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Arquivo : Érika

Presidente da CBB questiona metas do governo, mas se perde ao falar da seleção feminina
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Giancarlo Giampietro

 Ontem foi dia de rebater o candidato da oposição à presidência da CBB, o presente de grego que tivemos, durante anos e anos e que agora quer voltar. Foram tantos pontos de questionamento que parece que pior que aquilo não dava para ficar. Mas dá, sim. Dá quando sabemos que a confederação ou ficará com Bozikis, ou com o candidato da situação, que também tropeçar nas próprias palavras em entrevista ao R7. Carlos Nunes, Carlos Nunes… Ele quer a reeleição. Ai.

Carlos Nunes, presidente da CBB

Carlos Nunes, ex-aliado do presente de grego, agora tropeça por conta própria

A pergunta é direta e vital para aquele que já preside a entidade. A resposta vem murchinha e com um cinismo que impressiona: “Mais resultados, trabalhar mais com a base, mais ajuda do governo, saber o que ele quer realmente no esporte…”.

Sempre o governo. A grana do governo.  O mesmo governo que já cedeu a Eletrobrás como patrocinadora? Ah, tá. A mesma desculpa de sempre.

Em termos gerais, claro, quanto mais sólidos os investimentos em educação, escola pública, parques, centros olímpicos etc., maior a chance de termos um craque. Mas em qualquer modalidade, né? Não especificamente o basquete. Tirando a Lituânia, que governo trabalharia especificamente para o basquete?

E, se não falha a memória, a presidenta não acabou de assinar um cheque trilhardário há alguns dias para todo o esporte? Mas, antes de o governo saber o que espera do esporte, será que e a CBB sabe o que quer do basquete?

Quer mais ajuda, mesmo! Porque tá precisando.

Ainda mais porque os R$ 22 milhões orçamentários não servem pra tocar uma confederação de ponta, explicando então os empréstimos, o saldo negativo, o balanço que flerta com a falência da entidade nos últimos anos. Se quiserem discutir que o valor é pouco para sustentar as operações, que mandou assinar e topar esse tipo de valor? Num quadriênio rumo a uma Olimpíada em casa, não dava para barganhar mais?

Aí, quem sabe, com mais dinheiro, talvez ele consiga coordenar dois departamentos de uma vez. Porque sua gestão foi totalmente incompetente no que diz respeito ao feminino. “Para a feminina foi mais difícil, pelas dificuldades que tivemos e que todo mundo sabe”, afirmou.

Clarissa x Seimone Augustus

Fatou citar também a surra que as meninas levaram dos EUA em jornada dupla em Washington

Se todo mundo sabe, então é de se supor que ele, Hortência e asseclas sabiam também em 2009, não? Das duas uma: ou não sabiam, ou falharam em se preparar. Não tem desculpa. “A preparação é diferente da masculina. Foi difícil conseguir adversárias para ter uma preparação mais adequada. E ainda temos o cancelamento dos Sul-Americanos… Não tivemos países para jogar. A feminina, só teve o Chile para amistoso.”

Quer dizer, então, que o Brasil se deu mal nas Olimpíadas porque simplesmente não conseguiu jogar contra times de ponta. Como se elas não tivessem ido para a Austrália, né? Ou que não tivessem enfrentado a França, naquele fim de semana inesquecível do corte de Iziane. Por que o presidente, então, diria que só enfrentamos o Chile? E, realmente, um ou dois amistosos preparatórios fariam tanta diferença assim no resultado final? Ese foi o ponto mais importante? Ou será que mais relevante não era ter mantido uma linha técnico-tática durante todo o ciclo? Em vez de trocar a cada temporada?

Deve ser bobagem isso. Já que tínhamos um projeto bem claro: chegar a Londres para um torneio ritualístico, de passagem, de experiência para as meninas rumo ao Rio, com as jovens Karla, Chuca, Adrianinha e Silvia todas escaladas na rotação de Tarallo. Tássia, Nádia e Franciele, das mais experientes, ficaram entre as que menos jogaram. Damiris, grande aposta, foi limitada a menos de 20 minutos por partida. Isso tem tenome: planejamento. “A masculina tem mais condições que a feminina, já tem base pronta. A feminina vai passar por renovação”, disse Nunes. Ué, mas o ciclo anterior, nas palavras de Hortência, não era justamente para isso?

A julgar por essa entrevista, com tantas imprecisões, choradeira e palavras vagas, não dá para se animar muito para uma reviravolta no cenário feminino. “Queremos ganhar o Sul-Americano, nos classificar para a Copa América, para o Mundial, e no Mundial ficarmos entre as quatro, pelo menos. Queremos ser semifinalistas no Mundial da Turquia 2014″, assegurou.

