Vinte Um

Arquivo : La Bomba

Euroliga: Barça tenta superar lesões para confirmar favoritismo contra Panathinaikos
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Giancarlo Giampietro

Diamantidis x Navarro

Quanto mais Diamantidis x Navarro tivermos, melhor. Beeeeem melhor

O que daria para dizer é que existe um favorito para a conquista: o Barcelona, dono da melhor campanha da temporada regular, com 22 vitórias e apenas duas derrotas (uma em cada fase, para o CSKA Moscou em casa e para o Kimkhi em Moscou). O time de Marcelinho Huertas venceu suas últimas 12 partidas pelo Top 16. Os catalães venceram também 14 partidas com vantagem de duplo dígitos. Com a melhor defesa da Euroliga, seguraram seus adversários abaixo dos 70 pontos em 15 ocasiões, duas abaixo dos 50 pontos – a média geral foi de apenas 67,6 pontos sofridos.

A dificuldade, porém de cravar o Barça como o grande candidato ao título vem pelo fato de Xavier Pascual ter perdido dois alas de uma vez, na reta final do Top 16, incluindo o titular Pete Michael e o jovem Xavi Rabaseda. Mickeal foi afastado devido a embolia pulmonar e não joga mais nesta temporada, enquanto Rabaseda sofreu uma fratura por estresse na perna direita e só retornaria no caso de o clube passar pelo Panathinaikos.

A rotação de Pascual, desta forma, fica bastante danificada. Ele vai ter de contar com atuações vigorosas do australiano Joe Ingles – um talento, mas ainda inconsistente, e sem a pegada defensiva dos dois desfalques – ou apostar mais no garoto Alejandro Abrines, 19 anos, candidato ao “Draft” da NBA deste ano, que marcou 21 pontos em 21 minutos contra o Maccabi Tel Aviv na última rodada, mas ainda muito frágil fisicamente. Outra solução seria jogar com Huertas, Victor Sada e Juan Carlos Navarro ao mesmo tempo no perímetro, mas, por melhor defensor que Sada seja, ficaria difícil para ele bater de frente Jonas Maciulis, do Panathinaikos, por um longo período. Mesmo o vigoroso Michael Bramos já criaria problemas.

De qualquer maneira, coletivamente, o Barcelona tem uma defesa tão sufocante, que, mesmo avariada individualmente e caindo um pouco de rendimento, pode ser ainda o suficiente para brecar o ataque do Panathinaikos. Impressionou durante toda a fase regular a capacidade que o sistema de Pascual tem em empurrar os oponentes para longe da cesta, forçando arremessos de baixo aproveitamento, quase sempre contestados. Entrar no garrafão catalão é sempre um desafio ou uma aventura.

Sobre Huertas? Continua com o brilho de sempre ofensivo, com uma criatividade sem fim nos contra-ataques e muito tino para o jogo de pick-and-roll, facilitando muito a vida de seus pivôs. Seu tempo de quadra depende muito do confronto que a equipe tem. Se o jogo pede muito mais defesa ou a cobertura específica em um craque, dá mais Sada. Agora, se a equipe clama por um pouco de inventividade no ataque, o brasileiro prevalece. Duro que o embate das quartas de final não é dos mais favoráveis, do ponto de vista defensivo. Contra o Panathinaikos, vai ter as mãos cheias na defesa, lidando com o já legendário Dimitris Diamantidis, o croata Roko Ukic e o inconstante Marcus Banks. Provavelmente ele bateria de frente com Ukic, que é extremamente talentoso, mas nem sempre agressivo com a bola.

Outro ponto importante a se destacar no Barcelona é o crescimento de seus pivôs, com uma rotação que se provou muito sólida e versátil. Ante Tomic e Erazem Lorbek compõem a dupla de grandalhões mais talentosa do continente. O brutamontes Nathan Jawai, o Baby Shaq, australiano, e o enérgico CJ Wallace vêm do banco para complementá-los muito bem.

Por fim, fica o enigma em torno de Juan Carlos Navarro. Ninguém vai duvidar da coragem e do talento de La Bomba, que pode acabar, destroçar um adversário por conta própria com seus chutes de três pontos (aproveitamento de 51,1% no Top 16, em 45 tentativas) e constante movimentação ofensiva. Resta saber apenas se o seu corpo vai aguentar o tranco, depois de tanto desgaste na temporada. Ele teve de lidar com problemas no tornozelo e no joelho, perdendo as 12ª, 14ª e 16ª rodadas, e vinha com tempo bastante limitado, controlado por Pascual. O Barça precisa de seu cestinha em forma na melhor forma para encarar uma defesa também bastante forte do Panathinaikos. Ficamos na torcida, aliás, para que Diamantidis, defensor exemplar, seja escalado em sua contenção. Seria um duelo dos sonhos para se acompanhar.


Na falta de Navarro, vai de Huertas: armador brilha como o jogador mais eficiente na Espanha
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Giancarlo Giampietro

Huertas, por Navarro

Huertas, o criativo da vez pelo Barça

Num time tão metódico e com tanto jogador bom como o do Barcelona, é difícil brilhar por conta própria quando você não atende pelo nome de Juan Carlos Navarro, codinome La Bomba. Mas, quando você tem um talento de Marcelinho Huertas, pode aprontar das suas também. Em vitória da superpotência catalã neste domingo por 89 a 81 sobre o CB Canarias, Liga ACB, 24ª rodada, o armador conseguiu se soltar em quadra para conseguir o mais índice de produção do fim de semana.

