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Arquivo : seleção feminina

Presidente da CBB questiona metas do governo, mas se perde ao falar da seleção feminina
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Giancarlo Giampietro

 Ontem foi dia de rebater o candidato da oposição à presidência da CBB, o presente de grego que tivemos, durante anos e anos e que agora quer voltar. Foram tantos pontos de questionamento que parece que pior que aquilo não dava para ficar. Mas dá, sim. Dá quando sabemos que a confederação ou ficará com Bozikis, ou com o candidato da situação, que também tropeçar nas próprias palavras em entrevista ao R7. Carlos Nunes, Carlos Nunes… Ele quer a reeleição. Ai.

Carlos Nunes, presidente da CBB

Carlos Nunes, ex-aliado do presente de grego, agora tropeça por conta própria

A pergunta é direta e vital para aquele que já preside a entidade. A resposta vem murchinha e com um cinismo que impressiona: “Mais resultados, trabalhar mais com a base, mais ajuda do governo, saber o que ele quer realmente no esporte…”.

Sempre o governo. A grana do governo.  O mesmo governo que já cedeu a Eletrobrás como patrocinadora? Ah, tá. A mesma desculpa de sempre.

Em termos gerais, claro, quanto mais sólidos os investimentos em educação, escola pública, parques, centros olímpicos etc., maior a chance de termos um craque. Mas em qualquer modalidade, né? Não especificamente o basquete. Tirando a Lituânia, que governo trabalharia especificamente para o basquete?

E, se não falha a memória, a presidenta não acabou de assinar um cheque trilhardário há alguns dias para todo o esporte? Mas, antes de o governo saber o que espera do esporte, será que e a CBB sabe o que quer do basquete?

Quer mais ajuda, mesmo! Porque tá precisando.

Ainda mais porque os R$ 22 milhões orçamentários não servem pra tocar uma confederação de ponta, explicando então os empréstimos, o saldo negativo, o balanço que flerta com a falência da entidade nos últimos anos. Se quiserem discutir que o valor é pouco para sustentar as operações, que mandou assinar e topar esse tipo de valor? Num quadriênio rumo a uma Olimpíada em casa, não dava para barganhar mais?

Aí, quem sabe, com mais dinheiro, talvez ele consiga coordenar dois departamentos de uma vez. Porque sua gestão foi totalmente incompetente no que diz respeito ao feminino. “Para a feminina foi mais difícil, pelas dificuldades que tivemos e que todo mundo sabe”, afirmou.

Clarissa x Seimone Augustus

Fatou citar também a surra que as meninas levaram dos EUA em jornada dupla em Washington

Se todo mundo sabe, então é de se supor que ele, Hortência e asseclas sabiam também em 2009, não? Das duas uma: ou não sabiam, ou falharam em se preparar. Não tem desculpa. “A preparação é diferente da masculina. Foi difícil conseguir adversárias para ter uma preparação mais adequada. E ainda temos o cancelamento dos Sul-Americanos… Não tivemos países para jogar. A feminina, só teve o Chile para amistoso.”

Quer dizer, então, que o Brasil se deu mal nas Olimpíadas porque simplesmente não conseguiu jogar contra times de ponta. Como se elas não tivessem ido para a Austrália, né? Ou que não tivessem enfrentado a França, naquele fim de semana inesquecível do corte de Iziane. Por que o presidente, então, diria que só enfrentamos o Chile? E, realmente, um ou dois amistosos preparatórios fariam tanta diferença assim no resultado final? Ese foi o ponto mais importante? Ou será que mais relevante não era ter mantido uma linha técnico-tática durante todo o ciclo? Em vez de trocar a cada temporada?

Deve ser bobagem isso. Já que tínhamos um projeto bem claro: chegar a Londres para um torneio ritualístico, de passagem, de experiência para as meninas rumo ao Rio, com as jovens Karla, Chuca, Adrianinha e Silvia todas escaladas na rotação de Tarallo. Tássia, Nádia e Franciele, das mais experientes, ficaram entre as que menos jogaram. Damiris, grande aposta, foi limitada a menos de 20 minutos por partida. Isso tem tenome: planejamento. “A masculina tem mais condições que a feminina, já tem base pronta. A feminina vai passar por renovação”, disse Nunes. Ué, mas o ciclo anterior, nas palavras de Hortência, não era justamente para isso?

A julgar por essa entrevista, com tantas imprecisões, choradeira e palavras vagas, não dá para se animar muito para uma reviravolta no cenário feminino. “Queremos ganhar o Sul-Americano, nos classificar para a Copa América, para o Mundial, e no Mundial ficarmos entre as quatro, pelo menos. Queremos ser semifinalistas no Mundial da Turquia 2014″, assegurou.

Percebem a incoerência? Primeiro diz que a preparação do time feminino é mais difícil. Que vem renovação, blablabla. Depois, diz que espera uma semifinal de Mundial daqui a dois anos! Depois-depois, volta a se desdizer ao falar sobre Olimpíadas: ” Queremos o ouro, no masculino. No feminino, claro que também queremos o ouro, mas se ficarmos entre as quatro…  (estaria bom)”. Então é assim: no Mundial, que é daqui a dois anos, ele quer “pelo menos” ficar entre as quatro – isto é, brigar por medalha. No Rio de Janeiro, daqui a quatro anos, jogando em casa, a casa de Érika e Clarissa, por exemplo, a demanda seria menor. Faz todo sentido do mundo.

Então fica a pergunta reforçada: o que a CBB realmente espera do basquete brasileiro?