Percebem a incoerência? Primeiro diz que a preparação do time feminino é mais difícil. Que vem renovação, blablabla. Depois, diz que espera uma semifinal de Mundial daqui a dois anos! Depois-depois, volta a se desdizer ao falar sobre Olimpíadas: ” Queremos o ouro, no masculino. No feminino, claro que também queremos o ouro, mas se ficarmos entre as quatro…  (estaria bom)”. Então é assim: no Mundial, que é daqui a dois anos, ele quer “pelo menos” ficar entre as quatro – isto é, brigar por medalha. No Rio de Janeiro, daqui a quatro anos, jogando em casa, a casa de Érika e Clarissa, por exemplo, a demanda seria menor. Faz todo sentido do mundo.

Então fica a pergunta reforçada: o que a CBB realmente espera do basquete brasileiro?

 


Presidente da CBB reaparece em editorial com pérolas em tom de campanha
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Giancarlo Giampietro

Tudo é uma questão de recuperar o orgulho tupiniquim

Os bastidores do basquete brasileiro já estavam agitadíssimos há muito tempo, mas, passadas as Olimpíadas, como o Bala já publicou, agora é hora de a campanha presidencial da CBB vir à tona, escancarada, e ai de quem ficar na frente.

Nessas horas, vale usar até mesmo o site da confederação, né? Bah, que mal tem?

Toca lançar, então, um editorial nesta quinta-feira no mais alto tom de candidato, rompendo um silêncio que durava desde o desastrado anúncio das convocações de Nenê e Leandrinho em antecipação a Rubén Magnano.

Veja o que assina Carlos Nunes: “Basquetebol, orgulho nacional mais uma vez”.

Por acaso estamos falando da mesma modalidade que saiu como quinto lugar no masculino e venceu apenas uma partida no feminino?

Porque aqui é preciso todo o cuidado do mundo – ou, pelo menos, do Brasil – para que não se misture as coisas. Que um time tenha jogado bem, batido de frente com as potências do torneio e tal, e isso seja entendido como o resgate do orgulho nacional (hein?!) me parece um senhor exagero, desde já. Mas, vá lá. Tem gente que considera mesmo essa avaliação factível. Esses precisam entender que o desempenho de duas seleções nacionais não reflete, de modo algum, uma bonança do esporte no país.

Por mais que o presidente da CBB discorde: “No esporte como praticamos, a derrota não é uma escolha. Medalha no peito ou não, nosso orgulho está em alta. Jogamos para vencer. Sempre”. E desde quando é virtude que um time jogue um torneio para vencer? Não é o óbvio? Se essa é uma indireta para os espanhóis, a derrapada de um não deve transformar a mera obrigação competitiva do outro em ato heróico… Quanta falácia, quanta pachequice.

Presente de Grego e Carlinhos, amigos?

Em seu memorando, Nunes gasta dois longos parágrafos enaltecendo a suposta superestrutura da entidade e paparicando a equipe dos marmanjos. No meio do terceiro parágrafo é que vieram seus tão aguardados comentários sobre a seleção das meninas. Vejamos:  “O feminino jogou de igual para igual contra potências mundiais, num grupo dificílimo. Das quatro semifinalistas, três jogaram contra o Brasil”, começa. Ok, este é numericamente um fato: por outro lado, para quem viu os jogos com o mínimo de senso crítico – será que ele assistiu? será que ele sabe o que é isso? –, ficou bem claro que Austrália e Rússia já não eram as mesmas poténcias de outrém.

E o que mais? “Desempenhos como os de Érika e Clarissa são sementes que plantamos, num trabalho sério e profissional de nossa diretora Hortência, do qual colheremos frutos. As derrotas servem para apresentar lições e fortalecer para o futuro. É isso que faremos”, sentencia. Peraí. Se bem entendemos esse trecho, o cartola quis dizer que Érika, uma pivô que já era uma força da Natureza no Mundial de 2006 e chegou a Londres com 30 anos, foi um produto de sua administração? Ou, quando ele diz “nós plantamos”, talvez esteja se referindo a si e a Gerasime Bozikis, nénão? Seu ex-comparsa, da gestão anterior, da qual tomou parte. Aí faz sentido. Claro!

Se bem que… Hã… Talvez, não.

Afinal, Carlinhos e o nosso presente de grego são concorrentes hoje.

Desculpem a confusão, ok? Mas, como suas trajetórias se confundem e a incompetência é a mesma, fica difícil separar em miúdos.

Voltemos ao editorial, então, sem esquecer a conveniente omissão do caso Iziane – essa semente ninguém plantou, então? – e sem deixar de destacar o prestígio direcionado a Hortência, que, deduzimos, s parece garantida até a reeleição, pelo menos.

Para arrematar, um Grand Finale: “Como disse Rubén Magnano, depois do jogo contra a Argentina, o bambu não cresce do dia para a noite. Além dos já consagrados, novos talentos vão surgir em nossas divisões de base, através de estímulos às federações, aos Nacionais e à Escola Nacional de Treinadores. Em 2016, uma grande festa no Rio de Janeiro vai consagrar de vez o basquete como orgulho nacional”.