Huertas jogou por apenas 25min44s, mas se esbaldou com 22 pontos e 5 assistências com aproveitamento de 80% nos arremessos (4/5 em três e o mesmo rendimento nas bolas de dois pontos). Atingiu um índice de eficiência de 28 pontos, o maior do fim de semana, superando o armador grego Nikos Zisis (27) e o pivô Pablo Aguilar (26).

Agora juntamos os pontos: a explosão de Huertas contra time das Ilhas Canárias é facilmente compreensível quando notamos justamente o desfalque de Navarro. Lidando com problemas físicos há um bom tempo, musculares e no tornozelo, o veterano cestinha foi mais uma vez poupado. Precisando, então, de mais criatividade em seu quinteto inicial, o técnico Xavi Pascual promoveu o brasileiro aos titulares, colocando o defensivo Victor Sada no banco.

Na temporada, o armador preferido de Rubén Magnano tem médias de 9,4 pontos, 3,7 assistências, 44% de dois pontos, 41% de três e 89% nos lances livres e 11,6 de eficiência, em 23 minutos. Para se comparar o quão especial foi sua atuação deste domingo, confira aqui todos os jogos pela Liga ACB 2012-2013.

 


Há muito basquete além da NBA: a Euroliga começa a pegar fogo
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Giancarlo Giampietro

Sonny Weems, da NBA para o CSKA

O superatlético Sonny Weems substitui Andrei Kirilenko em Moscou

Por Rafael Uehara*

(Nota/Ótima notícia no Vinte Um: convidado do blog durante o mês de dezembro, o Rafael veio para ficar. Semanalmente, ele vai publicar um artigo por aqui. Aproveitem!)

O mundo não acabou, mas 2012 sim, e, com a virada do calendário, as principais ligas do mundo começam a pegar fogo nessa arrancada em direção ao fim da temporada. No caso da Euroliga, principal competição de clubes do continente Europeu, isso é sinalizado pelo TOP 16, que teve sua segunda rodada disputada na semana passada. Com a mudança de formato a partir dessa temporada, a segunda fase da Euroliga terá 14 rodadas para definição dos oito classificados para as quartas de final, ao invés de apenas seis em anos anteriores. Há ainda muito chão pela frente, mas já é possível se ter uma ideia de quais times são concorrentes legítimos ao título e quais precisam de mudanças drásticas para voltar à briga.

O Barcelona de Marcelinho Huertas foi à Rússia na semana que passou e perdeu apenas pela segunda vez na competição, 65-78 para o BC Khimki, mas não há dúvida de que a máquina catalã é a força mais respeitável do basquete europeu no momento. Mesmo com um elenco composto de menos jogadores de pedigree defensivo como no ano passado, liderado pelo técnico Xavi Pascual, o Barcelona está a caminho de igualar marcas históricas registradas em 2011-2012. De acordo com o site gigabasket.org, o Barcelona tem permitido apenas 88,8 pontos a cada 100 posses do adversário, marca muito similar ao 87,3 da temporada passada, o que é fantástico especialmente considerando que o time substituiu Boniface N’Dong, Fran Vázquez e Kosta Perovic por Ante Tomic e Nathan Jawai no pivô.

Juan Carlos Navarro, La Bomba

Um Barça menos dependente de Navarro no ataque para tentar o título

Tomic e Jawai foram incorporados ao time em uma tentativa de adicionar maior criatividade ao ataque, que sofreu demais contra o Olympiacos no Final Four do ano passado. Pascual fez as mudanças necessárias, incluindo maior envolvimento de Huertas, e o resultado tem sido um time muito menos dependente de Juan Carlos Navarro e Erazem Lorbek e que tem marcado em média três pontos por cada 100 posses a mais do que na temporada anterior. Graças à boa química entre Huertas, Jawai e Tomic no pick-and-roll, o Barcelona lidera a Euroliga em pontos no garrafão. Com esse ataque renovado e uma defesa histórica, o time catalão é, em minha opinião, o principal favorito ao titulo.

Talvez os rivais de Madri estejam no mesmo nível. O Real Madrid de Pablo Laso também está tendo um ano fantástico. Entre supercopa da Espanha, campeonato espanhol e Euroliga, os merengues perderam apenas quatro jogos até o momento, sendo um deles para o Barcelona semana passada. Com uma filosofia oposta aos inimigos catalães, o Real tem se estabelecido como o ataque mais feroz do continente. No momento, é apenas o terceiro classificado em pontos por posse (marcando em média 109,7 a cada 100), mas isso é porque o Montepaschi Siena e o Zalgiris Kaunas estão fazendo campanhas históricas em termos de eficiência. Com a adição de Rudy Fernandez (um talento fora de série no continente) e o desenvolvimento de Nikola Mirotic (a caminho de se tornar o melhor ala-pivô na Europa), o Real não tem como ser parado, apenas contido. Mas esse já era mais ou menos o caso na temporada passada. O que faz do time merengue um concorrente legítimo ao titulo este ano é a melhoria em prevenção, setor no qual o time subiu de 13º para terceiro em pontos permitidos por posse.

