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Arquivo : Pau Gasol

Técnico do Lakers esbanja otimismo ao avaliar reforços e planejar temporada
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Giancarlo Giampietro

Mike D, likes to keep it clean

Mike D’Antoni, visionário ou maluco?

Você, amigo torcedor do Lakers, pode receber as informações abaixo de duas maneiras.

1) Abrindo um sorriso de orelha a orelha.

2) Depois do engasgo, se armar com sarcasmo.

É o seguinte: Mike D’Antoni acabou de dar uma longa entrevista para a rádio ESPN de Los Angeles e se mostrou o sujeito mais otimista da Califórnia. Que seu time tenha terminado a temporada passada varrido pelo Lakers? Que Dwight Howard tenha arrumado a trouxinha e fugido da pressão rumo a Houston? Que o retorno de um Kobe Bryant pleno ainda seja dúvida? Que a torcida tenha se apegado aos cantos de “We want Phil! We Want Phil!”?

Nada disso importa para abalar a confiança do treinador. “Vamos ser melhores do que a maioria das pessoas pensa”, disse o treinador, que elogiou o trabalho do vice-presidente Jim Buss e do gerente geral Mitch Kupchak para compor o elenco 2013-2014. “Estou empolgado com muitos dos jogadores que estão chegando.”

Para os que perderam viagem, o clube já acertou as seguintes contratações: o armador Jordan Farmar, os alas Nick Young e Wesley Johnson, o pivô Chris Kaman, além de ter renovado com o segundanista Robert Sacre e de ter acertado um contrato (sem garantias) com o novato alemão Elias Harris. É isso aí. De resto, ele conta com Steve Nash e Pau Gasol, Steve Blake, Jodie Meeks, Jordan Hill e qualquer coisa que Kobe possa oferecer.”Acho que eles fizeram um ótimo trabalho recarregando da melhor maneira que poderíamos, mantendo o olho no mercado e mantendo nossas opções em aberto, de acordo com as regras da nova CBA (o acordo trabalhista da liga)”, disse.

Maaas…Completou o raciocínio desta forma, com uma singela ressalva nas primeiras frases: “Precisamos desenvolver alguns deles. Eles precisam ser melhores do que muitos pensam, e acho que podemos fazer isso e surpreender as pessoas. Então veremos. Não dá para descartar nada. Você não pode por um teto para suas expectativas, e estou realmente animado com as contratações”. Uma coisa o técnico tinha ao seu lado em Phoenix: seu sistema ou Nash faziam de jogadores subvalorizados muito bem pagos. Mas isso faz tempo já.

D’Antoni está tão confortável com seu elenco que pretende usar até 11 jogadores em sua rotação durante a temporada. “Seriam 11 caras com muitos minutos, sendo envolvidos com o time e isso nos permitiria jogar em um ritmo mais acelerado”, afirmou.

E o que mais? Em que termos estaria seu relacionamento com Pau Gasol agora? “Acho que está bom. Acho que está bom, de verdade. Tivemos de passar por algumas coisas primeiro”, disse, acrescentando que também espera uma das melhores campanhas da carreira do espanhol a partir de outubro. “Essa é minha meta… Estou extremamente feliz… Ele será uma peça grande do que vamos fazer.”

Para constar, o bigodudo também não acredita que Steve Nash vá largar tudo para ser um jogador de futebol e que também espera um baita campeonato de seu escudeiro.

É isso: as celebridades fazem piquenique em algum parque de Los Angeles, as borboletas voam, coloridas que só, enquanto o céu está azulzinho, não há tensão racial alguma nos subúrbios e Arnold Schwarzenegger topa, sim, fazer um Exterminador 4.

*  *  *

Bom, agora que despejamos suas frases, vamos aos comentários…

Sobre a rotação com 11 jogadores, historicamente, o técnico não está habituado a usar tantos atletas assim. Na temporada, nove jogadores tiveram mais de 20 minutos em média (ou 11 com mais de 14), mas isso se deve muito mais devido a lesões de Gasol, Nash e Blake do que qualquer outra coisa.

Em seus tempos de Knicks, isso não fica muito claro devido ao monte de trocas que Donnie Walsh fechou ano após ano na expectativa de limpar sua folha salarial. Mas, na era de sete segundos ou menos de Phoenix, o número de jogadores escalados com frequência não passava de oito. Em diversas ocasiões o clube trocou suas escolhas de primeira rodada do Draft não só para poupar as reservas de Robert Sarver, mas também por que se dizia que “Mike não iria jogar com os novatos, mesmo, e ele trabalha com poucos jogadores”. Agora, de repente, ele pensa em usar 11 caras? Será essa sua verdadeira intenção ou está apenas querendo agradar ao chefe, que o protegeu durante um período de críticas pesadas?

Segundo: se ele for colocar a rapaziada correndo feito doida em quadra, como  esperar uma temporada espetacular de Pau Gasol? O espanhol não foi moldado para descer a quadra voando. E, mesmo se fosse o caso, vem lidando com tendinite nos joelhos, fascite plantar aguda e todas as dores que um gigante de 2,13 m pode ter depois de jogar basquete por tanto tempo na vida. Por que você vai pegar seu melhor jogador – e é este o caso, enquanto não sabemos detalhes dos boletins médicos de Kobe – e forçá-lo a se adaptar num sistema que não favorece seus talentos? Já parece uma temeridade desde já, e não dá para imaginar Gasol aceitando bem nada disso. Daí para a troca de farpas via mídia voltar, não demora…

Toda a lógica do parágrafo vale da mesma forma para Chris Kaman, com a enorme diferença de que estamos falando de Chris Kaman e, não, de um dos maiores jogadores dos últimos dez anos.

E quem poderia se beneficiar do “sistema” – desde que Nash esteja em forma? Wes Johnson, atlético e que poderia se encaixar como um falso ala-pivô nessa formação, em vez de vagar sem destino no perímetro, e Nick Young, caso ele tope jogar sem a bola.  Jordan Hill, um pivô mais leve e muito mais atlético que Gasol, mas que não convenceu D’Antoni tanto assim em Nova York, e Jordan Farmar, que nunca teve muita oportunidade de jogar solto em sua carreira, também seriam eventuais beneficiários.

Quer dizer: você vai sacrificar um Gasol na esperança de fazer dois alas medíocres e dois reservas melhores?

Não faz muitos sentido, não.

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D’Antoni também comentou a surpreendente contratação de Kurt Rambis, um aliado ferrenho do Mestre Zen, como seu assistente para a próxima temporada. “O Phil põe uma sombra grande para qualquer um, e é assim que deveria ser – mas estou apenas tentando contratar os melhores caras qualificados (para o emprego. A torcida gosta muito dele, mas o fato é que ele sabe como treinar…. Ele vai tornar nosso time melhor”.

Rambis chega com incumbências defensivas. Uma tarefa hercúlea para uma equipe que teve apenas a 18ª retaguarda mais eficiente na última temporada, mesmo com Dwight Howard (ou a “Carcaça de Dwight Howard”) no garrafão. Uma retaguarda que também perdeu o Ron Artest, velhaco, é verdade, mas ainda seu melhor marcador no perímetro.

