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Arquivo : Belinelli

Mercado da Divisão Sudeste: Pat Riley virou a página
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Giancarlo Giampietro

Quem já leu os textos sobre a Divisão Central ou sobre a Divisão Pacífico, pode pular os parágrafos abaixo, que estão repetidos, indo direto para os comentários clube a clube. Só vale colar aqui novamente para o marujo de primeira viagem, como contexto ao que se vê de loucura por aí no mercado de agentes livres da NBA

riley-wade-miami-heat

As equipes da NBA já se comprometeram em pagar algo em torno de US$ 3 bilhões em novos contratos com os jogadores, desde o dia 1º de julho, quando o mercado de agentes livres foi aberto. Na real, juntos, os 30 clubes da liga já devem ter passado dessa marca. Cá entre nós: quando os caras chegam a uma cifra dessas, nem carece mais de ser tão preciso aqui. Para se ter uma ideia, na terça-feira passada, quarto dia de contratações, o gasto estava na média de US$ 9 mil por segundo.

É muita grana.

O orçamento da liga cresceu consideravelmente devido ao novo contrato de TV. O teto salarial subiu junto. Se, em 2014, o teto era de US$ 63 milhões, agora pode bater a marca de US$ 94 milhões. Um aumento de 50%. Então é natural que os contratos acertados a partir de 1o de julho sejam fomentados desta maneira.

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Vem daí o acordo acachapante fechado entre Mike Conley Jr. e Memphis Grizzlies, de US$ 152 milhões por cinco anos de duração, o maior já assinado na história. Na média anual, é também o mais caro da liga. O que não quer dizer que o clube o considere mais valioso que Durant e LeBron. É só que Robert Pera concordou em pagar ao armador o máximo que a franquia podia (no seu caso, com nove anos de carreira, 30% do teto salarial), de acordo com as novas regras do jogo.

Então é isto: não adianta ficar comparando o salário assinado em 2012 com os de agora. Se Stephen Curry, com US$ 12 milhões, ganha menos da metade de Conley, é por cruel e bem particular conjuntura. Quando o MVP definiu seu vínculo, estava ameaçado por lesões aparentemente crônicas e num contexto financeiro com limites muito mais apertados. Numa liga com toda a sua economia regulamentada, acontece.

O injusto não é Kent Bazemore e Evan Turner ganharem US$ 17 milhões anuais. O novo cenário oferece isso aos jogadores. O que bagunça a cabeça é o fato de que LeBron e afins não ganham muito mais do que essa dupla, justamente por estarem presos ao salário máximo. Esses caras estão amarrados de um modo que nunca vão ganhar aquilo que verdadeiramente merecem segundo as regras vigentes, embora haja boas sugestões para se driblar isso.

Feito esse registro, não significa que não exista mais o conceito de maus contratos. Claro que não. Alguns contratos absurdos já foram apalavrados. O Lakers está aí para comprovar isso. Durante a tarde de sexta-feira, recebi esta mensagem de um vice-presidente de um dos clubes do Oeste, envolvido ativamente em negociações: “Mozgov…  Turner…  Solomon… Sem palavras”. A nova economia da liga bagunça quem está por dentro também. As escorregadas têm a ver com grana, sim, mas pondo em conta o talento dos atletas, a forma como eles se encaixam no time, além da duração do contrato.

Então o que aconteceu de melhor até aqui?

Para constar: o blog ficou um pouco parado nas últimas semanas por motivo de frila, mas a conta do Twitter esteve bastante ativa (há muita coisa que entra lá que não vai se repetir aqui). De qualquer forma, também é preciso entender que, neste período de Draft e mercado aberto, a não ser que você possa processar informações como um robô de última geração como Kevin Pelton, do ESPN.com,  o recomendável não é sair escrevendo qualquer bobagem a cada anúncio do Wojnarowski no Vertical. Uma transação de um clube específico pode ser apenas o primeiro passo num movimento maior, mais planejado. A contratação de Rajon Rondo pelo Chicago Bulls no final de semana muda de figura quando o clube surpreende ao fechar com Dwyane Wade, por exemplo. No caso, fica ainda pior.

