado com a produção de Davis, quem acabou se dando mal nessa foi o pivô Nikola Vucevic, do Orlando, que acumulou 15 pontos, 23 rebotes e 4 tocos do seu lado, em 35 minutos. Nada mal para justificar um contrato de US$ 54 milhões por quatro anos que muitos julgaram excessivo. Acabou ficando em segundo plano.

“Dê a eles muito crédito pela agressividade e pela presença física com que jogaram, os pontos de segunda chance e o ataque na tabela'', afirmou o técnico do Magic, Jacque Vaughn. “Eles no encararam. Essa foi a diferença.''

Se o problema para o restante da NBA fosse apenas a agressividade de Anthony Davis, tudo bem. Esse é o tipo de coisa que qualquer oponente pode dar conta, desde que concentrado e disposto. É uma questão de esforço individual. O duro, mesmo, na verdade é igualar o talento da jovem estrela do Pelicans, gente. E, claro, não se empolgar tanto com isso.


Memphis Grizzlies: moendo canre, batendo bife
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Giancarlo Giampietro

A torcida também vai tentar moer o adversário

A torcida também vai tentar moer o adversário

Lá pelos idos de maio de 2013, o que na era da Internet já é mais que um século atrás, havia o temor de que a cultura de “Grit & Grind'' – praticamente impossível de se traduzir ao pé da letra, mas que tem a ver com a bravura do estilo de jogo do Grizzlies – estivesse seriamente ameaçada em Memphis. O técnico Lionel Hollins estava de saída, Tony Allen era agente livre, Zach Randolph também tinha futuro incerto. Mas o assistente Dave Joerger segurou muito bem as pontas desde que foi promovido,  o pitbull preferido da cidade tinha ganhado um novo contrato, e tudo caminhou bem. Mesmo com a lesão  de Marc Gasol, o time chegou aos playoffs e incomodou bastante. Ponto.

Aí que, ao final do campeonato, as coisas novamente ficaram tensas, de modo chocante. Subitamente, o CEO Jason Levien, que mal havia acabado de assumir a posição, foi derrubado pelo proprietário Robert Pera. Ao mesmo tempo, Joerger foi liberado para conversar com o Minnesota Timberwolves, de sua terra natal. No fim, o magnata tirou o antigo gerente geral Chris Wallace do ostracismo, para lhe reempossar, e decidiu segurar Joerger. Z-Bo ganhou sua extensão contratual. A estrutura, então, foi mantida.

Fora da cidade, pode ter certeza que caras como Blake Griffin, Kevin Durant, Tim Duncan e Dirk Nowitzki acompanhavam tudo com muita atenção. Qualquer passo em falso, qualquer sinal de derrocada do time poderia ser um alívio danado para eles. Afinal, estamos falando do time mais casca grossa da Conferência Oeste. Ou melhor: com a iminente derrocada do Indiana Pacers, já dá para falar no time mais pesado, aquele que a liga toda vai querer evitar. Ainda mais numa série de mata-mata.

Vai encarar? Ninguém quer

Vai encarar? Ninguém quer

Já escrevemos aqui qual a dificuldade de escolher os termos apropriados para explicar do que se trata o lema oficial desta geração do Grizzlies, elaborado num estalo de genialidade por Allen.  No final das contas, o melhor a ser feito é apelar ao populacho: trata-se do famoso moedor de carne. Esses caras fazem isso, como se o FedExForum representasse um grande açougue humano. Não é nem um pouco bacana bater de frente, de lado, ou de costas com gente com Randolph e, especialmente, Marc Gasol, por mais magro que o espanhol esteja esses dias. E aí você põe mais um corpanzil de Kosta Koufos na jogada e alguns alas que aporrinham a vida de qualquer um, e o que temos daí é uma das defesas mais sólidas e nocivas que se pode encontrar.

Tom Thibodeau tem o esquema e excepcionais marcadores em Chicago. Roy Hibbert e David West ainda vão tentar proteger uma fortaleza em Indianápolis. Mas o desgaste físico causado por essa galera encrespada de Memphis deve ser o maior tormento no longo e cansativo calendário de cada equipe.

De estrela a operário, Vince Carter segue relevante

De estrela a operário, Vince Carter segue relevante

O time: Z-Bo já não é mais o mesmo de sua primeira temporada de All-Star, justamente a primeira em Memphis. Mas seu jogo nunca dependeu de impulsão, explosão física ou elasticidade. Enquanto chega aos 33 anos, sua técnica e força física ainda causam estrago perto da cesta o mantêm produtivo. Suas características combinam perfeitamente com as de Gasol, que tem uma visão de quadra privilegiada encarando a cesta como um maestro na cabeça do garrafão, também matando bolas dali. Além do mais, o posicionamento dos dois pode ser facilmente intercambiável. Não sabemos muito bem o quão consciente Wallace foi ao montar essa dupla em 2010, mas deu muito certo. Para assessorar esse núcleo, quietinho da silva, Mike Conley se tornou um dos principais armadores da liga, vindo também sua melhor temporada.

O que sempre falta em torno dessa trinca foram arremessadores que metessem medo. Já não é um problema tão grave assim. Mike Miller fez o serviço em 2013-2014, mas preferiu seguir os passos de LeBron em Cleveland. Para seu lugar, todavia, chegou Vince Carter, que se reinventou em Dallas como atirador de três pontos e marcador e, aos 37,  chega com moral a Memphis. E o veterano não está solitário nessa.

De volta de lesão, Pondexter está preparado para enfrentar os alas mais fortes da liga

De volta de lesão, Pondexter está preparado para enfrentar os alas mais fortes da liga

Courtney Lee foi fruto de outra bela negociação incentivada pelo supernerd John Hollinger que deu certo. Ele liderou a NBA no aproveitamento de arremessos movimento na temporada passada e também consegue incomodar bastante os alas mais baixos, fazendo ótima dupla com Allen, um atacante arrojado, mas, no mínimo, inconstante. Por fim, em seu último sopro, Tayshaun Prince ainda tem envergadura para deixar as linhas defensivas mais rígidas esporadicamente. Em resumo: por mais que não sejam tão discutidos assim na grandes plataformas, este pode ser o elenco mais forte que o Grizzlies já teve.

Olho nele: Quincy Pondexter. O ala, que retorna de uma fratura na perna que o tirou por mais de 60 partidas da última temporada, foi esquecido deixado de fora do parágrafo acima propositalmente. Quando comparado a Allen, Lee, Carter e Prince, tem ainda menos fama, mas pode ser tão ou mais relevante que eles durante a jornada, desde que consiga sustentar um aproveitamento de três pontos próximo aos 39,5% que teve na temporada retrasada. Pondexter é mais alto e forte que Lee e Allen e mais forte e ágil que Prince, oferecendo um meio termo interessante.

