Vinte Um

Relembre como foi a vitória do Warriors sobre o Cavs em 2015

Giancarlo Giampietro

LBJ que se prepare: Warriors tem diversos defensores para tentar segurá-lo

Na hora de dar palpites em outubro do ano passado, era aquela coisa: você lembrava de tudo o que havia acontecido na temporada anterior, como Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers haviam chegado às finais e… Por que não apostar em um repeteco? Da parte do Cavs, era bem mais fácil. O Miami Heat tinha no papel um elenco interessante, o Chicago Bulls, creiam, ainda era visto como uma ameaça, mas no geral era difícil pensar em outro campeão para o Leste. Do outro lado, o reforçado San Antonio Spurs realmente representaria um senhor desafio para o Warriors, mas os atuais campeões não haviam perdido nenhum jogador relevante em sua rotação e voltaria mais confiante, com sua jovem base ainda progredindo. Então, de novo: por que não?

Talvez pelo retrospecto da liga. Após ficar 14 anos sem que uma final se repetisse, desde as séries entre Bulls e Jazz em 1998-99, a NBA só viu uma revanche acontecer em 2013-14, entre Spurs e Heat. Se formos pensar, porém, na dominância dos LeBrons no Leste,  sejam eles de Cleveland ou Miami, agora com seis decisões seguidas, um reencontro só não aconteceu mais cedo devido ao que o Oeste tem de randômico, com sua competitividade absurda.

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Mas o Warriors tinha aquele quê a mais, se você me permite a expressão afrescalhada. E aqui estamos, com os dois times se reencontrando 12 meses depois. Os atuais campeões buscando o bi e a consolidação de sis imagem como time histórico, ali ao lado desse mesmo Bulls da segunda metade dos anos 90. Já o Cavs… Bem, o Cavs quer por fim a toda uma MALDIÇÃO que paira sobre uma cidade. É coisa séria, galera.

Quando falamos em repeteco, porém, vale mais pelo nome das equipes envolvidas. Entre junho de 2015 e este de agora, mesmo, muita coisa mudou, pelo menos em Cleveland. (Isso fica para outro texto, logo mais.)

O torcedor do clube também não se cansou de repetir durante todo o campeonato: ''Jogamos sem Kyrie Irving e Kevin Love. Jogamos sem Kyrie Irving e Kevin Love. Jogamos sem Kyrie Irving e…'', quase feito um mantra. Sim, todos nós lembramos que as duas jovens estrelas se lesionaram nos playoffs. Love não passou da primeira fase. Irving arrebentou o joelho desgraçadamente logo na primeira partida das finais. Agora eles estão prontos para a batalha. David Blatt, porém, foi para a guilhotina, depois de prolongado motim promovido pelas forças reais no vestiário. Timofey Mozgov, o Czar o tenha, estava vivo. Já Anderson Varejão, diabos, agora está no outro vestiário. Abaixo, se precisarem refrescar a memória,  vocês podem recuperar todos os textos que escrevi sobre a final de 2015, com links ou resumos.

– Jogo 1: 44 pontos para LeBron, e o Warriors fez boa defesa
E mais:
Iguodala, o reserva de US$ 12 mi que roubou a cena

“Sabe, quando um cara marca 44 pontos, é engraçado dizer que o defensor fez realmente um bom trabalho, mas acho que Andre foi extremamente bem contra LeBron'', afirmou Steve Kerr, em sua entrevista pós-Jogo 1 das #NBAFinals, aliviado pela vitória suada, na prorrogação, do Golden State Warriors. Não dá para saber se o técnico já havia dado uma espiada em estatísticas mais detalhadas da partida, que apontam que Andre Iguodala foi de fato um defensor incômodo para o astro do Cleveland. Não custa repeti-los: quando confrontado pelo sexto homem do time da casa, James acertou apenas 9 de 22 arremessos (40,9%). Em situações de meia quadra, foi ainda melhor: apenas 4 cestas em 14 arremessos (28,5%).

