Vinte Um

Arquivo : outubro 2012

Filho do mítico Manute Bol dá os primeiros passos no basquete
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Giancarlo Giampietro

Bol Bol, filho de Manute Bol

O legado do mítico Manute Bol, o jogador mais alto da história da NBA, com 2,31 m de altura, pode ter sequência em quadra – e não é que a liga tenha encontrado algum outro gigante como sucessor, desde a aposentadoria do brilhante Yao Ming.

Ainda estamos longe desse patamar.

Mas acontece que o Yahoo norte-americano divulgou hoje uma presença cuirosa em jogos de escola elementar no Kansas: trata-se de Bol Bol, filho do falecido ex-jogador. Cursando o sétimo ano – na faixa de idade entre 12 e 13 anos –, o garoto por enquanto leva tudo na diversão, claro.

Mas é inevitável pensar que ele possa seguir uma carreira no esporte. Ainda mais considerando o detalhe de que ele mede, pasme!, 1,95 m de altura. Aos 12, 13, anos. Ah, tá. Sem contar que, magrelo que só, lembra, muito, o ex-pivô de Bullets, Warriors e 76ers. Também ajuda o fato de que o jovem Bol Bol também sabe jogar, ué, com um pacote de habilidades já bem mais versátil do que o pai apresentava. Veja:

A história é até boa demais para ser verdade.

*  *  *

Um dos maiores tesouros que já perdi foi um VHS oficial da liga, “NBA Jam Session”, de 1993, de edição simplesmente impecável – e vocês perdoem o sentimentalismo, que essa fita foi perdida num desses empresta-mas-não-volta, ok? Era, basicamente, um capítulo para cada fundamento/jogada, no pacote básico: enterradas e bandejas acrobáticas, tiros no estouro do relógio, as tramas coletivas que resultavam em belíssimas cesta, assistências absurdas etc. Mas também tinha espaço para os esforços defensivos, sem se resumir apenas aos “pregaços” do além. De todo modo, pensando em Manute Bol, na hora me lembrei da sequência abaixo, que vi pela primeira vez naquele mesmo VHS, que veio na bagagem de um amigo retornando da Disney – ou via TraxArt, não me recordo. Era época de trocar cards com o James no shopping (não tentem entender, são referências bem pessoais mesmo. De todo modo, naqueles dias, o combo basquete/hip-hop era o patins, o skate, a coqueluche adolescente da vez). Agora chega de devaneio e vamos ao vídeo:

Incrível, não?

Manute Bol tinha disso: verticalizava o jogo de um modo aparentemente inatingível. Ainda mais assistindo a isso numa época em que estapear a rebarba da tabela era uma vitória para qualquer moleque – não que hoje, um bocado de tempo, sofá  e… hã… refrigerante depois, seja diferente. ;)

Bol x Bogues

Manute ao lado de Bogues, de 1,63m de altura

Estamos falando de um sujeito que conseguia bloquear o sagrado sky hook de Abdul-Jabbar. Que media quase 70 centímetros a mais do que o lendário, ao seu modo, Mugsy Bogues (foto ao lado).

Em duas temporadas, ele liderou a liga em média e número total de tocos: foram 5,0 por partida com novato pelo Washington Bullets em 1985-86 e 4,3 pelo Golden State Warriors em 1988-89, quando caiu nas mãos do Dr. Frankensetein, vulgo Don Nelson. Na NBA de hoje, ele não teria espaço, seria muito vulnerável.  Mas, na liga dos pivôs gigantes dos anos 80 para os 90, apesar de sua  fragilidade física (tanto em termos de resistência, como em mobilidade, força e capacidade atlética), conseguiu jogar por dez anos, terminando com média de 3,3 bloqueios na carreira em apenas 18,7 minutos. É muita coisa: numa projeção de 36 minutos, seriam 6,4 por jogo. No total, ele somou mais tocos (2.086) do que pontos na carreira (1.599). Peculiar, no mínimo.

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No dialeto de sua tribo Dinka – a mesma da qual a família de Luol Deng saiu –, Manute significa “benção especial”. Se a sua carreira de jogador, embora totalmente ineperada, tenha sido um tanto ordinária em termos de sucesso em quadra, como aposentado Bol foi um ativista irremdiável, envolvido com ações diversas em suporte de seus conterrâneos num país devastado pela guerra civil.