 


Presidente da CBB expõe Hortência e fala em contratar australiano para a seleção feminina
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Giancarlo Giampietro

Tom Maher, coach

Tom Maher dirigiu a Grã-Bretanha e, para Nunes, deveria assumir a seleção

Nada como uma organização bem azeitada, em que sua cúpula fale a mesma língua. Ou que, pelo menos, não se exponha tanto publicamente, que guarde os debates para seus QGs, né?

Só tirem a CBB (Confederação Brasileira de Basquete) dessa.

Em passagem – desastrada, para variar – por João Pessoa, em campanha por sua reeleição na presidência da entidade, Carlos Nunes falou novamente mais do que deveria. Geralmente funciona assim mesmo: o presidente mal aparece em público. Quando fala aos microfones, só sai rojão. Dessa vez ele expôs uma de suas profissionais de confiança, Hortência, diretora do departamento feminino.

“Como opção minha, e esta é uma responsabilidade que trago para mim, eu entendi que era Hortência quem tinha as condições necessárias para levar o time a uma posição melhor nas Olimpíadas. No fim, acabou acontecendo o que aconteceu. Cabe-nos agora avaliar o que deu errado”, afirmou o cartola em entrevista ao GloboEsporte.com.

Tipo… “Deu no que deu”. É até engraçado. Mesmo.

Mas, calma lá: Nunes afirma que, “a princípio”, sua diretora continua no cargo, mas que “novos nomes devem se juntar ao grupo”.

Se Hortência continuar mesmo na administração, vai ter de batalhar para manter sua escolha da vez de técnico, Luís Claudio Tarallo, no cargo. Segundo o presidente da CBB, ela defende a continuidade no comando da seleção adulta, depois de uma campanha pífia em Londres-2012.

Não seria agora, afinal, que ela trocaria um treinador, né?

Oooops.

Bem, voltando: se Hortência continuar e se optar por seguir com Tarallo, pode ter sua opinião contrariada pela hierarquia e ter de engoliar a seco. Enamorado pela proteção que Rubén Magnano lhe dá em seu cargo, Carlos Nunes defende a contratação de um treinador estrangeiro também para dirigir as meninas. O nome seria o australiano Tom Maher, que dirigiu a Grã-Bretanha nos Jogos Olímpicos e já fez grandes campanhas nos últimos 20 anos.”Sou muito simpático à ideia de trazer o treinador australiano”, afirmou.

Entre nós, é um grande técnico.

Também aqui entre nós todos: precisava jogar as coisas no ventilador assim mesmo?


Jogos patrióticos: a praga da naturalização no basquete
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Giancarlo Giampietro

Se eles fazem, nós fazemos também. Se você tem, eu quero também.

E por aí a gente segue, com Larry Taylor armando a seleção brasileira e comandando uma virada – de final frustrado – contra a Rússia. E vamos com Serge Ibaka enterrando todas e bloqueando adversários que não estão habituados a enfrentar um pivô tão atlético assim.

Esses são os dois casos mais óbvios para se discutir. Mas o problema vai muito além: hoje até o Azerbaijão –  o Azerbaijão!!! – recruta quatro jogadores americanos para defender sua seleção nas eliminatórias para o Eurobasket. Virou uma praga.

A cidade de Laramie, no Wyoming, não chega a ser um pólo turístico atraente, não deve ser referência para muita coisa, mas uma coisa dá para cravar: está a mundos de distância, cultural e geograficamente, de Baku, a capital azerbaijana. A identificação entre o Wyoming e o Azerbaijão deve ser a mesma entre um são-paulino e um corintiano. Nenhuma. Então como explicar que um de seus rebentos, o ala Jaycee Carroll, um cestinha de mão cheia pelo Real Madrid, tenha o passaporte do longínquo país situado na Eurásia? Ele nunca jogou por um clube de lá – sua carreira europeia passa por Itália e, agora, Espanha.

É a mesmíssima situação de Bo McCalebb, que ajudou a eliminar algumas potências tradicionais do esporte no último campeonato europeu, jogando pela Macedônia que ele visitou pela primeira vez justamente apenas para tirar o seu passaporte.

Não há como justificar uma coisa dessas.

Serge Ibaka, do Congo

Serge Ibaka, do Congo ou da Espanha?

E aí entra a parte em que aceita-se as ressalvas: mas o Larry joga em Bauru há anos e só precisa aprender “impávido colosso” para completar nosso hino; o Ibaka foi jovem para a Espanha… Sim, não chega a ser algo tão cínico, deslavado, sem vergonha como os casos dos pontuadores McCalebb e Carroll. Há um vínculo, pequeno que seja, em seus casos. “Nunca vou esquecer de que lugar eu vim, mas estou orgulhoso de vestir o uniforme da Espanha e representar este país”, afirma Ibaka. Mas dá para ir mais a fundo nessa.

Serge Jonas Ibaka Ngobila chegou ao país ibérico em 2006, com 16 anos, estritamente para jogar basquete. Ele já havia disputado competições de clubes avalizadas pela Fiba em seu Congo natal, pelo Interclub de Brazzaville, sua cidade natal. Defendeu primeiro o time de base do CB L’Hospitalet e depois fez sua estreia na LEB Oro, fortíssima segunda divisão. De 2008 a 2009, passou a jogar pelo Ricoh Manresa. De lá partiu para Oklahoma City. Façam as contas: foram três anos. Certamente serviram para burilar uma joia rara, que avançou tecnicamente. Mas é o suficiente para ele se tornar espanhol? E mais: quando foi convocado por Sergio Scariolo, ele ainda não tinha a papelada, embora a federação do país tivesse garantias de que o processo seria acelerado e concluído para que ele prontamente jogasse no Eurobasket do ano passado.