Abre o jogo: “Tem tanto chão para isso, que não passa pela minha cabeça. Apenas quero fazer a porcaria do meu trabalho diariamente. Você nunca sabe o que pode acontecer em sete ou oito meses. A franquia pode decidir seguir em outra direção. Vamos ver como todos nos sentimos em julho. Toda essa conversa de agora não vai mudar isso'', Marc Gasol, sobre sua entrada no mercado de agentes livres ao final da temporada, sem firula alguma. Os bastidores da liga já dão como certa a investida de Phil Jackson e o Knicks pelo pivô em 2015.

Você não perguntou, mas… ao lado de San Antonio Spurs, Miami Heat, Oklahoma City Thunder e Los Angeles Clippers, apenas um clube venceu mais de 50 jogos nas últimas duas temporadas, não importando que desfalque tinha. Justamente a franquia que tem a ver com ursos-pardos, mesmo que eles não sejam encontrados tão facilmente assim em Memphis.

kevin-pritchard-grizzlies-cardUm card do passado. Kevin Prichard. Ele, mesmo, o ex-dirigente do Portland Trail Blazers e gerente geral de Larry Bird no Pacers, hoje. Se formos pensar em gente do passado da franquia, ainda em sua encarnação na Costa Oeste do Canadá, dá para lembrar da figura pastosa de Bryant Reeves, além de Anthony Peeler, Blue Edwards, Shareef Abdur-Rahim, Felipe López, entre outros. Mas está nos livros históricos – uns três, pelo menos – que foi Pritchard foi o primeiro jogador a assinar contrato com o clube. Assinou, mas não brilhou. Cortado antes de a temporada 1995-96 começar, não disputou uma partida sequer pela franquia. Naquele ano, faria dois joguinhos pelo Washington Bullets. Depois, adeus, NBA. Formado em Kansas, Pritchard chegou a ser, antes, reserva de Tim Hardaway e Sarunas Marciulionis no Golden State Warriors de Don Nelson. Jogou na Itália, na Espanha e na Alemanha. Mas foi como cartola, mesmo, que ele deixou sua marca. Foi o grande arquiteto da reconstrução do Blazers na década passada, depois dos anos de Jail Blazers, nos quais ganharam mais manchetes policiais do que esportivas. Seu relacionamento com o bilionário Paul Allen e sua trupe, porém, desandou a ponto de ele ser demitido do cargo de gerente geral cerca de uma hora antes do draft de 2010. Cruel. Ele ainda fez uma troca e selecionou Luke Babbitt e Elliot Williams. Vingança em prato frio de carne moída.

 


Spurs e o sucesso contínuo. Ou a cotinuidade é o sucesso?
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Giancarlo Giampietro

Continuidade e sucesso em San Antonio

Continuidade e sucesso em San Antonio

A cada ano, fica a pergunta: até quando?

Isso mexe com a cabeça dos jornalistas, obrigados a redigir seus textos de previsão. Mexe, então, obviamente com as bolsas de aposta mundo afora. Balança, enfim, a cabeça de seus adversários. É que o San Antonio Spurs não dá sinal algum de que vá parar de vencer, de que vá abandonar o sucesso. Não enquanto o verdadeiramente imortal Tim Duncan estiver por lá.

Aos 38 anos, o pivô admite: pensou seriamente em parar após a conquista de seu quarto título. Aquela coisa de sair no auge. Depois da conquista de mais um anel, o veterano tinha nove dias para decidir se exerceria, mesmo, a cláusula em seu contrato para estendê-lo por mais uma temporada. E realmente usou todo o prazo para ponderar bastante o que fazer. “Houve um pouco de hesitação ali. O que precisava pensar é se eu conseguiria fazer isso novamente. Enquanto estiver sentindo que posso jogar, e me sentir bem a respeito, é aqui onde vou continuar'', afirmou.

Splitter, campeão da NBA. Time vai atrás do bi agora

Splitter, campeão da NBA. Time vai atrás do bi agora

Kawhi Leonard ganhou o prêmio de MVP das finais, o que não é absurdo. O jovem ala fez um trabalho impressionante contra LeBron e ainda matou a pau no ataque. Tony Parker também merece os maiores elogios, por seu poder de decisão no mano a mano, botando pressão na defesa dos oponentes. Ainda é muito veloz para ser contido. Manu Ginóbili, 37, ainda tem seus lampejos únicos. Mas a base da máquina de jogar basquete de San Antonio ainda é Duncan. Sem ele, a forte defesa se esvairia: ele coordena seus companheiros, preenche espaços e protege o aro.

Sua durabilidade e consistência como um dos melhores, ajudada pela regulagem precisa de minutos por parte do Coach Pop, desperta admiração, até mesmo de um velho rival como Kevin Garnett, com quem travou épicas batalhas na década passada. “Ele tem um porta-joia cheio de anéis. Tem de tirar o chapéu para ele. Nessa altura, só tenho amor para falar'', afirmou KG.

Mas, claro, na hora de falar do Spurs, não é justo falar em nomes, em eleger destaques. As seguidas campanhas brilhantes do time têm muito a ver com o conjunto e continuidade. O mesmo técnico, o mesmo gerente geral, seu braço direito, a mesma base em quadra. Quer saber? Do elenco que terminou o campeonato passado, todos os 14 atletas voltaram. Sim, 100%. A única novidade no atual plantel é o novato Kyle Anderson, que veio de UCLA e já vem sendo elogiado pela galera mais experiente e ganhando o respeito deles, segundo Popovich. “Ele precisa de um tempo para se ajustar, mas entende o jogo, tem envergadura, é um bom passador e sabe arremessar. Ele é um bom jogador'', disse Ginóbili.

Curioso destacar que as maiores mudanças aconteceram no banco de reservas. Gregg Popovich e RC Buford perderam mais de uma dezena de aliados desde que o modelo de gestão da franquia se tornou referência. Entre dirigentes como Sam Presti, Danny Ferry, Dell Demps e Dennis Lindsey a técnicos como Mike Budenholzer e Brett Brown, o time forneceu matéria-prima (que nem sempre rendeu lucros, diga-se) como nenhum outro. Dessa vez, foram eles atrás de gente. Destaque para a contratação do italiano Ettore Messina, um dos mais vitoriosos da Europa por mais de 15 anos, que será o principal assistente de Gregg Popovich. A nota curiosa também fica para a efetivação da ex-armadora Becky Hammon como uma das treinadoras da equipe – ela já havia feito uma espécie de estágio na campanha passada, tendo se aproximado do time masculino ao defender a franquia da WNBA da cidade, o Silver Stars.