É realmente uma pérola: “Bambu não cresce do dia para a noite”. Como se a apropriação dessa metáfora realmente nos forçasse goela abaixo a ideia de que 24 horas representariam os três anos de um trabalho. Conta outra, por favor.

Mas o mais revelador, mesmo, é o verbo “surgir”. Pois não é assim que funciona o basquete brasileiro? Quem explica talentos como Nenê e Damiris? Realmente muito bem empregado, já que “surgir” passa muito mais a noção de casualidade do que de planejamento, não?

Na mosca, presidente.


Ao menos uma vitória para fechar a campanha melancólica das meninas. E agora?
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Giancarlo Giampietro

Érika tentou de tudo no torneio, mas ataque não funcionou

Bem, o placar de 78 a 66 sobre a Grã-Bretanha valeu realmente como uma vitória de honra. Ao menos uma vitoriazinha que seja para evitar o vexame de cinco derrotas em cinco rodadas em Londres. A seleção brasileira feminina deixou para fazer sua melhor partida no torneio, quando era muito tarde para qualquer coisa.

E agora?

Bem, vamos tentar juntar alguns cacos:

- Nunca vi uma seleção brasileira com um ataque tão pobre, mas tão mal arquitetado numa Olimpíada, mesmo com a presença de Érika no elenco, uma das forças ofensivas mais irresistíveis do basquete internacional (16,2 pontos na primeira fase, 56% nos arremessos e 75% nos lances livres). Com um dínamo desses ao seu lado, que pediu marcação dupla e muita ajuda durante toda a campanha, a equipe terminou com uma média de 38% de acerto nos chutes, ganhando apenas de Rússia (37%!?), Grã-Bretanha e  Angola nesse quesito. Indesculpável, ainda acrescentando na conta os 16,6 erros por jogo, quinta pior marca da competição.  Isto é: não conseguimos nem cuidar bem da bola, para retardar o ritmo da partida, nem atacar a cesta com eficiência e rapidez. Faltou movimentação, criatividade, inteligência e controle emocional. Direção, em suma.

- A defesa brasileira se comportou bem muitas vezes no torneio, mas em geral seu desempenho oscilou demais, ainda mais quando Érika se complicava com o excesso de faltas. Terminou com média contrária de 70,8 pontos (sendo que no ataque converteram apenas 65,8). Foi a quinta pior retaguarda do torneio, acima de Angola, China, Croácia e Grã-Bretanha. Vale uma ressalva, no entanto: chinesas e croatas tiveram de encarar os Estados Unidos na primeira fase. Descontando as sacoladas que tomaram neste confronto, suas médias seriam bem inferiores.

- As rotações foram muito confusas: o Brasil não sabia se queria jogar com uma equipe mais alto ou um quinteto mais baixo. Rendeu bem melhor quando apostava em velocidade em vez de tamanho, uma vez que os talentos de Damiris foram desperdiçados: a jovem ala-pivô ficou extremamente deslocada no perímetro exterior. Seu chute pode cair dali, mas essa é apenas uma faceta de seu basquete, que acabou estrangulado.

- Apostar em Joice como a substituta de Adrianinha não foi a melhor cartada. Por outro lado, quando as duas jogaram juntas, o time rendeu bem melhor, ganhando em velocidade e pegada. Essa combinação, no entanto, foi pouco  repetida durante a competição. Começar com Karla e Chuca nas alas teoricamente daria ao time um chute mais confiável, para abrir a quadra para Érika, mas não deu certo: acertaram muito mais aro do que redinha, não tinham poderio de rebote e cobriam pouco terreno na defesa.

- Para um país que ficou bem-acostumado por anos e anos de Paula, Janeth, Hortência, Alessandra, Leila, Branca e outras, normal considerar que esta seleção londrina estivesse muito aquém em termos de talento. De 1 a 11, a média não era alta realmente, mas ainda havia possibilidades a serem exploradas. Tinha talento ali, sim. De Érika é melhor nem comentar mais nada. Clarissa complementou bem sua parceira de garrafão, não se intimidando contra as diversas adversárias mais altas que encarou. Terminou com 12,6 pontos e 9,0 rebotes (mais até que a grandalhona). Jogadora de muito vigor físico, energética, tino para os rebotes que ainda toma algumas decisões equivocadas no ataque, pode ficar exposta na defesa em determinados duelos, mas, no geral, oferece muito mais do que tira. Damiris não é uma escolha de Draft da WNBA de graça. Franciele pareceu sem confiança alguma, mas ainda é uma atleta de primeiro nível. Quando não tinha a obrigação de conduzir a equipe, Joice jogou muito mais solta e causou impacto com sua velocidade e explosão.