É a mesmíssima situação de Larry, que foi convocado em 2011 e não pôde disputar o Pré-Olímpico porque a burocracia não permitiu. De todo modo, o breve contato com Magnano convenceu o argentino de que valeria, sim, brigar para ter o americano em Londres, e a CBB promoveu intenso esforço para contar com o estrangeiro. Esse é o ponto importante no causo: nunca partiu dele o pedido de cidadania e de uma convocação.

Os dois assumiram novas nacionalidades estritamente por razões profissionais, esportivas. Pela forma que os processos foram tocados, não dá para negar: foram dois jogadores contratados por suas seleções, não importando o quão identificados estivessem com a nova terra. Ainda que mais amenos que os reforços do Azerbaijão, são casos diferentes e mais graves, por exemplo, que o de Luol Deng.

Larry Taylor, de Bauru

Larry Taylor, de Chicago e Bauru

O ala do Chicago Bulls, líder da seleção britânica, que nasceu em Wau, no Sudão (agora território do Sudão do Sul). Mas calmalá: enquanto o pai, um parlamentar, ficava para trás, sua família deixou a cidade foragida durante guerra civil e chegou ao Egito, em Alexandria. A mãe e oito filhos, Luol com três anos. Eles foram reencontrar o Deng sênior apenas cinco anos depois, em Londres, com o devido asilo político arranjado.

O garoto aprendeu tudo muito rápido, a começar pela nova língua. Começou a jogar basquete para valer e, aos 14, já tinha um convite para atuar por um colegial dos Estados Unidos, onde estudou e jogou até chegar ao time de Duke e, posteriormente, ao Bulls.

As constantes migrações deixam sua história um pouco mais cinzenta. Talvez o ala deva mais aos EUA por sua carreira de atleta. Mas qual passagem foi mais importante para que ele e seus irmãos prosperassem? Pelo que podemos ler neste artigo aqui do Guardian, dá para chutar que foi na Inglaterra em que sua família encontrou paz e estabilidade. Foi um claro recomeço.

Nas Olimpíadas, vimos que a Grã-Bretanha tinha bons pivôs, mas dependia quase que exclusivamente do talento do ala para sobreviver em meio a rivais de muito mais tradição. Não que isso importe muito em termos de regulamento, preto-no-branco. Mas, eticamente, não custa perguntar: como se virariam sem Larry e Ibaka o Brasil, com a turma da NBA toda reunida, e a Espanha, vice-campeã olímpica em 2008 sem nenhum reforço extracomunitário? Pode ser que caíssem um pouco de rendimento, mas seria algo tão drástico? Eles realmente precisavam apelar para esta via?

A resposta, como sempre, cai para o cinismo. “É assim que as coisas funcionam”.

Então tá, né? Esperem só até ver, então, a seleção olímpica do Turcomenistão em 2032.

*  *  *

Dia desses, o chapa Jonathan Givony – diretor do serviço de scouting Draft Express, cara mais do que viajado no basquete – saiu em uma cruzada contra alguns de seus seguidores no Twitter que não toleravam suas observações irônicas sobre os procedimentos adotados pela FEB.

Começou assim:  “E isso sem o benefício de ‘recrutar’ qualquer mercenário do Congo e de Montenegro”, em referência ao ouro dos Estados Unidos em Londres. Aí pegou fogo. Foi torpedeado.

Luol Deng, Grã-Bretanha

Luol Deng, um contexto mais cinzento

Muitos defenderam que Ibaka e o ala Nikola Mirotic, montenegrino também importado e que já defendeu o país até mesmo em categorias de base, podem ser espanhóis, sim, senhor, por terem chegado como adolescentes. O problema é que eles vão exatamente para serem jogadores de basquete e ficarem a serviço de um novo país.

 “Linas Kleiza e muitos outros jogaram no basquete colegial e universitário nos EUA. Deveríamos também recurtá-los para jogar na nossa seleção? E por que motivo?”, perguntou. “Desculpem, mas Mirotic deveria estar jogando por Montenegro contra Sérvia e Israel. Ele só não está porque não fazia sentido financeiramente.”

Com o passaporte espanhol, naturalizado, Mirotic tem muito mais facilidade para descolar bons contratos na liga espanhola, e o Real Madrid também agradece. “É a definição de um mercenário. E haverá muitos mais como ele nos próximos anos. E está errado.”

*  *  *

Em entrevista ao Daniel Neves, aqui do UOL Esporte, a diretoria do departamento feminino da CBB, Hortência, afirma sobre a possibilidade de importar uma armadora: “Se aparecer uma jogadora que se encaixa ao nosso estilo, não vejo porque não naturalizar. Mas não vamos naturalizar qualquer uma. Estamos acompanhando tudo o que está acontecendo e vamos avaliar a capacidade das jogadoras, que não precisam necessariamente jogar na LBF. Aí decidiremos se vamos trazer uma estrangeira ou não.”


Presidente da CBB reaparece em editorial com pérolas em tom de campanha
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Giancarlo Giampietro

Tudo é uma questão de recuperar o orgulho tupiniquim

Os bastidores do basquete brasileiro já estavam agitadíssimos há muito tempo, mas, passadas as Olimpíadas, como o Bala já publicou, agora é hora de a campanha presidencial da CBB vir à tona, escancarada, e ai de quem ficar na frente.

Nessas horas, vale usar até mesmo o site da confederação, né? Bah, que mal tem?

Toca lançar, então, um editorial nesta quinta-feira no mais alto tom de candidato, rompendo um silêncio que durava desde o desastrado anúncio das convocações de Nenê e Leandrinho em antecipação a Rubén Magnano.

