Vinte Um

Arquivo : março 2013

Palmeiras embala no NBB e, ao menos no basquete, consegue um suspiro
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Giancarlo Giampietro

Guto x Léo Meindl

O veterano Guto contra a revelação Léo Meindl, confronto de gerações no perímetro

Com agressão de torcedores em aeroporto de Buenos Aires e um time ainda em formação, sabemos que a vida do Palmeiras nos campos de futebol não anda das mais fáceis. Em quadra, porém, o clube do Palestra Itália vai conseguindo um suspiro, gente.

Neste fim de semana o time alviverde fez valer seu mando de quadra, superando a impertinente fedelhada do Franca por 87 a 77,  seu terceiro triunfo consecutivo no campeonato.

Revelações do basquete brasileiro na década passada, papel que cabe a boa parte do elenco francano na atual geração, o pivô Tiagão e o ala Guto se destacaram. Jogando contra Lula Ferreira, o comandante que o revelou nos tempos de Ribeirão Preto ao lado de Lucas Costa e Cipriano, Tiagão arrebentou com 18 pontos e 13 rebotes (e mais três assistências somando 30 no índice de eficiência, partidaça), enquanto Guto anotou 20 pontos.

Depois de um ótimo segundo quarto em que conseguiu anotar 27 pontos e, ao mesmo tempo, limitar o adversário a apenas 12, o Palmeiras chegou a abrir uma vantagem de 55 a 37 no terceiro período. Com um time energético, porém, os visitantes batalharam, cortaram a diferença para apenas quatro na parcial final (75 a 71). Sem perder a calma, no entanto, algo que é raro nestes tempos, a equipe anfitriã conseguiu se segurar no placar. Alguns números de destaque: os palmeirenses cometeram 25 desperdícios de posse de bola e, ainda assim, venceram; sua defesa limitou os interioranos a apenas 3/15 na linha de três, aproveitamento de apenas 20%, enquanto no ataque converteram 10/20.

Foi a segunda vitória seguida do Verdão contra adversários da zona de classificação dos playoffs – na rodada anterior, haviam batido o Uberlândia por 112 a 104. Antes, no dia 23 de fevereiro, venceram o Mogi por 86 a 77. Os três jogos foram em casa, diga-se: fica então o convite para seus torcedores comparecerem nas próximas rodadas na rua Turiassu, enquanto a Arena Palestra não fica pronta.

Essa é a maior sequência de vitórias do clube, que chegou a perder 12 de modo consecutivo entre 6 de dezembro até o dia 31 de janeiro, quando bateram o Suzano fora. De 14 de fevereiro para cá, as coisas viraram: são, na verdade, cinco vitórias em seis partidas – a única derrota aconteceu contra o São José, fora, por 77 a 65.

O Palmerias soma agora oito vitórias em 26 jogos. Quer dizer, nas últimas semanas, venceu mais da metade de suas partidas na competição. Estão empatados agora com o Vila Velha na 15ª posição, com quatro vitórias de vantagem sobre os lanterninhas Suzano e Tijuca.

*  *  *

A boa fase do basquete palmeirense agora será duramente testada na próxima quinta-feira, contra o, glup!, Brasília, que não perde há 13 jogos.. Legal que vai ter transmissão do SporTV, 21h. A conferir.


Nas quartas de final, Argentina e o carma. E dava para ser diferente?
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Giancarlo Giampietro

Deu Brasil x Argentina nas quartas de final de Londres-2012. Mesmo.

E… Dava para ser de outro jeito?

Se é para conseguir sua redenção olímpica, para tentar redimir uma geração esculhambada durante toda a década passada, talvez todo o carma do mundo exigisse que tivéssemos esse clássico sul-americano pela frente, como vamos relembrar agora.

Não curto muito escrever em primeira pessoa: nós (nós quem, cara pálida?) contra eles. Mas vocês deem um passe-livre nesta ocasião, por favor:

Varejão x Oberto

O jovem Anderson Varejão disputa rebote com Fabricio Oberto – Rogério Klafke também estava lá

- Eles nos derrotaram no Mundial de 2002, em Indianápolis, onde seriam vice-campeões. A seleção ainda era treinada por Hélio Rubens, havia dois irmãos Varejão no garrafão, Tiago Splitter estreava com 17 anos, Nenê já estava fora, e dividiam a armação Helinho e Demétrius, hoje assistente do técnico, então deles, Rubén Magnano. O primeiro tempo terminou empatado em 29, mas os caras abriram boa vantagem no terceiro quarto e triunfaram por 78 a 67.