Agora, o que o treinador não precisava nem dizer era que o Warriors vai conviver muito bem com a ideia de ver LeBron arriscar 38 arremessos por jogo, tal como aconteceu nesta quinta-feira, correspondendo a 40% das tentativas de cesta do Cavs. Foi essa a estratégia adotada pelo clube californiano, sem sofrer nenhuma alteração, mesmo que o astro tivesse, no terceiro quarto, média de um ponto por minuto. A tática tinha, claro, o objetivo da vitória no primeiro jogo, mas também trabalha com a ideia de desgastar a principal arma do oponente, pensando na continuidade da série.

Calma, Delly. Não é rúgbi

Calma, Delly. Não é rúgbi

>> Jogo 2: Tenso, brigado… foi um duelo para Dellavedova

Pode aparecer oportunismo dizer isto, mas o Jogo 2 destas #NBAFinals estava muito mais para um Matthew Dellavedova do que para um Stephen Curry – ou, pelo menos, para esta versão de Steph Curry. Foi uma partida de contato físico, afeito ao aguerrido australiano que, mais uma vez, se ralou em uma série de lances decisivos e ajudou o Cleveland Cavaliers a empatar a série em 1 a 1, com mais uma prorrogação.

Bola perdida no garrafão em meio a gigantes? Lá estava o Dellavedova nela, alerta, para depois se estirar em quadra. LeBron é barrado no baile, e o chute de James Jones não caiu? Sem problema: sem impulsão nenhuma, com 1,93 m (oficial), o armador vai para o rebote ofensivo e, no mesmo movimento, cava a falta. Vai para o lance livre e converte os dois, sem pestanejar. E por aí vai. Nos lances mais preciosos, de 50/50, o “Delly'' fez sua presença se notar e, nem que por alguns instantes que fossem, afastou da cabeça do torturado torcedor do Cavs a memória de que Kyrie Irving já não vai mais participar desta série. Irving, cujo talento no ataque ele jamais vai poder substituir, mas cuja ausência pode compensar ao seu modo, na defesa. “Estamos jogando as finais da NBA. Se você precisa procurar motivação extra, provavelmente não deveria nem estar jogando'', afirmou durante entrevista coletiva na qual ele estava sozinho no pódio, como se fosse o maioral do Cleveland.

>> Jogo 3: Cavs vence e vira a série, dominando. Ou quase
E mais
: Blatt ainda não levou o título. Mas merece aplausos

O Cleveland Cavaliers baterecordes e recordes com sua defesa para cima do Golden State Warriors. Depois de se tornar o primeiro time a segurar o adversário com menos de 90 pontos em 48 minutos nesta temporada, o Cavs agora o limitou a 37 pontos no primeiro tempo, sua pior marca durante os playoffs. Para se ter uma ideia, foi uma quantia também que a equipe californiana havia marcado em um só quarto 18 vezes em sua campanha.

Há muito mais números para acrescentar aqui, como, por exemplo, o rendimento do Warriors nos arremessos de três pontos, tão caros ao seu sistema ofensivo. Na temporada regular, o time converteu 39,8% de seus chutes de longa distância. Nos playoffs da Conferência Oeste, a marca foi de 38%. Nas finais, estamos falando de apenas 31,3%, número baixo para qualquer medida, especialmente para os Splash Brothers. Sinceramente, nem precisa apelar a qualquer número para afirmar que o Cavs tem sido o time superior nestes primeiros três jogos, vencendo o terceiro por 96 a 91 para assumir o comando da série. O que não quer dizer que as coisas já estivessem resolvidas. O Warriors tirou 14 pontos de vantagem em menos de seis minutos e meio no quarto período, chegando a encostar  em 81 a 80 a 2min45s. Stephen Curry despertou e começou a entender como atacar a forte defesa do Cleveland.

LeBron x Iguodala, Cavs x Warriors

>> Jogo 4: Cavs entrou de All In. O Warriors tinha mais fichas
E mais: O (outro) jogo de equipe do Warriors contra rival limitado

No pôquer, all in quer dizer algo como “tudo ou nada''. É quando o jogador pega as fichas que tem e empurra tudo para o meio da mesa. Ou rouba o monte, ou já era. O mestre do carteado pode até oferecer uma explicação mais rica, mas a essência é essa. O Cleveland Cavaliers pegou o termo emprestado e o usou como um trocadilho ao elegê-lo como lema para os playoffs. Virou algo como: “Todos juntos nessa, vamos lá, dando tudo''.