É o que diferencia o Real Madrid do Montepaschi Siena, por exemplo. O Siena tem o melhor ataque do continente, marcando em média 115 pontos a cada 100 posses de bola. Bobby Brown tem sido fantástico e lidera a competição com 252 pontos em 12 jogos após uma exibição magnífica de 41 pontos em apenas 18 tiros de quadra contra o Fenerbahçe, em Istambul semana passada. O Siena tem superado as expectativas pra esse ano. Devido a problemas financeiros do patrocinador, Banco di Monte Paschi, o time teve que se despedir de medalhões como Simone Pianigiani, Bo McCallebb, Rimantas Kaukenas, David Andersen, Nikos Zisis e Ksystof Lavrinovic e remontar um elenco com soluções mais baratas do que a torcida estava acostumada. O Siena começou o TOP 16 com duas vitórias, sobre Maccabi e Fenerbahçe, mas ainda é difícil vê-lo como concorrente ao título. Com a terceira pior defesa da competição, e a expectativa é que em algum momento sua falha retaguarda pesará.

Kaukenas fazendo das suas

Kaukenas encontra espaço para a bandeja pelo ataque sensacional do Zalgiris

Já o Zalgiris Kaunas de Joan Plaza não pode ser visto da mesma forma. Havia muitas dúvidas com relação à idade avançada do elenco e como esse time defenderia, mas o atual campeão lituano é o sexto colocado em pontos permitidos por posse, mesmo que apenas Tremmell Darden e Ibby Jabber sejam atletas de porte físico invejável. Essa aplicação no setor defensivo, mesmo que não seja de elite, tem sido o suficiente para dar suporte ao segundo melhor ataque do continente. É uma dinâmica curiosa e fenomenal: o Zalgiris marca a segunda maior taxa de pontos por posse e, ao mesmo tempo, tem a menor taxa de posses por jogo. Isto é, faz o máximo com menos. Plaza formatou uma maneira de jogar que minimiza os fatores idade e a falta de porte físico do time. Será interessante ver se o clube lituano conseguirá impor seu ritmo de jogo contra Real Madrid e CSKA Moscow, dois dos times mais atléticos do continente e dos poucos com atletas ao nível de NBA. Mas o que eles já têm feito até agora é suficiente para se estabelecer como força a ser respeitada.

Falando em CSKA Moscou, o time de Ettore Messina (que voltou pra casa após três anos divididos entre o Real Madrid e o Los Angeles Lakers) vem, quietinho em seu canto, fazendo a melhor campanha da liga até o momento. O CSKA tem sido muito menos dominante do que aquele time liderado pelo fantástico Andrei Kirilenko ano passado, mas venceu 11 de seus 12 jogos até o momento e é o quinto colocado em ataque e segundo em defesa. Talvez sejamos nós que tenhamos prestado menos atenção. Sonny Weems também é talento de NBA, mas empolga menos do que o sempre enérgico e impactante Kirilenko. A combinação de Weems e Dionte Christmas nas alas é o que diferencia o CSKA dos demais times do continente. Poucos têm a capacidade atlética da dupla. O sistema ofensivo ao redor de Nenad Krstic mudou, mas o pivô sérvio tem mantido sua excelência. Tem saído do banco apenas porque seu companheiro de posição Sasha Kaun está totalmente recuperado de uma lesão séria no joelho sofrida 18 meses atrás e Messina agora apresenta uma sutil uma queda por atletas de primeiro nível, depois de sua experiência nos Estados Unidos.

Em Israel, o Maccabi Tel Aviv de David Blatt começou o TOP 16 com duas derrotas para o Siena e o Caja Laboral, a última por um ponto em casa na semana passada. Vindo pra temporada, a dúvida era como esse time iria marcar pontos após as saídas de Keith Langford e Richard Hendrix. Mas, com um ataque certeiro em tiros de meia distancia e uma defesa que tem permitido o menor número de pontos no garrafão, a potência israelense está a caminho de fazer o papel que fez ano passado; timinho difícil de bater nas quartas de final. Mais que isso será uma surpresa considerando as limitações do elenco, mesmo que se há alguém capaz de tirar um final four desse time, esse alguém é David Blatt.

E por último, mas não menos importante, o atual campeão Olympiacos. A temporada começou meio estranha para os vermelhos de Piraeus, com duas derrotas nos primeiros três jogos e a saída do pivô Joey Dorsey do time após desavenças com o novo técnico Georgios Bartzokas, que substitui o legendário Dusan Ivkovic, aposentado. Mas as coisas se acertaram a partir dali. O Olympiacos ganhou sete jogos seguidos na Euroliga para terminar a primeira fase com vitórias em 10 jogos. Além disso, bateu o rival Panathinaikos no campeonato grego. A defesa se endireitou e o importantíssimo Kostas Papanikolaou se apresentou melhor depois de um primeiro mês muito tímido. O TOP 16 começou com derrota em Vitória para o Caja Laboral, rejuvenescido depois da demissão Dusko Ivanovic, mas os vermelhos se recuperaram com vitória sobre o Besiktas em casa. É difícil saber, porém, o quanto Dorsey fará falta nas fases finais. Ele foi peça fundamental na corrida ao título ano passado e seu substituto Josh Powell é um jogador de características totalmente diferente.