Chegou a recusar o cargo de ministro dos esportes sudanês devido a uma exigência de conversão ao islamismo. A partir daí, passou a ser tratado como persona non grata pelo governo e precisou da ajuda de diplomatas e políticos norte-americanos para se exilar no Egito e, então, retornar aos Estados Unidos. Trabalhando em eventos especiais de TV – que abusavam de sua altura, claro – ou em pesquisas e instituições para levantamento de fundos. Essa luta só terminou com sua morte em 2010, precocemente aos 47 anos.


Poupado de treinos, Splitter recebe de Popovich VT debate da eleição dos EUA
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Giancarlo Giampietro

Enquanto Ana Paula Lima (PT), líder nas pesquisas, Jean Kuhlmann (PSD) e Napoleão Bernardes (PSDB) disputam uma vaga no segundo turno das eleições para a Prefeitura de Blumenau, na hora de se informar sobre a política, Tiago Splitter vai ter de se contentar… Hã… com o embate entre Barack Obama e Milt Romney, candidatos a presidentes dos Estados Unidos.

Obama beija Michelle

Obama diz ter assistido com Michelle ao amistoso entre EUA e Brasil, aquele jogo bem apertado em Washington, mas não há provas suficientes a respeito

O general Gregg Popovich entregou para seus jogadores um DVD do primeiro debate realizado entre o democrata e o republicano, realizado na quarta-feira. Justo para um dos elencos com mais estrangeiros em toda a NBA. Sim, os franceses Tony Parker, Boris Diaw e Nando de Colo, o argentino Manu Ginóbili, o australiano Patty Mills e o próprio Splitter também receberam.

“É claro. Temos muitos caras de fora em nosso time, e eles foram rápidos para dizer que eles não podem votar e que, então, que eles não eram obrigados a assistir ao debate”, afirmou o ala-pivô Matt Bonner, o “Foguete Vermelho”, que planeja votar em Obama e defender o Canadá no futuro. Sério. “Não importa, eles vivem aqui, então é bom que eles estejam informados. Basquete não é tudo. Há coisas maiores no país em que vivemos.

Para constar: Splitter foi poupado de um coletivo na quarta-feira e dos treinos com contato físico na quinta-feira devido a espamos musculares nas costas. Os médcos do time afirmam não ser nada grave.

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Obama é disparado o candidato favorito entre os astros da NBA, contando com uma generosa doação do setor para sua campanha pela reeleição. Mas há quem prefira a oposição: o pivô Spencer Hawes não se cansa de alardear seu amor ao Partido Republicano, sendo uma das vozes mais ativas politicamente na liga. “Estou sempre pregando a palavra”, afirma. “As pessoas sempre me acusam de que escolhi ser republicado por causa dos meus rendimentos (ele vai ganhar US$ 12 milhões pelas próximas duas temporadas). Mas gostaria de lembrá-los que eu já havia seguido esse caminho muito antes de saber quais eram os impostos.”

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Bill Bradley

Bill Bradley, astro democrata do Knicks

Houve uma época em que Charles Barkley especulou lançar-se candidato a governador do Alabama, e a ideia foi bem recebida. Hoje ele está contente em ser apenas uma das celebridades mais polêmicas da TV norte-americana.

Dois casos concretos de envolvimento político que batem na telha assim de sopetão.

O pivô Chris Dudley, um dos mais atrozes cobradores de lance livre da história da liga, que defendeu o Portland Trail Blazers nos anos 90 e outros clubes, foi candidato a governador no estado de Oregon, perdendo para o democrata reeleito John Kitzhaber numa votação muito parelha.

Pelos democratas, um exemplo mais nobre: Bill Bradley, ala da histórica equipe do Knicks de Red Holzman dos anos 70, foi senador do estado de New Jersey pelos democratas em três mandatos e chegou a ter apsirações presidenciais.


Começa a pré-temporada da NBA: veja quem tem mais trabalho pela frente
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Giancarlo Giampietro

Vamos tirar essa gracinha da frente logo de cara: Charlotte Bobcats, Washington Wizards, Sacramento Kings e Golden Sate Warriors, os tradicionais sacos de pancada das últimas temporadas, têm muito trabalho pela frente. Não fosse assim, seria muito estranho.

Mas não são apenas os times habituados a frequentar a imaginária zona de rebaixamento que têm muito o que fazer a partir desta semana, com o início dos valiosos, mas enxutos training camps da NBA.