Veja o que assina Carlos Nunes: “Basquetebol, orgulho nacional mais uma vez”.

Por acaso estamos falando da mesma modalidade que saiu como quinto lugar no masculino e venceu apenas uma partida no feminino?

Porque aqui é preciso todo o cuidado do mundo – ou, pelo menos, do Brasil – para que não se misture as coisas. Que um time tenha jogado bem, batido de frente com as potências do torneio e tal, e isso seja entendido como o resgate do orgulho nacional (hein?!) me parece um senhor exagero, desde já. Mas, vá lá. Tem gente que considera mesmo essa avaliação factível. Esses precisam entender que o desempenho de duas seleções nacionais não reflete, de modo algum, uma bonança do esporte no país.

Por mais que o presidente da CBB discorde: “No esporte como praticamos, a derrota não é uma escolha. Medalha no peito ou não, nosso orgulho está em alta. Jogamos para vencer. Sempre”. E desde quando é virtude que um time jogue um torneio para vencer? Não é o óbvio? Se essa é uma indireta para os espanhóis, a derrapada de um não deve transformar a mera obrigação competitiva do outro em ato heróico… Quanta falácia, quanta pachequice.

Presente de Grego e Carlinhos, amigos?

Em seu memorando, Nunes gasta dois longos parágrafos enaltecendo a suposta superestrutura da entidade e paparicando a equipe dos marmanjos. No meio do terceiro parágrafo é que vieram seus tão aguardados comentários sobre a seleção das meninas. Vejamos:  “O feminino jogou de igual para igual contra potências mundiais, num grupo dificílimo. Das quatro semifinalistas, três jogaram contra o Brasil”, começa. Ok, este é numericamente um fato: por outro lado, para quem viu os jogos com o mínimo de senso crítico – será que ele assistiu? será que ele sabe o que é isso? –, ficou bem claro que Austrália e Rússia já não eram as mesmas poténcias de outrém.

E o que mais? “Desempenhos como os de Érika e Clarissa são sementes que plantamos, num trabalho sério e profissional de nossa diretora Hortência, do qual colheremos frutos. As derrotas servem para apresentar lições e fortalecer para o futuro. É isso que faremos”, sentencia. Peraí. Se bem entendemos esse trecho, o cartola quis dizer que Érika, uma pivô que já era uma força da Natureza no Mundial de 2006 e chegou a Londres com 30 anos, foi um produto de sua administração? Ou, quando ele diz “nós plantamos”, talvez esteja se referindo a si e a Gerasime Bozikis, nénão? Seu ex-comparsa, da gestão anterior, da qual tomou parte. Aí faz sentido. Claro!

Se bem que… Hã… Talvez, não.

Afinal, Carlinhos e o nosso presente de grego são concorrentes hoje.

Desculpem a confusão, ok? Mas, como suas trajetórias se confundem e a incompetência é a mesma, fica difícil separar em miúdos.

Voltemos ao editorial, então, sem esquecer a conveniente omissão do caso Iziane – essa semente ninguém plantou, então? – e sem deixar de destacar o prestígio direcionado a Hortência, que, deduzimos, s parece garantida até a reeleição, pelo menos.

Para arrematar, um Grand Finale: “Como disse Rubén Magnano, depois do jogo contra a Argentina, o bambu não cresce do dia para a noite. Além dos já consagrados, novos talentos vão surgir em nossas divisões de base, através de estímulos às federações, aos Nacionais e à Escola Nacional de Treinadores. Em 2016, uma grande festa no Rio de Janeiro vai consagrar de vez o basquete como orgulho nacional”.

É realmente uma pérola: “Bambu não cresce do dia para a noite”. Como se a apropriação dessa metáfora realmente nos forçasse goela abaixo a ideia de que 24 horas representariam os três anos de um trabalho. Conta outra, por favor.

Mas o mais revelador, mesmo, é o verbo “surgir”. Pois não é assim que funciona o basquete brasileiro? Quem explica talentos como Nenê e Damiris? Realmente muito bem empregado, já que “surgir” passa muito mais a noção de casualidade do que de planejamento, não?

Na mosca, presidente.


Ao menos uma vitória para fechar a campanha melancólica das meninas. E agora?
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Giancarlo Giampietro

Érika tentou de tudo no torneio, mas ataque não funcionou

Bem, o placar de 78 a 66 sobre a Grã-Bretanha valeu realmente como uma vitória de honra. Ao menos uma vitoriazinha que seja para evitar o vexame de cinco derrotas em cinco rodadas em Londres. A seleção brasileira feminina deixou para fazer sua melhor partida no torneio, quando era muito tarde para qualquer coisa.

E agora?

Bem, vamos tentar juntar alguns cacos:

- Nunca vi uma seleção brasileira com um ataque tão pobre, mas tão mal arquitetado numa Olimpíada, mesmo com a presença de Érika no elenco, uma das forças ofensivas mais irresistíveis do basquete internacional (16,2 pontos na primeira fase, 56% nos arremessos e 75% nos lances livres). Com um dínamo desses ao seu lado, que pediu marcação dupla e muita ajuda durante toda a campanha, a equipe terminou com uma média de 38% de acerto nos chutes, ganhando apenas de Rússia (37%!?), Grã-Bretanha e  Angola nesse quesito. Indesculpável, ainda acrescentando na conta os 16,6 erros por jogo, quinta pior marca da competição.  Isto é: não conseguimos nem cuidar bem da bola, para retardar o ritmo da partida, nem atacar a cesta com eficiência e rapidez. Faltou movimentação, criatividade, inteligência e controle emocional. Direção, em suma.