Agora, com mais de dez dias de mercado, muita coisa aconteceu, tendo sobrado poucos agentes livres que realmente podem fazer a diferença na temporada, deixando o momento mais propício para comentários:

– Atlanta Hawks
Quem chegou: Dwight Howard e os calouros Taurean Prince e DeAndre Bembry.
Quem ficou: Kent Bazemore.
Quem saiu: Al Horford (Celtics), Jeff Teague (Pacers) e Lamar Patterson (Kings).

Howard chorou em sua coletiva de apresentação

Howard chorou em sua coletiva de apresentação

Se você é torcedor do Atlanta Hawks, melhor não ler este artigo aqui de Zach Lowe. O melhor analista da NBA nos conta qual era o verdadeiro plano de Mike Budenholzer para este mês. A ideia basicamente era renovar com Horford, fazendo nova dupla com Howard, e trocar Paul Millsap.

Mas por que diabos trocariam o melhor jogador do time e um dos melhores alas-pivôs da liga? Por que, em 2017, ele vai virar agente livre, e seu próximo salário pode passar da casa de US$ 35 milhões anuais. Uma coisa é pagar isso a um cara de 30 anos. Outra, para alguém se aproximando dos 35, no finalzinho do contrato. Então eles poderiam repassá-lo agora, descolar de Phoenix, Denver ou Toronto algumas jovens peças e escolhas de Draft, dando um jeito de manter um time ainda bastante competitivo no Leste, ao mesmo tempo em que preparavam uma transição para um novo núcleo. Pois Horford não queria jogar com Howard, queria o máximo de dólares que Atlanta lhe poderia dar, não recebeu, então se mandou para Boston.  Agora Millsap retorna sabendo muito bem que poderia ter mudado de endereço. Um elemento incômodo para a química no vestiário. Bote aí uma também uma criançona como seu novo contratado, e o clima de paz e amor dentro do clube será desafiado.

Vamos ver como o antigo superpivô vai se comportar e jogar. Desde que saiu de Orlando, Howard basicamente só resmunga. Primeiro foi com Kobe. No ano passado, com Harden. Também reclama de técnicos quando a bola não chega e tem dificuldade para se manter em forma – não faz mais sentido recordar seus anos dourados quando sustentava uma forte defesa por conta própria. Enfim, faz tempo que ele dá dor-de-cabeça. Não havia, porém, gente tão boa assim disponível no mercado. Por US$ 23,5 milhões anuais, ele vai ganhar algo em torno de 40% a mais que Timofey Mozgov, sendo ainda muito mais jogador, de todo modo. Para assimilar o pivô, que nunca foi um grande passador e comete muitos turnovers, Budenholzer vai precisar adaptar bem seu sistema.

De resto, os dias de Jeff Teague estavam contados por lá, mesmo. É outro que vai pedir uma boa grana no ano que vem e, neste caso, já havia um substituto preparado. A NBA inteira agora vai ver se Dennis Schröder tem maturidade e bola para ser um titular numa equipe de ponta. O retorno por Teague na troca tripla com Indiana e Utah foi o ala Taurean Prince, um protótipo de DeMarre Carroll. Mesmo sendo mais velho que o novato comum, vindo de quatro anos de universidade, ainda não está pronto para entrar na rotação. O clube confia que sua comissão técnica dê um jeito nisso o quanto antes. A esperança é que ele eventualmente se transforme num defensor que possa incomodar o tal do LeBron. Já Bembry não só vai reforçar o time dos DeAndre na liga, algo sempre muito bem-vindo, como também tende a se encaixar na sinfonia de passes no ataque. Não representa ameaça nenhuma como atirador, mas deve ganhar seus minutos ao lado de Korver, Sefolosha e Bazemore. Pois é, Bazemore disse não ao Lakers e ao Rockets e ficou, ganhando agora mais de US$ 17 milhões por temporada. É um preço salgado, mas esta é a nova economia da liga. E estamos falando de um ala muito útil, que contribui ao time em diversas vertentes e, mesmo aos 26 anos, parece ainda ter potencial para ser explorado.

O Atlanta ainda tem talento para se manter entre os quatro melhores do Leste, desde que Howard produza um pouco mais do que fez em Houston, sem corroer o espírito da equipe, que Schrödinho responda como a franquia espera e que Millsap ignore o ruído das últimas semanas. Mas o elenco não evoluiu nem pensando no agora mesmo, nem para daqui a pouco.