- Não era nossa melhor fornada, ok, mas o que dizer do restante da concorrência? Austrália e Rússia não detonaram ninguém na competição. A França veio forte, mas também não pode ser considerado um rival realmente dominante. Apenas os Estados Unidos jogaram como superpotência. Então não me venham falar de grupo forte, que deu azar, que sei lá o quê.

- Por fim, a última desculpa, aquela básica: a de que formamos um time pensando  longe, no Rio-2016. Pelamor. A presença de Karla e Chuca, ambas de 33 anos, na lista final nos remete a esta pergunta: vamos tentar realmente emplacar o discurso de que este ciclo olímpico era apenas uma fase de experiência? Quatro anos de preparação exatamente para quê?

As duas alas tiveram, respectivamente, médias de 23min39s e 20min07s de quadra, posicionadas entre as cinco que mais jogaram pela Seleção, ao lado de Érika, Clarissa e Adrianinha, que se despediu da equipe, enquanto Tássia (3 jogos com 3min58s), Nádia (4 jogos com 8min24s), Franciele (4 jogos com 5min10s) e Damiris (5 jogos com 19min32s, a única efetiva na rotação), as mais jovens, ficaram entre as cinco que mais ficaram no banco, junto de Silvia. Desse grupo londrino, apenas essas quatro e Clarissa chegarão ao Rio abaixo dos 30 anos. Érika vai ter de 33 para 34. Que renovação foi essa?

 


Após a 3ª derrota seguida em Londres, já sabemos qual o maior adversário da seleção feminina
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Giancarlo Giampietro

Seleção feminina de basquete perde a terceira em Londres

É um post bem frustrado, tá?

Ver a Austrália em ação nesta quarta só reforçou a sensação de uma grande oportunidade desperdiçada pela seleção brasileira feminina nestas Olimpíadas.

O temido oponente se provou completamente vulnerável em quadra, com duas ótimas pivôs dando um trabalho danado para Érika, uma armadora de 38 anos carregando o piano e pouco, ou nada, além disso. Colocamos nessa conta uma Rússia sem a referência de Maria Stepanova, e havia uma possibilidade clara de ir longe no torneio.

Porém, a bagunça da CBB e seu departamento de basquete feminino está posta como um adversário insuperável. Juntem aí os cacos: as falácias e intempéries da direção nos últimos anos, a interminável novela Iziane, as trocas de comando e, por último, o inócuo período de dois meses de treinamento nesta temporada, e as meninas tinham muito mais o que enfrentar além de França, Rússia e Austrália.

*  *  *

Em quadra, mais do mesmo: altos e baixos incríveis. Ninguém vai exigir que um time jogue 40 minutos impecáveis. Ocorrem as oscilações, normal, até por haver do outro lado da quadra um rival empenhado em minar o seu jogo também. Mas esta seleção olímpica do Brasil apresenta baixos que são terríveis.

Como no primeiro tempo contra as australianas, em que fizemos apenas 18 pontos, menos de um por minuto de jogo e mais uma apresentação sofrível no ataque, com apenas seis cestas de quadra. Seis. Em dois quartos.

Lauren Jackson x Damiris

Lauren Jackson não é o maior problema brasileiro

E, ainda assim, dava jogo, porque a equipe da Oceania não se cansava de cometer violações e também carimbava o aro de todos os modos. A partida, na real, fez a festa das pivôs, que turbinaram seus números de rebote: a Austrália apanhou 50, contra 40 do Brasil.

Essa diferença se explica pela presença massiva de Liz Cambage – é realmente impressionante seu tamanho –,   e uma craque como Lauren Jackson no garrafão, tendo a dupla ainda o reforço da batmoça (juro que é o apelido dela) Suzy Batkovic.

Nessa batalha, mesmo com a ajuda aguerrida e incansável de Clarissa, Érika se meteu em uma enrascada, com excesso de faltas durante toda o jogo – acabou limitada a apenas 19 minutos. No primeiro tempo, isso causou um impacto irreparável na seleção, que apanhou nas duas tábuas e perdeu por 13 pontos.

Na segunda etapa, uma defesa por zona 2-3 deu trabalho para as adversárias, que ficaram três minutos sem pontuar. E, enquanto a superpivô brasileira se segurava com três faltas, o time foi baixando a diferença executando, enfim, um ataque aceitável.

Aproveitando a evolução de Érika no passe, as brasileiras rodaram a bola e conseguiram chutes mais equilibrados de três pontos com uma inspirada Karla. Não tem muito segredo: a busca pelo jogo interior com um atleta que desequilibre tanto, a tendência é que os disparos de fora sejam facilitados. A diferença chegou a ser reduzida para cinco pontos, até que veio o ajuste australiano.