- A defesa brasileira se comportou bem muitas vezes no torneio, mas em geral seu desempenho oscilou demais, ainda mais quando Érika se complicava com o excesso de faltas. Terminou com média contrária de 70,8 pontos (sendo que no ataque converteram apenas 65,8). Foi a quinta pior retaguarda do torneio, acima de Angola, China, Croácia e Grã-Bretanha. Vale uma ressalva, no entanto: chinesas e croatas tiveram de encarar os Estados Unidos na primeira fase. Descontando as sacoladas que tomaram neste confronto, suas médias seriam bem inferiores.

- As rotações foram muito confusas: o Brasil não sabia se queria jogar com uma equipe mais alto ou um quinteto mais baixo. Rendeu bem melhor quando apostava em velocidade em vez de tamanho, uma vez que os talentos de Damiris foram desperdiçados: a jovem ala-pivô ficou extremamente deslocada no perímetro exterior. Seu chute pode cair dali, mas essa é apenas uma faceta de seu basquete, que acabou estrangulado.

- Apostar em Joice como a substituta de Adrianinha não foi a melhor cartada. Por outro lado, quando as duas jogaram juntas, o time rendeu bem melhor, ganhando em velocidade e pegada. Essa combinação, no entanto, foi pouco  repetida durante a competição. Começar com Karla e Chuca nas alas teoricamente daria ao time um chute mais confiável, para abrir a quadra para Érika, mas não deu certo: acertaram muito mais aro do que redinha, não tinham poderio de rebote e cobriam pouco terreno na defesa.

- Para um país que ficou bem-acostumado por anos e anos de Paula, Janeth, Hortência, Alessandra, Leila, Branca e outras, normal considerar que esta seleção londrina estivesse muito aquém em termos de talento. De 1 a 11, a média não era alta realmente, mas ainda havia possibilidades a serem exploradas. Tinha talento ali, sim. De Érika é melhor nem comentar mais nada. Clarissa complementou bem sua parceira de garrafão, não se intimidando contra as diversas adversárias mais altas que encarou. Terminou com 12,6 pontos e 9,0 rebotes (mais até que a grandalhona). Jogadora de muito vigor físico, energética, tino para os rebotes que ainda toma algumas decisões equivocadas no ataque, pode ficar exposta na defesa em determinados duelos, mas, no geral, oferece muito mais do que tira. Damiris não é uma escolha de Draft da WNBA de graça. Franciele pareceu sem confiança alguma, mas ainda é uma atleta de primeiro nível. Quando não tinha a obrigação de conduzir a equipe, Joice jogou muito mais solta e causou impacto com sua velocidade e explosão.

- Não era nossa melhor fornada, ok, mas o que dizer do restante da concorrência? Austrália e Rússia não detonaram ninguém na competição. A França veio forte, mas também não pode ser considerado um rival realmente dominante. Apenas os Estados Unidos jogaram como superpotência. Então não me venham falar de grupo forte, que deu azar, que sei lá o quê.

- Por fim, a última desculpa, aquela básica: a de que formamos um time pensando  longe, no Rio-2016. Pelamor. A presença de Karla e Chuca, ambas de 33 anos, na lista final nos remete a esta pergunta: vamos tentar realmente emplacar o discurso de que este ciclo olímpico era apenas uma fase de experiência? Quatro anos de preparação exatamente para quê?

As duas alas tiveram, respectivamente, médias de 23min39s e 20min07s de quadra, posicionadas entre as cinco que mais jogaram pela Seleção, ao lado de Érika, Clarissa e Adrianinha, que se despediu da equipe, enquanto Tássia (3 jogos com 3min58s), Nádia (4 jogos com 8min24s), Franciele (4 jogos com 5min10s) e Damiris (5 jogos com 19min32s, a única efetiva na rotação), as mais jovens, ficaram entre as cinco que mais ficaram no banco, junto de Silvia. Desse grupo londrino, apenas essas quatro e Clarissa chegarão ao Rio abaixo dos 30 anos. Érika vai ter de 33 para 34. Que renovação foi essa?

 


Seleção feminina agora perde para o Canadá e já não joga mais por nada em Londres
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Giancarlo Giampietro

Canadá elimina o Brasil

A seleção sofre a quarta derrota em quatro jogos, está fora e ainda pede tapa na cara (?)

Realmente não faz muito tempo: no dia 25 de setembro de 2011, em Neiva, na Colômbia, as  meninas deram um sacode no Canadá: 56 a 39, em jogo pela segunda rodada da Copa América, valendo a classificação para Londres-2012. A seleção brasileira, então com o técnico Ênio Vecchi, iria vencer o torneio sem dificuldade alguma. As canadenses tiveram de se virar contra Cuba na disputa pelo bronze e ao menos uma vaga no Pré-Olímpico Mundial deste ano.

Hoje, menos de um ano depois, as canadenses vencem esse mesmo confronto, mas dessa vez no comando do placar por quase toda a partida, até vencer por 79 a 73, garantindo seu lugar nos mata-matas e eliminado o velho adversário, que acumula quatro reveses em quatro rodadas.

Em setembro de 2011, tomamos 39 pontos no jogo todo. Em agosto de 2012, foram 39 já no primeiro tempo. O que mudou de lá para cá?

Bem, no Canadá não foi muita coisa. A simpaticíssima treinadora Allison McNeill segue orientando sua equipe, mesmo como rendimento fraco no torneio continental. Aliás, ela faz isso desde 2002. Em nota no site da federação canadense, é considerada um “ícone nacional, um tesouro e um recurso valioso” para o esporte.