“A defesa deles nunca lhes deu realmente uma chance para vencer”, resumiu Rambis. “Foi muito errática, no melhor dos cenários. Em geral, quando você traz muitos jogadores de sistemas diferentes, leva um tempo para conectar todos e deixá-los na mesma sintonia. Para se defender contra uma miríade de ataques da NBA, gente muito talentosa, isso pede cinco jogadores envolvidos. E para o Lakers, no ano passado, estava claro que eles nunca se conectaram neste lado da quadra.”

“Dava para ver na maioria dos jogos que os caras iriam colocar as mãos para cima, dizendo que não era sua responsabilidade, se perguntando quem deveria estar ali para fazer algo. Então, temos de fazer um trabalho muito melhor para direcioná-los para cobrir uns aos outros”. completou o renomado assistente.

Restou Rambis dizer apenas que o Lakers novamente terá uma penca de jogadores novos para serem trabalhados. Suas habilidades de discípulo Zen serão testadas.

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Para fechar, uma última frase de Mike D’Antoni, na direção de Dwight Howard – que não teve coragem de enfatizar isso, mas também não escondeu de ninguém que não respeita seu ex-técnico, sentindo-se subutilizado no ataque: “É difícil para mim entender por que ele saiu de um lugar como LA. Isso é um pouco incompreensível. Isso está no DNA dele”. Ouch. Até o técnico se sente confortável em questionar o, digamos, estofo do pivô. Mal vemos a hora do próximo Lakers x Rockets.


Levantamento comprova Scola como jogador da NBA mais assíduo em torneios Fiba
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Giancarlo Giampietro

 

Scola, Scola, Scola, Scola...

Na Argentina?

Manu Ginóbili não vai, Andrés Nocioni tampouco. Carlos Delfino também vai ficar na poltrona, em casa, assim como Pablo Prigioni. De modo que Julio Llmas vai poder se solidarizar com o compatriota Rubén Magnano quando eles toparem em Las Vegas. Mas só um pouco, tá? Porque o técnico do Brasil está em situação mas delicada no que se refere a contar com os jogadores de NBA à disposição. Ao menos ele vai ter alguém ao seu lado para lhe contar uma fofoca ou outra sobre a liga norte-americana.

Luis Scola, claro.

Fácil lembrar como, durante as Olimpíadas de 2012, milhões e milhões e milhões de brasileiros queriam anunciar a aposentadoria do cabeludo da seleção argentina. Como aquele jogo pelas quartas de final de Londres, que resultaria em mais uma derrota, poderia ser sua despedida das competições internacionais. E não teve nada disso: o número quatro mesmo havia dito na véspera que não entendia de onde vinham tantas perguntas sobre sua suposta saideira. Que seguiria em frente.

E aqui está Scola novamente, cumprindo sua promessa, aos 33 anos.

Ajuda o fato de ele não ter jogado muito na última temporada, quando estava completamente deslocado pelo Phoenix Suns. Jogou apenas 2.184 minutos no total, com média de 26,6, bem inferior à dos quatro anos anteriores, sempre acima de 30 minutos.

Agora, quem estamos querendo enganar? Ele podia ter jogado 47,5 minutos por partida e provavelmente teria se apresentado da mesma forma. É o que indica um levantamento especial feito pelo (santo) site HoopsHype sobre a participação dos jogadores da NBA em torneios por suas seleções desde 2000, com os Jogos de Sydney.

De lá para cá, Scola, novo jogador do Indiana Pacers, só tirou férias, acreditem, em 2005, ano de Copa América em Porto Rico, vencida pelo Brasil – coincidência, hein?

A durabilidade do argentino, aliás, é impressionante. Em seis temporadas na NBA, ele só perdeu oito partidas (de 476 possíveis), todas em 2010-2011, devido a dores no joelho esquerdo. Esse, sim, é um duro na queda. Uma razão para isso é evidente quando o vemos em quadra. É um jogador que não vai pular muito, nem correr feito maluco na quadra. Com os pés no chão, forte fisicamente, não castiga tanto suas articulações.

Longa vida a Scola.

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Confiram no quadro abaixo os 30 mais do ranking pesquisado pelo HoopsHype – para ver a lista inteira, cliquem aqui, que vale:

Vamos lá, de legenda: os amarelos são olímpicos, moleza; em cinza, os campeonatos mundiais; em marrom, os torneios regionais, com a Copa América, o Eurobasket etc.; de verde, os campeonatos de base, que realmente precisam entrar na conta, já que boa parte dos estrangeiros que entram para a NBA surgem nesses torneios, mesmo, emendando o início de suas carreiras com torneios profissionais, mesmo na Europa.

Logo atrás de Scola estão os irmãos Gasol (Marc vai jogar pela Espanha novamente este ano) e José Calderón. Em quinto estão dois Spurs: o gordote Boris Diaw, da França, e, vejam só, Tiago Splitter, que, até por conta disso, resolveu tirar folga desta vez. Em sétimo, aparece Tony Parker ao lado de uma renca, com destaque para José Juan Barea, que deve também deve defender Porto Rico em Caracas.

Onde estão os demais brasileiros? Leandrinho aparece empatado na 13ª posição desse ranking de assiduidade, empatado com Delfino, Nowitzki, Batum e Goran Dragic – o que dá ao ligeirinho uma boa comparação em termos de patriotismo. Anderson Varejão está em 21º, ao lado de Zaza Pachulia. Nenê? Apenas o 54º, com quatro convocações atendidas desde 2000.

Aliás, esse é um ponto que vale destaque no ranking elaborado pelo site: os jogadores mais jovens tiveram menos chance de marcar presença nas seleções, não? Carreira mais curta, afinal. Há também casos de atletas que entraram na NBA há pouco, tendo menos desgaste (Victor Claver, Luigi Datome, Ricky Rubio, por exemplo).

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Lamas vai precisar fazer apenas dois cortes entre os seguintes 14 jogadores para definir sua Argentina: Facundo Campazzo, Nicolás Laprovittola, Juan Fernández, Selem Safar, Diego García, Adrián Boccia, Marcos Mata, Pablo Espinoza, Federico Aguerre, Luis Scola, Leo Mainoldi, Matías Bortolín, Juan Gutiérrez e Marcos Delía.

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O Canadá também enfim divulgou sua pré-lista, com 18 nomes, sendo que seis precisam ser cortados. De NBA, os três já citados aqui mais o veterano Joel Anthony, pivô reserva do Miami Heat. O armador Jermaine Anderson, velho de guerra, e Myck Kabongo, os alas Carl English, que teve uma grande temporada pelo Estudiantes na Espanha, e Kris Joseph, ex-Celtics, e o pivô Levon Kendall, companheiro de Rafael Luz no Obradoiro, também da ACB, são outros destaques.

 


Há 15 anos, a Espanha descobria Gasol, Navarro e sua geração de ouro no basquete
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Giancarlo Giampietro

Enquanto as últimas peças ainda caem no dominó do mercado da NBA, temos um tempinho para aqui para dar uma pausa nessa maratona.