– Charlotte Hornets
Quem chegou: Marco Belinelli, Roy Hibbert, Brian Roberts, Ramon Sessions e Christian Wood.
Quem ficou: Nicolas Batum e Marvin Williams.
Quem saiu: Courtney Lee (Knicks), Al Jefferson (Pacers), Jeremy Lin (Nets) e Troy Daniels (Grizzlies).

Batum é de Charlotte

Batum é de Charlotte, e ninguém tasca

A boa campanha na temporada passada teve seu preço para Charlotte: US$ 174,5 milhões em contratos para Batum e Williams e a perda de peças importantes como Lee, Jefferson e Lin. Considerando todas as possibilidades de mercado e as perdas e danos que o clube teve, Michael Jordan não tem do que reclamar.

O mínimo vacilo, hesitação que a franquia desse, e pode ter certeza que os dois agentes livres que renovaram seus contratos teriam saído. Batum ainda é um dos alas mais completos da liga, mesmo que nunca tenha ativado aquele instinto assassino que todos os seus talentos poderiam empregar muito bem. Já Williams foi um dos atletas que mais evoluiu nos últimos dois anos, se aproximando daquela imagem que muitos scouts projetavam quando ele foi eleito o número dois do Draft de 2005, logo acima de Deron Williams e Chris Paul.

Lee e Lin formaram excelente conjunto com o ala francês e o cestinha Kemba Walker, mas ficaram muito valorizados, sem que o Hornets tivesse condições de bancar seus contratos. A equipe vai sentir a falta de um na defesa e, do outro no ataque. Mas o técnico Steve Clifford foi competente o bastante desde que chegou a Charlotte para a diretoria confiar que o desenvolvimento interno pode compensar, de certa forma, essas baixas. Sob o comando de Gregg Popovich, Marco Belinelli jogou seu basquete mais consistente. No campeonato passado, foi um desastre para Sacramento. Mastalvez possa se recuperar em um time muito mais organizado. (É bom que o faça, já que custou uma escolha de primeira rodada de Draft, com bons prospectos ainda disponíveis.)

Já Al Jefferson, tão importante em 2014, mostrando que a cidade pode ser, sim, um destino para grandes contratações, acabou se tornando supérfluo depois de tantas lesões e de o gerente geral Rick Cho branquelos para o garrafão. Cody Zeller, Frank Kaminsky e Spencer Hawes não têm nem metade da habilidade do veterano para atacar em post ups, mas, coletivamente, podem suprir sua pontuação e contribuir para a movimentação e espaçamento do ataque. E ainda temos aqui Hibbert como alternativa, tentando esquecer o pesadelo que foi sua experiência em Hollywood.

– Miami Heat
Quem chegou: Derrick Williams, James Johnson, Wayne Ellington, Willie Reed, Luke Babbitt e Rodney McGruder.
Quem ficou: Hassan Whiteside, Udonis Haslem e Tyler Johnson.
Quem saiu: Dwyane Wade (Bulls), Joe Johnson (Jazz) e Luol Deng (Lakers).

Quem saiu: Dwyane Wade. Quem chegou: Wayne Ellington. É, meu amigo torcedor do Heat, eu sei que dói. Comparando assim de cara, é até um disparate. Com melhor diplomacia, mais jogo de cintura, Pat Riley poderia ter mantido Wade em Miami, sem dúvida. Agora… E se Riley, hã, por acaso, estiver certo nessa?

Vamos pensar por um instante: ainda que ele tenha disputado mais de 70 partidas de temporada regular pela primeira vez desde 2011, sua eficiência em quadra só vem diminuindo. Algo esperado, gente, para um ala-armador que foi um dos maiores atletas de sua geração e nunca desenvolveu seu arremesso de longa distância para compensar essa coisa infalível chamada envelhecimento.

Sim, Wade ainda é produtivo. Nos playoffs, conseguiu carregar a equipe nas costas uma última vez. E, sim, ele deu alguns descontos para o clube no passado, especialmente em 2010, para que LeBron e Bosh fossem contratados. Mas, veja bem: não é que só o Miami tenha se beneficiado nessa. O próprio Wade foi bem menos exigido com a chegada de mais duas estrelas, em vez de ficar sofrendo para tentar decifrar Michael Beasley.