Passaram a acelerar sua transição e estabelecendo seus jogos de pivôs antes que a defesa brasileira se postasse de modo apropriado. Cambage e Batkovic pontuaram bastante, cientes de que Érika não podia ser muito combativa, e descolaram a quarta falta da pivô a dois minutos do fim do quarto. Com cinco pontos sem resposta, foram para o período final com 11 pontos de folga.

Érika acabou excluída com a quinta falta restando 6min22s de jogo, e o placar com 67 a 55 para a Austrália, e jogo encerrado? Deve ter sido o que a treinadora Carrie Graf matutou.

Ignorando a defesa pressionada do Brasil, na qual Adrianinha foi muito bem (foi uma rara contribuição positiva da veterana no torneio…), Graf deixou Samantha Richards se atrapalhar toda com a bola por uns bons três minutos e, aos poucos, de contra-ataque em contra-ataque, a diferença foi caindo. Com 16 segundos para o fim, chegou a ficar em apenas quatro pontos. Mas era tarde, e Lauren Jackson, sem se abalar com nada, matou o confronto com dois lances livres.

*  *  *

Dá para imaginar, então, o discurso da diretoria: que a seleção perdeu nos detalhes, que jogou de igual para igual com a elite, que foi por pouco, e todo aquele blablabla para tentar apagar as trapalhadas de todo um ciclo olímpico.

Podem tentar, mas não cola.

Do outro lado da chave, os Estados Unidos devem estar observando tudo isso um tanto perplexos e com muita confiança de que só um desastre lhe custará o ouro.


Seleção feminina cai em jogo vencível, perde chance em grupo aberto e se complica
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Giancarlo Giampietro

Quando foi divulgado o grupo olímpico da seleção brasileira feminina em Londres, todo mundo torceu o nariz. Danou-se.

Austrália? Vixe.

Rússia? E precisava?!

França? Só para afundar de vez.

Avançamos para hoje, finalzinho de julho, torneio rolando, e as coisas realmente estão complicadas para as meninas, com duas derrotas em duas rodadas. Mas não exatamente do modo como se imaginava.

Érika precisa de ajuda

A produção de Érika não foi suficiente para a seleção feminina agarrar suas chances

Primeiro na parte que não depende dos nossos esforços: a Rússia sofreu, mesmo, para derrotar o Canadá na estreia, virando o jogo no finalzinho. A Austrália, considerada a segunda força do torneio, perdeu hoje para a França. Era para estar tudo embolado, e o Brasil com uma boa chance. Mas a equipe não estava preparada para agarrá-la. A seleção teve dois jogos bem vencíveis contra francesas e russas e não conseguiu aproveitar.

Nesta segunda, ok, só lideramos o placar por um pontinho durante 18 segundos, 32 a 31, de 7min50s a 7min32s. Enão não é que o jogo esteve na mão e foi atirado fora. Elas, diga-se, venceram os quatro quartos.

Então talvez seja falsa essa impressão, admito: mas, durante vários trechos do confronto, parecia de que dava, sim para sair com a vitória. Afinal, a menos de seis minutos de jogo, as europeias estavam apenas a dois pontos de distância, após uma cesta de Damiris (53 a 51).

O problema é que, dali para a frente, as brasileiras novamente entrariam em colapso. Fariam apenas mais oito pontos, quatro deles no último minuto quando o jogo já estava decidido, enquanto as russas, sem balançar a cesta neste mesmo minuto final, fizeram o dobro de pontos, terminando por vencer por 69 a 59.

O Brasil cometeu mais dois erros e permitiu quatro rebotes ofensivos e um aproveitamento de quatro cestas em sete arremessos para as adversárias, sendo duas dessas bolas de três pontos. Um rendimento superior a 50% para uma equipe que havia convertido apenas 35% de seus chutes até ali (20 de 57). Gente, olha o baixo nível.

Mas, se preferir, dá para dizer que o jogo foi entregue, mesmo, pelos atrozes 15 desperdícios de bola cometidos no primeiro tempo – dos 20 no total. Escolha a sua.

*  *  *

Adrianinha foi mal contra a Rússia

Adrianinha não cuidou da bola contra Rússia

Preocupa, muito, o desempenho ofensivo anêmico  da seleção brasileira. São diversos os momentos em que as jogadoras param de mexer a bola de um lado para o outro, se perdendo em dribles, tropeços, faltas ofensivas e chutes forçados. Como nesses cinco minutos finais contra as russas, em que essa sequência, os quatro pontos derradeiros de Érika, quando já perdíamos por 14 pontos, o time conseguiu apenas duas cestas: umavcom a pivô e outra com Chuca.

Em duas rodadas, a equipe de Tarallo vem com aproveitamento de apenas 38% nos chutes de dois pontos e 29% de três. No geral, converteu 43 em 120 arremessos, bom para 35,8% de mira. Argh. Além disso, foram cometidos 35 turnovers. Aaaaargh. Não há defesa combativa que dê conta de suportar um ataque desses.