*Editor do blog “The Basketball Post” e convidado do Vinte Um. Você pode encontrá-lo no Twitter aqui: @rafael_uehara.


Maior envolvimento de Huertas resulta em melhor ataque e favoritismo para o Barcelona
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Giancarlo Giampietro

Huertas vibra

Por Rafael Uehara*

A ineptidão no ataque custou ao Barcelona uma vaga na final da Euroliga na temporada passada. Durante todo o ano, o time foi dependente de Juan Carlos Navarro e Erazem Lorbek para conseguir suas cestas. E quando Navarro se viu obrigado a lidar com uma lesão crônica no pé no fim do ano e Lorbek teve uma atuação muita apagada contra o Olympiacos, o time catalão sofreu demais.

Ao chegar de Vitória, a esperança era que Marcelinho Huertas adicionaria uma terceira dimensão ao ataque barcelonista. Mas, como já havia ocorrido com Ricky Rubio, o técnico Xavi Pascual não deu tanta liberdade ao armador brasileiro dentro de seu esquema e, constantemente, confiou mais no reserva Victor Sada para terminar partidas, devido a sua grande capacidade defensiva, prioridade absoluta para Pascual.

Contudo, depois do fiasco em Istambul, a diretoria catalã reconheceu a necessidade de adicionar maior criatividade ao ataque, buscando os pivôs Ante Tomic e Nathan Jawai e o armador Sarunas Jasikevicius, o futuro membro do Hall da Fama, no mercado. Com esses reforços, o Barcelona abriu um pouco mão de seu pedigree defensivo, confiando na habilidade de Pascual de treinar aquele lado da quadra. Ao mesmo tempo, aprimorou o poder ofensivo no elenco.

Contudo, a melhoria que tem surtido o maior efeito para o ataque barcelonista este ano tem sido o maior envolvimento de Marcelinho Huertas. Esse acaba sendo o grande reforço.

Segundo o portal gigabasket.org, que mantém controle de estatísticas avançadas sobre a Euroliga, Huertas tem usado 23,2% das posses do time em seu tempo de quadra. Este percentual é cinco pontos maior do que na temporada passada, quando Marcelinho muitas vezes iniciava a jogada esquematizada e geralmente acabava no canto apenas como opção para o tiro. Neste ano, Pascual modificou o ataque para que seja um pouco menos pesado em jogadas individuais envolvendo Lorbek no garrafão ou em pick-and-rolls apenas envolvendo Navarro e Lorbek.

Uma fração maior do ataque agora envolve a criação no perímetro, resultando em mais oportunidades para Marcelinho contribuir para o time. Especialmente com seu perfeito tempo de bola usando os corta-luzes. Outro que vem sendo mais aproveitado é o ala australiano Joe Ingles (surpreendentemente encaminhado para a NBA no ano que vem).

O resultado tem sido um ataque mais potente, especialmente em comparação com o do ano passado. O Barcelona tem marcado em média 108,6 pontos a cada 100 posses de bola na Euroliga, uma considerável melhora de quase quatro pontos por 100 posses, além de apresentar agora um aproveitamento superior de 7% nos tiros de quadra. Na liga espanhola, o time tem marcado em média dois pontos a mais por jogo nessas primeiras 10 partidas.

Outro ponto bastante positivo: o time lidera a Euroliga em pontos no garrafão e o campeonato espanhol em enterradas, estatísticas indicativas de que a equipe vem buscando com proficiência as jogadas mais simples – e de mais probabilidade de acerto, isto é. Segundo o portal DraftExpress, Huertas seria o principal condutor nessa guinada ofensiva, registrando 6,6 assistências a cada 40 minutos em 18 jogos este ano.

O Barcelona está invicto na competição continental, vencendo todas as suas oito partidas até o momento. No campeonato espanhol, o time perdeu quatro de suas 10 partidas, um começo de temporada atípico, mas essas derrotas vieram por uma média de 5,5 pontos e três delas foram na casa do adversário.

Não há dúvida, porém, de que o time catalão é concorrente legítimo a ganhar a coroa europeia e ainda é favorito a reter o troféu doméstico (mesmo que o rival madrilenho tenha tido um começo de temporada fulminante com sua máquina de marcar pontos). Muito pelo equilíbrio que vem conseguindo, com seu ataque reestruturado fornecendo maior suporte a sua defesa ainda fantástica (que está a caminho de superar as marcas históricas estabelecidas pelo time da temporada passada). E o maior envolvimento de Marcelinho Huertas é a grande razão para isso.

*Editor do blog “The Basketball Post” e convidado do Vinte Um para este mês. Você pode encontrá-lo no Twitter aqui: @rafael_uehara.


Veterano espanhol adia aposentadoria e dá aula de defesa em vitória do time de Augusto
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Giancarlo Giampietro

Augusto faz festa com Jiménez

Augusto pode aprender muito mais ao lado de Jiménez em Málaga

Carlos Jiménez Sánchez acreditava que já havia virado aquela famosa página, a da aposentadoria das quadras, e estava procurando o que fazer da vida até que o telefone tocou. Ou recebeu o email, o SMS, o whatsapp?, sabe-se lá o quê.

Fato é que chegou o convite inesperado, e lá estava ele se fardando novamente como jogador de basquete, a convite do Unicaje Málaga, clube que havia defendido por cinco temporadas, em meio a duas passagens pelo Estudiantes.