Aos 34 anos, uma hora o fim vai chegar. E Riley simplesmente não estava disposto a pagar US$ 20 ou 25 milhões por ele. Foi uma traição? Foi desleal? Ou foi simplesmente pensando no melhor para o clube? Ou já nos esquecemos o que foram as últimas temporadas do Lakers com Kobe Bryant? A última campanha, especificamente, é algo que deve atormentar qualquer dirigente mais consciente.  Houve momentos comoventes, divertidos, surreais… E aqui está o Lakers no escuro, desamparado, sem nem mesmo conseguir uma reunião com Hassan Whiteside.

Para o pivô, era Heat ou Mavs. Ficou na Flórida, como um pilar para que a franquia se reconstrua. Sem a sombra de Wade, Goran Dragic vai assumir as rédeas do ataque e jogar mais ao seu estilo. A ameaça de pick-and-roll com Whiteside já é o suficiente para sustentar um bom ataque. Se Chris Bosh conseguir superar os temores por sua saúde e for liberado, é um núcleo para playoff. Se o pivô for barrado, vida que segue, com o clube contando com o progresso contínuo que os jovens atletas vêm apresentando.

Ainda vai levar um tempo para Justise Winslow ameaçar no ataque, mas sua presença em quadra já trás mais pontos positivos que negativos. Josh Richardson foi um tremendo achado no ano passado. Tyler Johnson obviamente não vale hoje os US$ 50 milhões que o Nets o ofereceu, mas tem potencial de sobra para eventualmente justificar o contrato ao final de sua duração. Reed será um ótimo reserva para Whiteside. E estou curioso para ver o que Derrick Williams pode render com Erik Spoelstra, tendo espaço para carregar uma boa carga ofensiva, correndo ao lado de Dragic e Whiteside.

– Orlando Magic
Quem chegou: Serge Ibaka, Bismack Biyombo, Jeff Green, DJ Augustin, Jodie Meeks, CJ Wilcox e Stephen Zimmerman.
Quem ficou: Evan Fournier.
Quem saiu: Victor Oladipo (Thunder), Ersan Ilyasova (Thunder), Brandon Jennings (Knicks), Dewayne Dedmon (Spurs), Andrew Nicholson (Wizards), Jason Smith (Wizards), Devyn Marble (Clippers) e Shabazz Napier (Blazers).

Só está faltando Mutombo de diretor em Orlando para a Conexão Congo ficar completa

Só está faltando Mutombo de diretor em Orlando para a Conexão Congo ficar completa

Está aqui um dos clubes mais enigmáticos da NBA. Com o gerente geral Rob Hennigan espera que Frank Vogel vá distribuir os minutos da linha de frente entre Ibaka, Biyombo, Vucevic, Green e Hezonja, é uma ótima pergunta.

Quando a equipe anunciou sua  troca surpreendente com OKC, já havia questionado o que a chegada do congolês significava para o jogador mais promissor do elenco, que é Gordon. Para mim, me parece claro que o futuro desse superatleta é como ala-pivô explosivo e dinâmico”, em vez de “ala forte, alto, mas muito mecânico, travado com a bola”. Ao adicionar também Biyombo, parece que o objetivo é empurrar o rapaz para o perímetro, mesmo. Mas aí o cara vai e me contrata Jeff Green também? Por US$ 15 milhões por um só ano? Que é mais do que Tobias Harris vai receber neste próximo campeonato? Difícil de entender isso.

Enquanto isso, sua back court está bastante enfraquecida. Ou Elfrid Payton dá um passo adiante, assumindo o controle de fato do ataque, ou talvez não adiante nada ter tantos pivôs e atletas estocados assim, sem que eles possam receber a bola. DJ Augustin encontrou seu rumo na liga, mas como pontuador vindo do banco, e não como o organizador que se esperava quando saiu da universidade. Fournier e Meeks oferecem arremesso de longa distância, mas vão se revezar em quadra, de modo que a quadra pode ficar bastante apertada também. A não ser que Ibaka jogue aberto o tempo todo.

O Orlando vai de técnico em técnico, de plano em plano, como se fosse um Phoenix Suns do Leste, querendo brigar pelos playoffs, mas sem cuidar direito de seus atletas mais jovens também. Com Skiles, a equipe teve seus momentos na temporada passada, mas perdeu rendimento rapidamente. O sargentão já não consegue motivar um grupo nem mesmo por um campeonato que seja. Nesse sentido, o acerto com Vogel não poderia ser mais positivo – os dois são completamente diferentes no trato com os atletas. O ex-treinador do Pacers, porém, será ainda mais testado do que foi na temporada passada. E isso foi com Monta Ellis, Rodney Stuckey, CJ Miles e Jordan Hill recebendo muitos minutos…

Washington Wizards (Atualizado nesta terça-feira, dia 19)
Quem chegou: Ian Mahinmi, Tomas Satoransky, Andrew Nicholson, Jason Smith e Marcus Thornton.
Quem ficou: Bradley Beal.
Quem saiu: Nenê (Rockets), Jared Dudley (Suns), Garrett Temple (Kings) e Ramon Sessions (Hornets).