- Eles repetiram a dose no Pré-Olímpico de 2003. Um ano depois, se consagrariam como campeões olímpicos em Atenas. Em San Juan, Porto Rico, ajudaram a empurrar ladeira abaixo a seleção, agora com Lula Ferreira e renovada. Os ainda garotos brasileiros sofreriam mais três reveses – até para o México de Nájera! – e seriam eliminados. Aquele foi um jogo feio, arrastado e equilibrado do início ao fim, com 35 (!!!) desperdícios de posse de bola.

- Avançamos no tempo consideravelmente agora, ignorando a esvaziada Copa América de 2005, e chegamos a Las Vegas, 2007. Só jogatina e ressaca: nós sem Anderson Varejão, mas com Splitter já bem crescido na Europa e Nenê retornando após quatro anos, e eles sem: 1) Ginóbili, 2) Nocioni, 3) Oberto e 4) Herrmann, mas foram duas derrotas: uma pela segunda fase e a outra, valendo vaga olímpica, pelas semifinais. Este blogueiro aqui estava lá, ganhou muitos pontos na escala de animosidade com boa parte do atual grupo, num ambiente tumultuado e extremamente tenso. Luis Scola jogou demais, Delfino acertava tudo de fora, Kammerichs tinha o bigodão mais legal do basquete, e foram duas pauladas bem doloridas que custaram a demissão de Lula. What happens in Vegas, stays in Vegas, baby!

Marcelinho x Delfino

Em Las Vegas-2007, Marcelinho viu a Argentina de Delfino vencer mais uma vez

(- Agora estamos em 2009, com o tiozão Moncho Monsalve no comando, bem piradão, e voltamos a San Juan, pela Copa América, para enfim derrotar uma Argentina que tenha escalado o tal do Scola. Foi pela primeira fase, não tinha vaga em jogo, nem nada. Eles tinham apenas o ala-pivô número 4 e Prigioni de suas principais peças, enquanto jogamos com Varejão, Splitter, Huertas, Leandrinho, Alex e, sim, Duda! Injusto? O trauma era tão grande, que não importava.)

- Em 2010, Mundial de Istambul, ainda ouvindo instruções em espanhol, mas com um sotaque argentino: Magnano foi contratado para o lugar de Moncho. A seleção apresenta uma defesa combativa de um modo nunca visto nesta geração, quase derrota os Estados Unidos, mas é eliminada pelos caras nas oitavas de final. Foram 37 pontos de Scola, santamãe, com um quarto período, infelizmente, inesquecível. Para completar, Delfino e Jasen mataram juntos 21 pontos de longa distância. Nocaute.

-  Que tal lavar, um pouco, da alma, então, derrotando nossos arquirrivais logo na casa deles, em Mar del Plata-2011? Foi o que a seleção de um Marcelinho Huertas dominante na armação e de um Hettsheimeir surpreendente fez, não importando que os ícones da Geração Dourada estivessem reunidos por ali. Um triunfo que encaminhou nossa equipe para a primeira vaga olímpica desde Atlanta-1996. Já classificados, os dois times se enfrentaram, então, na final: de moicano, e ressaca das boas, a trupe perdeu por cinco pontos.

Não dá para dizer que é um tira-teima, né? Não depois de tantas derrotas assim. Apenas valeria se nos limitássemos aos confrontos do ano passado para cá, incluindo os dois (nada) amistosos deste ano, com acusação de roubalheira em Buenos Aires, mãos no vácuo na hora de cumprimentar por lá, empurra-empurra e dedos em riste em Foz do Iguaçu. Foram duas vitórias para cada lado.

Neste confronto, não precisa nem de análise de vídeo: nossos pivôs já estão cansados de enfrentar Scola. Ginóbili sabe muito bem como Alex é um pé na sacola na marcação. E por aí vai. São personagens que se enfrentam há dez anos – Marcelinho Machado, por exemplo, estava em todos os jogos listados acima.

Desta vez os times se enfrentam com o que têm de melhor, ou quase. Prigioni ainda não se recuperou de cólicas renais. Nenê sofre com dores crônicas no pé e, segundo Magnano, é dúvida.  Quem perde mais nesta? O Brasil perde um ótimo defensor contra Scola. A Argentina fica sem seu jogador mais cerebral.

Nas próximas horas, esses protagonistas todos podem tentar minimizar qualquer noção de rancor e tal. Splitter e Scola são muito amigos, por exemplo. O catarinense se dá bem pacas com Ginóbili em San Antonio. Magnano tem o respeito de todos do outro lado. Quando a bola subir, porém, lembre que há fortes recordações em jogo.