É o único período livre, limpo para valer que os treinadores têm para aprimorar suas equipes. Durante as férias, alguns jogadores e assistentes se reúnem informalmente para exercitar fundamentos, refinar habilidades.

Mas é só em outubro, mesmo, que eles conseguem se agrupar de modo organizado, oficialmente, para passar o plano de jogo para a temporada, integrando eventuais novos conceitos e reforços.

(Vamos nos concentrar aqui só nos times que aspiram a voos maiores, ok?)

Mike Brown tem trabalho pela frente

Um training camp crucial para Mike Brown, Kobe e Lakers

Pensando em novos jogadores, inevitável mirar o Lakers, mesmo que Dwight Howard ainda esteja se recuperando de uma cirurgia nas costas. Pois o que requer o maior ajuste para a equipe, na verdade, é a presença de Steve Nash. Os angelinos não tinham um armador desse calibre, com sua criatividade, habilidade e eficiência desde… Vocês sabem quem. E, não, não se trata de Nick Van Exel.

Se fosse para Nash assumir um papel de Derek Fisher e Steve Blake – leia-se “cruze o meio da quadra, passe para o Kobe e fique do outro lado esperando, se pá, a bola” –, até poderia dar certo. Afinal, ele é provavelmente o melhor chutador que a liga já teve. Mas não faria sentido, né? Seria um desperdício daqueles. Que Mike Brown e seus astros encontrem a melhor maneira de fazer a máquina andar até acrescentar seu novo superpivô.

Ainda em Los Angeles, com menos apelo (durou pouco o oba-oba, o Lakers não ia deixar mesmo), Vinny Del Negro também tem muito do que cuidar no Clippers com as chegadas de Lamar Odom, Grant Hill e Jamal Crawford e o retorno de Chauncey Billups. Eles não mudam drasticamente as características do clube, mas o fato é que o contestado treinador vai precisar de muita diplomacia para administrar minutos e arremessos entre seus atletas.

No Oeste, porém, quem deve mais testar sua paciência atende pelo nome de Rick Carlisle. O técnico do Mavericks tem de integrar Darren Collison, OJ Mayo, Elton Brand, Chris Kaman e mais três novatos a sua rotação. Do time campeão em 2011, só sobraram Nowitzki, Rodrigue Beaubois e Dominique Jones, sendo que esses últimos dois mal jogavam. Dureza.

Amar'e Stoudemire e Carmelo Anthony

Stoudemire e Melo vão se entender, enfim?

Do outro lado, no Leste, o trabalho começa em Nova York: a) tanto para o Knicks, pelo qual Mike Woodson, com uma ajudinha de Jason Kidd (e Prigioni??), faz seu primeiro training camp como chefe, com a missão de encontrar algum jeito de entrosar Carmelo Anthony e Amar’e Stoudemire, após os baixo e baixo entre os dois nas últimas temporadas; b) como pelo Nets, em que Avery Johnson recebe Joe Johnson, Mirza Teletovic e Brook Lopez de volta e tem como desafio a montagem de uma defesa forte com marcadores suspeitos.

Por fim, o 76ers, daqueles times que se destacou na temporada passada por seu empenho coletivo, sem uma referência, agora se reformula com a chegada de Andrew Bynum, que sonhava há anos em ser alimentado sem parar. A movimentação de bola, o espaçamento dos jogadores, a cobertura defensiva e muitos outros detalhes mudam radicalmente com um jogador desses.


Bynum, aquele que preferiu sair de Los Angeles
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Giancarlo Giampietro

Aos poucos, o futebol, nosso futebol, ganha um status cult entre os jogadores da NBA, e a presença cada vez maior de atletas de fora do país. No Lakers, Kobe Bryant começou a acompanhar Pau Gasol nessa. Andrew Bynum também começou a gostar da coisa – adiou até mesmo uma cirurgia no joelho para ver a Copa do Mundo da África do Sul de perto.

Kobe e Gasol são Barcelona.  Bynum preferiu adotar o Real Madrid.

Bynum, do Philadelphia 76ersPara o universo em torno do Lakers, jornalistas inclusos, o pivô sempre foi um tanto enigmático, difícil de compreender. Profundamente imaturo x apenas aprendendo, desinteressado x tranquilo, passivo em quadra x alienado por Kobe. Até mesmo um Phil Jackson, o Mestre Zen, teve dificuldade de decifrá-lo e não conseguiu extrair, consistentemente, o melhor basquete do pivô.