A foto aí cima já varia um post por conta própria. Só ela, sem preciar dizer mais nada.

Vocês reconhecem alguns dos indivíduos? No centro da foto, quem é aquele garotão ali debaixo do sovaco direito do sujeito (Aparecido! Metido! Só dá ele de agasalho!)? E esse exibidão aí está agarrando seu braço esquerdo no cangote de quem? Do lado desse cangote, olha o pirulão!

Vamos identificando, então, da esquerda para a direita: Drame, López Valera, Berni, Bueno, Herráis, Calderón, Raúl, Germán, Felipe, Pau, Cabezas e Navarro. Esse é o modo como são conhecidos por quem tem afinidade.

Já sacou, né?

Estamos hablando da jovem seleção espanhola sub-20 campeã europeia em 1998, lá numa terra chamada Varna, que fica na Bulgária. Há 15 anos, esse apanhado de molecotes conquistaria um título que abriria uma era dourada para o basquete deles.

O cotovelo esquerdo de Felipe Reyes cobre aquele que viria a ser La Bomba, sem nenhum pelo nenhum na cara. Assim como está limpa a face do pirula Gasol, numa época em que o irmão Marc deveria beirar apenas o 1,95 m de altura, gordotinho que só no quintal da família – tinha 13 anos. Será que já enterrava? O de agasalho é o Raúl López, na época O Futuro Armador da Espanha – esse, sim, escolhido para suceder John Stockton em Utah, mas que teve uma carreira muito acidentada por lesões. Ao seu lado direito, o José Calderón, aquele que viria a liderar seus companheiros no futuro, de fato. Enquanto o Cabezas, penúltimo, seria seu escudeiro. Muita história.

Desse grupo, alguns poucos ficaram pelo caminho.

Souley Drame, ou Souleymane Drame Kamara, foi um deles. Para se ter uma ideia, no site da ACB seu nome estava identificado como “Dramec”, com o “c” sobrando. Foi difícil  encontrá-lo na rede (quer dizer, “difícil”, levou uns cinco hits no Google – aposto que o vizinho da frente do QG 21, de sete anos, faria mais rápido). Ele nasceu na Nigéria e foi desenvolvido nas tradicionais categorias de base do Badalona, de Rubio e Rudy Fernández. Subiu ao profissional pelo clube, mas nunca vingou e vagou pelas divisões abaixo da elite. Aposentou-se em 2011 pelo time B do Barcelona. 🙁

Félix Herráiz nem página na Wikipedia tem. Um texto de 2009 no site da FEB, a CBB deles, que nos ajuda a falar sobre seu paradeiro. A manchete: “O júnior de ouro no esquecimento”. Já viu, né? Nascido nos arredores de Valência, era o camisa 12 e viu sua carreira ser sabotada por uma grave lesão no joelho. Abandonou as quadras em 2002 e virou técnico.

José López Valera se formou na base do Real Madrid, mas também não foi muito longe no profissional, tendo nessa conquista juvenil o maior feito de seu currículo (un junior de oro toda a vida). O pivô Antonio Bueno teve uma carreira sólida na ACB até 2010 (quando sofreu um feio acidente de carro), assim como Berni Rodríguez, que jogou por um tempão na seleção principal. O pivô Germán Gabriel, companheiro de Lucas Bebê no Estudiantes, talvez viva hoje sua melhor fase. O restante dispensa comentários.

Para o basquete espanhol, essa imagem deve ser a mais rica de toda a sua história, aquela mais cheia de significados.

Das dez medalhas que o país conquistou em Eurobaskets, metade foi conquistada de 2001 para cá. As outras cinco saíram entre 1935 e 1999. Mundial? Apenas o ouro de 2006. Olimpíadas? Ok, uma prata em 1984, mas duas em 2008 e 2012.  Dá para ter uma ideia do que foi a Roja antes e depois dessa geração, né?

Quer ver mais fotos deles adolescentes? Aqui no site da Liga ACB.

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Pau Gasol, creiam, terminou aquele europeu sub-20 com médias de 6,4 pontos e 3,7 rebotes (veja todas as estatísticas), jogando pouco mais de 12 minutos por partida – jogu menos que Drame, ala atlético, que tinha mais de 20 minutos por embate. Dois anos mais tarde, Pau seria a escolha número três do Draft da NBA, logo atrás de Kwame Brown e Tyson Chandler.

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Juan Carlos Navarro foi o cestinha do time espanhol na campanha, com 14,6 pontos por jogo. Durante a campanha, ele atirou em média 4,0 bolas de três pontos por duelo, acertando 43,8% delas. La Biribinha!

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Raúl López acumulou 203 minutos em oito jogos, com 26 assistências. Calderón? Apenas 79 minutos em sete, com apenas dois passes para a cesta.

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No Brasil? Luiz Gomes resgatou no Draft Brasil ainda este ano um artigo antigo de Guilherme Tadeu para falar sobre o fiasco que é o nosso basquete na hora de aproveitar seus talentos da base, mesmo aqueles que conseguem algum sucesso pelas seleçãozinhas. Se tiver estômago, clique nos links acima. Enquanto Guilherme falava de uma turma de 1999, Luiz nem precisou ir muito longe, resgatando a trupe semifinalista do Mundial de 2007 para detectar o quão enferrujada e é a nossa máquina de desperdiçar talentos.


A vingança de Kobe Bryant: não vai mais seguir Dwight Howard no Twitter
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Giancarlo Giampietro

No more Kobe, Dwight

Imaginem o Kobe Bryant num momento desses.

Deve estar espumando. Deve ter reduzido a carga de sono para 3 horas e meia. O restante ele tira na esteira.

A ponto de, não satisfeito por ele próprio ter deixado de seguir Dwight Howard no Twitter, convenceu (forçou? coagiu?) Pau Gasol a fazer o mesmo. : )

Se a partida de Dwight Howard para o Texas pode ter algum efeito positivo para o torcedor do Lakers, é a fomentação de suas fantasias sobre a legendária dedicação de Kobe aos treinamentos, a sua preparação e sua facilidade de encontrar qualquer motivo para se sentir o cara mais revoltado do planeta e descontar toda essa ira em quadra, na cabeça dos oponentes.

Aqui vai uma notinha já para vocês pensarem a respeito: em sua visita ao Brasil, Kobe trouxe na bagagem um punhado de camisetas e bermudas, o sundown, um par de sungas e… três ou quatro pessoas de seu estafe totalmente dedicadas a sua reabilitação. Ele não ficou nem uma semana por aqui nos trópicos, mas isso não era motivo para frear, em junho, seus trabalhos físicos. A dedicação era tanta que o estafe da Nike se maravilhava quando via o astro fazendo exercícios em pleno avião, se deslocando de São Paulo para Salvador, aonde viu a seleção brasileira golear a Itália.

Isso tudo antes de levar o fora de Howard.