Falta mais criatividade nos movimentos brasileiros. Precisam encontrar mais (sim, mais!) alternativas para abastecer Érika. Mas, principalmente, falta aproveitar melhor as qualidades de Damiris, que está jogando muito distante da cesta. Ela pode cortar para dentro? Pode. Mas nas duas primeiras partidas isso pouco aconteceu e, seu chute de média distância, que era para ser um diferencial, virou a única bola disponível, aparentemente. O técnico precisa desenhar algo que deixe a ala-pivô mais confortável em quadra. Érika precisa de ajuda.

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É um mistério: já dissemos aqui há alguns dias que o Vinte Um andava distante do basquete feminino. Então alguém por aí sabe dizer o que acontece com a ala-pivô Franciele? Fisicamente, ainda é a mesma jogadora. Mas aonde foi parar aquela volúpia ofensiva, aquele jogo dinâmico? De novo: Érika precisa de um reforço urgentemente.

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As médias de Érika em duas partidas por enquanto são de 16 pontos, 11 reboes e dois tocos, com 50% de quadra e 73% nos lances livres.

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Pelo que vi nas prévias olímpicas, apenas Paulo Bassul, justiça seja feita,  deixou no ar que talvez a França fosse o time mais forte, mesmo, da chave. E ele disse hoje de novo: “Não foi surpresa nenhuma”. Nesta segunda, o time sobreviveu a uma bola milagrosa de Belinda Snell da metade da quadra, se aguentou na prorrogação e venceu por quatro pontos, tendo usado seu talentoso garrafão para estourar Lauren Jacson e Liz Cambage com cinco faltas.


Não dá para viver só de Érika numa Olimpíada
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Giancarlo Giampietro

Enquanto Érika pôde e conseguiu jogar contra as francesas, a seleção brasileira estava muito bem, obrigado. Depender, porém, excessivamente, exclusivamente de uma única opção ofensiva não pode. Dá nisto: após uma primeira etapa empatada em 34, a França venceu a segunda metade com facilidade para fazer um placar de 73 a 58 no final.

Com um elenco volumoso, especialmente um garrafão muito versátil, o técnico Pierre Vincent levou um tempo, uns 20 minutos, mas voltou do intervalo preparado e determinado a segurar a superpivô brasileira.

Érika encara forte marcação no segundo tempo contra a França

Érika encara forte marcação no segundo tempo contra a França

As linhas de passe para a jogadora foram obstruídas. Ágeis e compridas defensoras a vigiavam de perto e, mais tarde, a força-bruta Isabelle Yacoubou foi acionada para trombar com a adversária, sem precisar de ajuda.

Érika passou a encarar sérias dificuldades para se posicionar ou receber qualquer bola no garrafão e, afastada da cesta, ela está longe de ser uma jogadora produtiva e eficiente, cometendo muitos erros na tentativa de fazer o passe por cima de suas marcadoras.

Em números: no primeiro quarto, a pivô anotou nove pontos. No segundo, quatro. No terceiro, mais quatro. E ficou por aí, somando 17. Por outro lado, depois de ter cometido apenas um turnover em todo o primeiro tempo, ela acumulou cinco na segunda etapa. No total, teve mais desperdícios de bola (seis) do que rebotes (quatro)

Sem essa – única mesmo, gente? – alternativa, o ataque brasileiro descarrilou. Faltou criatividade e movimentação fora da bola para tentar gerar bons arremessos. A equipe anotou apenas nove pontinhos no quarto final, três deles quando a derrota já estava decidida. Entre uma cesta de média distância de Silvia Gustavo aos 7min46s e dois lances livres convertidos por Clarissa aos 2min25s, o Brasil passou mais de cinco minutos sem pontuar, estacionado nos 54.

Desequilibrado ofensivamente, cada vez pressionado na partida, o time também perdeu o controle na defesa, permitindo um alto aproveitamento de quadra para as francesas: 50% nos tiros de dois pontos e três pontos. Difícil sobreviver assim, ainda que tenham forçado, no geral, 19 bolas perdidas das adversárias, um ótimo número, que foi construído quarto a quarto, depois de terem terminado a primeira parcial abaixo dos 40%.

Fez muita diferença no decorrer do jogo a maior versatilidade e preparação do elenco francês. Confiante, seu treinador usou todas as suas 12 atletas, e para valer: a rotação alternou entre os oito minutos de Florence Lepron e os 28 da armadora Céline Dumerc, cestinha do jogo com 23 pontos.

Dumerc atuou com muita liberdade, chutando de longe (duas bolas de três convertidas em dois chutes tentados), fazendo fintas e ainda agredindo o garrafão brasileiro (bateu sete lances livres). As rotações defensivas falharam muito nesse sentido, e Érika também ficou muito imposta quando envolvida em pick-and-rolls. A francesa se esbaldou com os chutes da cabeça do garrafão, acertando sete de nove arremessos no total.