O único susto, por ora, em San Antonio diz respeito a Kawhi e Tiago Splitter. Os dois estiveram afastados por toda a pré-temporada. O ala contraiu uma infecção nos dois olhos, o que abriu espaço involuntariamente para Anderson, e ainda não estendeu seu contrato, podendo virar um agente livre restrito ao final do campeonato. Já o pivô brasileiro sofreu uma lesão na panturrilha durante a primeira semana de treinos e vem retomando ao pouco suas atividades com bola. Não deve tardar a voltar. Com um bom plantel e a paciência de sempre, porém, Pop não se aflige. São pequenos percalços numa duradoura jornada.

O time: todo mundo já conhece bem, né? Muita movimentação de bola, infiltrações, chutes de três, jogadores de inteligência extrema, entrosados, se divertindo e vencendo. A defesa, para completar, se manteve entre as cinco melhores da liga nas últimas duas temporadas. Equilíbrio, precisão, criatividade, eficiência. Exemplar.

Splitter é instrumental para Spurs fechar o garrafão e a defesa

Splitter é instrumental para Spurs fechar o garrafão e a defesa

A pedida: o primeiro bicampeonato (títulos em anos consecutivos) da era Duncan-Popovich.

Olho nele: Cory Joseph. Enquanto Patty Mills se recupera de uma cirurgia no ombro, o ainda jovem armador assume o posto de reserva de Parker – posto pelo qual já brigam há duas temporadas. O australiano jogou demais no último campeonato, mas os minutos do canadense, no geral, se mantiveram estáveis, em torno de 14 por partida. As lesões do titular ajudaram para isso, permitindo que Joseph começasse 19 partidas como titular. Em termos estatísticos, ele apresentou um pequeno salto qualitativo. Nos playoffs, porém, jogou pouco. Se aproveitar a brecha aberta, o rapaz de 23 anos pode lucrar, já que entra em seu último ano de contrato, sem extensão negociada. “Queremos que ele procure um pouco mais seu arremesso'', diz Popovich. Ele está mais confiante com o chute de três, saindo de pick-and-rolls e de média distância. Tem feito um bom trabalho em avançar com isso'', completou.

Abre o jogo: “Boris está tomando umas pina coladas. Temos uma aposta em que você tenta adivinhar o peso dele, e precisa começar em 125 kg. Você não pode dar um palpite abaixo disso. Só mais alto'', Gregg Popovich, se divertindo com a mitologia em torno da reserva extra de gordura que Diaw cultiva.

As férias de Boris Diaw. Pina coladas e muito mais

As férias de Boris Diaw. Pina coladas e muito mais

O pivô se juntou ao elenco do Spurs um pouco mais tarde, direto em Berlim, depois de ter conquistado uma valiosa medalha de bronze na Copa do Mundo. “Ele sempre jogou com um pouco mais de peso, e ele sabe como usar isso. Está tudo bem'', disse Pop, ao reencontrar o genial jogador. Outro francês que chegou um pouco mais tarde foi Tony Parker, devido a compromissos comerciais na Europa. Ganhou uma licença do nem-tão-general-assim Pop. “Ele tinha umas reservas de jantar no Taillevent. Hoje acho que ele vai a outro restaurante três estrelas Michelin'', disse o técnico, piadista que só. “Mas ele disse que vai fazer o máximo para chegar aqui amanhã. Se ele conseguir, vou agradecê-lo por isso.''

Você não perguntou, mas… sabia que o Spurs fechou um contrato com Diaw que obriga o francês a ser pesado, de modo oficial, em três datas diferentes do calendário? Esse saboroso detalhe foi revelado por Amin Elhassan, colunista do ESPN.com e ex-dirigente do Phoenix Suns. Se ele cumprir as metas, e mantiver seu peso até no máximo. 115 kg (254 libras), ganha um bônus total de US$ 500 mil em seu salário. Divididos assim: US$ 150 mil no dia 25 de outubro (começo da temporada) + US$ 200 mil na primeira terça-feira depois do All-Star Game + US$ 250 mil no dia 1º de abril (os playoffs chegando).

dominique-wilkins-card-spursUm card do passado: Dominique Wilkins. Aos 37 anos, após jogar pelo Panathinaikos, o célebre cestinha retornou aos Estados Unidos para jogar pelo Spurs em 1996-97. Ainda tinha bola para marcar 18,2 pontos por partida e ser o cestinha do time. Mas o craque definitivamente não marcou época pela franquia texana. A relevância de seu card tem mais a ver com aquela temporada, toda acidentada. David Robinson e Sean Elliott se lesionaram, e o que a diretoria decidiu fazer? Permitiram que o veterano Wilkins comandasse o… hã… show, acompanhado por gente como Vernon Maxwell, Carl Herrera, Monty Williams e Will Perdue, enquanto as derrotas se acumulavam. Nem o fato de Gregg Popovich ter assumido o comando durante a jornada, no lugar de Bob Hill, interferiu no processo. No final, a campanha de 20 triunfos e 62 reveses deixou o Spurs bem posicionado para o próximo draft. Isto é, bem posicionado para assumir o primeiro lugar da lista e selecionar Timothy Theodore Duncan. O resto a gente já sabe: desde então, foram cinco títulos e presença garantida nos playoffs sempre. Sem-pre.


Espetáculo não é o bastante para o Clippers em Los Angeles
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Giancarlo Giampietro

Rivers e Paul: eles sabem que o time precisa de mais

Rivers e Paul: eles sabem que o time precisa de mais

Espetáculo por espetáculo, a turma Hollywood ainda prefere ver Kobe Bryant. Então, se for para o Clippers tomar conta de Los Angeles para valer, nessa geração, eles só podem fazer isso com um resultado expressivo. No caso da metrópole californiana, meus amigos, isso só significa uma coisa: título.

Chris Paul bem sabe disso. “Não quero nem dizer por que vamos ser o time. Nós temos de jogar, de fazer. Já tem muito falatório'', afirmou o veterano. Desde que o armador foi trocado para Los Angeles – pela segunda vez, já que não podemos esquecer o primeiro negócio vetado por David Stern, que o mandaria para o Lakers –, o ex-primo pobre da cidade foi elevado a superpotência e candidato natural ao título. Era o resultado de ter um dos melhores armadores da história da liga ao lado de uma estrela em ascensão como Blake Griffin.