Agora, então…

(Que o ala já tivesse toda a motivação do mundo para chocar a comunidade da medicina e voltar tinindo de uma lesão gravíssima que é a ruptura do tendão de Aquiles, tudo bem, a gente deixa quieto por ora. Melhor instigar, mesmo, o frenesi por Bryant, aproveitando ao máximo sua aura, enquanto ela ainda dura. E, além do mais, como ensinou o filme do homem que matou o fascínora, que se imprima a lenda!)

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Nessa confusão toda, de feliz em Los Angeles temos Pau Gasol apenas. Sentindo-se destratado por dois anos sem parar, o espanhol, agente livre em 2014, agora sabe que a zona pintada é sua. Toda sua. Né, Jordan Hill? Agora não tem papo sobre troca, dispensa, nem nada. Se o Lakers quiser ser competitivo no próximo campeonato, só mesmo com o espanhol motivado, envolvido e em boa fase técnica. Será que D’Antoni, a fascite plantar e os joelhos vão deixar?

Quanto ao técnico, pode ser que, por De contratações pontuais, o Lakers tem ido atrás de jogadores que se encaixariam no sistema de D’Antoni. A escolha de Ryan Kelly já foi nessa direção. Chris Copeland era outro especulado – mas já é do Pacers. A boa notícia para Gasol: são dois alas-pivôs chutadores. Sem essa, então, de ver o barbudo jogando aberto o tempo todo.


Saída de Howard deixa caldeirão de Mike D’Antoni borbulhando em Los Angeles
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Giancarlo Giampietro

D'Antoni, LA Confidential

D’Antoni vai ter trabalho para colocar um Lakers coeso em quadra. Howard, o 12, caiu fora

É, Mike D’Antoni, e a gente pensando que 2012-2013 já havia sido complicado…

Com a saída de Dwight Howard rumo a Houston, o treinador que já dirigiu um dos times mais divertidos da história da NBA vai ter de ser bastante criativo se quiser voltar a sorrir – uma vez que seja – no próximo campeonato. Se ele já havia enfrentado enorme pressão nos últimos meses, a coisa pode ficar feia, mesmo, é a partir de agora.

Aliás, faz tempo que ele tem prazer de verdade na profissão.

Desde que viveu temporadas mágicas pelo Phoenix Suns em 2008, o técnico conseguiu apenas duas campanhas vitoriosas na liga. Vitoriosas no sentido de ter um aproveitamento superior a 50%, pelo menos. Em 2011, venceu 42 e perdeu 40 pelo Knicks (51,2%). Em 2013, venceu 40 e perdeu 32 pelo Lakers (55,6%).

Nash & D'Antoni

D’Antoni e o “jovem” Nash: será?

Dá para entender também: nos dois primeiros anos em Nova York, ele herdou um elenco que precisava ser fraturado e regenerado por Donnie Walsh, o homem incumbido de limpar toda a sujeirada que Isiah Thomas havia feito durante a década. O Knicks estava jogando, dolorosamente, para perder, mesmo. O objetivo era abrir espaço para a contratação de LeBron James e mais uma estrela em 2010. Acabou que chegou apenas Amar’e Stoudemire – que se reuniu com seu mentor do Phoenix Suns e ao menos conduziu o clube de volta aos playoffs.

Quanto ao Lakers? Bem, o aproveitamento esteve bem longe do esperado, a despeito de toda a turbulência que o clube enfrentou no último campeonato. Ainda assim, também se garantiram nos playoffs, mesmo que não tivessem chance alguma contra o Spurs sem Kobe, Nash e, glup!, Steve Blake, no fim.

Agora… Se as lesões certamente foram um fator decisivo em uma temporada que chacoalhou Los Angeles, boa parte do drama todo em volta de um elenco estelar que não teve liga alguma também foi causado pela incapacidade do treinador em controlar a situação. Ele simplesmente não teve personalidade para apaziguar os ânimos.

Só não dá para dizer que era tudo sua responsabilidade também. Com o afastamento e, depois, a triste morte de Jerry Buss, o KAkers foi tomado pela instabilidade. Seus filhos travavam uma guerra fria há anos pela sucessão, e essa disputa abalou consideravelmente a capacidade administrativa de Mitch Kupchak, que operou durante todo o ano sem um assistente e com um número reduzidíssimo de scouts, numa época em que a maioria dos concorrentes investiu mais e mais.

Também não foi D’Antoni quem telefonou para Phil Jackson e levou a negociação a público logo após a demissão de Mike Brown. A diretoria – Jim Buss, nêmesis de Jackson, e Kupchak, na verdade – atiçou uma das torcidas mais exigentes do esporte americano e, depois, decidiu inovar na contratação do substituto. Sobrou para quem?

O pior efeito deste flerte foi sobre Dwight Howard. Em suas primeiras entrevistas desde que escolheu o Rockets, o pivô, ao seu modo evasivo, expressou sua frustração com o treinador do Lakers. “Acho que tivemos nossos bons momentos, mas acho que seu estilo de jogo era um pouco diferente daquele ao qual estava acostumado”, disse – e isso que é de matar em Howard… Ele simplesmente não consegue ir direto ao ponto nunca. Depois, lamentou também o fato de não ter podido trabalhar com o Mestre Zen: “Bem, eu pedi para tê-lo como técnico no começo do ano”.

Para o torcedor do Lakers mais fanático, essa combinação de frases pode ser mortal quanto a D’Antoni – a não ser que este mesmo torcedor esteja puto o suficiente com o próprio pivô e todos seus caprichos, que possa dar um desconto ao técnico. De todo modo, bastará um início de campanha com acúmulo de derrotas para que o caldeirão borbulhe.

E como fazer para controlar isso e ter sucesso em quadra?

Ryan Kelly, inglês

Ryan Kelly é o único reforço até agora

Kobe Bryant ainda é uma incógnita. Voltar bem (mas bem mesmo, de acordo com seus padrões) de uma ruptura de tendão de Aquiles aos 35 anos seria algo inédito na NBA. Steve Nash? Completará 40 anos durante a temporada, um ano mais velho e um ano a mais distante dos curandeiros do Phoenix Suns. Pau Gasol? Mesmo que tenha reclamado horrores também de D’Antoni, seu maior problema foi mesmo o excesso de lesões – só disputou 49 partidas e, na verdade, nenhum jogador do time esteve em quadra por toda a temporada, cumprindo as 82 rodadas.

Entre os operários, Earl Clark, o mais atlético num plantel de jogadores enferrujados, saiu. Jordan Hill, outro que podia revigorar a equipe, mal parou em pé. Jodie Meeks esteve distante dos 40% na linha de três pontos (35,7%). Darius Morris, único novinho da turma, não foi desenvolvido. Draft? Chega apenas o ala-pivô Ryan Kelly, talentoso britânico de Duke – bom atirador de longa distância, bom passador –, mas que não defende quase nada.

Difícil.

Para o time poder prosperar, o técnico vai ter de fazer um dos melhores trabalhos de sua vida e, ao mesmo tempo, torcer para que algumas – ou todas? – questões tenham soluções positivas: 1) que Kobe desafie qualquer prognóstico e esteja pronto feito Kobe em novembro; 2) que Gasol possa ficar saudável (mesmo com mais responsabilidades sem Howard); 3) o mesmo vale para Nash; e 4) que a diretoria acerte nas contratações periféricas e parem se apaziguem nos bastidores.