No quarto final, que fez toda a diferença no jogo, não houve uma só jogadora que tenha desequilibrado: as cestas vieram de todos os lados da quadra. Tanto que, das 12 escaladas, apenas Jennifer Digbeu, que jogou por nove minutos, não pontuou. A França foi, então, um time com muito mais recursos táticos e técnicos.

Ora: não dá para viver só de Dumerc numa Olimpíada.

*  *  *

O pior para Tarallo é que, nem se quisesse, ele poderia usar 12 atletas no jogo, desde o corte de Iziane na França, claro. E fez falta a maranhense hoje? Inegável. Sem a ala, o perímetro brasileiro fica muito enfraquecido ofensivamente, perdendo sua jogadora mais criativa em lances individuais que poderiam aliviar a pressão sobre Érika. Por outro lado, não dá para saber como a atleta se comportaria em quadra. Uma coisa é criar dentro de um sistema e outra é rompê-lo por conta própria pela sede de chutes e cestas costumeira.

*  *  *

Contra a Rússia – segunda-feira, 12h45 –, o Brasil ainda entra com chances. As europeias fizeram uma estreia preguiçosa e complicada diante das canadenses e só foram vencer a partida com uma virada na metade final do quarto período, lideradas pela experiente armadora Becky Hammon, que fez seis de seus 15 pontos nos últimos três minutos.

As russas venceram por 58 a 53 apenas com uma parcial de 21 a 10 no último quarto. Periga, porém, que esse susto as despertem para a continuação do torneio. Aí complica.


Prévia olímpica: a chance de as meninas jogarem como um time
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Giancarlo Giampietro

Hortência e Érika

Hortência entra em quadra, mas não pode ser a 12ª jogadora infelizmente

A Iziane vai falar aqui e ali, mas, pelo menos nas próximas duas semanas, a ala maranhense é passado em termos de seleção brasileira. Esperemos que os colegas em Londres não atormentem as outras 11 legitimamente olímpicas com isso.

A aposta de Hortência na cestinha não deu em nada – ou melhor, só deu em mais polêmica –, e agora as meninas têm a chance de provar em Londres que talvez não valesse tanto esforço assim pela imprevisível jogadora.

Que elas possam se unir e fazer a melhor Olimpíada possível. E aqui não dizemos meramente no sentido de “grupo fechado”, “família Tarallo” e nhe-nhe-nhém. Vale isso, ok, mas valeria muito mais uma equipe unida em quadra em torno de um jogo coletivo, bem disputado, com defesa e ataque solidários.

Tem gente de peso que acredita nisso: alguém cujo apelido “Magic” de nenhum modo parecia heresia, mesmo que tivesse de sustentá-lo em tempos em que a memória de Earvin Johnson Jr., aquele camisa 32 do Lakers, ainda era bem viva. Enfim, Paula escreveu em seu blog no R7: “O jogo da Iziane jamais me encheu os olhos. Não gosto de quem joga por jogar, quem não sabe escolher a melhor opção, quem não lê o jogo, que não joga para equipe. Enfim, não faz minha cabeça”.

Continua a genial armadora e agora empreendedora: “Estou mais convencida de que está na hora de apostar em jogadoras que tenham em mente a importância de um TIME, e que o individual jamais pode se sobrepor ao trabalho do grupo”.

Estrela por estrela ainda temos uma pivô como Érika, uma força natural absurda. A jovem Damiris também está em ascensão e tem muitos recursos. Elas têm talento para desequilibrar, ainda que a ala-pivô, bem jovem, não precise desse tipo de responsabilidade por ora.

Mas, com a despedida de Iziane, o técnico Tarallo tem agora nos Jogos uma ótima oportunidade para envolver essas atletas de enorme talento em benefício de um conjunto, ao mesmo tempo em que pode armar esse conjunto, essa equipe de um modo que potencialize as qualidades e virtudes de suas atletas.

Se o time jogar bem, fazendo as coisas certas, as estrelas e o talento tendem a fluir naturalmente.

Nesse contexto, realmente não faria sentido algum impor qualquer medida forçosamente.

Prévias olímpicas no Vinte Um:

- Coach K promove revolução tática. Mais ou menos como o Barcelona

- Mais tradicional, Espanha espera oferecer grande resistência aos EUA

- No torneio masculino, pelo menos nós “voltamos a falar de basquete”

E mais:

- Confira os horários dos jogos do Brasil e o calendário completo da modalidade

- O noticiário do basquete olímpico e o histórico de medalhas em página especial

- Conheça os 24 atletas olímpicos do basquete brasileiro em Londres-2012


Iziane volta a trair as companheiras de seleção
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Giancarlo Giampietro

Iziane, pela seleção

Iziane jogou o Pan, mas está fora das Olimpíadas

O Bala deu o furo ontem (vizinho taí pra isso!), Iziane está fora de Londres-2012, e imagino que a vontade de boa parte da galera era levantar a placa básica: “Eu já sabia!”