Isso aconteceu em 2011. Desde então, o time teve campanhas de 60,6%, 68,3% e 69,5% de seus jogos, dando pequenos e consistentes passos rumo ao topo. As expectativas só aumentaram na temporada passada com a chegada de Doc Rivers, a evolução de DeAndre Jordan e a contratação de JJ Redick. No geral, porém, o time conseguiu apenas uma vitória a mais na temporada regular, subindo de 56 para 57 (ainda que com oito partidas a menos de CP3). Nos mata-matas, o time alcançou as semifinais da Conferência Oeste, como havia feito em 2012, perdendo para o Oklahoma City Thunder por 4 a 2.

DeAndre foi o terceiro melhor reboteiro da temporda passada, mas não conseguiu livrar ou influenciar o Clippers no geral

DeAndre foi o terceiro melhor reboteiro da temporda passada, mas não conseguiu livrar ou influenciar o Clippers no geral

Essa trajetória nos playoffs, porém, é bem mais complexa. Quando enfrentavam um time complicado como o Golden State Warriors na primeira rodada, Rivers e seus jogadores foram torpedeados pelo vazamento dos comentários ignóbeis e racistas, via TMZ, do ex-proprietário do clube, Donald Sterling. Houve um turbilhão de emoções, incluindo a ameaça de boicote por parte dos atletas de ambos os lados, até que o recém-empossado comissário Adam Silver agiu com firmeza. Depois, contra o Thunder, a lembrança obrigatória fica para o Jogo 5, no qual o Clippers teve uma grande chance de assumir a dianteira da série, com a oportunidade de fechá-la em casa.

Além da série de trapalhadas da arbitragem, que despertou a ira de Rivers na entrevista coletiva, aquela partida ficou marcada por uma exibição completamente desastrosa por parte de Paul, justo ele, o capitão, da mão firme com a bola. Depois de o time abrir uma bela vantagem, tomou uma virada que não poderia ser explicada por uma ou outra decisão equivocada dos homens do apito. O próprio Chris Paul fugiu disso, assumindo a culpa. “Perdemos, e está na minha conta. Eles fizeram a cesta, e tivemos a chance de vencer na última jogada, e eu nem consegui arremessar. Foi muito tonto. Era sou supostamente o líder da equipe. Isso não pode acontecer. A liga pode divulgar algum comunicado sobre a marcação, mas quem se importa? Perdemos'', afirmou.

Acontece. Agora, a NBA é uma liga cruel, extremamente competitiva. O Clippers obviamente ainda está no páreo, produz um clipe imenso de melhores momentos a cada rodada – haja ponte aérea! –, mas o cenário pode ser alterado drasticamente e de modo rápido. Por isso o armador sabe: chegou a hora de ir longe nos playoffs. Bem longe.

O time: ataque não é problema. Com o pulso firme e talentoso de Paul, as habilidades ainda em expansão de Blake Griffin – que é muito, mas muito mais que um pôster –, e excelentes arremessadores ao redor deles, Rivers tem elementos de sobra para coordenar um dos três ataques mais eficientes da liga mais uma vez. Em termos de defesa, o impacto do treinador, porém, não foi tão dramático conseguiu elevar o time de nono para sétimo na temporada passada, e com um número maior de pontos por posse de bola. Quando questionado sobre quais pontos mais o preocupavam, o estrategista não hesitou em apontar os rebotes. “Não sei quais seriam além do rebote. Era isso chegando a esta temporada, e permanece. Pessoalmente, achei que foi um milagre que tenhamos feito o que que fizemos no ano passado do modo como reboteamos. Estava preocupado com isso o ano todo, preocupado nos playoffs. É duro vencer jogos quando as outras pessoas continuam conseguindo arremessos extra'', disse. O Clippers foi o 20º nesse fundamento. De seus principais adversários, o Spurs foi quem ficou mais próximo, em 13º.

A pedida: sucesso nos playoffs e, quem sabe, o título. Estamos combinados.

Olho nele: Spencer Hawes. O pivô tem a oportunidade em Los Angeles de mostrar que é muito mais que o atleta da NBA mais apaixonado pelo Partido Republicano. Hawes foi o primeiro alvo de Rivers no mercado de agente livre, contratado para reforçar sua rotação de garrafão atrás de Griffin e Jordan, para oferecer arremesso de média e longa distância, passe e também reforçar justamente o rebote pedido por Rivers. Nos mata-matas do ano passado, o técnico tinha apenas Big Baby para dar um respiro aos titulares. Como ele vai responder a esse desafio? Em sua carreira, o pivô de 26 anos disputou dois playoffs, pelo Sixers. O que, veja bem, não conta para muito. Era um time café-com-leite, num Leste esvaziado. Não havia pressão alguma. Agora a coisa muda de figura.

Spencer Hawes, reforço no garrafão por US$ 6 mi anuais

Spencer Hawes, reforço no garrafão por US$ 6 mi anuais

Abre o jogo: “Baron estava se preparando, e Sterling começou a balançar os braços, gritando para ninguém em particular.''Por que vocês estão deixando ele cobrar o lance livre? Ele é péssimo! Ele é o pior cobrador de lances livres da história!'', berrava. O Baron estava acertando algo como 87% naquela temporada. Eu estava de pé no meio da quadra, bem perto dos assentos do Sterling, olhando isso de canto, tentando não rir. Olhei para os caras do outro time, tipo, pensando que aquilo não poderia estar acontecendo'', Blake Griffin, em depoimento extenso sobre como era ser um jogador do Clippers sob o amalucado, inconsequente, mas… lucrativo controle de Sterling.

Você não perguntou, mas… o novo dono do Clippers, o bilionário Steve Ballmer, ex-CEO e ainda maior acionista da Microsoft, não vai permitir que seus técnicos e jogadores usem – ou, vá lá, que pelo menos não sejam flagrados em público usando – produtos eletrônicos da Apple. O homem pagou US$ 2 bilhões por seu novo brinquedinho. Então fica assim.

doc-rivers-clippers-cardUm card do passado: Glenn “Doc'' Rivers. Primeiro uma pergunta séria: quem aí reconhecia o ex-armador e hoje técnico do Clippers como Glenn? Dr. Glenn Rivers? Um baita ganho em estilo, gente. Mas deixemos de bobagem. O legal desse card é mostrar o jovem Rivers, claro. Mas também para falar daquela temporada: 1991-92, a primeira na qual a franquia foi aos playoffs quando baseada em Los Angeles – em sua primeira encarnação, como Buffalo Braves, com Bob McAdoo, já havia acontecido. No princípio dos anos 90, o clube viva um grande momento, com uma base bastante promissora, na qual constavam também Ron Harper (antes de estourar o joelho), Charles Smith (que migraria para o Knicks), e, principalmente, Danny Manning. O ala-pivô era bem diferente de Blake Griffin, um cara muito mais vigoroso e atlético, mas também foi uma grande aposta técnica e comercial da liga,  até que seguidas lesões o derrubaram. Aos 30 anos, Rivers disputava sua primeira campanha fora de Atlanta e a única em L.A., com 10,9 pontos e 3,9 assistências em 28,1 minutos. Em 1992, seria envolvido numa troca tripla que o mandaria para o Knicks de Pat Riley, com Mark Jackson chegando ao time californiano.