Por outro lado, se dois desses quatro tópicos tiverem resposta negativa, independentemente de quais, aí pode ter certeza que, no Staples Center, haverá mais um a gritar por Phil Jackson: o próprio Mike D’Antoni.


Depois da eliminação, os desafios ainda não cessam para o Lakers. Podem piorar
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Giancarlo Giampietro

Por Rafael Uehara*

Fab Four do Lakers

Quarteto de resultados nem tão fantásticos do Lakers já pode ser desmontando

Quando o Lakers acertou as contratações de Steve Nash e Dwight Howard, a expectativa era a de que eles estavam de volta à briga pelo título, depois de duas eliminações devastadoras na mãos de Mavericks e Thunder em dois anos seguidos. E tinha bastante lógica por trás desse pensamento. Mesmo aos 38 anos de idade, Nash ainda era considerado o melhor armador com o qual Kobe Bryant já dividiria a quadra e Howard era o pivô perfeito para cobrir as deficiências defensivas daqueles a sua frente.

Porém, nada disso deu muito certo, e uma tumultuada temporada chegou ao fim neste último domingo, quando o Spurs o eliminou dos playoffs no primeiro round com uma varrida. Mais um encerramento decepcionante de campanha em Los Angeles, ficando no ar a necessidade de se encontrar um culpado, não?

Nem tanto.

Sou da opinião de que a culpa não é de ninguém. Se o Lakers tinha time suficiente para brigar com Miami, San Antonio e Oklahoma City, é difícil de saber. Mas que eles tinham o suficiente para fazer bem melhor se não pelas tantas lesões que em um momento ou outro tiraram peças fundamentais do time é certeza.

Tudo começou quando Howard voltou cedo demais da cirurgia que fez nas costas. Nos primeiros sete anos de sua carreira, Howard perdeu apenas sete jogos devido a lesões. Até metade do ano passado, tinha se provado um dos atletas mais duráveis da atualidade. Logo, não foi tão questionado quando regressou da operação a tempo para o início da temporada. Mas o atleta claramente não estava pronto. Sofreu para se manter confortável em quadra e não era capaz de elevar a defesa a níveis respeitáveis.

Além disso, Nash fraturou o pé na segunda partida da temporada. Não que Howard a meia velocidade e a ausência de Nash fosse impedir a diretoria de demitir Mike Brown depois de apenas cinco jogos. Em seguida, Pau Gasol começou a lidar com lesões na coxa e no pé, Steve Blake e Jordan Hill pararam bastante tempo com lesões sérias, Mike D’Antoni foi contratado dias depois de fazer cirurgia no joelho, e quando o objetivo dos playoffs começou a ser realista, Ron Artest machucou o joelho e Bryant sofreu lesão séria com a ruptura do tendão de Aquiles. Quando se para pra pensar, como o Jazz permitiu que esse time amaldiçoado passasse na sua frente?

 Com a temporada finalmente encerrada, o Lakers pode agora olhar para frente e pensar em como reestruturar essa equipe, o que não será tarefa fácil. Muitas decisões complicadas terão de ser tomadas, começando pela dúvida se franquia deveria oferecer uma extensão estratosférica para Howard. Não há o que pensar, na minha opinião. No fim do ano, o pivô pareceu bem, a caminho de recuperar sua forma dos tempos de Orlando. Com mais um verão para se recuperar totalmente, Howard deve voltar ao nível que estava antes da cirurgia. O Lakers teve um dos cinco melhores recordes depois da parada para o jogo das estrelas, e Howard teve participação direta nisso, se movimentando melhor a cada jogo que passou, elevando, enfim, a defesa a níveis minimamente decentes.

E, calma, que tem muito mais.

Decisões sobre Bryant e Gasol vêm logo em seguida. Pessoalmente não acho que haverá muito debate sobre Bryant. Ele é o símbolo da franquia pós-Magic Johnson. Lembrem-se também que o veterano é um maníaco que, dadas as mínimas condições, estará em quadra o mais rápido possível, pois tenta empatar Jordan em número de títulos ou passá-lo em pontos, o que torna possível um retorno às quadras em algum momento na próxima temporada.

Tecnicamente, a rescisão de seu contrato através da provisão de anistia deveria ser estudada. O Lakers já tem U$ 79,6 milhões na folha salarial para o ano que vem, isso sem contar o total designado a Howard. Como vimos neste ano – quando a folha salarial foi de U$ 99,8 milhões, o Lakers não veem problemas em pagar as multas que a liga cobra de times que gastam acima dos $70 milhões em salário. O problema é que, nesta próxima janela de verão, as restrições para times pagando o “imposto de luxo” (“luxury tax” no original) reestruturar o elenco serão mais pesadas. As chamadas “sign-and-trades” (quando um clube renova o contrato de um jogador apenas para envolvê-lo imediatamente em uma negociação) agora estão fora de questão e as trocas têm de ser exatamente dólar-por-dólar. Anistiando Bryant e apagando seus $30 milhões da folha proporcionaria a maior flexibilidade na remontagem do time. Mas Bryant é mais que um jogador, é um ícone e dificilmente essa opção será estudada seriamente, mesmo que haja o risco de o ala não estar disponível para jogar ano que vem.

Uma alternativa bem mais plausível é que o time use a anistia para tirar o último ano do contrato de Ron Artest da folha salarial e troque Gasol em seqüência. Mas também há complicações aqui. Gasol está para receber salário de U$ 19,2 milhões na temporada que vem, e é muito desafiador fazer uma troca envolvendo alguém que ganhe tanto.Times bons geralmente já estão ao redor do imposto e, ao adicionar Gasol, estariam se aproximando das mesmas restrições que dificultam o Lakers a remodelar seu elenco neste momento. Também existe a questão que nem todo dono tem condições de gastar quase U$ 100 milhões na montagem de um elenco. Envolvendo um time ruim com espaço para absorver dinheiro morto também é difícil porque os Lakers já tem futuras escolhas do draft indo para Phoenix e Orlando nos próximos anos, precisando assim encontrar um clube que realmente admire o espanhol a ponto de contratá-lo sem nenhum incentivo a mais como recompensa.

Esses times também vão querer se desfazer de alguém em retorno. E quem está disposto em aceitar Tyrus Thomas, Hedo Turkoglu, Andris Biedrins ou Drew Gooden? E quem o Lakers pode em realidade conseguir que faça valer a apenas ter um desses caras no time mais do que Gasol? Meu palpite é que Gasol retorna pelos menos para o início do seu último ano de contrato e que, se for trocado, será com a próxima temporada já em andamento.

Tudo isso serve para dizer que o Lakers tem um verão muito desafiador pela frente. Porém, escrevi basicamente exatamente a mesma coisa ano passada e Mitch Kupchak deu um jeito de adicionar Nash e Howard. Então, vai saber se não veremos Kevin Love, Danny Granger ou Eric Gordon em Los Angeles ano que vem… Mas, levando em consideração que Gasol e Howard começaram a se entender muito bem no fim da temporada e as restrições sistemáticas, talvez a melhor opção seja manter essa base por mais esse ultimo ano nos contratos de Bryant, Gasol e Artest.

