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Brasileiros do Warriors estavam prontos no Jogo 7. Mas e as finais?
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Giancarlo Giampietro

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Quando Steve Kerr se mostra disposto a iniciar com os reservas um quarto período de um jogo que pode resultar na eliminação e no fim da luta pelo bicampeonato, o recado para o elenco do Golden State Warriors é simples: estejam prontos. Uma hora pode ser que chegue a sua vez.

Na pedreira que foi a final do Oeste, os brasileiros do time californiano tiveram de se apegar a esse mantra. Tenha fé. Com o passar do duro confronto com o Oklahoma City Thunder, o técnico foi enxugando sua rotação, e os minutos de Leandrinho e Anderson Varejão ficaram mais escassos.

O ala foi para a quadra nos sete confrontos e teve 2,0 pontos, em 6,1 minutos, com 46,2% de aproveitamento em 1,9 chute. pivô participou das últimas seis partidas, mas foram apenas 21 minutos, ou 3,5 em média, com seis pontos e seis rebotes no total. Ele pôde tentar três arremessos e converteu dois deles.

Até que, num Jogo 7, mesmo depois de a tática dar errado na partida anterior, Kerr voltou a arriscar, ainda que numa posição mais confortável e com um certo ajuste. Bem, em vez de correr atrás do placar, o Warriors estava liderando por sete pontos. Além disso, o técnico procurou antecipar a entrada dos reservas. Em vez de abrir o quarto final, entraram para fechar o terceiro período no qual a equipe da casa estava esmagando o rival. Com 2min34s, Anderson Varejão foi para o lugar de Festus Ezeli. Menos de 20 segundos depois, Leandrinho substituiu Andre Iguodala.

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Acompanhando o jogo também por Twitter, a reação da mídia americana foi de surpresa geral. Que o treinador estaria ousando demais. Num instante, porém, foram obrigados a rir de si mesmos. A vantagem pulou de seis para 13 pontos, com sete anotados em sequência pelo quinteto alternativo de Kerr.

Varejão cavou uma falta ofensiva, fez uma bela bandeja e ainda deu duas assistências, sendo uma delas para Leandrinho. Isso não é coisa de outro mundo, claro. São jogadores de NBA, afinal, nã? Mas, para quem estava jogando e entregando tão pouco, foi como uma tempestade perfeita, mesmo.

O que dá para tirar de positivo dessa história é que Leandro e Anderson estavam prontos e animados para contribuir. Isto é, se comportaram como profissionais, sem se deixar levar pela frustração de ver alguns jogaços daqueles pelo banco, depois de terem vivido, os dois, grandes momentos pelos playoffs. Há coisa de seis, sete anos, que seja. Essa reação é parte da explicação para que a dupla esteja há tanto tempo na liga já — o ala desde 2003 e o pivô, 2004.

Se eles serão aproveitados durante a decisão contra o Cavs? Provavelmente não terão muitos minutos, não. Vai depender do andamento do confronto. Na cabeça de Kerr, o ideal é que Stephen Curry e Klay Thompson não beirem os 40 minutos de ação. Shaun Livingston não foi nada bem contra OKC. A brecha para Leandrinho vai vir daí. Ajuda muito o fato de o Cleveland não ter nenhum ala tão alto no perímetro em seu elenco de apoio. Pelo contrário. O ligeirinho costuma jogar ao lado de Iguodala e Livingston, que seriam os condutores de bola primários. Se as inserções de Iggy mudarem drasticamente, devido à missão LeBron, isso também poderia afetar a situação do companheiro.

Já Varejão vai ficar basicamente à espera das faltas de Andrew Bogut, Festus Ezeli e Draymond Green. Marreese Speights só vai interferir aqui se o Warriors estiver precisando de espaçamento no ataque. Também precisa ver qual o plano de Tyronn Lue. Mozgov será reativado? Ou ele vai manter sua rotação de pivôs com Love, Thompson, Frye e LeBron/Jefferson? Quanto mais alto o time, melhor. Para o capixaba, a ansiedade deve ser imensa, por razões óbvias. É uma revanche toda distorcida.