A equipe do brasileiro Augusto Lima tinha uma emergência: o experiente Sergi Vidal foi afastado devido a uma cirurgia no púbis, e o norte-americano James Gist também enfrentava problemas físicos. Calhava, então, que Jiménez poderia cobrir provisoriamente os dois atletas. Foi chamado em setembro e, meio desprevenido, assinou um contrato de um mês, com mais 30 dias opcionais.

Neste domingo, o veterano, 36, não só atuou pela equipe dirigida por Jasmin Repesa, como arrancou elogios do técnico croata e foi o jogador mais eficiente do Málaga em vitória sobre o Joventut de Badalona. Mesmo que tenha jogado por apenas 15 minutos e 45 segundos. Mesmo que tenha feito apenas quatro pontos só na linha de lances livres, sem ter convertido nenhum chute de quadra.

E como se faz isso? Fazendo as pequenas coisas por sua equipe: foram seis faltas recebidas, quatro rebotes apanhados, uma assistência e um roubo de bola. De tudo um pouco para ajudar na vitória e ser aclamado no ginásio Martín Carpena.

Também porque ele foi responsável pelo lance crucia da partida: com cerca de quatro segundos no cronômetro e a chance de definir o confronto, o pivô Fran Vázquez errou dois lances livres, mas foi salvo por um reboe ofensivo de Jiménez. A posse de bola extra rendeu mais dois arremessos para Vázquez, o fujão do Orlando Magic, fechando a conta em 73 a 71.

Um lance emblemático para um grande jogador. Por anos e anos Jiménez foi o chamado “glue guy”, aquele que dava a liga para a formidável Espanha, movendo a bola no ataque, abrindo caminho para suas estrelas e se matando na defesa.

Ele nunca precisou de uma média de 20 pontos por jogo para prosperar e empilhar medalhas em casa – sua contagem de pódios pela seleção espanhola só perde para a de Pau Gasol, Juan Carlos Navarro e Felipe Reyes. Os quatro foram juntos campeões mundiais em 2006.

 “É incrível. Que faz a diferença na defesa. Defendeu melhor do que Calloway, Gist ou Simon. Ele encontrou seu nicho”, elogiou o treinador, que sabe que é hoje um croata de sorte. Jogar sem a bola, em prol do time, se adaptar: são essas raras características e valiosas estão agora à sua disposição. É isso o que Jiménez faz melhor.


Barcelona abre temporada na Supercopa para tentar estender hegemonia
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Giancarlo Giampietro

Marcelinho Huertas, Barcelona

Huertas abre mais uma temporada com perspectiva de títulos pelo Barça

No futebol, virou praxe nos últimos anos dividir o Campeonato Espanhol em duas competições distintas: uma travada entre Barcelona e Real Madrid e a que fica para o resto da cambada (saiba, neste caso, que o Valencia seria tricampeão nacional!).

No basquete, ainda que não exista um abismo como nos gramados, o poderio financeiro dos dois clubes gigantes do país começou a fazer a diferença. O problema, só para aumentar a agonia dos merengues, dos seguidores do time da capital, é que, na verdade, a hipotética polarização entre Barça e Real não se concretizou. Porque só dá Catalunha nessa, algo muito bom para o currículo de Marcelinho Huertas.

A temporada espanhola começa oficialmente neste fim de semana, com a disputa da Supercopa. E os barcelonistas jogam pelo tetracampeonato do torneio. Um, dois, três seguidos eles já têm. Agora querem o quarto.

Dá para dizer que não é a competição mais badalada. Mas ainda é um caneco nacional. E, de todo modo, nos certames de maior prestígio,  o Barcelona conquistou também duas Ligas ACB e duas Copas do Rei nos últimos três anos. Eles não param, entende? Não é apenas a galera de Lionel Messi que irrita os madridistas.

A má notícia para a concorrência: no início desta campanha 2012-2013, o Barça ainda tem o elenco mais equilibrado e, por isso, mais forte. Na armação, Huertas tem a companhia de Sarunas Jasikevicius e Victor Sada. Juan Carlos Navarro também entra nessa rotação. Nas alas, o talentosíssimo australiano Joe Ingles, o veterano norte-americano Pete Mickeal, o promissor Alex Abrines (olho nesse, xodó de muitos scouts europeus) e Xabi Rabaseda. Os pivôs são o croata Ante Tomic, um de nossos preferidos, o craque esloveno Erazem Lorbek, que recusou o Spurs, o força-bruta australiano Nathan Jawai e o americano CJ Wallace.

Além de nomes consolidados no mercado europeu, são peças que se encaixam naturalmente. Diferentemente do que observamos no Real Madrid, que possui gente muito gabaritada no perímetro (Sérgio Llull, Sérgio Rodríguez, Dontaye Draper, Jaycee Carroll, Rudy Fernández e, ufa!, Martynas Pocius), mas deixa a desejar em seu jogo interior (Nikola Mirotic só vai melhorar, mas Felipe Reyes já não é mais o mesmo de três temporadas atrás e Mirza Begic e Marcus Slaughter ainda precisam se provar alto nível no continente).

Um degrau abaixo aparecem Caja Laboral, que é o Baskonia, Valencia, de Vitor Faverani, Unicaja Málaga, de Augusto Lima e que perdeu terreno recentemente, e Bilbao, clubes que vão precisar de excelentes química e trabalho tático para fazer frente aos dois gigantes.