Qual seria o paralelo hoje para Allison McNeill no mundo da CBB?

Érika domina, mas em vão

Érika: 22 pontos, 12 rebotes, 2 assistências, 2 roubos de bola, 2 tocos… E o Brasil nada

Alguém arrisca algum palpite?

De primeira assim não dá para apontar ninguém, convenhamos.

Continuidade é um príncipo de pouco prestígio por cá nos trópicos. Quando estamos falando de basquete feminino, então, vixe… Precisaríamos do auxílio de um historiador bem competente e que o sistema de busca online estivesse funcionando direitinho para recuperarmos as datas certinhas de tantas demissões executadas nos últimos anos.

Ajuda a explicar – um pouco ou muito? – por que motivo o Canadá, sem nenhum grande reforço, com a base de sempre, mas muito mais organizada, conseguiu se livrar de um antigo vantasma e, enfim, bater o Brasil. O quarto revés em quatro jogos das meninas. A segunda vitória em quatro rodadas para as canadenses.

*  *  *

Essa campanha lamentável, sim, explica bastante o descontrole das jogadoras ao final do confronto, reagindo mal a provocações (com espírito de porco, ou não) dos torcedores, e desferindo frases como “Dá um tapa na minha cara” aos jornalistas presentes. Foi o que disse a ala-armador Joice, por exemplo, na zona mista na qual estava presente Bruno Freitas, um dos enviados do UOL a Londres, e velho companheiro. No mínimo bizarro.

*  *  *

Sobre o jogo em si vamos tentar resumir de maneira breve: um primeiro tempo horroroso da seleção, apanhando feio, mesmo. Sem conseguir explorar Érika no garrafão, comendo poeira na defesa, um banho de bola das norte-americanas. No terceiro quarto, com Adrianinha e Joice bem adiantadas em uma defesa sobre pressão muito eificente, a seleção tirou toda a diferença, desestabilizou as canadenses e voltou para o jogo. Quando não conseguia bandejas no contra-ataque, tinha paciência para usar a força de Clarissa (um partidaço) e Érika (mais do mesmo, no sentido de dominante).

No quarto período, no entanto, tinha de maneirar, porque não há quem aguente também jogar pressåo tempo todo. Ok. Mas veio uma sucessão de erros: rotações difíceis de entender – em 30 segundos, mudávamos de uma formação baixíssima para uma gigante, instruída a seguir com a marcação adiantada, mesmo que fossem mais lentas que as adversárias no caso –, Adrianinha (justamente em sua melhor partida) esquecida no banco, a superpivô novamente ignorada, alguns chutes do meio da rua de Karla, e a crise do Canadá estava contornada.

E aí vemos o discurso de sempre: “O time lutou o tempo todo, mas caiu em uma chave difícil. Pegamos uma sequência muito complicada, com três grandes times nas três primeiras rodadas. E o time chegou desgastado física e emocionalmente hoje”, afirmou Tarallo.

Vai ver que a culpa é da sorte, mesmo.


Seleção feminina cai em jogo vencível, perde chance em grupo aberto e se complica
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Giancarlo Giampietro

Quando foi divulgado o grupo olímpico da seleção brasileira feminina em Londres, todo mundo torceu o nariz. Danou-se.

Austrália? Vixe.

Rússia? E precisava?!

França? Só para afundar de vez.

Avançamos para hoje, finalzinho de julho, torneio rolando, e as coisas realmente estão complicadas para as meninas, com duas derrotas em duas rodadas. Mas não exatamente do modo como se imaginava.

Érika precisa de ajuda

A produção de Érika não foi suficiente para a seleção feminina agarrar suas chances

Primeiro na parte que não depende dos nossos esforços: a Rússia sofreu, mesmo, para derrotar o Canadá na estreia, virando o jogo no finalzinho. A Austrália, considerada a segunda força do torneio, perdeu hoje para a França. Era para estar tudo embolado, e o Brasil com uma boa chance. Mas a equipe não estava preparada para agarrá-la. A seleção teve dois jogos bem vencíveis contra francesas e russas e não conseguiu aproveitar.

Nesta segunda, ok, só lideramos o placar por um pontinho durante 18 segundos, 32 a 31, de 7min50s a 7min32s. Enão não é que o jogo esteve na mão e foi atirado fora. Elas, diga-se, venceram os quatro quartos.

Então talvez seja falsa essa impressão, admito: mas, durante vários trechos do confronto, parecia de que dava, sim para sair com a vitória. Afinal, a menos de seis minutos de jogo, as europeias estavam apenas a dois pontos de distância, após uma cesta de Damiris (53 a 51).

O problema é que, dali para a frente, as brasileiras novamente entrariam em colapso. Fariam apenas mais oito pontos, quatro deles no último minuto quando o jogo já estava decidido, enquanto as russas, sem balançar a cesta neste mesmo minuto final, fizeram o dobro de pontos, terminando por vencer por 69 a 59.

O Brasil cometeu mais dois erros e permitiu quatro rebotes ofensivos e um aproveitamento de quatro cestas em sete arremessos para as adversárias, sendo duas dessas bolas de três pontos. Um rendimento superior a 50% para uma equipe que havia convertido apenas 35% de seus chutes até ali (20 de 57). Gente, olha o baixo nível.

Mas, se preferir, dá para dizer que o jogo foi entregue, mesmo, pelos atrozes 15 desperdícios de bola cometidos no primeiro tempo – dos 20 no total. Escolha a sua.