Pois, nesta quinta-feira, o Cavs até que tentou lutar no segundo tempo, mas não conseguiu impedir que o Golden State Warriors vencesse por 103 a 82 para igualar as #NBAFinals em 2 a 2, voltando para casa agora para fazer valer seu mando de quadra no próximo domingo. Steve Kerr estava em pressionado demais para esse confronto mas conseguiu se desvencilhar com um movimento bastante agressivo, corajoso, e, ao mesmo tempo, talvez o único que lhe restasse para tentar virar o tabuleiro, praticamente abolindo a escalação de um pivô tradicional, o famoso cincão, no seu time. Tirou Andrew Bogut do time titular e inseriu Andre Iguodala. Estava oficializada a ''Escalação da Morte'' do Warriors.

>> Jogo 5: A Apresentação que estava faltando para o MVP Curry

Stephen Curry estava precisando de uma partida dessas. Para fazer justiça ao seu campeonato magnífico. Não que estivesse jogando mal. Nas últimas duas partidas, já havia feito algumas coisas memoráveis. Mas estava faltando uma atuação seminal, assim como foi toda a sua campanha. Nas palavras de Everaldo Marques… Bingo! Aconteceu neste domingo, e o Golden State Warriors agora está a uma vitória do título, tendo vencido o Cleveland Cavaliers por 104 a 91.

LeBron James conseguiu o segundo triple-double nestas #NBAFinals, mas foi privado da comemoração, diferentemente do que havia acontecido no Jogo 2, quando saiu de Oakland com o mando de quadra ao seu favor. Aquela foi mais uma exibição primorosa do astro, o melhor jogador desta série decisiva, sem dúvida. Até mesmo coadjuvantes como Matthew Dellavedova e Andre Iguodala já tiveram seus momentos definitivos. Numa série sensacional, com suas idas e vindas, faltava, então, uma exibição magnífica do MVP da temporada. E aí vieram os 37 pontos em 42 minutos, com sete bolas de três pontos em 13 tentativas.

Iguodala, o MVP das finais. Curry, o melhor da temporada

Iguodala, o MVP das finais. Curry, o melhor da temporada

>> Jogo 6: Warriors é o queridinho da América. Nem sempre foi assim

Eles estrelaram contra LeBron James as #NBAFinals de maior audiência nas transmissões da ABC. Stephen Curry foi alçado ao rol dos jogadores mais populares da liga. O estilo de jogo é vistoso, frenético, empolgante. Eles se tornaram os queridinhos da América, antes mesmo da conquista do título nesta terça-feira, com uma vitória por 105 a 97 sobre o Cleveland Cavaliers para fechar a série.

Não tem muito o que ser dito sobre este Jogo 6, em relação ao que se passou nos últimos duelos (comentários linkados logo abaixo). O Cavs fez o que podia com o que havia de disponível. David Blatt não conseguiu criar um fato novo na série – e sabe-se lá qual fato poderia ser esse, com um banco de reservas muito limitado devido aos desfalques de Kyrie, Love e Varejão e a surtada básica de JR Smith, dos profissionais milionários mais imaturos que a gente vai ver por aí. Não dava para esperar nada de Mike Miller, Shawn Marion ou Kendrick Perkins.

O Golden State realmente venceu como conjunto. É nessa hora que vale a pena recuperar o histórico de alguns dos personagens. Quem são esses caras, afinal? E aí que se dá conta de que nem sempre foi assim. Nem sempre foram as figuras mais aplaudidas do pedaço. Muitos daqueles que hoje são celebrados já ouviram muitos “nãos'' na carreira, a começar pelo MVP da temporada regular.

Outros dois textos que seguem valendo? Uma retrospectiva das trajetórias de Warriors e Cavs até uma final de NBA. São duas das franquias que mais foram castigadas em uma liga extremamente competitiva, seja por azar ou incompetência pura:

>> Golden State: décadas de trapalhada antes entre duas finais
>> Tudo por LeBron: os malabarismos para convencer o astro

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