Portland Trail Blazers: aproveitando ao máximo a boa fase
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Giancarlo Giampietro

LaMarcus e Lillard, bela dupla de um belo time

LaMarcus e Lillard, bela dupla de um belo time

Cada um no seu quadrado. A sabedoria popular brasileira ainda nos oferece esse tipo de pérola, né? Que, neste caso, serve muito bem para os fiéis torcedores do Portland Trail Blazers. Esses caras têm novamente um dos times mais legais da NBA em sua cidade, que voltou aos playoffs, venceu uma série e se meteu com gente grande. Damian Lillard é uma das jovens estrelas mais populares, LaMarcus Aldridge encontrou a paz de espírito. O técnico Terry Stotts foi recompensado com uma renovação de contrato depois de uma campanha brilhante. Tudo muito bacana.

Por outro lado, depois do que o San Antonio Spurs fez com eles nos mata-matas passados, é muito difícil imaginar que, na complicadíssima Conferência Oeste, o Blazers tenha o suficiente para subir mais alguns degraus e lutar pelo título, como nos tempos de Clyde Drexler, Terry Porter e Rick Adelman.

Mas… e daí? Ter um time competitivo, com personagens carismáticos e talentosos não é o suficiente? Talvez para o fã americano mais radical, não, caso ele se deixe levar pelo vencer, vencer e vencer. Em Portland, uma cidade que vive em comunhão com sua única franquia nas quatro grandes ligas esportivas dos EUA, porém, cair nessa seria uma bobagem. São tempos para se curtir ao máximo.

Batum, o francês, bastante confiante

Batum, o francês, bastante confiante

Em termos de reforços, Steve Blake e Chris Kaman são as novidades, e basta perguntar aos rivais do Lakers o que pensam a respeito da dupla. A esperança é acreditar numa evolução contínua de Lillard e Nicolas Batum, que encerrou sua campanha na última Copa do Mundo em grande estilo. Somando a semifinal contra a Sérvia e a decisão pelo bronze contra a Lituânia, o ala acertou 10 de 17 arremessos de três pontos e 19 de 29 arremessos no geral, com média de 32 pontos por partida. Em apenas 35,5 minutos, algo muito raro de se ver em competições Fiba.

Blake é um caso especial da liga: os técnicos o adoram. Para quem vê de fora, porém, é difícil se enamorar. O que ele traz para uma equipe é QI, estabilidade e intensidade. Seu jogo deve combinar melhor com o arrojo de seu jovem armador titular – ao passo que, Mo Williams, embora tenha feito um belo campeonato, seria como uma duplicata do titular. Sobre Kaman? Imagino que a ideia seja reduzir para zero os minutos de Aldridge como o principal pivô em quadra, para preservar o físico da estrela. Para que ele esteja sempre escoltado por um grandalhão, mais com Robin Lopez, de preferência.

Por mais que a cotação de Lillard tenha decolado, o sistema ofensivo ainda depende bem mais de LaMarcus. Quando o pivô caiu de rendimento na segunda metade do campeonato passado, lidando com dores na virilha, a eficiência do time, que chegou a ter a principal artilharia da liga nos primeiros meses, foi junto. As equipes diminuíram a frequência da marcação dupla para cima dele, e os chutadores ficaram mais vigiados, por consequência.

Além disso, pela segunda vez seguida, os titulares do Portland perderam um pouco de rendimento no geral, como reflexo do quanto são exigidos. Eles saíram extenuados da emocionante série contra o Rockets e acabaram atropelados pela turma de San Antonio. Era outro nível de basquete, como a própria turma de Aldridge admitiu. Um nível que pediria um grande salto este ano para ser atingido.

O time: a boa notícia para o Blazers é que, se existe uma razão cristalina para Terry Stotts ter sido considerado um dos melhores treinadores da temporada passada, foi justamente a fabulosa melhora da equipe nos dois lados da quadra. De 2013 para 2014, o Blazers simplesmente subiu de 16º ataque mais eficiente para quinto e da 26ª melhor defesa para a 16ª. Como Phil Jackson sempre enfatizou: é muito provável que uma coisa leve à outra. Um sistema ofensivo balanceado facilita a transição de sua retaguarda, por exemplo. No caso de Stotts, sua contribuição também foi simplificar o tipo de cobertura desenhado para proteger sua cesta. Ele autorizava pouca flutuação em ajuda, recomendando expressamente para que seus atletas de perímetro ficassem grudados em seus respectivos oponentes. A troca em situações de pick-and-roll também era para ser evitada ao máximo. Com a base mantida, estaria o técnico mais confortável para experimentar mais nesta campanha?

Blake e Kaman agora querem sorrir em Portland

Blake e Kaman agora querem sorrir em Portland

A pedida: maaaaaais um time que sonha em avançar nos playoffs.

Olho nele: CJ McCollum. Se os veteranos contratados não levam o povo às ruas de Portland, pode ser que o principal reforço venha de dentro do plantel, mesmo. A melhor aposta nessa linha seria no armador segundanista, o décimo do Draft de 2010. McCollum foi comparado por muitos scouts como um jogador do perfil de Stephen Curry quando atuava pela modesta universidade de Lehigh, graças a sua habilidade como arremessador.  Pode ser um exagero, mas já serve para chamar a atenção. Seu ano de novato por atrapalhado por uma fratura no pé – que, aliás, é a mesma que tira Kevin Durant de ação nas próximas seis semanas, no mínimo: a “Fratura Jones''. Em depoimento ao Basketball Insiders, McCollum afirmou sobre a dificuldade de recuperação. Ele sofreu a primeira lesão jogando por Lehigh, passando por uma cirurgia. Durante o training camp, todavia, se tornou reincidente.  Nesse mesmo texto, imperdível – afinal, McCollum é um formando de jornalismo ; ) –, o atleta dá dicas aos novatos deste ano, sobre como controlar suas finanças, e também é bastante cândido ao falar a respeito dos ajustes necessários em quadra para os mais jovens. “Em vez de pensar nas razões por que o técnico deveria te pôr para jogar mais, honestamente pense nos motivos pelos quais o técnico não o está escalando'', disse. “O próximo passo é trabalhar em cima dessas coisas, melhorar nessas áreas específicas, para haver uma mudança em seu jogo.''