*  *  *

Adrianinha foi mal contra a Rússia

Adrianinha não cuidou da bola contra Rússia

Preocupa, muito, o desempenho ofensivo anêmico  da seleção brasileira. São diversos os momentos em que as jogadoras param de mexer a bola de um lado para o outro, se perdendo em dribles, tropeços, faltas ofensivas e chutes forçados. Como nesses cinco minutos finais contra as russas, em que essa sequência, os quatro pontos derradeiros de Érika, quando já perdíamos por 14 pontos, o time conseguiu apenas duas cestas: umavcom a pivô e outra com Chuca.

Em duas rodadas, a equipe de Tarallo vem com aproveitamento de apenas 38% nos chutes de dois pontos e 29% de três. No geral, converteu 43 em 120 arremessos, bom para 35,8% de mira. Argh. Além disso, foram cometidos 35 turnovers. Aaaaargh. Não há defesa combativa que dê conta de suportar um ataque desses.

Falta mais criatividade nos movimentos brasileiros. Precisam encontrar mais (sim, mais!) alternativas para abastecer Érika. Mas, principalmente, falta aproveitar melhor as qualidades de Damiris, que está jogando muito distante da cesta. Ela pode cortar para dentro? Pode. Mas nas duas primeiras partidas isso pouco aconteceu e, seu chute de média distância, que era para ser um diferencial, virou a única bola disponível, aparentemente. O técnico precisa desenhar algo que deixe a ala-pivô mais confortável em quadra. Érika precisa de ajuda.

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É um mistério: já dissemos aqui há alguns dias que o Vinte Um andava distante do basquete feminino. Então alguém por aí sabe dizer o que acontece com a ala-pivô Franciele? Fisicamente, ainda é a mesma jogadora. Mas aonde foi parar aquela volúpia ofensiva, aquele jogo dinâmico? De novo: Érika precisa de um reforço urgentemente.

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As médias de Érika em duas partidas por enquanto são de 16 pontos, 11 reboes e dois tocos, com 50% de quadra e 73% nos lances livres.

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Pelo que vi nas prévias olímpicas, apenas Paulo Bassul, justiça seja feita,  deixou no ar que talvez a França fosse o time mais forte, mesmo, da chave. E ele disse hoje de novo: “Não foi surpresa nenhuma”. Nesta segunda, o time sobreviveu a uma bola milagrosa de Belinda Snell da metade da quadra, se aguentou na prorrogação e venceu por quatro pontos, tendo usado seu talentoso garrafão para estourar Lauren Jacson e Liz Cambage com cinco faltas.


Não dá para viver só de Érika numa Olimpíada
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Giancarlo Giampietro

Enquanto Érika pôde e conseguiu jogar contra as francesas, a seleção brasileira estava muito bem, obrigado. Depender, porém, excessivamente, exclusivamente de uma única opção ofensiva não pode. Dá nisto: após uma primeira etapa empatada em 34, a França venceu a segunda metade com facilidade para fazer um placar de 73 a 58 no final.

Com um elenco volumoso, especialmente um garrafão muito versátil, o técnico Pierre Vincent levou um tempo, uns 20 minutos, mas voltou do intervalo preparado e determinado a segurar a superpivô brasileira.

Érika encara forte marcação no segundo tempo contra a França

Érika encara forte marcação no segundo tempo contra a França

As linhas de passe para a jogadora foram obstruídas. Ágeis e compridas defensoras a vigiavam de perto e, mais tarde, a força-bruta Isabelle Yacoubou foi acionada para trombar com a adversária, sem precisar de ajuda.

Érika passou a encarar sérias dificuldades para se posicionar ou receber qualquer bola no garrafão e, afastada da cesta, ela está longe de ser uma jogadora produtiva e eficiente, cometendo muitos erros na tentativa de fazer o passe por cima de suas marcadoras.

Em números: no primeiro quarto, a pivô anotou nove pontos. No segundo, quatro. No terceiro, mais quatro. E ficou por aí, somando 17. Por outro lado, depois de ter cometido apenas um turnover em todo o primeiro tempo, ela acumulou cinco na segunda etapa. No total, teve mais desperdícios de bola (seis) do que rebotes (quatro)

Sem essa – única mesmo, gente? – alternativa, o ataque brasileiro descarrilou. Faltou criatividade e movimentação fora da bola para tentar gerar bons arremessos. A equipe anotou apenas nove pontinhos no quarto final, três deles quando a derrota já estava decidida. Entre uma cesta de média distância de Silvia Gustavo aos 7min46s e dois lances livres convertidos por Clarissa aos 2min25s, o Brasil passou mais de cinco minutos sem pontuar, estacionado nos 54.

Desequilibrado ofensivamente, cada vez pressionado na partida, o time também perdeu o controle na defesa, permitindo um alto aproveitamento de quadra para as francesas: 50% nos tiros de dois pontos e três pontos. Difícil sobreviver assim, ainda que tenham forçado, no geral, 19 bolas perdidas das adversárias, um ótimo número, que foi construído quarto a quarto, depois de terem terminado a primeira parcial abaixo dos 40%.

Fez muita diferença no decorrer do jogo a maior versatilidade e preparação do elenco francês. Confiante, seu treinador usou todas as suas 12 atletas, e para valer: a rotação alternou entre os oito minutos de Florence Lepron e os 28 da armadora Céline Dumerc, cestinha do jogo com 23 pontos.

Dumerc atuou com muita liberdade, chutando de longe (duas bolas de três convertidas em dois chutes tentados), fazendo fintas e ainda agredindo o garrafão brasileiro (bateu sete lances livres). As rotações defensivas falharam muito nesse sentido, e Érika também ficou muito imposta quando envolvida em pick-and-rolls. A francesa se esbaldou com os chutes da cabeça do garrafão, acertando sete de nove arremessos no total.