Sobre a situação inédita que vive o pivô: conforme vocês já devem ter lido umas 400 vezes já nesta terça, segundo pesquisa do salvador Elias Sports Bureau, o veterano é o primeiro a ter jogado na mesma temporada pelos dois finalistas da liga. Por isso, em tese, já pode ser considerado o primeiro campeão, antes mesmo de a bola subir nesta quinta-feira.

Varejão cava falta de ataque no Jogo 7. Passou confiança para Kerr?

Varejão cava falta de ataque no Jogo 7. Passou confiança para Kerr?

Mas não é exatamente assim. Pelo menos não por enquanto. Na eventualidade de o Cavs se vingar, o clube teria de decidir se presentearia seu ídolo (é tão recente a saída dele, que não dá nem para escrever “antigo” ou “ex”). O regulamento da liga não determina, nem sugere um caminho. Teria de ser um gesto de cortesia por parte do proprietário Dan Gilbert. Levando em conta o prestígio do veterano por lá, é de se supor que não se recusariam. Mas vai saber. Eles têm ainda uma série toda pela frente, e obviamente que o brasileiro preferiria ganhar um por conta própria, pelo que vai fazer agora, não pelo que fez até fevereiro.

Imagine, na próxima semana, quando voltar a Cleveland às vésperas do Jogo 3, o tanto de microfones que não estarão à sua frente. “Como foi entrar no vestiário de visitantes? Como é se ver novamente como adversário de LeBron? Gostaria de voltar ao clube? Ainda fala regularmente com os companheiros? Vai comemorar se fizer gol?”…

Em 12 anos de estadia na cidade, se tornou o jogador mais popular da franquia que não se chame LeBron. Fazendo as coisas que o Brasil, país em que a imagem do cestinha (ainda) é cultuada, demorou para apreciar. Do tipo: se atirar por cima da primeira fileira de cadeiras para resgatar uma bola, brigar desesperadamente por rebotes, correr a quadra feito um louco, e a cabeleira sacudindo, aceitar sacrificar o corpo para receber a carga de alguém de mais de 120kg. Por aí.

Após período vencedor em Cleveland, Varejão volta a ser oposição a LBJ

Após período vencedor em Cleveland, Varejão volta a ser oposição a LBJ

Quem não vai querer, sinceramente, contar com um jogador desses? O cara que não só está predisposto a fazer o serviço sujo, como faz isso muito bem.  Cavs concordou em lhe pagar mais de US$ 70 milhões em contratos.

Mas por que ele não está mais lá? Justamente por estes 12 anos se serviços prestados, que cobram seu preço. Outro preço, como as constantes lesões. Torções, fraturas, e por aí vamos. Quando LeBron retornou em 2014, trouxe Kevin Love de carona e ainda tinha um Tristan Thompson para agenciar. O brasileiro não teve nem tempo para se adaptar ao novo elenco. Em dezembro, sofreu uma ruptura no tendão de Aquiles que encerrou sua temporada.

Quando o Cavs, já com Timofey Mozgov no garrafão, se peparava para enfrentar o Warriors pelas finais, o pivô tinha esperança de ser liberado pelos médicos, mas foi convencido a se resguardar. Para a atual temporada, se apresentou em forma, mas não conseguiu entrar na rotação. Em fevereiro, então, foi envolvido em troca tripla, indo para Portland. Como eles dizem lá: nada pessoal, são apenas os negócios. Sua vaga foi assumida por Channing Frye, que deu boa contribuição nos playoffs e terá um papel relevante na revanche. Dificilmente poderíamos escrever o mesmo sobre Anderson se ele tivesse continuado no primeiro clube americano.

Como vimos, porém, Varejão também não vem sendo aproveitado em Oakland. A questão é ter paciência, aguardar o chamado e fazer o máximo, muito mais o que se viu pelo Jogo 7 do que no restante da série contra OKC, mesmo que em um minuto e meio. Para o torcedor do Cavs, certamente seria uma experiência bastante estranha.

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