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As semifinais da Supercopa são as seguintes: Barcelona x Valencia e Real Madrid x Zaragoza, que joga em casa. Os vencedores se enfrentam na semifinal, no domingo, 14h (horário de Brasília). O Bandsports deve transmitir tudo.

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É muito difícil escrever qualquer coisa sobre esses resultados obtidos pelo técnico Xavi Pascual nos últimos anos. Ele teve seu contrato renovado até 2015. Quem sabe, porém, se ele não chega ao final de seu vínculo com um basquete um pouco menos robótico do que obriga o seu clube praticar… Pascual é daqueles “control freak”, regulando toda e qualquer ação de seus atletas do lado de fora da quadra. Só Navarro pode ser Navarro. O resto que se enquadre, e assim ele vai vencendo. Mas não é de encher os olhos, não.

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Vitor Faverani terminou a Liga ACB passada como um dos atletas mais quentes no mercado europeu e acabou estendendo seu contrato com o Valencia, onde enfim encontrou um meio de fazer seu imenso talento valer.  Ele encara agora uma temporada muito importante para confirmar esse status.


Na final, não tinha como evitar: ouro para os Estados Unidos
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Giancarlo Giampietro

Kevin Durant e LeBron James

Kevin Durant e LeBron James: “We’re togetha!”

A Espanha guardou tudo o que tinha para o fim. Juan Carlos Navarro, enfim, soltando bombas nas Olimpíadas – até que Kobe Bryant o vigiou no segundo tempo. Rudy Fernández estava para todos os rebotes ofensivos, trombando com os astros norte-americanos, tentando fazer cara de mau, cometendo 87 faltas. Seus atletas aprontaram um escarcéu danado com a arbitragem, reclamaram de tudo o que era marcado ou deixava de ser marcado. Queriam o ouro de qualquer jeito, naquele confronto que tanto esperavam – e evitavam. Mas na final não tinha para onde fugir.

Eles jogaram, enfim, o que sabiam, de acordo com o que se esperava a caminho do torneio, como a segunda grande força do basquete mundial e candidata a destronar os norte-americanos. Deixaram o ginásio estranhamente silencioso – quando o locutor histérico da arena permitia, claro –, tenso, irrequieto, com muito suspense: quem venceria??? Jogão.

Acontece que, do outro lado, o talento reunido era enorme, além de muito determinado e bem treinado. Uma artilharia incomparável, com três, quatro ou até cinco atletas espalhados pela quadra com potencial de acabar com a partida em um instante.

São 30 pontos de Kevin Durant, que nunca arremessou livre de três pontos tantas vezes em sua carreira, 19 de LeBron James, 17 de Kobe Bryant e, na hora de desafogar, mais 11 para Chris Paul, todos no segundo tempo. E pensar que ainda faltaram cestinhas como Dwyane Wade, Derrick Rose e Chris Bosh.

17 pontos para Kobe

17 pontos para Kobe

Com tanta gente boa, a defesa adversária não sabe muito o que fazer. Cobre de um lado, descobre o outro, e convive com um aproveitamento de 41% nos tiros de fora, com 45 pontos produzidos desta maneira. Abre sua defesa e permite as infiltrações dos mesmos atletas versáteis, com um aproveitamento de 58% no jogo interno. Chumbo grosso.

O que faltou aos Estados Unidos na final só foi uma defesa mais eficiente, mais intensa, a qual seus superatletas poderiam conduzir – ou será que até eles se cansam numa temporada extenuante dessas? Pode ser. Eles só conseguiram a separação no placar no início do quarto período depois de encaixarem seguidamente boas defesas que resultaram em desarmes. E, de todo modo, não se pode subestimar quem estava do outro lado, porém: a Espanha escalou muita gente habilidosa e experiente para cuidar da bola – foram apenas 11 desperdícios de posse.

Essa estabilidade ofensiva ajudou a alimentar o excepcional Pau Gasol. Que os torcedores do Lakers tenham assistido a esse jogo atentamente, para não se esquecerem do talento formidável de seu pivô. Firme, sem fugir do contato e, melhor, sem perder a cabeça, terminou com 24 pontos, 8 rebotes e 7 assistências. Sete assistências do pivô! Mais do que LeBron e Paul juntos.

Gasol tentou de tudo, mas não contou com a ajuda de seu irmão – esse, sim, mais desequilibrado no jogo, cometendo quatro faltas em 15 minutos de partida, privando a Espanha de sua cartada supersize. No fim, foram os Estados Unidos que venceram a batalha por rebotes, mesmo com Tyson Chandler limitado a oito minutinhos. Palmas aqui para Kevin Love (9 rebas), Durant (mais nove) e LeBron (com sete).

Jogando com esta gana e preparação, vai ser difícil que alguém os derrote. Agora são 62 vitórias e uma derrota na gestão de Coach K, e apenas uma derrota, a da semifinal para a Grécia de Theo Papaloukas e Sofoklis Schortsanitis. O técnico não segue mais com a equipe para o próximo ciclo olímpico, mas Jerry Colangelo fica por lá, com a estrutura mantida. Aí fica difícil de competir, não importando os atalhos que queiram tomar.