Que é o que o exigente Chris Collins espera fazer agora pelo Philadelphia 76ers. Para onde o gigantão foi trocado, sem sentir o menor remorso, mais uma vez na contramão do que geralmente se vê na liga. É de esperar, oras, que os atletas queiram ir para Hollywood e, não, sair de lá.

Na Costa Leste, Bynum vai estar pertinho de casa (New Jersey), o que lhe agrada bastante. Em sua apresentação, durante a semana, foi aclamado por uma legião carente de torcedores do Sixers. Essa rapaziada já vibrou com Julius Erving, Moses Malone, Charles Barkley e Allen Iverson e, nos últimos anos, precisou se confortar com Andre Iguodala, que é um belo jogador, mas não alguém que fosse vender muitos ingressos ou elevar a equipe a um padrão de candidato ao título. Agora eles abraçaram o pivô como esse atleta.

Para o ex-angelino, no fim, é isso o que mais importa. Ser o dono, a referência de uma equipe, aos 24 anos, sete anos depois de ter entrado na liga como o jogador mais jovem da história, vindo direto do colegial para ser escolhido em décimo, de modo visionário e ousado, pelo Lakers.

“Vejo isso como uma oportunidade de assumir o time e ser ‘O Cara’ e avançar com minha carreira. Algumas metas pessoais seriam mais realistas de se obter aqui”, disse Bynum. “Quero ver o quão longe posso levar uma equipe”, afirmou.

Phil Jackson e Andrw Bynum

Nem o Mestre Zen captou a essência de Bynum

O jornalista-escritor Roland Lazenby, que está biografando Michael Jordan neste exato momento e tem boas fontes em Los Angeles, acredita que o pivô está pronto para estourar. “Ele é um homem inteligente. Ele é um jovem inteligente e não apenas por assim dizer. Temos gente brilhante no basquete e gente brilhante. Andrew Bynum é brilhante”, afirmou.

Bynum pode se distanciar, então, da NBA mundana por seu intelecto? Assim como o próprio Phil Jackson fez nos anos 70, caindo de cabeça na contracultura? Não é todo dia que algum jogador vá citar uma frase do general George S. Patto (sim, aquele do filme), célebre na cultura militar norte-americana. Questionado se ele poderia sentir a responsabilidade em Filadélfia, ele respondeu que: “A pressão gera dimantes”.

Ao mesmo tempo, ainda estamos falando do mesmo jogador que pode cometer lances estúpidos como estes do vídeo abaixo, em que se descontrola e desce a marretada em jogadores menores de modo desleal. Seu progresso pelo Sixers já é, desde já, um dos temas da próxima temporada da NBA.


Em meio ao caos olímpico, Orlando Magic manda Howard para o Lakers
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Giancarlo Giampietro

Dwight Howard agora posa de Laker

Dwight Howard agora posa de Laker

Para ajudar o blogueiro que nem estava atolado assim na vida e forçar que todos os setoristas de NBA cobrindo as Olmpíadas madrugassem em Londres, o Orlando Magic, enfim, aceitou uma proposta e fechou nesta sexta-feira a negociação que e o Mickey Mouse mais esperava. Chega de novela e pesadelos com Dwight Howard para o clube da Flrórida.

Muita gente vai odiar, outros vão se assustar, e é por aí mesmo: o superpivô vai reforçar o Los Angeles Lakersna próxima temporada. Como foi a megatroca, da qual participaram Denver Nuggets e Philadelphia 76ers também? Vamos com o desfecho abaixo e os comentário:

- O Lakers recebe Howard, o armador Chris Duhon e Earl Clark.
O quinteto dos caras vai ser este aqui só: Steve Nash, Kobe Bryant, Ron Artest, Pau Gasol e Howard. Não sei, não, mas desconfio que nosso amigo Mike Brown vai ter alguma pressão para fazer o time atacar nesta temporada… Pensando no seu sistema ofensivo, porque a retaguarda acaba de ganhar o atleta eleito o melhor defensor da liga por três anos. Essa é a preocupação – e por acaso algum torcedor angelino vai ficar tenso depois de uma bargaha dessa??? – de curto prazo. A segunda, para daqui a um ano, é seguinte: Howard está na última temporada de contrato, e pode deixar a franquia de mãos abanando. Porém, sabendo que o pivô é carente ao extremo em termos de visibilidade, que está num tremendo mercado e numa cidade de clima agradável, que pode receber US$ 30 milhões a mais do Lakers do que de qualquer outra franquia e que vai jogar em um timaço, quais as chances de isso realmente acontecer? Muita coisa precisa dar errado.