No quarto final, que fez toda a diferença no jogo, não houve uma só jogadora que tenha desequilibrado: as cestas vieram de todos os lados da quadra. Tanto que, das 12 escaladas, apenas Jennifer Digbeu, que jogou por nove minutos, não pontuou. A França foi, então, um time com muito mais recursos táticos e técnicos.

Ora: não dá para viver só de Dumerc numa Olimpíada.

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O pior para Tarallo é que, nem se quisesse, ele poderia usar 12 atletas no jogo, desde o corte de Iziane na França, claro. E fez falta a maranhense hoje? Inegável. Sem a ala, o perímetro brasileiro fica muito enfraquecido ofensivamente, perdendo sua jogadora mais criativa em lances individuais que poderiam aliviar a pressão sobre Érika. Por outro lado, não dá para saber como a atleta se comportaria em quadra. Uma coisa é criar dentro de um sistema e outra é rompê-lo por conta própria pela sede de chutes e cestas costumeira.

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Contra a Rússia – segunda-feira, 12h45 –, o Brasil ainda entra com chances. As europeias fizeram uma estreia preguiçosa e complicada diante das canadenses e só foram vencer a partida com uma virada na metade final do quarto período, lideradas pela experiente armadora Becky Hammon, que fez seis de seus 15 pontos nos últimos três minutos.

As russas venceram por 58 a 53 apenas com uma parcial de 21 a 10 no último quarto. Periga, porém, que esse susto as despertem para a continuação do torneio. Aí complica.


Hortência afirma que caso Iziane estava mexendo com nervos da seleção
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Giancarlo Giampietro

Em bate-papo/entrevista com Galvão Bueno nesta quarta-feira, no SporTV, Hortência, diretora da seleção feminina, soltou um pouco mais do vinha falando durante a semana, desde o (nada) chocante corte de Iziane na França.

Franciele escondida pela bolaA ex-jogadora vinha adotando uma postura bastante sigilosa em torno do caso, ainda mais pela fria em que se meteu, depois de ter brigado por muito tempo e com muita gente para bancar a ala maranhense. Agora sabemos um pouco mais sobre a história, importante demais por tocar no que se refere ao restante do grupo, as 11 meninas que já estão em Londres.

“Não preciso falar sobre o que aconteceu, porque ela já veio a público e contou tudo o que aconteceu, o que achei muito legal. Ela estava levando namorado para a concentração, e isso não é permitido. Mas já estava (notando) um clima ruim, e aí fui atrás. Apertei aqui e ali, e… (e se informou sobre o caso)”, afirmou.

Depois, a dirigente acabou cometendo o que considero uma indiscrição ao dizer que o técnico Luiz Cláudio Tarallo não sabia do que vinha acontecendo. “A equipe se assustou um pouco (com o corte), mas elas sabiam o que tava acontecendo. A comissão técnica, não.”

Hortência hoje vê a seleção mais unida e usou uma vitória sobre a Croácia em seu último amistoso, nesta quarta-feira, como indício disso. “O time está subindo.”


Prévia olímpica: a chance de as meninas jogarem como um time
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Giancarlo Giampietro

Hortência e Érika

Hortência entra em quadra, mas não pode ser a 12ª jogadora infelizmente

A Iziane vai falar aqui e ali, mas, pelo menos nas próximas duas semanas, a ala maranhense é passado em termos de seleção brasileira. Esperemos que os colegas em Londres não atormentem as outras 11 legitimamente olímpicas com isso.

A aposta de Hortência na cestinha não deu em nada – ou melhor, só deu em mais polêmica –, e agora as meninas têm a chance de provar em Londres que talvez não valesse tanto esforço assim pela imprevisível jogadora.

Que elas possam se unir e fazer a melhor Olimpíada possível. E aqui não dizemos meramente no sentido de “grupo fechado”, “família Tarallo” e nhe-nhe-nhém. Vale isso, ok, mas valeria muito mais uma equipe unida em quadra em torno de um jogo coletivo, bem disputado, com defesa e ataque solidários.

Tem gente de peso que acredita nisso: alguém cujo apelido “Magic” de nenhum modo parecia heresia, mesmo que tivesse de sustentá-lo em tempos em que a memória de Earvin Johnson Jr., aquele camisa 32 do Lakers, ainda era bem viva. Enfim, Paula escreveu em seu blog no R7: “O jogo da Iziane jamais me encheu os olhos. Não gosto de quem joga por jogar, quem não sabe escolher a melhor opção, quem não lê o jogo, que não joga para equipe. Enfim, não faz minha cabeça”.

Continua a genial armadora e agora empreendedora: “Estou mais convencida de que está na hora de apostar em jogadoras que tenham em mente a importância de um TIME, e que o individual jamais pode se sobrepor ao trabalho do grupo”.

Estrela por estrela ainda temos uma pivô como Érika, uma força natural absurda. A jovem Damiris também está em ascensão e tem muitos recursos. Elas têm talento para desequilibrar, ainda que a ala-pivô, bem jovem, não precise desse tipo de responsabilidade por ora.

Mas, com a despedida de Iziane, o técnico Tarallo tem agora nos Jogos uma ótima oportunidade para envolver essas atletas de enorme talento em benefício de um conjunto, ao mesmo tempo em que pode armar esse conjunto, essa equipe de um modo que potencialize as qualidades e virtudes de suas atletas.

Se o time jogar bem, fazendo as coisas certas, as estrelas e o talento tendem a fluir naturalmente.

Nesse contexto, realmente não faria sentido algum impor qualquer medida forçosamente.

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