Nos últimos meses, Hortência, que apostou tudo na jogadora, e Iziane contaram com a sorte em termos do tabuleiro específico para “astros que vão, ou não, se apresentar, se comportar e jogar as Olimpíadas pelo basquete brasileiro”. A dupla Nenê e Leandrinho chamou muito mais atenção nesse caso, e a maranhense ia tocando sua vida com a seleção feminina com um pouco mais de sossego.

Ou melhor: certamente “sossego” não é o termo mais apropriado.

Não foi divulgado o motivo exato para o corte da cestinha. A CBB apenas cita “razões disciplinares”. Segundo consta, não houve briga, bate-boca com a diretora ou com o técnico. Então que tipo de episódio poderia acontecer para uma atitude tão drástica assim?

Ao que parece, não foi necessariamente um só ato abusivo que tenha motivado essa decisão. Nesta quinta-feira, teria acontecido apenas a gota d’água após “uma reincidência de erros”, como relatou Hortência ao Bala. Agora, se foi assim mesmo, a dúvida que fica: desde quando a ala vem aprontando (o time já está treinando há dois meses…)? A segunda: por quantas vezes as regras foram quebradas a ponto de o Brasil jogar apenas com 11 jogadoras um torneio tão ‘insignificante’?

São duas perguntas importantes para se responder uma terceira crucial: precisava o problema chegar a Estrasburgo, na França? Tão tardiamente assim?

Quais foram os erros anteriores que foram sonegados de modo que o time não jogará com força máxima uma Olimpíada?  E, no caso, nem por ter desfalque por lesão de última hora: o time simplesmente não vai conseguir escalar nem mesmo 12 atletas por causa de uma indisciplina que já havia sido detectada antes e não foi corrigida.

Isso deixa qualquer um envolvido com o processo pê da vida, para lá de chateado.

Antes de pensarmos em pátria e blababla maior, o fato é que Iziane deixou suas companheiras na mão. Se houve uma sucessão de deslizes por parte da jogadora, a ponto de ser inevitável o corte, dá para dizer que Adrianinha, Karla, Chuca, Joice, Franciele, Silvia, Clarissa, Damiris, Nádia, Érika e Tássia – respectivamente, do 4 a ao 15, pulando um número – foram traídas pela jogadora 8. Mais uma vez. E a CBB falhou em protegê-las.

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Ao UOL Esporte, Iziane se recusou a comentar, informar ou falar qualquer coisa a respeito do(s) ato(s) que tenham motivado seu corte. “Não posso falar sobre isso. Minha assessoria publicou uma nota. Não posso falar com a imprensa”, afirmou. Justamente uma das atletas mais desbocadas do esporte brasileiro. Para a ESPN Brasil, teria falado em tom de indignação de que “sempre sobra” para ela”, segundo relatou José Trajano após conversa com o excepcional José Roberto Salim, que conversou com a jogadora durante o dia. Francamente: o que ela poderia dizer além disso? Sai técnico, entra técnico, e só há um denominador comum na história toda.

- Atualização (20h15): Mais tarde, em pronunciamento ainda na França, a ala abriu o jogo: passou algumas noites no quarto do hotel da seleção com seu namorado. “Sei que a atitude foi inadequada e que esta sanção não pune só a mim como todo o trabalho que realizamos”, disse. Pediu desculpas ao grupo e a Hortência.

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O Vinte Um espera que as 11 jogadoras restantes consigam superar essa e tentar, de algum modo, reverter a situação, juntando os cacos. Mas é difícil, claro. Por outro lado, não sei exatamente o quanto a seleção perde neste caso em quadra.

Antes que me acusem a ignorância, calma.

O talento da maranhense é inegável, é a pontuadora mais natural da equipe, ainda explosiva (infelizmente, em muitos sentidos). Mas, durante os amistosos, ela vinha muito mal, destrambelhada no ataque, um problema de longa reincidência também. Agora o foco, imagino, precisa ir para Érika no garrafão, nem que seja na marra – só não dá para esperar que a superpivô faça milagres. Damiris também deve ganhar mais oportunidades, a despeito de seu jogo deslocado para o perímetro.

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Faz tempo que não abordamos o basquete feminino por aqui – havia acompanhado bem mais de perto a versão anterior da seleção, o time de 2006 a 2008, com algumas meninas que já não fazem parte do grupo (a simpatia de Karen e Micaela era um destaque). Abrindo o jogo, fica difícil de dar conta de tudo, e por vezes é melhor não falar muito para não correr o risco de se passar por leviano.  Então para muitos a intervenção aqui pode parecer estranha. Mas é impossível evitar o caso Iziane. Vamos acompanhar todo o torneio olímpico e, na medida do possível, falar das meninas também no decorrer da temporada.