No mais, Duhon é o peso morto do qual o Orlando se livro e vai competir com Steve Blake para ver quem brincará mais com o jovem Darius Morris. Clark é um jogador  que já foi comparado a Lamar Odom, mas nunca teve – ou mereceu? – muitas chances. Seja pelo Phoenix Suns, que o draftou na loteria, e pelo Orlando, onde era elogiado pelo potencial defensivo, mas ficava no banco de Ryan Anderson, Brandon Bass e Big Baby.

- O Sixers recebe o pivô Andrew Bynum e o ala Jason Richardson.
Com o salário anistiado de Elton Brand, o time de Philadelphia deu sinais de vida, entrou no negócio e pegou o segundo jogador mais talentoso de todo o pacote, surpreendentemente. Bynum está na mesma situação de Howard: tem apenas mais um ano de vínculo e vai precisar ser convencido de que vale a pena renovar com o clube. A regra dos US$ 30 milhões vale para ele da mesam forma. Com o grandão, a equipe tem seu primeiro pivô decente desde Dikembe Mutombo e vai alterar drasticamente sua forma de atuar, saindo do perímetro para o garrafão.

J-Rich tem mais US$ 18 milhões em três anos de salário, mas pode ser útil ainda, desde que perca uns quilinhos e não se acanhe de revezar com Evan Turner e Nick Young durante a campanha. Se for minimamente produtivo, foi um tremendo negócio.

- O Nuggets recebe o ala Andre Iguodala.
O terceiro melhor jogador da complicada transação vai para as Montanhas Rochosas. Uma baita sacada: num sistema que abusa da velocidade, preparo físico e capacidade atlética de seus jogadores, Iggy cai como uma luva. Vai ter muito mais gente com quem correr em quadra e mais liberdade para poder criar ofensivamente (desde que não não seja nos moldes de um JR Smith, claro). Ao lado de McGee, o Manimal Faried, Corey Brewer e Wilson Chandler, Iguodala também aumenta a pegada defensiva da equipe. Vai ser um inferno para os Kobes e Hardens no Oeste. O gerente geral Masai Ujiri vai muito bem no cargo.

- O Magic recebe… Arron Afflalo, Al Harrington, Maurice Harkless, Nikola Vucevic, Josh McRoberts, Christian Eyenga e mais três escolhas de primeira rodada (Nuggets, Sixers e Lakers) e duas de segunda rodada do Draft (Nuggets, Lakers).
Se três clubes já haviam se dado bem na troca, alguém teria de ficar com o prejuízo, não? E… Fica até difícil colocar em palavras o quão aturdido essa negociação deixa. Incompreensível a motivação por trás desse pacote.

Vamos lá: Afflalo é um bom soldado, um jogador muito esforçado, prova viva de que, com dedicação e seriedade, um atleta pode evoluir muito, e será um titular por muito tempo. Alguns scouts afirmaram durante todo o processo do Draft que Harkless pode ser um prodígio, mas demorando alguns anos – anos que Eyenga já tem de liga, ainda sem espaço algum. Vucevic tem potencial, mas não de um cara que faça diferença. Harrington tem mais três anos de contrato, então não é que Orlando tenha limpado sua folha salarial.

E o que mais? McRoberts é um ala-pivô: posição que já contava com os calouros Andrew Nicholson e Kyle O’quinn, o segundanista Justin Harper, o gigante Big Baby e o mexicano Gustavo Ayón. Somando Vucevic e Harrington, são sete atletas brigando na mesma. Uma bagunça. O estreante Jacque Vaughn que se vire com uma combinação de Jameer Nelson, Afflalo, Turkoglu/Harkless, Nicholson/Ayón/Vucevic/Glen Davis. De novo: inacreditável. Os donos da franquia demoraram muito para tomar a decisão de se livrar de Howard. Receberam algo muito, mas muito abaixo de seu valor mercado. Vão reconstruir, mas vai demorar um bocado.