McCollum, o basqueteiro jornalista, conta tudo. Leiam

McCollum, o basqueteiro jornalista, conta tudo. Leiam

Abre o jogo: “Vou definitivamente arremessar mais de três. O técnico vem tentando me fazer arremessá-lo pelos últimos dois anos. Acho que sou o último jogador que não queria chutar de três. Mas só queria esperar até que me sentisse confortável com isso. Definitivamente trabalhei neste verão e me sinto mais confortável para isso. O técnico já me colocou em algumas jogadas em que estarei na zona morta, para fazer de lá. Acho que vai ser uma das coisas que trarei para o time neste ano'', LaMarcus Aldridge, sobre a coqueluche tática da liga com as bolas de longa distância, que tem em Stotts um grande entusiasta. Na mesma entrevista, o pivô assegurou que vai renovar com a equipe no ano que vem, ao final de seu contrato. Só descartou uma extensão porque esse tipo de recurso já não faz mais sentido financeiramente.

Você não perguntou, mas… na enquete com os gerentes gerais da liga promovida pelo NBA.com, os cartolas tiveram de responder sobre o melhor atleta do mundo fora da NBA. Dos três mais votados, dois já defenderam o Blazers no passado e saíram do Oregon para lá de infelizes com o técnico Nate McMillan: o ala Rudy Fernández, número um da lista, e o armador Sérgio Rodríguez, MVP da última Euroliga. Os dois jogam pelo Real Madrid.

rolando-ferreira-portland-blazers-cardUm card do passado: Rolando! O gigante de 2,15 m não só foi o primeiro brasileiro a jogar na NBA, como também foi o primeiro sul-americano, em 1988-89, depois de ter sido selecionado pelo Portland Trail Blazers na 26ª colocação do Draft daquele ano – que equivalia ao primeiro lugar da segunda ronda do recrutamento. Saindo da universidade de Houston, o curitibano teve, no entanto, uma passagem muito curta pela franquia. O chapa Fábio Aleixo conta essa história com muito mais detalhes.  O card ao lado tem uma peculiaridade, que é a marca. Os colecionadores devem se perguntar: que raios de “Franz'' é essa? Definitivamente não é uma das grandes do ramo. Na real, é a “Franz Bakery'', uma tradicional rede de padarias de Portland que, em 1984, decidiu criar um set dedicado ao único clube. As figuras eram distribuídas em pacotes de pão: um por paquete. Rolando também entrou nessa.


Hettsheimeir exclusivo: “Não pensei duas vezes ao acertar com Bauru”
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Giancarlo Giampietro

Hettsheimeir em ação pela Sul-Americana, em vitória sobre o Brasília. Outro cenário

Hettsheimeir, em vitória sobre o Brasília. Outro cenário. Crédito das fotos: Henrique Costa/Paschoalotto/Bauru

Quando Rafael Hettsheimeir deixou o basquete brasileiro, o campeonato nacional ainda era (?) organizado pela CBB de Gerasime Bozikis, tendo Vanderlei Mazzuchini, hoje diretor da confederação, como seu segundo cestinha, atrás de Marcelinho Machado. Foi antes da ruptura de 2006, que gerou primeiro a Nossa Liga de basquete, depois outra competição paralela que acabou sendo só uma versão estendida do Paulistão e, por fim, no advento da Liga Nacional de Basquete, que colocou a casa em ordem. Faz tempo.

Seu Ribeirão Preto de 2005 não tinha mais Alex Garcia, que estava tentando a sorte na NBA, mas ainda seguia liderado pela dupla Nezinho-Renato, acompanhando também por Murilo e outros jovens como Douglas (aposentado precocemente, uma pena) e dois espigões que viriam a ser conhecidos como “Rafael Mineiro'' – um no Limeira, o outro no Paulistano, de estilos completamente diferentes.

Nove anos depois, todos vividos na Espanha, o pivô está de volta ao interior paulista, agora em Bauru – a 213 km de Ribeirão e a 193 km de sua cidade natal, Araçatuba. Ele integra mais um plantel de respeito, combinando também estrelas nacionais (Murilo entre elas) e revelações promissoras, cheio de ambição. “O elenco desta temporada para brigar pelos títulos dos campeonatos que formos disputar. O elenco já está se adaptando às novas peças e o entrosamento vem com tempo de quadra. Nossos objetivos sãos os títulos'', afirma o jogador ao VinteUm, em entrevista por email.

Henrique Costa/Paschoalotto/Bauru

Na duríssima semifinal do Paulista contra Franca, em que o time ficou perto da eliminação, mas virou o jogo

Aos 28, após jogar a Euroliga por Real Madrid e Unicaja Málaga, Hettsheimeir é hoje um dos veteranos sob o comando de Guerrinha e um três atletas da seleção brasileira de Rubén Magnano em Bauru, ao lado de Alex, outro grande reforço, e Larry Taylor. Eles voltaram da Copa do Mundo para ajudar a equipe a voltar à final do escondido Campeonato Paulista, que começa a ser disputada nesta segunda-feira, contra o Limeira, em série melhor-de-cinco. É o primeiro troféu que vão buscar. Depois, vêm o NBB e a Liga Sul-Americana, pela qual já venceu seu primeiro quadrangular, semana passada, em casa.

Confira abaixo o que o pivô pensa a respeito da pressão que o clube vai enfrentar na temporada e sua crescente predisposição aos chutes de longa distância, além do cenário nacional que ele reencontra, o que o motivou a deixar a Espanha.

21: Como tem sido o retorno ao basquete brasileiro, depois de tanto tempo no espanhol? Encontrou um cenário diferente, após nove anos?
Rafael Hettsheimeir: Com certeza, o cenário é outro. O basquete brasileiro está mais organizado, os times estão mais competitivos e com jogadores de fora que trazem na bagagem experiência para contribuir com essa evolução.

O que mais o motivou a voltar?
Há dois anos eu pensava em voltar para o Brasil para ficar mais próximo da família. Quando recebi a proposta de Bauru, não pensei duas vezes. Uma equipe competitiva com ótimos jogadores e uma cidade próxima de onde minha família mora.