Mahinmi e Gortat vão dividir a zona pintada no quintal de Obama

Mahinmi e Gortat vão dividir a zona pintada no quintal de Obama

O Wizards foi outro clube que, tal como o Lakers, passou um carão danado ao ser rejeitado de imediato por Kevin Durant, que não quis nem mesmo cogitar a possibilidade de jogar em casa. Isso depois de o clube ter se planejado por três temporadas, no mínimo, para tentar contratá-lo.

Ao levar um fora desses, o clube parece ter ficado um pouco desnorteado. Assinou, então, com Bradley Beal por aproximadamente US$ 130 milhões. Para um atleta que, aos 22 anos, nunca disputou mais do que 73 partidas em quatro temporadas de liga – sem que seu tempo de quadra se aproximasse dos 40 minutos também –, esse é um compromisso, e tanto, hein? Especialmente quando Beal era um agente livre restrito. Isto é, o trunfo era de Washington nesse caso, podendo agir com paciência, para saber qual a temperatura do mercado – mesmo que isso pudesse, a princípio, irritar jogador e agente.

Depois, sem ter mais onde por seu dinheiro, o proprietário Ted Leonsis validou a oferta por Ian Mahinmi (US$ 64 milhões por quatro anos, o mesmo valor de Mozgov & Lakers). O pivô francês é um ano mais jovem que o russo e jogou muito mais na temporada passada. Não foi um contrato descabido. O problema é que, hã, o Wizards já tem um pivô titular bastante competente, e não há como o reforço dividir a quadra com Marcin Gortat. Tanto que o clube se sentiu impelido ainda a investir em Nicholson e Smith, grandalhões que são ótimos arremessadores.

Um reforço mais interessante é o tcheco Satoransky, que chega após quatro depois de seu Draft. O armador de 2,01m de altura chega aos Estados Unidos na hora certa, aos 24 anos, tendo disputado partidas e competições importantes pelo Barcelona. Satoransky empresta versatilidade ao técnico Scott Brooks, podendo vir do banco de reservas para render John Wall, Beal ou mesmo Otto Porter.

Enquanto Wall se recupera de uma cirurgia no joelho (toc-toc-toc), a principal aposta de melhora em quadra talvez seja mesmo Markieff Morris, que pode contribuir ainda mais para o time vindo de training camp completo, desde que esteja com a cabeça no lugar. Vamos ver também como Scott Brooks se sai sem dois dois cinco melhores jogadores da liga em seu time.

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Notas sobre o EuroBasket: a era espanhola e outras seleções
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Giancarlo Giampietro

Três dos últimos quatro EuroBaskets terminaram assim

Três dos últimos quatro EuroBaskets terminaram assim

Depois de duas grandes semifinais, a disputa pelo título teve um pouco de anticlímax, né? A Lituânia perdeu o jogo já nos primeiros minutos.Mas claro que os espanhóis não estão nem aí para isso. Em seu período (quase) hegemônico no continente, a seleção talvez nunca tenha sido tão contestada como aconteceu neste torneio. Os caras penaram na primeira fase e poderiam muito bem ter sido eliminados pela Alemanha. Mas passaram e foram ganhando corpo. A defesa cresceu, os Sergios se soltaram e Pau Gasol foi enorme.

O título deste ano teve o prazer da reação em questão de dias e da revanche contra os franceses, na casa do adversário, com público enorme presente. Em termos de relevância de símbolo, contudo, nada supera o torneio que fez o seu MVP, com um dos melhores torneios individuais de que se tem nota no mundo Fiba: 23,0 pontos, 8,8 rebotes, 2,9 assistências, 2,3 tocos e aproveitamento inspiradíssimo nos arremessos (57,5% no geral, 66,7% de três e 80,5% dos lances livres), em 30 minutos, com apenas 1,2 turnover. Como bem constatou a conta da Synergy no Twitter, ele teve volume de jogo de LaMarcus Aldridge com a eficiência de um Kyle Korver. Só acrescentaria que, além disso, teve ainda de proteger o garrafão e a cesta de seu time como se fosse um Roy Hibbert.