O Coach K se despede do Team USA

O Coach K se despede do Team USA

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LeBron James é o primeiro jogador desde Michael Jordan a vencer o título da NBA, com os prêmios de MVP da temporada e das finais, na mesma temporada em que conquista o ouro olímpico. Um ano incrível e redentor para o fenômeno, realmente.

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Kevin Durant terminou as Olimpíadas com 156 pontos em oito jogos, sendo o cestinha (no total) do torneio, batendo um recorde. Em média, Patty Mills foi o melhor, com 21,2 por partida, contra 19,5 do americano, que dessa vez não precisou carregar o time nas costas como aconteceu no Mundial de 2010.

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Na disputa do bronze, não deu o terceiro pódio seguido para nossos vizinhos. Ginóbili e Scola foram até o fim também (37,4 pontos por jogo para os dois, somados), mas não deu. Medalha para Rússia, e um talento como Andrei Kirilenko merecia a dele. Assim como o técnico David Blatt. Se temos nosso técnico argentino, precisou um norte-americano para reformular a seleção russa, realizando o potencial do país.

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A carreira de Anthony Davis, 19, começou bem, não? Um título universitário, quatro meses depois o ouro olímpico. Simbolicamente, a bola terminou em suas mãos. Que venha o futuro.


Após murro e derrota, furioso Batum detona seleção da Espanha
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Giancarlo Giampietro

Batum acerta soco em Navarro

Golpe baixo de Batum em Navarro

Quando você está perdendo a partida e resolve dar um soco (veja animação) em um de seus adversários, com golpe baixo, isso não estaria exatamente de acordo com o ideal espírito olímpico, não? O ala Nicolas Batum não está nem aí, porém: “Se perde você um jogo de propósito, isso é espírito olímpico?”, respondeu já perguntando o francês, ao ser questionado se a agressão em Juan Carlos Navarro feria a cartilha do Barão de Coubertin.

Foi um ataque, então, em todos os sentidos, e com raiva, contra os espanhóis, que teriam, digamos, facilitado a vida do Brasil no complemento da primeira fase olímpica para enfrentar os franceses nas quartas de  final e, principalmente, escapar dos Estados Unidos nas semis.

A essa altura, a imprensa internacional e a própria mídia do país assumem que a Espanha entregou a partida para a seleção de Magnano. Já dissemos que pouco importava.

Para Batum, no entanto, importou, e muito.

 Na mesma entrevista ao intrépido Adrian Wojnarowski, superjornalista do Yahoo! norte-americano,  o jogador do Portland Trail Blazers foi além ao comentar seu murro em Navarro: “Queria dar uma boa razão para ele se jogar”. (Na verdade, ele usa o termo “flop”, que seria o nosso “cavar falta”, fazer teatro para iludir a arbitragem.)

Pegou pesado o francês, que, ironicamente, muitas vezes é criticado na NBA por sua suposta passividade em quadra.

 Não ficou só nisso, aliás: durante a entrevista coletiva posterior ao jogo, o técnico francês Vincent Collet se recusou a responder uma pergunta de um repórter espanhol… Justamente pelo fato de ele ser espanhol.


Teve entrega? Não importa: seleção faz sua parte, derrota Espanha e ruma ao mata-mata
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Giancarlo Giampietro

Seleção aplaudida: quarta vitória na primeira fase

Seleção aplaudida: quarta vitória na primeira fase sobre poderosa Espanha

Vamos colocar assim: dá para considerar no mínimo curiosa a decisão de Sergio Scariolo de manter Marc Gasol sentado por seis bons minutos no quarto final. Ainda mais considerando o carnaval que ele e seu irmão mais velho, que ficou fora por cinco minutos, estavam fazendo na defesa brasileira, e Felipe Reyes não produzia nada. Sergio Scariolo chegou a parar o jogo com 8min05s para o fim, quando sua vantagem havia caído de 11 pontos para quatro. Teve a chance de chamar a cavalaria, mas manteve seu quinteto. Ele só voltaria a pedir tempo aos 4min17s, quando o Brasil assumiu a liderança após bola de três de Leandrinho.

A Espanha entregou o jogo, então?

Sei lá. Não dá para cravar.

E quer saber? De que importa?

Marc Gasol

Marc Gasol marcou 20 pontos, deu 4 assistências e acertou 7 de 10 arremessos e foi punido por Scariolo no 4º período?

Assim como atropelou a apática China na quarta rodada, a seleção tratou de fazer sua parte nesta segunda-feira.

Mesmo que não tenha feito sua melhor partida na defesa, a equipe de Magnano compensou com seu melhor rendimento no ataque, bateu – sem Nenê, diga-se – um adversário que era tido como a segunda principal força das Olimpíadas e só pode ir cheio de confiança para os mata-matas.

Em 40 minutos, a seleção cometeu apenas nove desperdícios de bola, num controle excepcional do ritmo da partida. Buscou os tiros de três pontos muito mais em jogadas pensadas do que forçadas – homens posicionados na zona morta para o disparo em contra-ataque equilibrado, com o passe vindo de dentro para fora, corta-luzes fora da bola para livrar os alas etc. Acertou, no total, 51,4% de seus arremessos de quadra, disparado seu melhor aproveitamento no torneio. (Ingoremos qualquer número que venha do coletivo contra a China, tá?)