Mercado da NBA: panorama da Divisão Atlântico
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Giancarlo Giampietro

O post já vai ficar imenso, então vamos direto ao assunto. A partir desta quarta-feira, os clubes da NBA começaram a oficializar os acordos que trataram nos últimos dias, em período agitado no mercado de agentes livres. Nesta quarta, resumimos o Leste. Confira o rolo em que cada franquia da Divisão do Atlântico se meteu, ou não, abaixo:

- Boston Celtics: a casa do quinto brasileiro da liga, o pivô Fabrício Melo, draftado como um projeto de longo prazo de um time que joga para vencer agora. O chefão Danny Ainge cuidou bem para que tivesse bastante espaço em sua folha salarial neste mercado. Muitos esperavam uma drástica reformulação no elenco. No fim, ele manteve sua base, renovando contrato com Kevin Garnett e Brandon Bass e acertando o retorno de Jeff Green, que ficou afastado do último campeonato devido a uma cirurgia no coração. Ainda assim, o técnico Doc Rivers lamentou muito a traumática saída de Ray Allen, que decidiu se transferir simplesmente para os arquirrivais do Miami Heat. Os boatos dão conta de que o veterano ala já não se bicava com Rajon Rondo de modo algum e ainda estaria com o orgulho bastante ferido por ter sido envolvido em diversas negociações (fracassadas) de Ainge nos últimos meses.  Como compensação, chega o tresloucado e ainda eficiente Jason Terry, de Dallas.

Deron ficou no Brooklyn- Brooklyn Nets: O  gerente geral Billy King conseguiu segurar o armador Deron Williams, renovou com Gerald Wallac e trouxe o ala Joe Johnson em uma troca –o salário absurdo do ala pouco importa para o bilionário Mikhail Prokhorov e, mais importante, Williams admitiu durante os treinamentos com a seleção norte-americana que sua contratação pesou muito na decisão de ficar no Nets. O bósnio Mirza Teletovic, destaque no basquete espanhol nas últimas temporadas, também é reforço. Já é o bastante? Nada, King ainda está pendurado no telefone tentando encontrar algum meio de resolver a saga que virou a tentativa de contratar Dwight Howard.

- New York Knicks: o time de Manhattan agora tem um vizinho barulhento nas fronteiras nova-iorquinas e  teve de se virar para se manter em evidência no mercado. Se a negociação por Steve Nash naufragou, o clube ao menos vai poder contar com os veteranos Jason Kidd e Marcus Camby em atividade no Madison Square Garden na próxima temporada, na tentativa de trazer estabilidade ao seu elenco. Os alas JR Smith e Steve Novak renovaram. Ah, e você se lembra do Jeremy Lin? O armador aceitou uma proposta do Houston Rockets, mas o Knicks tem o direito de renová-la, não importando que tenham de pagar zilhões de dólares em multas a partir de 2015. Afinal, ele já rendeu mais que zilhões de dólares para a franquia em menos de seis meses. Já o ala Landry Fields pode ser o queridinho de Spike Lee, mas nem James Dolan parece disposto a cobrir a oferta feita pelo…

Camby em sua primeira passagem pelo Knicks

Camby, há 10 anos, pelo Knicks

- Toronto Raptors: Steve Nash frustrou muitos nova-iorquinos, mas partiu o coração dos radicais torcedores do Raptors, que sonhavam com sua contratação para que ele, enfim, vestisse o uniforme de Capitão Canadá.  Pior: na tentativa de detonar os planos do Knicks, Bryan Colangelo encaminhou proposta para Fields que deixou muita gente perplexa. Seu plano era sabotar as negociações dos concorrentes com o Phoenix Suns. Mal sabia ele que havia mais gente poderosa no páreo. Como consolação, o dirigente fechou a contratação de Kyle Lowry em sequência. Ele pode não ter o apelo de Nash, mas é mais jovem, marca muito mais e vem em evolução contínua na sua carreira. Ainda falta assinar com o jovem pivô lituano Jonas Valanciunas.

- Philadelphia 76ers: era o último ano de contrato, valendo US$ 18 milhões, mas o Sixers decidiu que não valia esperar: resolveram anistiar o ala-pivô Elton Brand pra já, mesmo, limpando sua folha salarial ­– embora tenha ainda a obrigação de arcar com o pagamento do veterano – para investir em outros atletas, como o ala Nick Young e o pivô Spencer Hawes, que vai ganhar um aumento em sua renovação contratual. Por enquanto é isso, mas há uma tímida expectativa de que o time possa se movimentar mais nas próximas semanas.  O ala novato Moe Harkless é mais um atleta de primeiro nível para o elenco.

Veja o que aconteceu até agora nas Divisões Central e Sudeste.

Na quinta, passamos a limpo aqui a Conferência Oeste.