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Da frustração por sua primeira derrota numa final de EuroBasket em 2003, contra os próprios lituanos, à dominância 12 anos depois, Gasol encaminha com naturalidade sua segura candidatura ao Hall da Fama. Dentro desse seleto grupo, também há filtros. Não vou aqui me meter a besta e comparar quem foi o maior jogador europeu de todos os tempos, uma discussão que ganhou força nos últimos dias, muito por conta da exibição histórica do pivô espanhol, aos 35 anos. É uma discussão divertida para muitos, irritante para outros e que tende a ser interminável. Há quem se apegue demais ao passado, há quem desconheça o que foi feito até mesmo antes de Pequim 2008. Prefiro me abster dessa,  mas uma coisa dá para cravar: o craque está no pacote. Levantamento feito pelo HoopsHype nos mostra que ele tem mais prêmios de MVP (3) e foi mais vezes eleito a uma seleção de um torneio Fiba (8) do qualquer atleta.

O MVP histórico

O MVP histórico

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Em termos de equipe, a seleção espanhola também já tem seu lugar assegurado na história, obviamente. De 2009 para cá, ganharam três de quatro EuroBaskets. Só falharam, mesmo, em 2013, na Eslovênia, quando foram superados pela França. Do título na Polônia, o primeiro do país, cinco chegaram ao tri em Lille: Gasol, Rudy Fernández, Sergio Llull, Felipe Reyes, Victor Claver, além do técnico Sergio Scariolo. É um núcleo que tem consistentemente chegado ao pódio em cada competição que disputa, também contando com Sergio Rodríguez e alguns desfalques deste ano como Calderón, Navarro, Marc Gasol e Ricky Rubio. Se formos mais generosos, podemos falar que, desde 1999, a Espanha só não esteve no pódio em 2005, quando Grécia, Alemanha e França foram premiadas. Em um intervalo de 16 anos, só mesmo superpotências como a União Soviética e a Iugoslávia podem superar isso, mas essa não seria uma comparação justa, devido à união de diversos países sob uma bandeira.

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Que ano o dos madridistas Llull, Rodríguez, Reyes e Fernández, hein? Campeões da Supercopa, da Copa do Rei, da Liga ACB, da Euroliga e, agora, o do EuroBasket. Se suas residências já não tinham um espaço só para troféus, chegou a hora de rever a planta de casa. Agora, depois de um torneio desgastante, resta saber qual será o envolvimento do quarteto na Copa Intercontinental de logo mais contra o Bauru.

Selfie de campeão oficial? Sempre com Sergio Llull

Selfie de campeão oficial? Sempre com Sergio Llull

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A França conseguiu um prêmio de consolação com o bronze em Lille. Para quem jogava em casa e com um timaço, pode parecer pouco. Do ponto de vista histórico, porém, é muito valioso. É o que Tony Parker disse: o país não ganhou tantas medalhas assim em grandes eventos. Em 37 aparições no EuroBasket, a seleção tem agora seis bronzes. Quatro deles, porém, foram conquistados antes dos anos 60. Então tem isso. O maior consolo, porém, é saber que Gasol não vai mais tão longe assim em sua carreira. A Espanha seguirá competitiva, mas não será a mesma sem ele. Do seu lado, ainda que Parker e Diaw não tenham jogado nada, os franceses contam hoje com a produção mais profícua de talentos na Europa. De Colo tem 28 anos. Batum, 26. Lauvergne, 24. Gobert e Fournier, 23. Todos com longa estrada pela frente. A eles vão se juntar muitos garotos que estão fazendo a transição do juvenil para o profissional e são considerados prospectos de NBA. O DrafExpress, por exemplo, já lista mais quatro atletas que podem se candidatar com sucesso no ano que vem.