A solução, então, seria um foco mais atento às sobras de mercado, para tentar achar os Nate Robinsons, James Whites, Chris Copelands, Kenyon Martins e Chris Andersens da vida, torcer por melhor sorte com as lesões. O Bulls, outro time cuja torcida se acostumou a sonhar com títulos, sobreviveu muito bem desse jeito neste ano.

*Editor do blog “The Basketball Post” e convidado do Vinte Um. Você pode encontrá-lo no Twitter aqui: @rafael_uehara.

 


Spurs domina Lakers em San Antonio e deixa disputa no Oeste mais promissora
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Giancarlo Giampietro

O Howard de Lakers contra a prede

São diversas questões para tirar da frente. Mas duas delas são mais importantes para tratar aqui:

1) Gregg Popovich, para variar, blefou o tempo todo?

2) Ou seria o Lakers tão ruim assim?

Porque, horas antes de abrir a série contra os velhos rivais de Los Angeles, o treinador do San Antonio Spurs dizia que estava “preocupado” com sua equipe. “Terminamos a temporada da pior forma que me lembre”, disse. Supostamente, Tony Parker ainda estaria com dificuldade para recuperar sua melhor forma física depois de uma torção de tornozelo em péssima hora. Manu Ginóbili estaria em frangalhos. Sem Boris Diaw, sua rotação de garrafão estaria seriamente comprometida. Segura.

E aí o que acontece nos dois primeiros jogos?

Duas vitórias, sem deixar nenhuma chance para os cacarecos que restam do Lakers, ainda que os placares não sejam os mais chocantes (91 a 79 e 102 a 91). Quando Manu Ginóbili está passando a bola por trás das costas encontrando Tony Parker para uma cesta de três pontos na zona morta, você sabe que as coisas estão indo bem, seguras para esses eternos candidatos ao título.

O único asterisco para se levantar aqui diz a respeito do Lakers, mesmo. Sem Kobe. Sem entrosamento algum. Steve Nash tendo de tomar uma assustadora injeção epidural atrás da outra. Steve Blake acaba de sentir uma fisgada muscular. Ron Artest talvez esteja jogando sem sentir o joelho. “Essa é disparada a pior temporada para lesões de que eu tenha participado”, afirmou Nash. “Pessoalmente e coletivamente.”

Aí que o ataque angelino talvez seja muito fácil de ser parado por uma defesa que se fortaleceu na temporada – daí a pífia média de 85 pontos por partida até o momento.

Pode ser. Por outro lado, mesmo se for esse o caso, os duelos com o Lakers podem servir como um período de intertemporada de luxo em pleno início dos playoffs. Se Parker e Ginóbili estavam realmente avariados, ou apenas jogando na terceira marcha, quatro, ou, vá lá, cinco joguinhos destes talvez sejam o bastante para que eles cheguem 100% para o embate de segunda rodada contra Nuggets ou Warriors.

“Estamos recuperando nosso ritmo”, afirmou Tim Duncan, prestes a completar os 37 anos mais jovem que um basqueteiro pode aparentar. “Agora Tony está entrando em forma, saudável, e vamos ver mais um Tony da velha escola. Tipo o Tony de novembro, dezembro e janeiro”, afirmou Ginóbili sobre seu armador. “Lentamente, mas seguramente”, concordou Parker. “Se eu e Manu conseguirmos ficar saudáveis, confio no nosso time.”

O francês somou 46 pontos e 15 assistências nos confrontos em San Antonio. O argentino tem 15,5 pontos, 5 assiistências, 3,5 rebotes em apenas 19 minutos por jogo, com aproveitamento de 66,6% nos três pontos. “Ambos estão parecendo muito bem”, diz Duncan, feliz da vida.

Claro que, com todo o azar que o Spurs enfrentou nas últimas temporadas, especialmente em relação a Ginóbili, ainda é muito cedo para comemorar. Ainda tem muito playoff pela frente.

Só não deixa de ser intrigante esta retomada dos texanos. Uma semana atrás, a Conferência Oeste parecia toda do Oklahoma City Thunder – e ainda pode ser o caso. Agora começa a reacender alguma fagulha na oposição.

*  *  *

Depois de destroçar a concorrência nos últimos jogos da temporda regular, Pau Gasol ven enfrentando sérias dificuldades contra a defesa do Spurs, e Tiago Splitter tem dado uma forcinha para isso. Embora cause impacto na partida de diversas maneiras (25 rebotes e dez assistências somadas em 78 minutos), o espanhol retorna para Los Angeles com aproveitamento de apenas 40% nos arremessos, sem conseguir se firmar como um ponto seguro na hora de atacar a cesta.

Dwight Howard, por sua vez, vai tendo um desempenho típico, com 36 pontos, 24 rebotes e seis tocos em 75 minutos, com aproveitamento de 62,5% nos arremessos e os mesmos infelizes 50% na linha de lance livre, perigando sempre de cair na lamentável, mas procedente tática de faltas intencionais por parte de Popovich.

Cabe ao técnico Mike D’Antoni pensar em outras formas para fazer Gasol jogar. Com tantos problemas em eu elenco, se o pivô espanhol, enfim saudável e feliz, não funcionar ofensivamente, o Lakers dificilmente escapa de uma varrida, de modo que teriam lutado tanto para  chegar aos playoffs, apenas para cumprir tabela em quatro jogos.


Prévia dos playoffs da Conferência Oeste da NBA: Parte 1
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Giancarlo Giampietro

1-OKLAHOMA CITY THUNDER x 8-HOUSTON ROCKETS

A história: James Harden, James Harden, James Harden. Ah! E tem ele também: o James Harden. Do ponto de vista do torcedor do Oklahoma City Thunder, talvez o mais fanático da liga hoje, não podia haver um adversário mais dolorido. Mal deu tempo de se esquecerem da troca feita em outubro passado, e aqui está o Sr. Barba de volta, para visitar a cidade para os dois primeiros jogos da série. Sério mesmo que não dava para evitar?

O jogo: o Rockets é a equipe mais jovem dos playoffs na média de idade e pode se dar por satisfeito só por ter chegado aqui? Pode ser, mas… Não vai deixar de se lamentar a perda do sétimo lugar na úuuuultima rodada da temporada regular. Porque sobrou agora um time que, com Durant, Westbrook, Ibaka, Reggie Jackson, Kevin Martin, não vai se importar em nada de correr com os novos amiguinhos de Harden. O Rockets acelera mesmo e busca geralmente dois tipos de investida: a bandeja, enterrada direto ao aro e os tiros de três pontos gerados a partir de infiltrações. Não espere tiros de média distância. Na temporada regular, essa proposta rendeu uma vitória em três duelos. O problema? As duas derrotas foram por 22 e 30 pontos de diferença, dois massacres. Espere pontuações altas.