Nas últimas duas temporadas, você integrou o elenco de dois times de ponta na Espanha. Desnecessário falar sobre a qualidade que o Real Madrid tinha, por exemplo. No final, acabou não tendo muito tempo de quadra? Foi uma combinação de lesões, timing e forte concorrência? Com foi lidar com esse tipo de situação?
No Real Madrid tive a infelicidade de chegar lesionado. Na ocasião o campeonato já estava em andamento e não consegui acompanhar o ritmo, por conta de uma lesão de longo tempo de recuperação, aproximadamente sete meses. A mesma situação de lesão se repetiu no Málaga. Quase no meio do Campeonato tive uma lesão na panturrilha e fiquei três meses parado. Quando voltei, já era fase final e é difícil reintegrar a equipe em jogos decisivos em que eu estava sem ritmo.

Henrique Costa/Paschoalotto/Bauru

Rafael e o jogo interior: ideia é dosar com o tiro de fora, cada vez mais presente em suas atuações

Do que viu em quadra do Bauru, neste processo de adaptação depois da Copa, qual acredita ser o potencial da equipe? Após o Paulista, pensar em título do NBB e da Liga Sul-Americana já é uma meta? Até por ter três jogadores da seleção e jovens de muito valor, o time desperta muita expectativa para este ano. Como lidar com essa pressão?
O elenco desta temporada do Paschoalotto/Bauru foi montado para defender o título paulista, pelo qual estamos lutando na final, e para brigar pelos títulos dos campeonatos que formos disputar. O elenco já está se adaptando às novas peças e o entrosamento vem com tempo de quadra. Nosso objetivo sãos os títulos. A pressão faz parte da vida de um atleta de alto nível, temos que saber lidar com isso e não deixar influenciar dentro de quadra.

Nos últimos anos, fica evidente seu trabalho nos arremessos de longa distância. Hoje, o quão confiante você se sente neste fundamento? No plano tático do Bauru, acha que será algo mais preponderante do que o jogo interior? Ou a idéia é dosar?
A ideia é dosar e vai com a leitura do jogo. Um cinco que arremessa de fora não é tão comum, então isso pode ajudar o time em uma situação de jogo, além de me ajudar a abrir o jogo.

Henrique Costa/Paschoalotto/Bauru

Rafael e Larry, dois selecionáveis

Nesse sentido, a dupla com Murilo parece integrante: ele também gosta de jogar de frente para a cesta, com bom chute e corte. O que você espera dessa parceria?
Tanto o Murilo como o Jefferson têm a capacidade abrir o jogo, além do chute de fora, que é uma arma fundamental, já que dependendo da situação podemos ter cinco jogadores em quadra com capacidade de arremesso. Para o time, isso mostra que um revezamento com o banco mantém a proposta do nosso jogo.

Entre os mais jovens do time, um deles, imagino, estará sempre praticando mais com você, pela posição: o Wesley Sena. Do que já viu nos treinos, o que pode nos contar sobre seu potencial? Te impressionou? Quais suas principais qualidades hoje?
O Wesley é um jogador novo e com um grande potencial. É forte fisicamente e tem talento. Acredito que nesta idade, poder estar treinando com jogadores com larga experiência, como o Alex e o Murilo, por exemplo, vai agrega muito conhecimento para o futuro e o basquete dele.

Para fechar: o plano é ficar por um bom tempo no basquete brasileiro? Ou é uma decisão que pretende encarar a cada temporada?
Eu voltei agora e estou perto da minha família. Agora o plano é esse, defender as cores do Bauru e estar próximo da minha família. Então estou muito feliz com essa combinação.


O Lakers está preparado para ser um saco de pancada?
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Giancarlo Giampietro

Kobe sob fogo cruzado nos EUA

Kobe sob fogo cruzado nos EUA

Numa liga que vem pregando – e brigando pela – paridade, boa parte dos concorrentes não vê a hora que se confirme a tese: a temporada 2014-2015 pode ser aquela em que o poderoso e invejado Los Angeles Lakers vá de se acostumar a ser um saco de pancadas.

Soa muito errado ler uma frase dessas, eu sei. No vácuo, parece maluquice. Mas é só olhar o elenco ao redor de um Kobe Bryant que não era tão questionado assim desde os lamentáveis meses de investigação e audiências por conta de uma acusação de estupro no Colorado que acabou desqualificada, e 2013.  Depois de romper o tendão de Aquiles no final da temporada 2012-2013, o ala retornou no campeonato passado, mas só disputou seis partidas, até ser afastado novamente por conta de uma fratura no joelho. Depois de ter assinado um contrato polêmico, que lhe  mantém como o atleta mais bem pago da liga, enquanto Duncan e Nowitzki dão desconto a Spurs e Mavericks, respectivamente.

Foi um ano para a franquia esquecer por esses e outros motivos. Dwight Howard disse não ao clube, num ato raríssimo – o normal era que os astros fizessem de tudo para jogar sob as luzes de L.A. Pau Gasol se cansou de discutir publicamente com Mike D'Antoni e, mesmo com a garantia de que o treinador não ficaria no time, decidiu partir para Chicago, magoado com uma diretoria que não o apoiou, como esperava. Alguns operários até jogaram bem, excederam as expectativas, mas nada que se animasse muito Jack Nicholson. Resultado: 27 derrotas e 55 derrotas (aproveitamento de 32,9%), a pior marca da franquia desde que a liga adotou o formato de 82 partidas na temporada regular. Em termos de rendimento, apenas os 26,4% de 1957-58, em 72 jogos, no crepúsculo da carreira do ídolo George Mikan. Sinta o drama.

Kobe e Scott, velhos amigos. E quando as derrotas se acumularem?

Kobe e Scott, velhos amigos. E quando as derrotas se acumularem?

Ah, mas nada como um dia após o outro, né?

No caso do Lakers? “Hmmmmm… não'', diria o Homem-Aranha ataíde.

Para o campeonato que vai começar nesta semana, não há otimismo que se sustente. A contratação de Byron Scott pode ter ressonância com seu passado glorioso,  por ser aprendiz de Pat Riley e chapa de Magic Johnson, mas não diz nada sobre o futuro. Ele já foi duas vezes vice-campeão com o Nets na década passada, é verdade, mas não comanda uma campanha vitoriosa desde 2009, em Nova Orleans. Quando tinha Chris Paul, David West, Tyson Chandler e Peja Stojakovic no time titular. Em Cleveland, como sucessor de Mike Brown, foi um completo fiasco. Se o elenco pós-(e-pré)-LeBron era trágico, o treinador falhou gravemente em desenvolver os jovens talentos, especialmente em aspectos defensivos. E ninguém vai poder dizer que o atual elenco angelino inspire o temor nesse sentido.