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O que dizer da Lituânia? Bem… Não dá para criticar um time que conseguiu uma dificílima vaga olímpica na Europa. É algo com o que Alemanha, Croácia, França, Grécia, Itália e Sérvia sonhavam para valer. Mas também não dá para deixar de registrar que, se pelo segundo torneio seguido eles deram um jeito de chegar à decisão, pela segunda vez tomaram uma surra na disputa pelo ouro. Há um relaxamento, claro, depois de assegurar o primeiro objetivo que era a vaga direta para o Rio 2016. Agora, contra os espanhóis, creio que o que pesou, mesmo, foi o desnível técnico de um time para o outro. A equipe lituana possui uma série de sólidos jogadores e um talento acima da média em Jonas Valanciunas, mas tende a avançar nas competições com a força de seu conjunto, com caras que jogam juntos há muito tempo. Jonas Kazlauskas, um cara de certa forma subestimado, também merece muitos elogios, ajudando a fazer desse todo algo maior que a soma de suas partes.

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A Sérvia chegou com expectativa de título. Acabou saindo sem medalhas. Talvez tenham sido derrotas importantes para o amadurecimento do time vice-campeão mundial. Aleksandar Djordjevic tem falado todas as coisas certas e exerce forte influência sobre seus atletas para usar a decepção deste ano para o bem. É muito mais time que a Lituânia, apesar da derrota na semi e creio que teria feito uma grande final contra Espanha ou França. Mas acontece. Eles foram os primeiros a admitir que sentiram o peso do favoritismo, contra um adversário muito bem preparado, pouco badalado e de ombros leves. Kazlauskas dobrou sempre que pôde para cima de Teodosic depois de corta-luzes e tirou a bola das mãos do genial armador. Além disso, com Valanciunas, Javtokas e Kavaliauskas, não precisou fazer dobras em cima de Raduljica, podendo manter a turma do perímetro grudada nos chutadores sérvios. Outra boa sacada foi colocar Mindaugas Kuzminskas para marcar Nemanja Bjelica, eliminando o mismatch tático que o ala-pivô geralmente representa.

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Como bem escreveu Austin Green, do blog Los Crossovers, a Itália que vimos no EuroBasket é afeita ao anarquismo — ideologia, aliás, que teve fôlego mais longo do que o habitual no país. Era, desde sempre, o grande desafio de Simone Pianigiani. Pegar um monte de cestinhas e conseguir alguma coesão entre eles. Não aconteceu. Ainda assim, o time conquistou a vaga, terminando com a sexta posição, de tanto talento ofensivo que tinha. Gallinari fez uma grande competição e é aquele que tem o senso coletivo mais apurado. A bola, porém, ficava a maior parte do tempo nas mãos de Marco Belinelli, alguém que foi promovido a principal play-maker, mas que, embora mate bolas de fora, não é tão criativo assim. Andrea Bargnani, para variar, jogou estourado, foi um fiasco nos rebotes. Chega a ser até cômico o quão fominha é o ex-número um do Draft. O dia em que Bargs receber um passe na cabeça do garrafão e não arremessar já estará  em sua aposentadoria. Alessandro Gentile é mais jovem que todos eles, mas talvez seja o de personalidade mais forte, de modo que foi aquele com a maior média de arremessos por partida, batendo Belinelli por pouco. Em suma: um bando de free-lancers que ainda precisam crescer muito como equipe para lutar por medalhas na Europa.

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Devido à dupla Vesely-Satoransky e à vitória sobre a Croácia, a República Tcheca foi o azarão que fez mais barulho no torneio. Em sétimo, a seleção se garantiu ao menos no Pré-Olímpico mundial. Para o futuro, porém, quem merece mais atenção é a Letônia, que terminou em oitavo com seus veteranos e tem uma fornada bem quente vindo por aí, liderada por Kristaps Porzingis e Davis Bertans, mas que também aposta em Timma, os irmãos Kurucs, Pasecniks, Kohs, Smits, Gromovs e Silins.


Noah faz as vezes de Varejão como peça deslocada no All-Star Game da NBA
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Giancarlo Giampietro

JoJo não para!

Não teve Anderson Varejão, então vai de Joakim Noah, mesmo. Não que signifique muita coisa.

Esses são dois jogadores bem semelhantes, e os paralelos vão muito além da cabeleira exótica – embora, fale a verdade, nesse quesito o capixaba dê de 10 a 0, não? Dificilmente o coque do francófono vai poder virar peruca para os torcedores de Chicago usarem uma noite especial.

