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Discurso do candidato Grego distorce campanhas das seleções brasileiras
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Giancarlo Giampietro

Não faz tanto tempo assim, gente. São quatro anos só que separaram Gerasime Bozikis, nosso presente de Grego, da presidência da CBB. De modo que quem acompanhou para valer sua gestão não se esqueceu de nada. Então pega mal pacas quando você lê a entrevista do candidato ao R7 e dá de cara com aberrações com esta aqui: “Por falta de uma melhor comunicação e de um fluxo contínuo de informações para a mídia e a comunidade do basquete, acabaram ganhando corpo várias críticas que na realidade não procediam. Creio que o saldo é extremamente positivo”.

Presente de Grego

CBB vai receber seu presente de Grego mais uma vez?

(Como se falta de comunicação, numa confederação nacional, já não fosse um defeito gravíssimo, mas bora lá.)

O saldo positivo de que fala Bozikis seria no lado competitivo da CBB e suas seleções durante sua administração. Que foram tantos títulos e façanhas que não tínhamos do que reclamar. Fala sério, difícil saber até por onde começar.

Melhor, então, rebater ponto a ponto:

Levamos a seleção feminina a todas as Olimpíadas e conquistamos uma medalha de bronze  em Sydney 2000, porém, não tivemos a mesma performance com a seleção masculina, fato que felizmente aconteceu em Londres 2012.
>> Em 2000, jogadoras como Janeth, Alessandra, Helen ainda estavam no auge – ou muito perto disso. Ser medalhista com essa turma é uma coisa. Ser medalhista com o que levamos a Londres é outra. O fato de a seleção feminina ter chegado esfacelada aos últimos Jogos é produto da incompetência da gestão de Hortência no departamento, mas também diz muito sobre o trabalho de base feito na gestão anterior, não? Afinal, eles jogaram com as veteranas até elas não poderem mais, enquanto nenhuma transição era feita. Sobraram Iziane, Adrianinha e não muito mais que isso para ciclo olímpico 2009-2012.

Mas, se prestarmos atenção, nas equipes brasileiras masculinas que disputaram os Pré Olímpicos de 2003/P.Rico e 2007/Las Vegas, onde enfrentamos os EUA (o que não aconteceu ano passado) e fomos eliminados, nove dos atletas que disputaram as Olimpíadas estavam lá, inclusive o Nenê.
>> Tá… Mas e daí? O que isso tem a ver com alguma coisa? O quê? Não vai o Grego querer dizer que sua CBB foi a responsável pela cultivação de Leandrinho, Nenê, Huertas, Splitter e toda essa galera, né? E, pior: se nove dos atletas que jogaram em Londres estavam em seu time, o que aconteceu de errado para eles não se classificarem? Oi? Cadê o mérito a ser destacado na declaração do ex-presidente? De novo: oi??? E vale esmiuçar este trecho aqui:

Nájera, do México

Pega leve, Nájera: mexicanos na frente

Onde enfrentamos os EUA (o que não aconteceu ano passado) e fomos eliminados.”
>> Isso é verdade. O presente de Grego teve o azar de a USA Basketball desandar justamente durante seu reinado na confederação brasileira. De todo modo, não custa lembrar que em 2003, não foi apenas atrás dos EUA que o Brasil ficou no Pré-Olímpico. Na verdade, a seleção terminou em SETIMO naquele torneio, atrás também de Argentina, Porto Rico, Canadá, Venezuela e, não obstante, o México. Ai, caramba! Em 2007, ao menos livramos nossa honra e superamos canadenses, venezuelanos e mexicanos para terminar em QUARTO. Ou seja: matematicamente, não foi só a presença dos EUA nos torneios que tirou os rapazes das Olimpíadas. Agora, calma, que tem muito mais…