De dar nos nervos: Serge Ibaka. Como se fosse um jogador de vôlei deslocado, sai dando cortada para tudo que é lado e gosta de berrar no ouvido dos adversários. Muito ágil e atlético para o seu tamanho, está sempre se metendo onde não é chamado. 😉

Olho nele: para o Houston ter alguma chance, vão precisar encontrar algum meio de, pelo menos, incomodar Kevin Durant. Entra em cena Chandler Parsons, jogando leve, alto e atlético, que pode perseguir o cestinha. Na temporada regular, ele marcou 63 pontos nos primeiros dois jogos e apenas 16 no terceiro. Ainda que tenha somado também 12 rebotes e 11 assistências – um absurdo –, foi limitado a 4/13 nos arremessos e cometeu cinco turnovers. Quer dizer: dá para atrapalhar. Do outro lado, Parsons evoluiu bastante desde que saiu da universidade e, como Jeff Van Gundy citou na quarta passada, lembra um pouco Hedo Turkoglu. E, acreditem, a referência é um elogio, pensando na primeira metade da carreira do turco.

Palpite: Thunder em cinco (4-1).

2-SAN ANTONIO SPURS x 7-LOS ANGELES LAKERS

A história: desde que Tim Duncan foi selecionado pelo Spurs em 1998, os times se enfrentaram seis vezes nos mata-matas, com quatro vitórias para o Lakers. Estamos falando, então, de um clássico do Oeste, ao qual, supostamente o Spurs chega como grande favorito, com uma campanha muito superior na temporada regular. Acontece que, em abril, com Ginóbili afastado por lesão e Tony Parker com o tornozelo arrebentado, a coisa desandou um pouco, com seis derrotas nos últimos nove jogos. Não ficou muito claro se era apenas o que dava para se fazer, considerando os problemas físicos, ou se Gregg Popovich permitiu que seu time relaxasse um pouco, mesmo, abrindo mão da disputa por mando de quadra nas etapas decisivas. Do lado do Lakers, certeza que Mike D’Antoni não vai se sensibilizar com os eventuais dilemas de Pop, uma vez que ele não contará com Kobe Bryant e deve ter um Steve Nash jogando no sacrifício.

O jogo: com seu time ideal, o Spurs foi ainda melhor este ano do que na temporad apassada, tornando sua defesa a terceira melhor da liga, combinada com o sétimo melhor ataque, num resultado formidável. Eles vão retomar esse padrão? Se conseguirem se aproximar desse padrão, o Lakers não deve ter muita chance, mesmo que funcione a nova abordagem ofensiva do time, minando os adversários com  Pau Gasol e Dwight Howard no garrafão. Agora, se Parker não estiver bem e não conseguir colocar pressão para cima da retaguarda angelina, as coisas podem mudar um bocado. Tim Duncan se veria obrigado a jogar no mano a mano contra Howard. Danny Green, Gary Neal, Kawhi Leonard e McGrady não teriam tantos arremessos livres, e a dinâmica da partida pode ser outra. Quanto mais lento e físico o jogo, melhor para o Lakers.

De dar nos nervos: estamos diante aqui de um monte de escoteiros e Ron Artest. O #mettaworldpeace jura que não se mete mais em confusão, e faz bastante tempo que a polícia não toca seu interfone ou que os juízes apitem com medo em sua direção. Por outro lado, difícil esquecer que o sujeito é o responsável por isso…

E isso…

 Olho nele: Tiago Splitter vai ter de se virar para fazer uma boa defesa em um redivivo Pau Gasol. Sem Kobe, a bola passa pelas mãos do espanho praticamente em todo ataque do Lakers, e caberá ao catarinense sua cobertura, muitas vezes bastante afastado da cesta, na cabeça do garrafão, ainda mais agora que Boris Diaw está fora de ação. É um baita desafio para Splitter, a não ser que Popovich queira se aventurar com Matt Bonner em seu lugar.

Palpite: Qualquer um em sete jogos ou surra do Spurs em quaro (4-0).


Lakers avança aos playoffs em sétimo; veja como ficaram todos os confrontos
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Giancarlo Giampietro

Foi um jogo em clima de playoffs. E, suando como o Los Angeles Lakers teve de suar nas últimas partidas, semanas, não havia nada de estranho nisso. É como se eles ja estivessem jogando numa condição de mata-mata há tempos. Nesta temporada inclassificável, eles conseguiram superar uma série de lesões e intrigas desnecessárias para, na última rodada, enfim, assegurar que seguiriam adiante na Conferência Oeste da NBA

Gasol, em grande fase novamente, aleluia

Gasol, mais um jogo brilhante de um astro que D’Antoni destratou no início da temporada

Com direito a prorrogação, depois de um chute de três pontos de Chandler Parsons, uma das revelações do campeonato, no último segundo, a equipe de Mike D’Antoni bateu o Houston Rockets por 99 a 95 em mais um jogo dramático – porque, francamente, esta campanha não poderia terminar de outra maneira.

O time californiano foi para quadra já classificado, devido ao revés do Utah Jazz contra o Memphis Grizzlies, mas ninguém entre os tropeiros de Lakers e Rockets queria aliviar em nada. Tudo pela sétima colocação nos playoffs e o sonho de eliminar o San Antonio Spurs.

E não é que é possível?

Resumidamente: o Spurs hoje parece vulnerável. Manu Ginóbili concluiu a temporada afastado das quadras, Tony Parker estava em frangalhos, e eles ainda perderam Boris Diaw e Stephen Jackson, dois veteranos talentosos, para deixar o banco de reservas ainda mais fraco. Ou Tracy McGrady ainda pode produzir algo em uma quadra de NBA?

Sério? O T-Mac?

Stephen Jackson deve estar se matando de rir, ou chorando de raiva a essa altura. Talvez em Porto Rico, vai saber.

Por outro lado, claaaaaaro que ninguém vai duvidar da capacidade de Gregg Popovich e claaaaro que só dá para se impressionar com o ano que Tim Duncan teve.

Mas…

Se Parker não estiver inteiro para acelerar um pouco o jogo e atacar de modo agressivo e efetivo no pick-and-roll, na meia-quadra, de uma hora para a outra, você tem um time texano mais vulnerável diante de Lakers que realmente poderia pensar em alguma coisa nesta série,  um clássico da liga, mesmo sem Kobe.

Ainda mais com a grande fase de um ressurrecto Pau Gasol – foram 17 pontos, 20 rebotes e 11 assistências contra o Rockets! Aleulua, D’Antoni, aleluia! – e a possibilidade de Steve Nash retornar nos playoffs. Ainda que Steve Blake, vivendos seus melhores dias como um Laker, possa dizer uma coisa ou outra a respeito sobre o desfalque de seu xará.

*  *  *

Por que o Spurs é melhor para o Lakers, fora as lesões de Parker e Ginóbili?

A dificuldade em geral da defesa angelina em parar Harden, Parsons, Beverley (aquele que roubou a vaga de Scott Machado) e qualquer Rocket que pudesse criar a partir do drible só serve para sublinhar todo o empenho do time em tentar subir para o sétimo lugar do Oeste nesta quarta. Contra Durant e Westbrook? Não teriam a menor chance.