Se os espanhóis se empenharam, ou não, para vencer o jogo, eles que respondam a sus compinches.

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Aqui no QG 21, a opinião de uma só cabeça (quase) pensante é a de que, na real, faltou intensidade em boa parte do jogo para ambos os lados. Seria exagero dizer que, em alguns momentos de jogo, parecia muito mais um amistoso do que uma partida valendo algo nas Olmpíadas? Veja os números ofensivos combinados: apenas 25 erros cometidos e convertidos 51% dos arremessos de quadra (64 de 124). Não condiz com o histórico das equipes.

Huertas x Calderón

Huertas pôde descansar mais um pouco

Depois, em bate-papo rápido com o Murilo Garavello, gerente da casa aqui – e, nos bons tempos, um tratorzinho na hora de partir para a cesta, creiam –, ele levantou um ponto a ser levado em conta: com a classificação decidida, nenhum dos treinadores iria se submeter a um alto risco neste jogo. Faz sentido. Por que exatamente você vai gastar todas as suas energias, flertar com o limite para ter o direito de enfrentar França ou Argentina nas quartas?

Daí que, do lado brasileiro, essa pergunta é bem relevante, considerando que Nenê ficou fora do jogo nesta segunda. O pivô do Washington Wizards estava realmente incapacitado de jogar hoje ou foi meramente poupado, para preservar seu pé, para a batalhas maior que teremos na quarta-feira? Se for o segundo caso – como afirma Magnano –, sinal de que a seleção não encarou a Espanha como uma questão de vida ou morto. Mas também nem precisava.

(Se ele realmente voltou a sofrer mais do que a conta com as dores crônicas no pé, aí complicou um bocado. Está certo que nenhum time tem um jogo interior como o da Espanha neste torneio, mas não custa mencionar que Caio saiu excluído de jogo com cinco faltas em dez minutos.)

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Primeiro contra a Rússia. Agora contra a Espanha. Os dois adversários mais fortes da chave. E dois jogos em que Marcelinho Huertas descansou por oito minutos no quarto período simplesmente pelo fato de que sua presença não era necessária em quadra. E dessa vez quem segurou o rojão foi o caçula Raulzinho, que jogou por 16 minutos e foi bem, com seis pontos, quatro assistências e muita energia contra alguns de seus conhecidos de Liga ACB. No quarto período, tendo Larry ao seu lado por três minutos, comandou bem uma sucessão de contra-ataques brasileiros, acelerando a partida para Leandrinho deslanchar – ele marcou 12 pontos em seis minutos.


Notas olímpicas: a fase de Carmelo e os problemas de Prigioni e Navarro
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Giancarlo Giampietro

Juan Carlos Navarro, de fora

De agasalho e cabelo novo, Navarro não ajuda muito a Espanha

Só para desafogar um pouco:

- Isso já vem lá de trás no Pré-Olímpico de Las Vegas-2007, mas nestas Olimpíadas está impossível: como o jogo de Carmelo Anthony se traduz para o basquete Fiba de maneira perfeita. Com a linha de três um pouco mais próxima, contra jogadores menos atléticos do que os que vê regularmente na NBA e os diversos astros ao seu redor, o ala da seleção norte-americana vira uma arma mortal toda vez que recebe a bola, não importando o ponto em que está da quadra. No mano-a-mano, ele pode girar rapidamente e fazer o arremesso. Pode driblar de frente para a cesta, frear e subir, devidamente equilibrado, para chutar sobre os braços estendidos do marcador. Se quiser, também pode levar seu oponente para o garrafão e exibir seu jogo de pés consistente e a base muito forte para chegar até a tabela e completar a bandeja. Então, fica aberto aqui o bolão: quando será que Melo vai errar uma cesta daqui para a frente no torneio?

- A aura de invencibilidade e a vaga previamente garantida na final para a Espanha foram para o buraco de vez com a derrota para a Rússia. Na verdade, sua imagem já estava tudo severamente arranhada pela campanha que vinham fazendo nesta primeira fase, bem mais fraca quando comparada ao que executaram no último Eurobasket com o time completo. Faz muita falta para a seleção um Juan Carlos Navarro inteiro. Com as Bombas caindo, fica mais complicado para o adversário se acertar: como parar seus chutes em flutuação, como subir a defesa até o perímetro e ter de conter ao mesmo tempo o jogo interior com os Gasol e Ibaka? Sem Rubio, sem Navarro, o time espanhol perde muita criatividade em seu ataque, além de dois jogadores que colocam pressão na defesa. Calderón é um ótimo jogador, mas seu jogo é muito menos vertical. Contra a Rússia, Navarro jogou por 23 minutos, mas foi pouco efetivo, com apenas nove pontos, uma assistência e 27% nos arremessos.

- Você imaginaria que o jovem Facundo Campazzo poderia se tornar o principal jogador da Argentina numa Olimpíada? Nem eu. O armador teve de batalhar até o fim para garantir seu lugar no grupo de Julio Lamas, concorrendo com Nicolás Laprovittola e, agora, se vê numa situação  de pressão, dependendo da condição física do veterano Pablo Prigioni. O armador, recém-contratado pelo Knicks, vem sofrendo com cólicas renais nos últimos dias, não deve nem estar treinando direito, e como esses percalços vão influenciar seu basquete para os mata-matas?