Mas, no que importa mais, a bola quicando, estamos falando de dois dos jogadores mais raçudos, empenhados, determinados, dedicados, comprometidos, aguerridos etc. etc. etc da NBA. Dois reboteiros e defensores excepcionais, que ajudam suas respectivas equipes nos pequenos detalhes de jogo, que dão sustentação para que elas vençam (no caso do Bulls) ou estejam em condições de, ao menos, lutar (alô, Cavs).

Varejão vinha em sua melhor temporada, como candidato sério ao jogo das estrelas em Houston, mas seus recorrentes problemas físicos lhe custaram qualquer chance de receber a honraria. Abriu espaço para Noah, e a vaga não podia ficar em melhores mãos – David West, com sua campanha de arromba pelo Indiana, que nos desculpe.

JoJo vai de 12,1 pontos, 11,1 rebotes, 4,1 assistências, 2,1 bloqueio e 1,3 roubo de bola, com 75,3% nos lances livres e 45,7% nos chutes de quadra no atual campeonato. Ao passo que Anderson tem 14,1 pontos, 14,4 rebotes, 3,4 assistências, 0,6 bloqueio e 1,5 roubo de bola, com 75,5% nos lances livres e 47,8% de pontaria.

São rendimentos bem similares, com o brasileiro ligeiramente superior.

Mas uma comparação fria assim não conta para muito, né? Talvez Noah já levasse a melhor numa eleição levando em conta o melhor rendimento do Bulls na temporada. Também dá para contra-argumentar que o pivô capixaba não tem culpa de jogar em um clube inferior e que, sem seus esforços, a coisa poderia ser ainda mais braba em Cleveland. Aí que o advogado de Noah também poderia defender a tese de que, num sistema amarrado como o de Thibodeau, seus números ofensivos acabam sacrificados, mesmo com Derrick Rose afastado por lesão (sobrando deste modo mais arremessos para o restante da cavalaria). E esse parágrafo não ia terminar nunca com tantos pontos de um lado ou de outro. No fim, a infeliz lesão de Anderson encerrou qualquer discussão.

Noah não é o mais habilidoso na hora de colocar a bola na cesta ou de driblar. Há, porém, muito mais coisa em jogo numa quadra de basquete, e, em termos de serviço sujo e jogadas complementares, o sujeito é um dos melhores.

Está feito convite: no próximo jogo do Bulls, desviem o olhar da bola para a ação que se passa distante dela, tanto na defesa ou no ataque.

Na retaguarda, vejam o quanto se movimenta Noah, para fechar espaços com sua movimentação horizontal e vertical. Para alguém de seu tamanho, é de se embasbacar. No pick and roll, ele pode tanto se antecipar contra a investida de um armador como recuar rapidamente em sequência para cobrir  eu próprio jogador. Atacando, ciente de suas limitações com a bola, dificilmente vai atacar a cesta no mano a mano, a não ser quando estiver diante de um pivô mais lento. De resto, vai se colocar em situações em que pode converter o arremesso de longa distância – que é feio que dói, mas funciona adequadamente –, ou para usar seu talento como passador. Especialmente lendo a defesa da cabeça do garrafão, mas não que não saiba também dar suas assistências em movimento.

No Chicago sistemático de Thibodeau, essas são  contribuições vitais.

Numa pelada como o All-Star Game?

Completamente deslocadas, assim como as de Varejão estariam.

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Na vitória do Bulls sobre o Detroit Pistons na semana passada, Marco Belinelli foi quem fez a bandeja e, depois, converteu o lance livre para dar a vitória para o time da casa, nos segundos finais. Mas o lance mais incrível fica por conta de Noah. O pivô reage rapidamente a um arremesso perdido pelo ala italiano, salva uma bola impossível e mal vê o desfecho do lance. Clique aqui e assista. “Foi a melhor jogada”, afirma o armador Nate Robinson. “O engraçado é que estávamos comemorando na quadra, e ele ainda estava derrubado sobre as cheerleaders.”

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Curioso é que, durante sua preparação para o Draft da NBA de 2007, Noah era constantemente comparado a Varejão, e se mostrava ofendido: afirmava que se considerava um jogador muito diferente e de outro nível. Bom lembrar apenas que, naqueles tempos, o brasileiro era considerado um marcador dos mais chatos, mas no ataque de Mike Brown era muito pouco aproveitado, vivendo das rebarbas de LeBron James – e Larry Hughes, Damon Jones, Donyell Marshall, o envelhecido Ilgauskas e outros jogadores nada brilhantes.


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