Vencemos vários PAN-AMERICANOS, COPAS AMÉRICAS, Sul-americanos nas diversas categorias Feminino e Masculino, 2° no Mundial Sub 21 Fem e 4° no Mundial Sub 19 Masc.”
>> Vixemaria. Respirando fundo, tomando um baita fôlego, vamos lá: o Brasil ganhou Pans e Copas Américas! Explêndido, né? Torneios que muitas vezes os mesmos EUA supracitados nem disputavam! Ou disputavam com a molecada da universidade! Torneios dos quais Ginóbili, Nocioni, Oberto e outros craques argentinos passavam longe! E o Brasil escalando quase tudo o que tinha de melhor, com a exceção de Nenê. Vejam, por exemplo, o elenco brasileiro campeão da Copa América de 2005. Agora confiram a Argentina num raro momento em que eles não contaram nem mesmo com Scola e Prigioni. Porto Rico não tinha Arroyo, Barea e Santiago. Etc. Etc. Etc. Sobre o vice-campeonato mundial sub-21 feminino, basta dizer que esta é uma das histórias mais tristes que temos: boa parte daquela equipe já está FORA do esporte.

Também organizamos 2 mundiais FIBA no Brasil (S.Paulo e Natal) e criamos o Campeonato Feminino, a Escola Nacional de Treinadores, o Basquete do Futuro Eletrobrás.”
>> Ah, verdade: o Mundial feminino de 2006! Aquele que não tinha público durante a semana, sofria com as goteiras do Ginásio do Ibirapuera, deixando o secretário da Fiba pê da vida. Esse mesmo. Foi uma bela tacada trazê-lo para cá, não há dúvida, mas sua precária realização foi inesquecível. A Escola Nacional de Treinadores, convenhamos, não tem influência positiva alguma sobre nada do que acontece no Brasil – mas sejamos justos: isso também não é culpa do candidato. Do Basquete do Futuro… Nem sei o que dizer. Porque é outro programa que  tem pompa, soa bonito, mas sem resultados práticos divulgados.

Nacional masculino de basquete 2006

Nezinho faz a bandeja por Ribeirão no campeonato que não teve um campeão: profissionalismo

Olha, a gente podia continuar com este exercício até amanhã. Todas essas réplicas aqui foram a apenas uma resposta de Bozikis.

Ele ainda se orgulha de ter profissionalizado o Nacional masculino de basquete, por exemplo. Aí você consulta ao Google só pra testar a memória e dá de cara com a seguinte frase no verbete da edição de 2006 na Wikipedia: “O 17º Campeonato Nacional Adulto Masculino de Basketball não teve campeão”. Mais direto impossível, né? 🙂

Ele ainda se orgulha de ter criado o “comitê de clubes”, num gesto tão democrático que emociona. “Passamos a direção para a LIGA NACIONAL de BASQUETE (LNB) no momento certo e de forma correta”. Atente para “momento certo e de forma correta”, frase que também pode ser lida como “demorei horrores para largar o osso”. Era para o NBB já ter sete, oito anos de disputa.

E por aí vamos até saber que  o candidato tem três palavrinhas mágicas para sua chapa: “la disciplina, la unión, lo trabajo, lo profissionalismo…” Ops, brincadeirinha. Sao estas aqui: reflexão, modernização e transparência.

Em termos de reflexão, realmente temos muito que fazer a respeito.

*  *  *

Em tempo, um ponto importante que não pode passar em branco. Para vender sua campanha, o presente de grego enfatiza, entre outros tópcos, os seguintes: “Desenvolver um novo projeto de gestão empresarial para a CBB com a participação dos Presidentes das Federações” e “Aoiar as Federações economicamente na sua estruturação e dar o suporte necessário”. São os preidentes das federações que elegem o próximo mandatário da CBB.

Ah, tá. Faz sentido.

*  *  *

Em tempo: não venham vocês acharem que o blogueiro tem uma quedinha pelo atual presidente da CBB, Carlos Nunes, que busca a reeleição. Cliquem aqui, por favor.


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