A última vez em que o clube ficou fora dos playoffs por dois anos seguidos aconteceu há quase 40 anos, entre 1974 e 1976, com 70 vitórias e 94 derrotas acumuladas (aproveitamento de 42,6%). Era o final de gestão do técnico Bill Sharman, e nem mesmo a chegada do mítico Kareem Abdul-Jabbar impediu o vexame. Poderia um Kobe de 36 anos anos evitar o repeteco?

O time: O Lakers foi praticamente ignorado por LeBron James, que nem permitiu que a negociação avançasse além de conversas preliminares com seu agente. Carmelo até levou adiante o namoro, fez sua visita, mas ficou em Nova York, mesmo. Chris Bosh nem ouvidos deu. O gerente geral Mitch Kupchak, então, optou pelo plano B, modesto que só.  Renovou com Jordan Hill por bizarros US$ 9 milhões anuais e com Nick Young. Recolheu Carlos Boozer depois de o veterano ser dispensado por Chicago. Assinou um acordo camarada com ainda promissor Ed Davis, que tem o mesmo agente de Kobe, Rob Pelinka. Descolou Jeremy Lin e uma escolha de draft numa troca marota com o Houston Rockets, que precisava limpar salário na tentativa de fechar com Bosh. Wesley Johnson, Ryan Kelly, Ronnie Price, Wayne Ellington. Ficou nisso. O elenco não só está muito aquém do padrão com o qual uma exigente e mimada torcida se acostumou como apresenta peças redundantes e, no geral, deficientes na defesa.

A pedida: o Lakers fala em playoff, gente. O melhor seria terminar entre os cinco piores da temporada. Só assim teriam chance de manter sua escolha de draft. Do contrário, ela vai para Phoenix. Até isso.

Olho nele: Jeremy Lin. A lesão de Steve Nash abre todo o espaço na armação do Lakers para o armador que levou Manhattan à loucura em 2012. Se, por infeliz acaso, Kobe tiver mais alguma lesão, o ex-jogador do Houston Rockets teria de assumir ainda mais carga criativa no ataque da equipe angelina. Desde que Nick Young aceitasse. Estariam Hollywood (e Scott) preparados para ver a sequência da Linsanidade? Agora, bem de pertinho? Em breve, no League Pass.

Linsanidade II: mais uma sequência hollywoodiana?

Linsanidade II: mais uma sequência hollywoodiana?

Abre o jogo: “Eu não quero ser o próximo Shaq. Quero ser o próximo Kobe. Estava dizendo isso para minha mãe esses dias. Não quero ser só um jogador de garrafão'', Julius Randle, o ala-pivô selecionado pela equipe na sétima posição do último Draft, vindo de Kentucky.

Ainda que não tenha comovido ninguém por seu desempenho por Kenucky, nos tempos de colegial, Randle era ainda mais bem cotado. Num momento difícil como esse, o desenvolvimento do calouro pode ser importantíssimo para o futuro da franquia. Com essa interessante declaração, o rapaz deixa claro que confia na expansão de seu jogo, em sua versatilidade. Ele tem drible, velocidade e disposição para correr com a bola, se mover pela quadra.  Agora, com Carlos Boozer, Ed Davis e Jordan Hill no elenco, Byron Scott, que costuma ser duro com os novatos, vai lhe dar o tempo de quadra necessário, mesmo que o jovem atleta cometa alguns erros básicos? Seria inteligente que sim.

Você não perguntou, mas… não dá para dizer que Kobe Bryant e a ESPN americana vivam uma lua de mel. O astro primeiro se irritou ao ver que o painel de jornalistas da emissora o elegeu como o 40º melhor jogador da liga a caminho desta temporada, logo atrás de Dwyane Wade, Rajon Rondo, Klay Thompson e Andre Iguodala. Se você for reparar, nesse grupo de atletas, temos três craques que lidaram com graves lesões nos últimos anos… Mas, para o ala do Lakers, essa coincidência não era o suficiente para amansar seu ego. “Já sei há bastante tempo que esses caras são um bando de idiotas'', disparou. Os fãs do jogador se revoltaram e afirmaram que o 40º lugar era um desrespeito. Coordenador do núcleo estatístico do ESPN.com, o jornalista Royce Webb atirou lenha na fogueira ao dizer que, na verdade, o número 40 parecia até mesmo superestimado para o atleta, considerando todos os seus problemas físicos e a produção pífia que teve em seis partidas na campanha anterior.

Para piorar, a revista do conglomerado midiático publicou um artigo bombástico no qual Henry Abbott cita uma dúzia de fontes anônimas que detonam o craque. “Ele é provavelmente o maior jogador da história da franquia. Ele também a está destruindo por dentro'', diz o texto. Ouch. A ideia é a de que o ala teria feito de tudo para sobrar como o único astro da equipe, alienando e/ou assustando possíveis reforços. Obviamente o texto teve enorme repercussão. Muitos atletas e ex-Lakers saíram em defesa de Kobe, além da vice-presidente Jeanie Buss, que disse que investigaria qual seria um dos funcionários do clube que teria falado sem se identificar, para demiti-lo. “Quem não quiser jogar com Kobe é um covarde'', resumiu.

PS: sabe quem não gostou também do ranking da ESPN? Nick Young, claro, o número 150. “Posso garantir que não há 149 pessoas melhores que eu nesta liga'', afirmou. : )

byron-scott-fleer-lakers-cardUm card do passado: Byron Scott. O ala-armador jogou 11 temporadas pelo Lakers, sendo dez delas em sequência, de 1983 a 1993. Depois de passar por Indiana e Vancouver (no primeiro ano da removida franquia canadense), voltou a Los Angeles para se despedir da NBA em 1996-97, ano em que foi um mentor para Kobe, calouro e adolescente. Scott nunca foi eleito para o All-Star Game, mas teve grande participação nos títulos do clube dos anos 80, tendo média de 18 pontos por jogo. O card ao lado é da temporada 1988-89, na qual a equipe tentou o tricampeonato, mas acabou varrida pelos Bad Boys de Detroit na decisão. Bastante atlético, ele decolava rumo ao aro para grandes cravadas, mas também acrescentava ao superataque do showtime o tiro de três pontos, sendo um dos primeiros atletas da liga a ser temido neste fundamento. Hoje, ironicamente, se posiciona de modo contrário ao movimento estatístico que prega o chute de longa distância como instrumento essencial para o sucesso. “Isso só te leva até os playoffs'', afirmou, ignorando o sucesso de Spurs, Heat e Mavs durante a década.

PS: nesta terça-feira, a temporada da NBA já começa com transmissão no canal Sports+, da SKY. Estou nessa transmissão ao lado do Dr. Ricardo Bulgarelli e do chapa Marcelo do Ó. E começamos com quem? O Lakers, mesmo, enfrentando o Houston Rockets.