*  *  *

Confira todos os playoffs da NBA 2012-2013 (voltaremos a eles até sábado):

OESTE

– 1-Oklahoma City Thunder x 8-Houston Rockets
Quis o destino que James Harden realmente tivesse de enfrentar os ex-companheiros

– 4-Los Angeles Clippers x 5-Memphis Grizzlies
Blake Griffin e Zach Randolph se odeiam; na verdade, praticamente tudo se odeia aqui

– 3-Denver Nuggets x 6-Golden State Warriors
Os times vão correr tanto que Bogut pode  ter um piripaque em quadra; Ty x Steph?? Uau.

– 2-San Antonio Spurs x 7-Los Angeles Lakers
Ok, Pop, taí o que você queria. Era o que você queria mesmo, né!?

LESTE

– 1-Miami Heat x 8-Milwaukee Bucks
Porque, com Jennings e Ellis no ataque e Sanders na cobertura, o Bucks pode com todo mundo. Claro.

– 4-Brooklyn Nets x 5-Chicago Bulls
Serve para algo o mando de quadra do Nets? Noah vai jogar? E rose? Vamos de Deron x Thibs no fim?

– 3-Indiana Pacers x 6-Atlanta Hawks
Para fugir do Heat, o Hawks fez de tudo. Não sei se, fisicamente, vão ficar tão satisfeitos. Podem vencer, mas com hematomas.

– 2-New York Knicks x 7-Boston Celtics
Clássico é clássico, e vice-versa, já ensinou Jardel. Mas o Knicks é o favorito, a não ser que os médicos tenham alguma surpresa.


Sem Kobe, Gasol enfim vira referência em mais uma reviravolta no ano sem fim do Lakers
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Giancarlo Giampietro

E aí, Gasol?

Pau Gasol, agora a bola é sua, em mais uma reviravolta para o Lakers

Ah, o Lakers.

Será que já houve uma temporada tão estarrecedora como essa na NBA?

Adjetivo é o que não falta para avaliar uma situação tomada pela perplexidade. Penso de primeira aqui ainda em espalhafatosa, decepcionante, inacreditável, calamitosa, maluca e absurda. Mas dá para listar muito mais, num bombardeio psicológico para cima de Jim Buss, Mitch Kupchak e no pobre Mike D’Antoni.

Pode se fazer muitas críticas sobre o trabalho do treinador nesta campanha 2012-2013, mas o cara simplesmente não consegue repetir seu time uma vez sequer. É uma lesão e uma bomba atrás da outra, e o baque de perder Kobe Bryant, do modo como foi, talvez seja a adaga, a punhalada final.

Mas eles vão precisar lutar ainda, né? Não  dá para desrespeitar o astro desta maneira e largar tudo a duas (duas!!!) rodadas do fim, depois de tanto esforço do camisa 24. E o que fazer?

Apostar em Pau Gasol. O espanhol choramingou tanto na temporada, com razão em alguns momentos, de modo descabido em outros, que não deixa de ser irônico que, nos três jogos mais importantes do ano, a bola vai ser dele – e só dele. Está basicamente em suas mãos o destino da versão 2012-2013 do Lakers, o clube que já o trocou uma vez e não assegura sua permanência para a próxima temporada.

Sem Nash, sem Kobe, o pivô é o único jogador saudável do plantel de D’Antoni que pode criar de maneira consistente e produtiva por conta própria. Ele reclamou tanto nos últimos anos, ponderou em diversas ocasiões sobre a dependência/controle do ataque por Kobe, e agora chegou sua hora de voltar ao foco ofensivo, algo que não acontece desde a saída de Phil Jackson em 2011.

Pau Gasol, o da Espanha

Gasol, O Cara pela seleção espanhola. O Lakers precisa dele

Quem se lembra, inclusive, da ira do (ex-)Mestre Zen contra Gasol durante a humilhação que sofreram diante do Mavs nos playoffs daquele ano? Irado, o treinador dava estapeava o jogador, clamando por mais agressividade, numa cena de deixar qualquer Laker atônito. E o pivô não conseguiu dar resposta alguma.

Dessa vez, ou ele entrega, jogando com o grande capitão da seleção espanhola, ou seu time cairá para o nono lugar da conferência.

A boa notícia notícia é que o craque desperto neste mês, tendo retornado de uma lesão no pé que o tirou das quadras por mais de um mês. Em seis partidas em abril, ele tem médias de 19,3 pontos, 10,2 rebotes e espetaculares 6,7 assistências, além do aproveitamento de 6o,5% nos arremessos. Números de um All-Star, de um dos jogadores mais habilidosos da liga num crescimento que culminou no triple-double registrado na dramática e fatídica vitória sobre o Golden State Warriors (26 pontos, 11 rebotes e 10 assistências).

A ideia é realmente abastecer Pau Gasol no alto do garrafão e deixá-lo trabalhando em diversas situações de high-low com Dwight Howard, o grande receptor de seus passes, saltando com tranquilidade para converter as ponte-aéreas planejadas, criadas por seu companheiro. Confiante em seu arremesso e podendo causar estragos ao mesmo tempo como garçom, o espanhol ganharia, então, liberdade para atacar a cesta a partir do drible.

Resta saber, porém, como esse jogo funcionará sem a presença de Kobe em quadra.

Muito já se discutiu sobre a tendência do astro em prender demais a bola, como um buraco negro no ataque do Lakers, com consequências negativas, claro. Mas havia o ponto positivo nisso tudo, não? O respeito, a atenção que Kobe despertava como um assassino no um contra um  podia desestabilizar as defesas, abrindo espaço para seus companheiros operarem. Agora é a hora de conferir como as coisas funcionam para Gasol e Howard sem a perturbadora presença do cestinha no perímetro – pois, até onde sabemos, Jodie Meeks não amedrontaria tanto assim as defesas de Spurs e Rockets, os últimos dois adversários.

Steve Blake. Oh, não!?

Depender de Steve Blake para chegar aos playoffs certamente não estava nos planos de Buss e Kupchak

Caso Nash realmente não retorne – e que falta fazem os preparadores físicos de Phoenix, hein? –, outro que será subemtido a uma enorme pressão é Steve Blake Glup.

Sobrou para o veterano de 33 anos a responsabilidade de carregar a bola ao ataque até o momento de acionar Gasol. É uma função que ele simplesmente não executa com frequência desde a temporada 2006-2007, pelo Denver Nuggets. Desde então, atuando ao lado de Brandon Roy e Kobe, ele trabalhou muito mais como um escolta e arremessador do que como condutor primário.

Nos próximos 80 minutos de jogo, completarão a rotação de D’Antoni o jovem ala Earl Clark, o veterano Antawn Jamison, que tem o desafio de pontuar mais e com eficiência, e Ron Artest, que acabou de voltar de uma cirurgia no joelho em tempo recorde. E só, galera, tendo de enfrentar dois times classificados para os playoffs, que talvez não queiram poupar seus jogadores.

Chocante, acidentada, atabalhoada, assombrosa, assombrada, estapafúrdia. É difícil escolher. Vai até o fim, mesmo, a penúria em uma temporada inclassificável do Lakers.